Banshee – Os Guardiões conta a história de Brianna, uma jovem de 19 anos que vive uma vida um tanto quanto conturbada na Terra. É que Brianna não sabe quase nada sobre suas origens, sabe pouquíssima coisa sobre seus pais, e ainda acredita sofrer de esquizofrenia, por ter supostas alucinações e sonhos perturbadores. No início da história, encontramos Brianna vivendo com dois tutores – Cleona e Iollan – e contando a eles que contratou um detetive particular para descobrir algo sobre si. Os resultados foram quase nulos, o que a deixou mais frustrada ainda.
Em certo momento, no entanto, Brianna acaba por descobrir que suas origens são um pouco mais “complicadas” do que ela pensava. A menina nasceu em outro planeta – Banshee – e é, na verdade, a princesa de lá. Seus pais foram sequestrados e mortos em uma guerra entre forças opostas que ainda assola seu planeta natal, e ela precisa voltar, e de repente se tornar a rainha forte e destemida da qual Banshee tanto precisa.
A partir daí, o livro segue os esforços de Brianna para assumir essa difícil e inesperada responsabilidade, unindo povos que estão separados e aprendendo a guerrear para liderar seu exército – afinal, Banshee é um planeta com uma tradição de certa forma matriarcal, com rainhas guerreiras e amazonas. No meio dessa complicação toda, Brianna ainda tem que lidar com sentimentos novos em relação a duas pessoas especiais para ela.
O enredo de Banshee é conciso e redondo, e empolga. A autora C. A. Saltoris misturou mitologias e culturas variadas (encontramos traços da mitologia grega, celta, egípcia, brasileira, traços de paganismo e wicca, entre outros elementos) e conseguiu dar um motivo para isso, entrosando as coisas de forma orgânica. Não senti artificialidade nesse sentido, e achei o uso desses elementos criativo dentro da história. Brianna é uma personagem cativante em certos pontos, e em outros aparece um pouco imatura, o que achei natural, pois a responsabilidade grande expõe as dúvidas e inseguranças da jovem. Dois outros personagens que têm bastante destaque são o general Lugh e o tenente Cahan, ambos com personalidades bem distintas. Achei Lugh mais interessante com seus conflitos e background sendo mais bem desenvolvidos. Também tenho que chamar atenção para os cavalos falantes. Eu amei os cavalos falantes. Quero um agora, por favor. Confesso, contudo, que gostaria de ter tido mais aprofundamento nas motivações de todos os personagens (porque eu sou a louca dos personagens e sempre quero saber mais sobre eles).
É aí que tenho que tocar no ponto da minha única ressalva com Banshee: o desenrolar rápido da história. Eu gostaria que algumas partes tivessem sido mais pausadas, gostaria de ter tido mais “proximidade” com alguns personagens e situações. Isso parte um pouco de um gosto pessoal meu – ao ler, eu prefiro um desenvolvimento mais lento, ao passo que eu sei que algumas pessoas não se importariam com esse ritmo mais veloz. Mas eu acredito que um pouco mais de “parcimônia” teria favorecido o enredo e os personagens. Principalmente Brianna. Ela, de um dia para outro, sai da Terra e volta para o lugar onde nasceu, precisando aprender coisas com as quais não tem a mínima familiaridade. Achei que ela aprendeu certas coisas com muita rapidez e cativou seu povo com muita facilidade. Eu sinceramente esperava um pouco mais de resistência e dificuldade, ainda mais por causa da juventude e inexperiência da protagonista.
Algumas cenas também foram prejudicadas por conta da rapidez: a passagem no país das fadas, Ennisfee, e certos elementos do final. Não foi o suficiente para estragar o desenvolvimento da história, não, mas seria legal que houvesse um aprofundamento maior.
O legal de tudo isso é que a autora entrou em contato comigo e disse que estava desenvolvendo exatamente essa cena de Ennisfee e mudando algumas que acredito que serão muito legais para a trama, por exemplo: Brianna vai ficar mais velha, junto com outros personagens (o que acho muito coerente com as atitudes dela).
Concluindo, Banshee – Os Guardiões (vocês terão que ler para descobrir o que são os guardiões!) é um livro criativo, envolvente e que desperta a nossa curiosidade. Tem de tudo um pouco: aventura, romance, humor… o que acho muito positivo. A escrita de C. A. Saltoris tem qualidade e potencial, e acredito que vá estar ainda melhor no segundo livro da série, pelo qual estou esperando! Existem alguns erros de revisão no livro, mas isso é normal para quem publica independentemente (eu que sei!).
O livro pode ser encontrado na Amazon e no blog da autora você encontra mais informações sobre Banshee e seus personagens!
Banshee é uma leitura que eu recomendo, e se você curte histórias que vão direto ao ponto, tenho mais certeza ainda de que você vai gostar. Deixo meus parabéns à autora pelo trabalho de fôlego e pela história envolvente. Banshee me fez mais feliz em um período de stress e complicações. Estava precisando de um livro leve, com doses de humor e romance!