Se você está procurando por uma distopia única, cheia de ação e impossível de parar de ler, Savage Run é o livro ideal. Esse livro tem tantas qualidades incríveis que eu levei um bom tempo para decidir como descrevê-las nessa resenha.
Antes de mais nada: eu amo o mundo de Savage Run. Há algumas coisas que estão presentes em quase todo livro desse tipo – a sociedade dividida, o governo que não liga para as camadas mais baixas da população, e a heroína que faz parte dessas camadas, mas luta contra as regras. No entanto, junte à isso o programa Savage Run e os personagens incríveis e o livro se tornou algo extremamente instigante e bem diferente de outras distopias que eu já li.
Eu acho que Heidi é uma das protagonistas mais reais e fortes que eu já vi. O que eu gostei nela foi que ela não é o tipo de heroína sem medo, altruísta, forte-sem-ajuda-de-ninguém. Ela está sempre lutando com suas decisões e, algumas vezes, ainda mais enquanto ela está no Savage Run, fica óbvio que a ajuda e as palavras de encorajamento de outras pessoas são em grande parte responsáveis por dar a Heidi a força necessária para seguir em frente. Nicholas, Mai e Arthor são bons exemplos disso. Mas Heidi é também extremamente motivada pelo que ela acredita, por sua amizade com Gemma e pela sua luta por liberdade. Então, o que nós temos é uma pessoal real que tem suas qualidades, mas também seus defeitos, e é incrível ver o quanto ela cresce ao longo do livro.
Nicholas é outro dos personagens que eu mais amei. Eu acho que as conversas entre ele e Heidi, toda o relacionamento deles, na verdade, são algumas das coisas mais importantes no livro. Eles são pessoas vindo de dois lugares opostos na hierarquia, já que ele é o filho do presidente e ela é uma Laborer (Trabalhadora, em tradução livre), e apesar de ambos discordarem da maneira como o país é governado, a maneira como você consegue ver o ponto em que suas experiências de vida fizeram suas opiniões divergirem é incrível, assim como o quanto eles aprendem compartilhando essas diferenças com o outro.
Antes que essa resenha fique longa demais, eu gostaria de dizer algo sobre o próprio programa Savage Run: é simplesmente incrível. É uma luta pela sobrevivência da maneira mais cruel, e o jeito como E. J. Squires conseguiu retratar todos os tipos de diferentes reações de vários participantes, ao mesmo tempo em que inseria discussões sobre temas como liberdade e homossexualidade é impressionante. A parte da aventura também não decepcionou: os obstáculos do Savage Run são cheios de ação.
Apesar de eu ter tentando o meu melhor para mostrar o quão bom esse livro é, eu ainda não acho que fiz jus à ele. Fiquei realmente feliz de ter começado o ano com uma leitura tão incrível e, embora (infelizmente) o livro não tenha sido lançado no Brasil ainda, recomendo que, se você lê em inglês, leia Savage Run e veja você mesmo sobre o que eu estou falando.