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    Chuva Dourada -

    Gina B. Nahai

    Ediouro
    2007
    331 páginas
    11h 2m
    ISBN-13: 9788560302161
    Português Brasileiro
    4
    107 avaliações
    Leram157Lendo12Querem159Relendo1Abandonos6Resenhas17
    Favoritos15Desejados159Avaliaram107

    Na década anterior à Revolução Islâmica, o Irã é um país à beira de uma explosão. Yaas é uma menina de 12 anos que nasce em uma família já divida. Seu pai, Omid, é filho de judeus iranianos muito ricos, pertencentes à classe alta do país. Sua mãe, Bahar, cresceu nos guetos de Teerã do Sul. Omid escolhe se casar com Bahar não pela beleza, mas porque acha que ela será uma mulher submissa. O casamento é um desastre. Omid tira Bahar do gueto, mas o estigma de garota pobre permanece por toda sua vida. Ele proíbe, ainda, que sua mulher continue os estudos. Após vários acontecimentos infelizes, Bahar se decepciona com o nascimento de uma menina, quando todos previam a chegada de um menino. Yaas é o nome que escolhem para a filha, que passa sua infância transitando pelas várias classes da sociedade iraniana. A difícil tarefa de Yaas de aproximar seus pais se torna crítica quando Omid se apaixona por Niyaz, uma linda mulher de uma nobre família muçulmana, e o casamento começa a desmoronar com a exposição pública do relacionamento extraconjugal. Enquanto Bahar sofre com a solidão e a vergonha, Yaas é atormentada por uma misteriosa e terrível enfermidade. Em Chuva Dourada, a escritora iraniana Gina B. Nahai nos traz um romance extremamente detalhista e poético, repleto de personagens ricos e extravagantes, como a Dançarina de Tango, a Irmã Pomba e o misterioso Irmão Fantasma, o irmão de Bahar que morreu quando tinha dez anos de idade, mas que não consegue aceitar o fato. Nesse incrível cenário, a inocente Yaas luta para entender seu papel e o motivo de ser um fardo, e não uma alegria, para os pais. O resultado é emocionante: uma alma perdida, devastada pela humilhação, ansiando apenas por uma pequena dose de amor. Ao mesmo tempo um exame cultural de uma sociedade ainda estranha para nós e um estudo psicológico dos efeitos da perda, Chuva Dourada nos conduz por esse mundo trágico e fascinante de uma garota destemida lutando contra obstáculos intransponíveis.

    Resenhas (17)Ver mais
    Ladyce West picture
    Ladyce West12/02/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma história triste e verdadeira

    Quando eu ainda morava nos Estados Unidos, fiz amizade com um casal judeu iraniano. Quando os conheci, a minha ignorância sobre o Irã e sua população era tão grande que não pude esconder a minha surpresa ao aprender que no Irã da época do Xá, havia uma grande comunidade judaica, a maior no Oriente Médio fora de Israel. Naqueles anos, o Aiatolá Khomeini já havia se cansado de requisitar a cabeça do escritor Salman Rushdie pelo livro VERSOS SATÂNICOS! Levando isso em conta, simplesmente assumi que a maioria dos judeus persas houvesse emigrado. No entanto, para escrever a resenha do livro que acabo de ler, busquei informações na rede e me surpreendi, uma vez mais, ao saber que ainda há uma pequena e devota comunidade judia na capital, Teerã. A mim, parecia improvável que houvesse tolerância no mundo xiita aos judeus, principalmente no Irã, que nas últimas décadas não tem sido visto como um país particularmente aberto a opiniões que diferem do conservadorismo xiita. Abordo esse assunto porque as famílias dos personagens centrais do livro CHUVA DOURADA, de Gina B. Nahai [Ediouro: 2007], pertencem a famílias judias, residentes no Teerã, e suas histórias se passam nos anos imediatamente anteriores à revolução que depôs o Xá da Pérsia. Este foi um romance que me deixou silenciosa e pensativa. Acabei de ler suas 332 páginas em dois dias e passei a tarde e a noite do último dia, após fechar o último parágrafo, tendo que considerar a potência dos preconceitos contra mulheres, que também afetam os homens. Preconceitos arraigados por religiões e culturas milenares limitam, cerceiam, podam e contorcem os espíritos ricos, as mentes empreendedoras, os gritos rebeldes das almas que precisam se expressar. De particular amargor é ver mais uma vez o retrato da discriminação contra a mulher. Este é um assunto que me cala. Mas ainda é difícil imaginar o rancor que mulheres como Bahar [nome que em farsi significa Primavera], personagem principal da trama, trazem dentro de si, encobrindo como um manto todos os desejos de crescimento emocional e educacional a que aspiram e que preconceitos variados lhes tolhem, a todo momento, o simples ato de viver bem ou dignamente. Inadvertidamente, essas mulheres, passam para suas filhas, para a próxima geração, os mesmos traumas com que cresceram, repetindo numa cadeia infinita, as pragas de se ter uma filha mulher, a tristeza de não se ter um filho homem. Perpetuam assim a injustiça que sofreram e da qual não conseguiram se libertar. A história de Bahar, tenho certeza, não é única. Nem é simplesmente um excesso da imaginação de uma iraniana que se libertou e emigrou para os EUA, como aconteceu com a autora. Aos 17 anos Bahar encontra Omid [ cujo nome em farsi significa Esperança]. Ela é de uma família judia pobre. Ele de uma família judia rica. Eles se casam contra a vontade da família dele. E o que deveria ter-se tornado um conto de amor, passa a ser uma história de abuso, de preconceito, de tortura, não dos agentes que poderíamos esperar, mas da sociedade, da cultura, do círculo familiar. Omid logo encontra o amor de sua vida, uma mulher muçulmana, livre, amante de um outro homem. E por sua própria inabilidade de administrar a vida, os sentimentos e o mundo em que vive, só piora a situação em casa, em seu próprio casamento. Mais uma calamidade aflige o casal, e principalmente Bahar, eles têm uma filha com surdez progressiva. A já depauperada, oprimida Bahar, agora sofre duplamente, não só é mulher e teve uma única filha, também mulher, mas esta filha não preenche todos os requerimentos necessários, pois não é “perfeita”. CHUVA DOURADA não é um romance leve, cheio de momentos bucólicos. Muito pelo contrário. É uma história triste e fascinante, de um mundo que – aqui no ocidente, numa cultura de inclusão como a nossa – parece pertencer a um tempo cravado nos primeiros séculos da Idade Média, cuja realidade custamos a acreditar co-habite com a nossa, dia a dia, ano a ano. Muito bem narrada, a autora não poupa ao leitor o sofrimento de Bahar e de todas as mulheres nela representadas. Este é um romance sobre expectativas nunca alcançadas. Recomendo esse livro. Com todas as cinco estreles que me dão. Estou emprestando meu volume a todos os amigos que gostam de boa literatura. E também porque não posso deixar de tentar abrir os olhos, sempre que possível, para o problema da discriminação contra a mulher. Vá ler CHUVA DOURADA. Não é leve. Mas vale todas as palavras nele escritas. *** NOTA: Há horas em que tenho a impressão de que não há ninguém no comando das nossas editoras. É impressionante a falta de cuidado com os livros aqui impressos. No caso deste livro, de Gina B. Nahai a pergunta que não cala é: Quem foi que deu a este romance o título de CHUVA DOURADA? Procure pelo título na internet e verá o que qualquer pessoa com um pouco mais de conhecimento percebe: esta é a expressão usada para a urofilia, ou seja para a prática sexual em que a urina está envolvida. Alguém dormiu no volante… É simplesmente inacreditável! O título no original em inglês é “Caspian Rain”. “Caspian” se refere ao Mar Cáspio. No romance a palavra “Caspian” está associada à cor do Mar Cáspio… Por que então não evitar a infeliz conotação implicada no título em português? Ei, onde estava o editor? Onde estavam as cabeças pensantes da Ediouro? O livro não chegou às livrarias com esse título sem a aprovação de alguém… Provavelmente muitos alguéns...

    16 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 107
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    Gina B. Nahai profile picture

    Gina B. Nahai

    Gina B. Nahai nasceu no Irã e estudou na Suíça e Estados Unidos. E autora dos livros: "O Luar na Avenida da Fé; Chuva Dourada e também "Cry of Peacock e Sunday's Silence", romances premiados e aclamados internacionalmente. Gina B. Nahai participa frequentemente de conferências sobre a hitória dos judeus no Irã e sobre temas que tratam do exílio. Foi consultora de história do Irã para o Ministério da Defesa dos EUA. Atualmente mora com a família em Los Angeles.

    2 Livros
    4 Seguidores

    Gina B. Nahai