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    A Grande Arte -

    Rubem Fonseca

    Companhia das Letras
    1990
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788571641143
    Português Brasileiro
    4
    1079 avaliações
    Leram1978Lendo66Querem780Relendo6Abandonos64Resenhas55
    Favoritos85Desejados780Avaliaram1079

    O assassinato de uma prostituta --que tem seu rosto marcado à faca com a letra "P"-- dá início ao engenhoso romance policial "A Grande Arte" (Companhia das Letras), de Rubem Fonseca. Para decifrar essa escrita perversa, o advogado Mandrake --um dos grandes personagens da nossa literatura contemporânea-- lança-se em uma frenética aventura pelo lado sombrio da metrópole. Publicado em 1983, o livro permaneceu durante meses na lista dos mais vendidos do Brasil. A crítica o acolheu com entusiasmo no Brasil e no exterior e a obra foi adaptada para o cinema por Walter Salles em 1991.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva08/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Grande Orgulho

    Da primeira vez que li esse livro, a sensação predominante ao terminar a leitura foi de orgulho. Orgulho de que no Brasil tivéssemos um escritor desse quilate, um tipo bem diferente de escritor brasileiro. Pois até então eu estava acostumado aos clássicos brasileiros ou então às alternativas dos autores regionalistas e dos autores de dramas e comédias urbanos. Tudo muito lindo e maravilhoso, mas quando eu queria um livro daqueles que te fazem virar a noite e ler compulsivamente até chegar à última página, pois bem, acabava invariavelmente recorrendo à literatura estrangeira, principalmente norte-americana. Talvez porque esse tipo de livro é do que daria um filme igualmente eletrizante. Eu me ressentia um pouco disso, por mais que admirasse a literatura brasileira sentia essa lacuna como uma deficiência. Até que conheci Rubem Fonseca. Depois desse “A Grande Arte”, li diversos outros do mesmo autor: “O Caso Morel”, “Agosto”, “Bufo & Spalanzani”, “Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos”, além de algumas coletâneas de contos, sempre com uma admiração crescente que me trouxe a férrea convicção: Rubem Fonseca é o cara. Ele é um desses autores com a rara capacidade de transportar o leitor para o seu mundo próprio, o mundo de Rubem Fonseca, um lugar de fascínio e espanto que espelha a realidade, mas sempre com um algo a mais, um tempero especial: é o toque do mestre. Nesse universo em particular não podem faltar as mulheres que são lindas como cavalos, os homens que sofrem calados e as situações que são, digamos, insólitas. E um climão, caramba! Só mesmo lendo um livro dele! Foi o que fiz e li de novo cada um dos livros do Rubem Fonseca que eu tinha. Por obra de obscuros desígnios já esquecidos ou por mero acaso calhou que o último que eu tinha pra reler fosse também o primeiro de todos, A Grande Arte. Que livro absurdo!!! É um absurdo de bem escrito. A impressão que dá é que a cada frase que saiu impressa no livro, noventa e nove outras foram cortadas da narrativa por Fonseca, que exerce com cruel precisão o seu penoso ofício. Cenas de colossais possibilidades dramáticas são contadas em poucas palavras, enquanto o dia a dia é narrado em alegres e eruditos devaneios. Isso é só para dar uma pista do recheio, mas para quem ainda não leu só tenho mesmo uma coisa a dizer: prove! Experimente ler algo de mestre Rubem. “Muitos anos antes de Cristo havia na Grécia um poeta que dizia: tenho uma grande arte: eu firo duramente aqueles que me ferem. Minha arte é maior ainda: eu amo aqueles que me amam.” (Dr. Mandrake, advogado criminalista e narrador de A Grande Arte) (27.04.08)

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    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    José Rubem Fonseca profile picture

    José Rubem Fonseca

    O escritor e roteirista cinematográfico brasileiro José Rubem Fonseca nasceu no dia 11 de Maio de 1925, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele se graduou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ele passou a residir a partir dos oito anos. Antes de se devotar ao ofício literário, Rubem percorreu uma longa jornada na carreira policial, na qual ingressou ocupando o cargo de comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, ainda em terras cariocas, no dia 31 de dezembro de 1952. Ele permaneceu nesta profissão até o dia 06 de fevereiro de 1958, quando foi exonerado. Durante a maior parte de sua vivência policial ele trabalhou no gabinete, como relações públicas dessa instituição, estagiando por pouco tempo nas ruas. Um dos melhores estudantes da Escola de Polícia, ele se destacou profissionalmente por sua percepção apurada da psique humana, sua visão psicológica dos infortúnios do Homem. As experiências então vivenciadas pelo autor foram depois traduzidas por ele em sua obra. Neste momento, porém, ele ainda não revelava nenhuma inclinação literária. Em 1954, no mês de Julho, ele e mais nove policiais receberam a oportunidade de estudar nos EUA. Ele aproveitou este momento para também cursar Administração e Comunicação nas Universidades de Nova York e de Boston. De volta ao Brasil, atuou na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, ministrando aulas sobre seu campo de trabalho. Ao deixar a Polícia, o escritor ainda teve uma passagem pela Light, antes de se dedicar totalmente à literatura. O autor iniciou sua trajetória literária escrevendo contos, reunidos depois no livro Os Prisioneiros, lançado em 1963. A partir daí seu impulso criador não mais cessou. Ele publicou A Coleira do Cão, de 1965; Lúcia McCartney, de 1967; O Caso Morel, em 1973; Feliz Ano Novo – livro de 1975, censurado durante a Ditadura Militar; O Cobrador, de 1979; A Grande Arte – romance de 1983, adaptado para o cinema pelo próprio autor, dirigido por Walter Salles Jr.; Buffo & Spallanzani, de 1986; Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, em 1988; Agosto, de 1990 – convertido para as telas televisivas com grande sucesso; O Selvagem da Ópera, de 1994; O Buraco na Parede, de 1995; Diário de um Fescenino, em 2003; O Romance Morreu, de 2007, entre outros. Em seus livros despontam seres à margem da sociedade, assassinos, prostitutas, policiais, representados em um cenário povoado pela violência explícita e por uma alta voltagem sexual. Estes elementos são apresentados ao leitor através de uma linguagem austera, crua e sem circunlóquios. A ficção mesclada com fatos históricos também é uma característica da produção literária de Rubem Fonseca, como no retrato de Getúlio Vargas em Agosto, e a representação da trajetória existencial do compositor Carlos Gomes em O Selvagem da Ópera. Rubem Fonseca também escreveu críticas cinematográficas para a revista Veja, em 1967. Recebeu, ao longo de sua carreira literária, várias premiações importantes, entre elas o Prêmio Camões, o mais importante do idioma português. Ele foi igualmente consagrado por seus roteiros escritos para o cinema, recebendo o Coruja de Ouro por seu roteiro Relatório de um Homem Casado, de Flávio Tambelini; o Kikito de ouro, no Festival de Gramado, pelo longa-metragem Stelinha, dirigido por Miguel Faria; e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo roteiro de A Grande Arte, acima citado. Ele criou um personagem que se imortalizou nos meios literários – o advogado Mandrake, despido de valores morais, sempre cercado de mulheres, habituado a circular pelo ‘underground’ carioca. Este protagonista foi transportado para as telas da TV em uma série popular do canal HBO, vivido pelo ator Marcos Palmeira, em roteiro adaptado pelo filho de Rubem. Viúvo, pai de três filhos - Maria Beatriz, José Alberto e o diretor de cinema José Henrique Fonseca, o escritor era uma pessoa retraída e pouco se expunha diante da mídia. Sempre respeitado e admirado por seus amigos como uma pessoa modesta, amável e bem-humorada, faleceu no dia 15 de Abril do ano de 2020, aos 94 anos, decorrente de um infarto, em plena pandemia de Covid-19.

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    Juiz de Fora, Brasil

    José Rubem Fonseca