Quando descobri que o Mark Darcy não retornaria neste novo livro, fiquei chocada. Afinal, ele É o grande par romântico da Bridget e não dá para simplesmente tirá-lo da história em pleno terceiro (e talvez último) volume da série. Como fazer um chick-lit funcionar sem o mocinho que conquistou leitores no mundo inteiro? Eu sabia que a Helen Fielding tinha um desafio pela frente. Mas resolvi dar o benefício da dúvida por que percebi que a autora quis fugir da mesmice e entregar um livro com uma perspectiva mais madura das coisas. Ela bem que tentou, mas não conseguiu.
Acontece que o Darcy morre em um trágico acidente que acontece em uma viagem de trabalho ao exterior. Bridget fica sozinha com os dois filhos, Billy e Mabel. Diga-se de passagem que o menino herdou muito do pai, inclusive o jeito de olhar para a mãe com uma mistura de Eu te amo e você enlouqueceu. Viúva, brigando com o peso e carregando muitas inseguranças, Bridget tem o desafio de reconstruir a sua vida enquanto lida com a paixonite pelo namorado Roxster, de 30 anos. E ainda tem o professor do Billy, que sempre consegue flagrá-la nas situações mais constrangedoras...
Mesmo tendo a premissa boa, achei o livro um pouco cansativo. O Roxster é um personagem enfadonho e eu tinha vontade de pular todas as falas dele. As histórias secundárias não me prenderam e o Darcy deixou um buraco imenso na trama. Veja bem, o Mark é muito forte na série. Mesmo morrendo, ele não tem como ser deixado de lado como se fosse só um coadjuvante. Isso me incomodou demais em Louca pelo Garoto. Não há um flashback sequer dele e nenhum diálogo do personagem é reproduzido na história. Já que a narrativa é um diário escrito pela Bridget, a autora podia ter colocado alguns fragmentos da vida dos dois ou até mesmo a noite que antecedeu a sua fatídica viagem. Não tem N-A-D-A. Apenas um capítulo tratando rapidamente da sua morte e alguns parágrafos em que a Bridget diz sinto falta disso ou daquilo. A memória dele poderia ser muito melhor explorada, já que os fãs sempre foram apegados ao casal. Para quem queria detalhes de como era o casamento dos dois, aviso que vai ficar só na curiosidade mesmo. Tudo é mencionado de uma forma muito genérica e um personagem tão importante na série merecia muito mais.
Outra coisa chata é a cabeça da Bridget que, em muitos sentidos, parecia a mesma do primeiro livro. Vale lembrar que estamos falando de uma mulher que viveu um excelente casamento e hoje é mãe de dois filhos aos cinquenta anos. É sério que ela ainda não aprendeu o que vale a pena em uma relação? É sério que ela está toda preocupadinha com a sua popularidade no twitter? Não esperava uma Bridget perfeita, mas ninguém com tanta vivência de tantas coisas permanece com a mesma cabeça de vinte anos atrás. Fiquei com a impressão que a Helen quis segurar o humor e deixou a Bridget toda caricata, de um jeito que não combinou com o momento vivido pela personagem.
Por fim, até agora não entendi a viuvez da Bridget Jones. O fato não contribuiu em nada na história. O livro não ficou mais maduro, porque é a mesma personagem, com os mesmos pensamentos e passando pelas exatas situações dos anteriores. Não ficou original nem diferente porque repete toda a fórmula do primeiro livro. Roxster e o Professor Wallaker compõem o mesmo triângulo que existia com Daniel e Darcy.A diferença é que a Bridget não tem a mesma liga com nenhum dos dois nessa terceira história. É a repetição da trama com uma protagonista vinte anos mais velha, com dois filhos e sem aquele mocinho que arranque REALMENTE um sorriso bobo ao longo da leitura. Me decepcionei porque achei mais do mesmo. E se era para ser assim, o Darcy poderia ter sobrevivido perfeitamente.