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    A trégua -

    Mario Benedetti

    Alfaguara
    2007
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-13: 9788560281046
    Português Brasileiro
    4.2
    3193 avaliações
    Leram4364Lendo131Querem2481Relendo4Abandonos62Resenhas489
    Favoritos277Desejados2481Avaliaram3193

    Em A trégua, Mario Benedetti cria um retrato às vezes bem-humorado, às vezes ferino, dos difíceis relacionamentos humanos. Publicado em 1960, A trégua é o mais famoso romance de Mario Benedetti e uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário e com fina ironia, o livro conta a história de Martín Santomé, um "homem maduro, de muita bondade, meio apagado, mas inteligente". Prestes a completar 50 anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina monótona e cinzenta, sem sobressaltos. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria; mas não tem ideia do que fará assim que se livrar do trabalho maçante. Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida contratada para ser sua subalterna. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então triste e opaca. Mas será que essa relação conseguirá ir adiante? Muito mais do que uma história de amor, A trégua é um questionamento sobre a felicidade.

    Edições (5)

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    Flávia picture
    Flávia29/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    DON´T WAIT ON TOMORROW ´CAUSE TOMORROW MAY NOT SHOW.

    “A Trégua” é o mais famoso romance do poeta, ensaísta e escritor uruguaio Mario Benedetti, publicado em 1960, tendo sido considerado uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário, vamos acompanhando a vida de Martín Santomé, um homem prestes a se aposentar, que faz um relato honesto sobre a vida, família, amores e dissabores. Ao procurar sobre a data de publicação deste livro, li que é especialidade de Benedetti escrever sobre relacionamentos, e foi interessante isso, porque foi exatamente essa a sensação que ele me deixou com esse livro. De que este é um romance que fala (e nos ensina!) sobre relacionamentos. E aqui eu não estou me referindo apenas a relacionamentos amorosos. De fato, o que vemos é um olhar muito preciso do protagonista sobre todas as suas relações, sejam elas amorosas, familiares, de trabalho, ou até mesmo com amigos de infância, vizinhos e pessoas que cruzam seu caminho apenas para lhe servir algo em umas das cafeterias e restaurantes nos quais Santomé nos convida a acompanhá-lo ao longo da história. É bela a forma como o protagonista apreende o mundo ao seu redor. Suas descrições de lugares e (em especial!) das pessoas é preciso e honesto, sem excluir as partes boas tanto quanto as ruins. E apesar de ser uma narrativa poética, de escrita agradável, ela também é recheada desse humor ácido (que eu amo!) que por mais maldoso que seja, chega a nos fazer rir (e como eu ri!). Mas a maior beleza desta história está no fato de que seus personagens são reais. Eles acertam, se relacionam, erram e pecam como qualquer pessoa nesse mundo. E é exatamente por isso que esse livro nos encanta com tanta facilidade. Porque nessa dança da vida, onde ora acertamos os passos, ora muito desajeitados pisamos uns nos pés dos outros, vamos sendo envolvidos por ritmos e movimentos que mesmo quando desconhecemos, não há como escapar de por eles ser envolvido. E é exatamente essa a beleza desse romance. É difícil colocar em palavras toda a magnitude que uma história como essa é capaz de nos proporcionar. Porque apesar de ser uma história de ficção, ela nos faz pensar nas relações que mantemos no nosso dia a dia. Para mim, o mais impactante era o seu senso de presença que Santomé tinha. Ele era um homem vivendo o seu processo de envelhecimento, naquela crise do “o que eu faço da minha vida depois de me aposentar?”, e ainda assim, ele tinha algo que tanto falta no mundo atual: presença! Entende o que eu quero dizer aqui? Em um mundo frio de telas de celular e computadores, onde se diz tudo o que se quer, menos a verdade. Onde as fotos são cheias de filtro, e já não olhamos mais nos olhos uns dos outros ao falar. Onde a fala é por caracteres que não tem som e nem emoção. Onde falamos de qualquer jeito, e já não nos preocupamos em entender, porque hoje em dia se ouve mais para responder do que para compreender o que o outro tanto quer nos dizer. Em um mundo de superficialidades, indiferenças e muitas mentiras ditas com tanta verdade, Santomé vem nos ensinar o poder de olhar para as pessoas ao nosso redor, especialmente aquelas com quem convivemos, sem pressa, observando cada detalhe, cada gesto, do mais simpático até o mais odioso, estabelecendo um contato verdadeiro com quem nos cerca porque são parte do nosso dia. São parte de quem somos no mundo! E nos relacionarmos com honestidade é o símbolo máximo do respeito, em um mundo onde essa palavra parece já ter desaparecido quase por completo. Este livro é uma verdadeira lição, que não tem nada de perfeita, porque assim como na vida, Santomé também irá fazer suas tentativas e erros, mas o mais importante é que ele tenta! E é isso que ele vem nos ensinar. Que belo livro para encerrar esse ano. Que escrita sublime de um mestre em relacionamentos. Que bela forma de passar uma mensagem tão importante sobre a vida. Que homem mais sábio foi esse uruguaio, e só posso dizer que já estou ansiosa para ler outros livros dele. E só para admirar um pouco mais de uma obra que é um verdadeiro deleite, eu quero encerrar com uma parte desse diário de um homem que tanto me ensinou, chamado Martín Santomé, que retrata com maestria o poder e beleza desta história: “Segunda, 3 de fevereiro Ela me dava a mão e eu não precisava de mais nada. Bastava isso para que eu me sentisse bem acolhido. Mais do que beijá-la, mais do que deitarmos juntos, mais do que qualquer outra coisa, ela me dava a mão, e isso era amor.”

    91 curtidas

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    4.2 / 3193
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
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    Mario Benedetti

    Mario Benedetti (Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 — Montevidéu, 17 de maio de 2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar "Poemas de Oficina", uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema. Dentre as diversas honrarias que recebeu destacam-se o Prêmio do Ministerio de Instrução Pública (1949) conquistado em função de sua primeira compilação de contos, Esta Mañana; Prêmio Jristo Botev da Bulgaria (1986) pelo conjunto de sua obra; o Prêmio Ibero-americano José Martí (2001); e o Prêmio Internacional Menéndez Pelayo (2005) que é dado em reconhecimento ao esforço de personalidades em âmbito artístico e científico em prol dos idiomas ibéricos.

    56 Livros
    176 Seguidores

    Mario Benedetti