O Idiota

O Idiota
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Resenhas - O Idiota


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Jonathan Hepp 20/02/2016

Dostoievski acreditava que um homem honesto, justo, puro e altruísta, em meio à nossa sociedade corrompida, seria sempre visto como um idiota. E é assim que ele nos apresenta o Príncipe Míchkin, um homem que viveu grande parte da sua vida recluso e sob cuidados médicos por conta de sua epilepsia. Circunstâncias inesperadas o forçam a se introduzir na sociedade de S. Petersburgo e, em pouco tempo, se vê cercado de intrigas, disputas e escândalos que ele mal compreende.
Ao acompanharmos a história pela perspectiva do Príncipe, a narrativa se torna intencionalmente distorcida e contraditória. Os personagens parecem estar sempre escondendo os fatos mais importantes. Temos mesmo a impressão de que existe um segundo enredo se desenrolando longe da visão do leitor.
O Idiota costuma ser comparado a Dom Quixote. Mas enquanto Cervantes nunca deixou dúvidas a respeito da insanidade de Alonso, Dostoievski permite que o leitor decida se o Príncipe Míchkin merece o título que lhe é atribuído, ou se é, na verdade, o único personagem lúcido em meio à um mar de loucura.
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Michel 26/01/2016

Um pouco confuso
Já é a segunda vez que leio o Idiota. A primeira foi dez anos atrás. Pensei que uma releitura me traria novas luzes sobre esse livro. É um pouco confuso, disperso, prolixo. Duas coisas apenas me chamaram a atenção: o desespero diante da morte e a opinião de Dostoiévski sobre a Igreja Católica.
O livro está bem distante de suas obras-primas. Não canso de ler Crime e Castigo. Esse, aliás , além dop livro já assisti ao filme três vezes.
Mas, apesar de não ser sua melhor obra, é um livro que dá pra ser encarado. Basta ter paciência...
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Leonardo 23/01/2016

Epilepticamente confuso
Esse livro é confuso... tão confuso como (imagino) uma crise de epilepsia ou, caso eu quisesse ser condescentende com Dostoiévski, como a realidade. Com certeza, amigos, o melhor de Dostoiévski não está aqui. O melhor de Dostoiévski é Crime e Castigo é Os Irmãos Karamázov. E ponto.
Não vou elogiar algo que me proporcionou uma leitura digna de um analfabeto funcional. Apesar de ter lido e relido (e muito bem, diga-se de passagem) as duas principais obras do escritor, não compreendi O Idiota como acho que deveria.
Para falar a verdade, compreendi que esse livro poderia ser escrito em pouco mais de cem páginas. O livro contém personagens arquétipos do universo dostoiévskiano: triângulos amorosos, mulheres que brincam com a nossa sanidade, personagens puros (em meio ao caos)... mas tudo de forma prolixa.
Algumas passagens autobiográficas do autor são interessantes (como a questão do desespero diante da finitude que a morte iminente no cadafalso suscita). Algumas opiniões pessoais do autor colhidas aqui e ali também são interessantes.
Mas é necessário peneirar essas poucas pepitas de ouro em meio a um lamaçal de prolixidade.
Li o livro do começo ao fim e a sensação que tive é de que o final do livro é digno (no pior sentido) de seu nome. Mas pode ser que o idiota, no fundo, seja eu (não descarto essa hipótese, embora a esteja usando mais para efeito de trocadilho).
Já li muitos clássicos da literatura e já li bastante Dostoiévski para ter a segurança de emitir a opinião que estou tendo.
O rei está nu, camaradas. Não vou dizer que a roupa do rei é bonita quando na verdade o que estou vendo é alguém nu diante de mim. Não mesmo. Não preciso, para parecer inteligente, dizer que gostei e entendi algo que, pra mim, é a materialização da prolixidade em seu estado mais puro.
Sabemos que a literatura russa nos traz a dificuldade de nos apresentar personagens com nomes compostos compridos, cheios de consoantes e apelidos... mas nesse livro, além disso, os personagens possuem mais de um nome (pasmem). Bem que a editora 34 (ou qualquer outra que promova a tradução) poderia providenciar uma lista de nomes dos principais personagens (a exemplo do que ocorreu com a edição dos Irmãos Karamázov). Mas me parece que a intenção era essa mesma: confundir o leitor, tragá-lo para dentro de um universo em convulsão epiléptica.
O Idiota, em síntese, é um livro recheado de muitos personagens que passam de forma confusa, desconexa e superficial pela vida do Príncipe Míchkin.
Dou duas estrelas por conta do estilo do autor, que é algo que me agrada e que influencia a minha escrita. Só acho que, nesse livro, o estilo do autor foi muito mal aproveitado.

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Malu 09/09/2015

Um livro que incomoda por retratar a deformação de cada indivíduo e da sociedade
É uma leitura simples considerando o estilo literário, mas ao mesmo tempo complexa e desconcertante quando nos coloca em contato com personagens que estão vivendo situações e discussões acaloradas e difíceis. Muitos desentendimentos e pessoas colocadas na parede, julgadas, humilhadas e testadas. É um livro que nos faz pensar o quão doente é nossa sociedade e algumas pessoas não passam de personagens ao invés de pessoa humana. Uma pessoa boa e pura consegue sobreviver em meio a esse cenário? Consegue lidar com tantas personagens corrompidas? Ou é engolida e destruída?

Um dica que vou aplicar para as próximas leituras das obras de Dostoiévski: Farei uma lista com o nome dos personagens, breve resumo do perfil, e outros apelidos, ou forma abreviada do nome. Pois, além dos nomes russos já serem difíceis de memorizar, Dostoiévski ainda utiliza de nomes abreviados e apelidos em vários momentos do livro.
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João Souto 03/09/2015

Quem é o Idiota?
É simples. A pergunta enaltece todo o objetivo central da obra. A discussão moral. O personagem central surpreende pelo inabalável senso moral e fé no homem a ponto de querer soltar o livro sobre a cama, tomar um café, água, suco, cerveja e pensar e pensar, até finalmente pegarmos novamente o livro e prosseguir a leitura. A torcida, claro, fica em quem será que ele vai escolher na sua jornada afetiva. O desfecho é surpreendente. Então você para e pensa: óbvio, faz todo o sentido visto...

Demorei para terminar o livro, alguns trechos são prolixos, não ruins, apenas prolixos, algo que num metrô ou ônibus não favorece. Voltamos ao livro. Aborda-se paixão com racionalidade, o que é e como se sente, vícios, amor ao próximo, seus limites, moralidade e claro, a superficialidade de uma sociedade hipócrita. O livro é repleto de referências as questões morais, toda a obra basicamente provoca discussão nesse tema, além de trazer ao leitor a falsidade de alguns personagens que mais parecem aquele desafeto pedindo algo a gente, enfim hipocrisia. A obra é extensa, complexa e desafiadora. O que é ser bom?, eis a pergunta.

Leia o livro, não se deixe enganar. A obra é sensacional, os personagens são elaborados com muito cuidado, como se existissem, by Dostoievski, todos sensíveis as influências de seu meio reagindo e moldando-se a ele.
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Augusto 15/03/2015

Entre Dom Quixote e Jesus Cristo
O Idiota irá começar com a chegada do Principe Míchkin à São Petersburgo. O personagem principal é intitulado por todos os que o conhecem como "Idiota", mas esse título que hoje é comumente associado como um defeito, no contexto do livro está mais para uma virtude, o príncipe é bom, honesto e confia nas pessoas. A inspiração para a composição da personagem partiu de duas personagens clássicas da literatura ocidental: Jesus Cristo e Dom Quixote. O livro está permeado por personagens, o grande destaque, para mim, foram as personagens femininas, sobretudo Nastássia Filíppovna. Dostoiévski escreveu o seu livro em meio a crises de epilepsia, que transfere para o seu personagem principal. Um livro para ser lido com calma, aproveitando cada passagem, cada diálogo, cada personagem. E um final espetacular.
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JCS 23/02/2015

Para mim esse livro é a segunda melhor coisa que Dostoyevsky fez em sua carreira, depois de Irmãos Karamázov. Não é uma escolha fácil, de certa forma o certo seria não escolher, mas quanto mais eu penso nesse livro mais claras se tornam suas qualidades.

A história é quase o contrário de Crime e Castigo, enquanto Raskolnikov busca justificar sua superioridade em relação às outras pessoas, nem que para isso ele tenha que realizar atos moralmente condenáveis, Mishkin é o símbolo da bondade em sua forma mais pura, sempre altruísta e inocente. Ainda que ele seja um personagem "bom" a história não tem um ar menos sombrio que os outros romances do autor.

Suas personagens, como a maioria das personagens do autor, não passam por nenhuma grande evolução psicológica durante a trama, o que vemos são suas diversas tonalidades com certos alinhamentos morais devido aos resultados de suas ações. Portanto do começo ao fim Mishkin é Mishkin, seus atos e maneirismos nunca traem seu caráter, o mesmo pode-se dizer de todos os outros personagens, o que torna o destino de Mishkin, Nastássia e Rogojín ainda mais sombrios devido ao inalterável rumo guiado pelas suas ações.

Mishkin não é um personagem que precisa de redenção, então não temos um final como de Crime e Castigo onde o Castigo vem na forma do sofrimento moral, Mishkin não precisa sofrer moralmente pois não é condenável, ao invés disso ele precisa sofrer por ser muito bom em um meio em que a inocência e a bondade são sinais de fraqueza. É incrível o trabalho do autor em nos fazer sentir a culpa que falta aos personagens que cercam o príncipe.
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Peterson Boll 20/02/2015

A analogia entre o Príncipe Míchkin e Dom Quixote é ponto comum, as raias da obviedade: ambos são almas nobres perdidas em um mundo de iniquidades. Mas enquanto De la Mancha tenta criar um mundo fantástico dentre o mundo real, Míchkin imiscui-se no mundo real com sua sinceridade, e não pretende mudá-lo, mas tenta sobreviver no meio das intrigas e ganâncias. Mais uma obra repleta de personalidades únicas (e que também são amplamente universais) do Mestre Dostoiévski.
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Ricardo Rocha 16/02/2015

Não é uma questão apenas teológica
o idiota é exuberante no bom e mau sentido. ao contrário de Crime e Castigo e Karamazov, nascidos aparentemente de projetos mais ou menos claros, aqui há idéias quase soltas e fatos autobiográficos impregnando o personagem que muitas vezes parece à deriva. Longe de depor contra o livro, isso acaba por ser uma virtude, pois mostra um dostoiveski que trabalha bem sua escrita em qualquer circunstância e em qualquer situação é de sublime prolixidade. do rápido de Varsóvia cortando o frio (vale lembrar a bela adaptação de Kurosawa, que faz tremer nesse trecho, de tão geladamente branco) até o epílogo, destaca-se esse caótico painel da bondade em meio malvadezas, uma bondade foi o ideal contra o qual o autor lutou até o fim de sua torturada existência
Peterson Boll 20/02/2015minha estante
As palavras de Aglaia Epantchiná que encerram o livro, simplesmente são arrepiantes.




Rosana 18/05/2014

O moralista Dostoiévsky
O livro é repleto de lições de moral extraídas das relações sociais estabelecidas entre o personagem principal, Minkin,e outros que corroboram com a história. Em alguns momentos, a leitura torna-se maçante com trechos prolixos , onde os personagens estabelecem seus pontos de vista sobre diversos assuntos, considerados, hodiernamente, caídos em uso.
Peterson Boll 20/02/2015minha estante
São caídos em uso, mas são igualmente um grande retrato do russo intelectual do século XIX




Laís 27/01/2014

Uma nota sobe O idiota
Príncipe Míchkin.Talvez se eu não estivesse do lado de cá da narrativa, certamente o julgaria com a mesma frivolidade de todos os personagens paralelos embutidos no romance. Só que, quem sabe por deboche, eu acabo que rotulando o pobre Míchkin. Estando de cá mesmo. A humanidade não está disposta para receber com tanta parcimônia e indubitavelmente um homem cujas virtudes fazem com que ele se pareça cada vez menor perante quem quer seja. Eu quis sacolejá-lo durante toda a narrativa, posto que, por vezes, me perdia exaustivamente em sua constante benevolência, passividade, alteridade...

Oh, será que por visto é preciso de uma essência devastadora, doentia, sacrificante para que de fato compreender seja a palavra que usaria na tentativa de descrever o ser humano ideal? Um homem que a cada esquina, diante de múltiplas histórias eloquentes, absurdas, quiméricas, ruins, esta a ver um lírio, a cicatrização de uma inflamação na alma de pessoas, claramente, vazias, interesseiras, medíocres, na vértice de todos os defeitos que um demônio social tem. A sensação que tive foi a de prescrever uma bula com milhões de tópicos berrantes sob todos os efeitos colaterais que iriam surgir futuramente caso ele continuasse a ser um ouvido paciente, de mãos mansas, coração aberto e psicólogo presente; tiraria, paulatinamente, cada pedaço bom de seu ser e o trasnfiguraria no que, fatidicamente, o metamorfoseou: um Idiota. O idiota. É sem sombra de dúvida um dos melhores livros que li.
Apodero-me de Bob dylan, e concluo meu pensamento:

"That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.(...)
And don't criticize
What you can't understand."

Taissa 07/04/2014minha estante
Fantástico! De uma sutileza impressionante, como Dostoievski sabe fazer muito bem...Que personagem! Nunca imaginei uma junção de DQ e Cristo! Nunca imaginei um personagem mais surpreendente que DQ, na verdade...Essa complexidade toda em um ser por todos apedrejado por ser humano de verdade! É um retrato social atemporal, sem sombra de dúvidas. Mais uma vez, fantástico!


Peterson Boll 20/02/2015minha estante
Taissa, Míchkin é apredejado socialmente por NÃO SER um ser humano de verdade...




Raquel 03/11/2013

Um dos livros de Dostoievski que mais me atraiu. Conta a estória de um príncipe de vinte e seis anos voltando da suíça para a Rússia depois de um longo tempo de tratamento de epilepsia. Na época essas pessoas eram vistas como idiotas. Mas o príncipe se deu muito bem com o tratamento e parecia mesmo curado. Como era sozinho, resolveu ir atrás de alguns parentes muito distantes. Já no trem conhece Rogójin e faz amizade com ele. Rogójin era apaixonado por uma mulher chamada Nastassia e assim foi que ouviu falar pela primeira vez em Nastassia Filíppovna. Mais adiante verá sua foto e ficará muito impressionado pela beleza da jovem.
Conhecerá também a família de lizavéta uma parente muito distante com já disse, com suas três filhas e o general Iván.
Ficará muito impressionado com Áglia, a filha mais nova da família.
O príncipe é um livro que mostra a sinceridade e a pureza de um ser humano diferente dos demais, apontado apenas como o idiota.
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danield_moura 07/07/2013

Curioso como a gente tem o hábito de reclamar dos comportamentos daqueles que nos cercam. Vivemos a sonhar com pessoas honestas, inteligentes, respeitadoras de limites e que não tem preconceito discriminatório. Uma pessoa que prega que "a beleza salvará o mundo", merece no mínimo toda a nossa atenção para que possamos aprender a sermos melhores seres humanos... mas, pessoas assim, preferimos chamá-las de IDIOTA!...
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Bruno 15/04/2013

Soberbo!
Fatalmente um dos maiores romances que já li.
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