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    Satolep -

    Vitor Ramil

    Cosac Naify
    2008
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788575037096
    Português Brasileiro
    3.8
    135 avaliações
    Leram212Lendo15Querem135Relendo0Abandonos12Resenhas5
    Favoritos23Desejados135Avaliaram135

    A úmida e fantasmática Satolep (palíndromo da palavra Pelotas ) é a cidade construída pelo escritor gaúcho Vitor Ramil, para onde o fotógrafo Selbor, protagonista e narrador do romance homônimo, retorna no dia do seu aniversário de trinta anos. Ele se depara, então, com personagens reais da história pelotense, como o escritor João Simões Lopes Neto, o poeta, jornalista e boêmio Lobo da Costa e o cineasta Francisco Santos.

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    Gabriel Carrara Vieira picture
    Gabriel Carrara Vieira11/02/2010Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Pedantismo puro

    Mesmo que não seja nova, a proposta não deixa de ser interessante: depois de anos fora de sua cidade, um fotógrafo retorna a ela e começa a vivenciá-la pautado pela sua memória e impressões atuais. Paralelamente a essa redescoberta, ele se vê em uma intrigante correlação entre suas fotografias e textos que as descrevem com perfeição, sendo estes realizados sem qualquer contato com sua obra. Esse resumo serve para apontar que, no fundo, a proposta de 'Satolep' não é ruim. Mas a sua execução é uma falha clamorosa do início ao fim, devido a doses cavalares de preconceito literário e pedantismo. Desde a primeira página, o autor nos brinda com aforismos, elipses e virtuoses frasais como a se colocar, em um passe de mágica, no regime da linguagem poética. Contudo, embora seja nítida a sua vontade de colocar 'explosões expressivas', com as personagens despejando suas impressões puras e poéticas, o que se vê na verdade é um amontoado de frases de efeito artificialmente colocadas para garantir a literariedade da obra. O problema é justamente essa inversão: frases enigmáticas, elipses, metáforas, metonímias e outros recursos deveriam ser, no máximo, uma consequência, e não a causa da literatura. "Vejam como escrevo de modo obscuro e poético, já que sou literatura", é como a obra parece se colocar diante de nós. Em virtude desse amontoado hermético, o resultado final é uma obra extremamente pedante, pouco sincera consigo mesma, e bem ininteligível. Eu consigo até suportar um livro que tem uma proposta coisa mas esbarra nas próprias limitações; mas uma desonestidade intelectual tão deliberada é difícil de aguentar.

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 135
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
    Vitor Ramil  profile picture

    Vitor Ramil

    Vitor Ramil nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 7 de abril de 1962. Iniciou sua carreira artística como músico, compositor, letrista e cantor na década de 1980, tendo gravado seu primeiro disco, Estrela, Estrela, aos 18 anos. Na década de 1990, afastou-se dos estúdios para dedicar-se exclusivamente aos shows, apresentando-se muitas vezes na pele de um personagem pálido e corcunda, o divertido Barão de Satolep. É nesse cotidiano de música, poesia e teatro que Vitor Ramil começa sua carreira de escritor, lançando a novela Pequod (1995), ficção criada a partir de passagens de sua infância, da relação com o pai, de andanças pelo extremo sul do Brasil e pelo Uruguai. Esse contexto fez com que o autor começasse a refletir sobre sua identidade de sulista e sua própria criação através do que chamou de “a estética do frio”. A busca desta deu-lhe a convicção de que o Rio Grande do Sul não estava à margem do centro do Brasil, mas sim no centro de uma outra história. Foi a partir dessa ideia que Vitor Ramil tornou-se um dos renovadores da “milonga”, gênero musical comum ao sul do país, Uruguai e Argentina, ao qual dedicou seu disco Ramilonga (1997), afinidade com as invenções mais radicais da cena artística contemporânea. Ramil já lançou sete discos e tem canções gravadas por nomes internacionais como Mercedes Sosa e Jorge Drexler. Satolep Sambatown (2007) é seu mais recente trabalho ? ele venceu o Prêmio Tim de Música 2008, na categoria Melhor Cantor por Voto Popular.

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    Vitor Ramil