Lazarilho de Tormes

Anônimo



Resenhas - El Lazarillo de Tormes


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Lucy Soturna 16/11/2010

Uma obra a frente de seu tempo
Lazarillo é uma clara demonstração da crise dos modelos narrativos renascentistas, pois todo o idealismo e equilíbrio destes são postos abaixo pela realidade cotidiana contida nesta brilhante obra anônima.
Lazarillo de Tormes (Anônimo - 196 páginas - 24), o humor é utilizado para expor a hipocrisia de uma sociedade de valores distorcidos que, por meio de um personagem que não enxerga a si mesmo como parte integrante de uma história, nos permite vislumbrar a obra como uma das primeira manifestações do “romance picaresco”.
Partindo desse pressuposto, verifica-se que a obra prima pela simplicidade como é narrado a história em que o principal objetivo do personagem central é matar a fome que o consome; assim, em grande parte da narrativa, Lázaro (Lazarillo) se mostra astuto, mas ao perceber que pode levar a vida que sempre quis - pelo menos no que diz respeito à fartura – deixa-se cegar por não conseguir compreender a verdade a sua volta, afinal, ele já não passa por necessidade alguma.
Dessa maneira, ao pensarmos na moral embutida por trás da história, perceberemos que ela pode ligar-se ao fato das pessoas deixarem se iludir com certas coisas e, muitas vezes, não conseguirem ou fingirem, talvez por medo ou comodidade, não enxergar a verdade que nem sempre é boa de ser encarada; o que pode ser encaixado não só na sociedade daquela época, mas em nossa própria sociedade onde a corrupção é o maior exemplo da distorção dos ideais civis e humanos.
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