É um pouco difícil descrever esse livro, pois ele não tem verdadeiramente um gênero... é um aborto de bodice-ripper, chick-lit e terror.
Uma pilha de outros livros se enquadra na mesma não-categoria, mas esse tipo de tática ou não-tática pode ser desnorteador para não dizer também um pouco decepcionante.
Morto ao Anoitecer é o primeiro volume de uma série sobre Sookie Stackhouse, uma telepata, que se envolve com um mundo vampírico que acaba de sair do armário. Toda e qualquer semelhança com a série True Blood não é mera coincidência, embora ambos sejam abordados de forma diferente.
Nesse primeiro volume, Sookie passa de adolescente caipira e ingênua - mesmo já tendo passado dos vinte anos - para uma mulher que está começando a tomar as rédeas da própria vida. Crível. O problema é a escrita, toda em primeira pessoa, que em nenhum momento traz a epifania que leva a essa mudança.
Os personagens ao redor de Sookie, especialmente os vampiros, não são exatamente charmosos e isso faz com que haja um certo quê de descaso em seu desenvolvimento.
Seu par romântico, o vampiro Bill, foge ao famigerado estilo byroniano que tanto agrada ao gênero, mas infelizmente, a autora fez com que ele adentrasse o território do caipira sulista transformando-o num personagem insosso que poderia ter sido descartado no segundo capítulo.
As cenas que, teoricamente, deveriam ser aterrorizantes ganham um filtro através de Sookie, onde tudo ganha um certo ar blasé e não alcança o nível desejado de horror ou indignação. Até o clássico mocinha-atacada-por-vampiro-mau-salva-por-vampiro-bom conseguiu ficar fosco.
Apesar dos pesares, a autora cria uma autêntica história pulp aquele tipo em que os acontecimentos são rápidos e cheios de reviravolta fica fácil, assim, ficar preso a vida rocambolesca de Sookie.