O Idiota

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Resenhas - O Idiota


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Augusto 15/03/2015

Entre Dom Quixote e Jesus Cristo
O Idiota irá começar com a chegada do Principe Míchkin à São Petersburgo. O personagem principal é intitulado por todos os que o conhecem como "Idiota", mas esse título que hoje é comumente associado como um defeito, no contexto do livro está mais para uma virtude, o príncipe é bom, honesto e confia nas pessoas. A inspiração para a composição da personagem partiu de duas personagens clássicas da literatura ocidental: Jesus Cristo e Dom Quixote. O livro está permeado por personagens, o grande destaque, para mim, foram as personagens femininas, sobretudo Nastássia Filíppovna. Dostoiévski escreveu o seu livro em meio a crises de epilepsia, que transfere para o seu personagem principal. Um livro para ser lido com calma, aproveitando cada passagem, cada diálogo, cada personagem. E um final espetacular.
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JCS 23/02/2015

Para mim esse livro é a segunda melhor coisa que Dostoyevsky fez em sua carreira, depois de Irmãos Karamázov. Não é uma escolha fácil, de certa forma o certo seria não escolher, mas quanto mais eu penso nesse livro mais claras se tornam suas qualidades.

A história é quase o contrário de Crime e Castigo, enquanto Raskolnikov busca justificar sua superioridade em relação às outras pessoas, nem que para isso ele tenha que realizar atos moralmente condenáveis, Mishkin é o símbolo da bondade em sua forma mais pura, sempre altruísta e inocente. Ainda que ele seja um personagem "bom" a história não tem um ar menos sombrio que os outros romances do autor.

Suas personagens, como a maioria das personagens do autor, não passam por nenhuma grande evolução psicológica durante a trama, o que vemos são suas diversas tonalidades com certos alinhamentos morais devido aos resultados de suas ações. Portanto do começo ao fim Mishkin é Mishkin, seus atos e maneirismos nunca traem seu caráter, o mesmo pode-se dizer de todos os outros personagens, o que torna o destino de Mishkin, Nastássia e Rogojín ainda mais sombrios devido ao inalterável rumo guiado pelas suas ações.

Mishkin não é um personagem que precisa de redenção, então não temos um final como de Crime e Castigo onde o Castigo vem na forma do sofrimento moral, Mishkin não precisa sofrer moralmente pois não é condenável, ao invés disso ele precisa sofrer por ser muito bom em um meio em que a inocência e a bondade são sinais de fraqueza. É incrível o trabalho do autor em nos fazer sentir a culpa que falta aos personagens que cercam o príncipe.
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Peterson Boll 20/02/2015

A analogia entre o Príncipe Míchkin e Dom Quixote é ponto comum, as raias da obviedade: ambos são almas nobres perdidas em um mundo de iniquidades. Mas enquanto De la Mancha tenta criar um mundo fantástico dentre o mundo real, Míchkin imiscui-se no mundo real com sua sinceridade, e não pretende mudá-lo, mas tenta sobreviver no meio das intrigas e ganâncias. Mais uma obra repleta de personalidades únicas (e que também são amplamente universais) do Mestre Dostoiévski.
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Ricardo Rocha 16/02/2015

Não é uma questão apenas teológica
o idiota é exuberante no bom e mau sentido. ao contrário de Crime e Castigo e Karamazov, nascidos aparentemente de projetos mais ou menos claros, aqui há idéias quase soltas e fatos autobiográficos impregnando o personagem que muitas vezes parece à deriva. Longe de depor contra o livro, isso acaba por ser uma virtude, pois mostra um dostoiveski que trabalha bem sua escrita em qualquer circunstância e em qualquer situação é de sublime prolixidade. do rápido de Varsóvia cortando o frio (vale lembrar a bela adaptação de Kurosawa, que faz tremer nesse trecho, de tão geladamente branco) até o epílogo, destaca-se esse caótico painel da bondade em meio malvadezas, uma bondade foi o ideal contra o qual o autor lutou até o fim de sua torturada existência
Peterson Boll 20/02/2015minha estante
As palavras de Aglaia Epantchiná que encerram o livro, simplesmente são arrepiantes.




Rosana 18/05/2014

O moralista Dostoiévsky
O livro é repleto de lições de moral extraídas das relações sociais estabelecidas entre o personagem principal, Minkin,e outros que corroboram com a história. Em alguns momentos, a leitura torna-se maçante com trechos prolixos , onde os personagens estabelecem seus pontos de vista sobre diversos assuntos, considerados, hodiernamente, caídos em uso.
Peterson Boll 20/02/2015minha estante
São caídos em uso, mas são igualmente um grande retrato do russo intelectual do século XIX




Laís 27/01/2014

Uma nota sobe O idiota
Príncipe Míchkin.Talvez se eu não estivesse do lado de cá da narrativa, certamente o julgaria com a mesma frivolidade de todos os personagens paralelos embutidos no romance. Só que, quem sabe por deboche, eu acabo que rotulando o pobre Míchkin. Estando de cá mesmo. A humanidade não está disposta para receber com tanta parcimônia e indubitavelmente um homem cujas virtudes fazem com que ele se pareça cada vez menor perante quem quer seja. Eu quis sacolejá-lo durante toda a narrativa, posto que, por vezes, me perdia exaustivamente em sua constante benevolência, passividade, alteridade...

Oh, será que por visto é preciso de uma essência devastadora, doentia, sacrificante para que de fato compreender seja a palavra que usaria na tentativa de descrever o ser humano ideal? Um homem que a cada esquina, diante de múltiplas histórias eloquentes, absurdas, quiméricas, ruins, esta a ver um lírio, a cicatrização de uma inflamação na alma de pessoas, claramente, vazias, interesseiras, medíocres, na vértice de todos os defeitos que um demônio social tem. A sensação que tive foi a de prescrever uma bula com milhões de tópicos berrantes sob todos os efeitos colaterais que iriam surgir futuramente caso ele continuasse a ser um ouvido paciente, de mãos mansas, coração aberto e psicólogo presente; tiraria, paulatinamente, cada pedaço bom de seu ser e o trasnfiguraria no que, fatidicamente, o metamorfoseou: um Idiota. O idiota. É sem sombra de dúvida um dos melhores livros que li.
Apodero-me de Bob dylan, e concluo meu pensamento:

"That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.(...)
And don't criticize
What you can't understand."

Taissa 07/04/2014minha estante
Fantástico! De uma sutileza impressionante, como Dostoievski sabe fazer muito bem...Que personagem! Nunca imaginei uma junção de DQ e Cristo! Nunca imaginei um personagem mais surpreendente que DQ, na verdade...Essa complexidade toda em um ser por todos apedrejado por ser humano de verdade! É um retrato social atemporal, sem sombra de dúvidas. Mais uma vez, fantástico!


Peterson Boll 20/02/2015minha estante
Taissa, Míchkin é apredejado socialmente por NÃO SER um ser humano de verdade...




Lis 13/11/2013

Aglaia... Ow mulherzinha chata!
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Raquel 03/11/2013

Um dos livros de Dostoievski que mais me atraiu. Conta a estória de um príncipe de vinte e seis anos voltando da suíça para a Rússia depois de um longo tempo de tratamento de epilepsia. Na época essas pessoas eram vistas como idiotas. Mas o príncipe se deu muito bem com o tratamento e parecia mesmo curado. Como era sozinho, resolveu ir atrás de alguns parentes muito distantes. Já no trem conhece Rogójin e faz amizade com ele. Rogójin era apaixonado por uma mulher chamada Nastassia e assim foi que ouviu falar pela primeira vez em Nastassia Filíppovna. Mais adiante verá sua foto e ficará muito impressionado pela beleza da jovem.
Conhecerá também a família de lizavéta uma parente muito distante com já disse, com suas três filhas e o general Iván.
Ficará muito impressionado com Áglia, a filha mais nova da família.
O príncipe é um livro que mostra a sinceridade e a pureza de um ser humano diferente dos demais, apontado apenas como o idiota.
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danield_moura 07/07/2013

Curioso como a gente tem o hábito de reclamar dos comportamentos daqueles que nos cercam. Vivemos a sonhar com pessoas honestas, inteligentes, respeitadoras de limites e que não tem preconceito discriminatório. Uma pessoa que prega que "a beleza salvará o mundo", merece no mínimo toda a nossa atenção para que possamos aprender a sermos melhores seres humanos... mas, pessoas assim, preferimos chamá-las de IDIOTA!...
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Bruno 15/04/2013

Soberbo!
Fatalmente um dos maiores romances que já li.
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Isotilia 20/01/2013

Um livro que gruda na gente...
Quando eu era adolescente, assisti com meu pai ao filme 'O Idiota' do diretor japonês Akira Kurosawa. É um filme de 1951, preto e branco, de 3 horas, que conta a história deste livro adaptada a um ambiente japonês. Fiquei com vontade rever este filme. O final, eu me lembro que era exatamente igual ao do livro.
Mas, o livro me pareceu muito melhor do que o filme. Muito mais profundo e complexo. Eu não havia compreendido a profundida da personagem Nastássia Filipovna nem a do príncipe Míchkin. Gostaria de saber se eu já esqueci quase todo filme, ou se o diretor realmente não conseguiu passar isso para o cinema.
Eu me senti um pouco de cada personagem do livro. Sou um pouco do príncipe Míchkin, um pouco da generala, um pouco da Agláia, um pouco do general mentiroso e um pouco de Ippolít. E sempre me surpreendo como Dostoiévski consegue descrever as fraquezas do caráter humano. Essa parte de nós que parece universal e atemporal.
Desejo reler 'Crime e Castigo' para saber se ele tem a mesma profundidade deste livro. Pelo pouco que me lembro do outro, este livro me fascinou mais e foi mais genial.
Neste livro a passagem que mais me fascinou (entre muitas que estão no histórico de leitura) foi:
'-Bem, já agora, diga a este seu amigo qual seria para mim a melhor maneira de morrer?...Ter um fim virtuoso, o mais possível,não é assim? Vamos, diga-me!
E então, o príncipe disse em voz baixa:
- Passar por nós... E ao passar nos perdoar a nossa felicidade...'
Eu preciso perdoar a felicidade dos que não se indignam com as mesmas coisas que me doem e me afetam.
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pc 12/01/2013

qual será a melhor obra de dostoiévski?

a única dúvida que me restou ao término da leitura deste livro
foi se o autor de "os irmãos karamazov" e de "crime e castigo"
conseguiu se superar.

não dá pra resumir um livro de 600 páginas em alguns parágrafos, mas posso ajudar a quem pretende realizar essa árdua, mas compensatória, tarefa.

observei que o ritmo de leitura acelerado auxilia a compreensão, leia algumas falas em voz alta, rapidamente, imagine os personagem com os nervos a flor da pele... o livro é muito teatral... os personagens são tensos.

o livro é um romance sobre um personagem doente,princípe Mínchkin, um epilético recém saído de uma clínica de tratamento, que tenta se encaixar na sociedade russa do séc xix. para complicar o personagem é um idealista cristão. figura quixotesca, mas adorável. sua bondade e resignação chegam a nos causar revolta. a trama se desenrola em torno desta personalidade complexa e ao mesmo tempo amável, carismática...

Nastássia Filipovna - é a essência da mulher, emoção a flor da pele,
ela não quer só vingança, qdo tem a possilidade de entrar para a sociedade que a despreza, ela destrói essa possibilidade como quem afunda seu navio em terra estrangeira. orgulho, emoção, imprevisibilidade, em suma , o espirito feminino retratado em sua essência...

Míchkin - dom quixote, cristão russo. de uma compaixão que chega a causar repulsa, ele testa não apenas sua fé, mas a do leitor,
que acompanha aflito as desaventuras do personagem. um idealista cristão metido no complexo inferno das relações humanas...

bom, se fossemos resumir todos os personagens já daria um livro.

o livro exige disciplina, esforço, mas é altamente compensador.

há tb várias reflexoes de dostoievski sobre a rússia de sua época, mas
que para mim pareceram atemporais, e algumas se encaixam perfeitamente a nossa realidade....

por fim, há no youtube um trecho de um corajoso grupo teatral que interpretou uma peça baseada no livro. vale a pena ver.

http://www.youtube.com/watch?v=twxl-KKFkfM

espero que tenham boa leitura
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Leonardo 05/11/2012

O Príncipe Liév Nicolaievitch Michkin (o idiota) é o protagonista desta história.

Epilético, ele é vítima da incompreensão da doença por parte da sociedade em que se insere. Após fazer um tratamento na Suíça, regressa à Rússia, onde vive toda uma trama de paixão e ódios.

Como é peculiar nos grandes romances de Dostoiévski, aqui se encontram retratados os traços essenciais da sociedade russa do século XIX, com todas as suas contradições e conflitos.

Mais uma vez, realça-se a extrema complexidade psicológica das personagens, como se o seu mundo interior fosse maior que tudo o que constitui o mundo. O Homem é, para Dostoiévski, um emaranhado complexo de sentimentos e pensamentos, de tal forma que o encontro com a identidade é uma quimera para a generalidade dos mortais.

O leitor, esse, inquieta-se permanentemente com a aflição das personagens. Neste mundo interior complexo, ninguém é “normal; a loucura não é atributo do idiota; é denominador comum dos seres humanos.

O próprio autor, quando aborda assuntos que o inquietam nunca deixa uma afirmação definitiva; tudo fica a pairar no limbo da incerteza: a dúvida sobre a pena de morte, a perplexidade perante a figura de Jesus Cristo que não venceu a morte, a hesitação entre liberalismo e socialismo versus conservadorismo, enfim, nada é definitivo nem definido.

Perante tantas incertezas, afinal, quem é o idiota? Será o doente Michkin ou qualquer um dos personagens perdidos e incertos que povoam este magnífico romance?

Ser idiota é, acima de tudo, uma definição social. Michkin é bom, ingênuo, generoso, logo… idiota. O mundo das aparências burguesas em que se afundou faz dele idiota sem culpa formada; na maior parte das situações ele é bode expiatório, bobo da corte ou instrumento de interesses. No entanto é nele que reside a humanidade; ou melhor, o resto de humanidade no universo social em que se insere.

Neste romance, talvez mais do que em qualquer outro está bem franca a decepção de Dostoiévski perante a humanidade. O formalismo nas relações sociais disfarça a hipocrisia e uma quase repugnância por qualquer espécie de sentimento.

Exemplo disso é a total frieza como é encarada a tentativa de suicídio de Ipollit. Este afirma: “Vou olhá-los nos olhos. Vou despedir-me do Homem”. Aos poucos, durante a longa descrição deste episódio, a “humanidade” se vai restringindo a Liebedev, o bêbado e a Keller, o ignóbil pugilista. Os outros, os socialmente bem-aceitos afastam-se e riem de Ipollit.

Trata-se de uma obra muito profunda e, ao mesmo tempo, bem humorada, onde o autor procura pôr em relevo as grandes contradições do ser humano, questões que para sempre ficarão sem resposta: a natureza do bem, do belo, do mal, do ódio, da aversão, do amor, etc
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Pam 20/02/2012

O melhor Livro que eu já li!
Embora o autor tenha inúmeras obras fascinantes, com certeza essa é a melhor novela que eu já li. Trata da corrupção do homem puro pela sociedade e seus inúmeros fantoches. A questão destacada no livro rodeia o limite do homem puro, anteriormente difundido por Rosseau, e sua possível destruição, que direciona o livro para um final completamente imprevisível. Puramente filosófico!!
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Poliana Calazans 26/01/2012

SPOILER o_O
Dizer que esse livro é prolixo é quase um clichê. O começo é promissor, Míchkin - até seu primeiro encontro com as irmãs - consegue realmente passar a impressão de alguém realmente inteligente, apesar do que os outros pensavam. Ele mesmo diz isso em determinada passagem. Depois... Parece que tudo sai dos trilhos e vira uma confusão só. É como se todos os personagens enlouquecessem e quisessem nos enlouquecer junto com eles. Definitivamente angustiante! Chega ao ponto de não querermos terminar a leitura e, ao mesmo tempo, querermos terminá-la na esperança de que as coisas finalmente se acertem. E o que acontece? Decepções atrás de decepções, afinal a realidade muitas vezes é assim mesmo; nossas escolhas impensadas ou mal pensadas podem nos levar a situações trágicas que mudam completamente todo o curso da nossa história. Em suma, o livro parece não ter final... De alguma forma nos faz pensar que a vida deles continua; não só a vida, mas as preocupações desmedidas com as "aparências" e com aquilo que "os outros pensam de nós mesmos".

Alguém já disse aqui em outra resenha que a idiotice em Míchkin está justamente no fato dele querer agradar a todos e é óbvio que isso é impossível. Uma grande idiotice, por sinal. Bondade e ingenuidade? Não percebi. Talvez, como já disse, só no início. O que vi foi uma mente doente por aceitação, por querer fazer parte do "grande coro" e que, por isso, se faz passar por ridícula e perde as estribeiras.

Dostoievski ao longo da história nos apresenta algumas categorias de pessoas, de amores, pensamentos... Mas é quase impossível localizar Míchkin em uma delas. O que é de se esperar, vindo de um personagem construído nos moldes fantasiosos de D. Quixote e no amor sacrificial de Jesus Cristo; se é que isso de fato ocorreu, uma vez que, no fim, "no amor abstrato pela humanidade você quase sempre ama apenas a si mesmo" (p. 509).

De qualquer forma, "O idiota" é uma obra inteligente e repleta de significados, como eu já imaginava; e vale a pena ser lida, senão pela história, ao menos pela INDIGNAÇÃO que nos provoca.
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Vinícius 28/01/2012minha estante
Três estrelas? É o fim do mundo! Que horror! Pelo menos quatro, é uma obra perfeita!


Poliana Calazans 28/01/2012minha estante
Está de bom tamanho, sr. VSS! E você é o culpado! rs




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