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O Idiota

Fiódor Dostoiévski
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Bruno 15/04/2013

Soberbo!
Fatalmente um dos maiores romances que já li.


Isotilia 20/01/2013

Um livro que gruda na gente...
Quando eu era adolescente, assisti com meu pai ao filme 'O Idiota' do diretor japonês Akira Kurosawa. É um filme de 1951, preto e branco, de 3 horas, que conta a história deste livro adaptada a um ambiente japonês. Fiquei com vontade rever este filme. O final, eu me lembro que era exatamente igual ao do livro.
Mas, o livro me pareceu muito melhor do que o filme. Muito mais profundo e complexo. Eu não havia compreendido a profundida da personagem Nastássia Filipovna nem a do príncipe Míchkin. Gostaria de saber se eu já esqueci quase todo filme, ou se o diretor realmente não conseguiu passar isso para o cinema.
Eu me senti um pouco de cada personagem do livro. Sou um pouco do príncipe Míchkin, um pouco da generala, um pouco da Agláia, um pouco do general mentiroso e um pouco de Ippolít. E sempre me surpreendo como Dostoiévski consegue descrever as fraquezas do caráter humano. Essa parte de nós que parece universal e atemporal.
Desejo reler 'Crime e Castigo' para saber se ele tem a mesma profundidade deste livro. Pelo pouco que me lembro do outro, este livro me fascinou mais e foi mais genial.
Neste livro a passagem que mais me fascinou (entre muitas que estão no histórico de leitura) foi:
'-Bem, já agora, diga a este seu amigo qual seria para mim a melhor maneira de morrer?...Ter um fim virtuoso, o mais possível,não é assim? Vamos, diga-me!
E então, o príncipe disse em voz baixa:
- Passar por nós... E ao passar nos perdoar a nossa felicidade...'
Eu preciso perdoar a felicidade dos que não se indignam com as mesmas coisas que me doem e me afetam.


pc 12/01/2013

qual será a melhor obra de dostoiévski?

a única dúvida que me restou ao término da leitura deste livro
foi se o autor de "os irmãos karamazov" e de "crime e castigo"
conseguiu se superar.

não dá pra resumir um livro de 600 páginas em alguns parágrafos, mas posso ajudar a quem pretende realizar essa árdua, mas compensatória, tarefa.

observei que o ritmo de leitura acelerado auxilia a compreensão, leia algumas falas em voz alta, rapidamente, imagine os personagem com os nervos a flor da pele... o livro é muito teatral... os personagens são tensos.

o livro é um romance sobre um personagem doente,princípe Mínchkin, um epilético recém saído de uma clínica de tratamento, que tenta se encaixar na sociedade russa do séc xix. para complicar o personagem é um idealista cristão. figura quixotesca, mas adorável. sua bondade e resignação chegam a nos causar revolta. a trama se desenrola em torno desta personalidade complexa e ao mesmo tempo amável, carismática...

Nastássia Filipovna - é a essência da mulher, emoção a flor da pele,
ela não quer só vingança, qdo tem a possilidade de entrar para a sociedade que a despreza, ela destrói essa possibilidade como quem afunda seu navio em terra estrangeira. orgulho, emoção, imprevisibilidade, em suma , o espirito feminino retratado em sua essência...

Míchkin - dom quixote, cristão russo. de uma compaixão que chega a causar repulsa, ele testa não apenas sua fé, mas a do leitor,
que acompanha aflito as desaventuras do personagem. um idealista cristão metido no complexo inferno das relações humanas...

bom, se fossemos resumir todos os personagens já daria um livro.

o livro exige disciplina, esforço, mas é altamente compensador.

há tb várias reflexoes de dostoievski sobre a rússia de sua época, mas
que para mim pareceram atemporais, e algumas se encaixam perfeitamente a nossa realidade....

por fim, há no youtube um trecho de um corajoso grupo teatral que interpretou uma peça baseada no livro. vale a pena ver.

http://www.youtube.com/watch?v=twxl-KKFkfM

espero que tenham boa leitura


Leonardo 05/11/2012

O Príncipe Liév Nicolaievitch Michkin (o idiota) é o protagonista desta história.

Epilético, ele é vítima da incompreensão da doença por parte da sociedade em que se insere. Após fazer um tratamento na Suíça, regressa à Rússia, onde vive toda uma trama de paixão e ódios.

Como é peculiar nos grandes romances de Dostoiévski, aqui se encontram retratados os traços essenciais da sociedade russa do século XIX, com todas as suas contradições e conflitos.

Mais uma vez, realça-se a extrema complexidade psicológica das personagens, como se o seu mundo interior fosse maior que tudo o que constitui o mundo. O Homem é, para Dostoiévski, um emaranhado complexo de sentimentos e pensamentos, de tal forma que o encontro com a identidade é uma quimera para a generalidade dos mortais.

O leitor, esse, inquieta-se permanentemente com a aflição das personagens. Neste mundo interior complexo, ninguém é “normal; a loucura não é atributo do idiota; é denominador comum dos seres humanos.

O próprio autor, quando aborda assuntos que o inquietam nunca deixa uma afirmação definitiva; tudo fica a pairar no limbo da incerteza: a dúvida sobre a pena de morte, a perplexidade perante a figura de Jesus Cristo que não venceu a morte, a hesitação entre liberalismo e socialismo versus conservadorismo, enfim, nada é definitivo nem definido.

Perante tantas incertezas, afinal, quem é o idiota? Será o doente Michkin ou qualquer um dos personagens perdidos e incertos que povoam este magnífico romance?

Ser idiota é, acima de tudo, uma definição social. Michkin é bom, ingênuo, generoso, logo… idiota. O mundo das aparências burguesas em que se afundou faz dele idiota sem culpa formada; na maior parte das situações ele é bode expiatório, bobo da corte ou instrumento de interesses. No entanto é nele que reside a humanidade; ou melhor, o resto de humanidade no universo social em que se insere.

Neste romance, talvez mais do que em qualquer outro está bem franca a decepção de Dostoiévski perante a humanidade. O formalismo nas relações sociais disfarça a hipocrisia e uma quase repugnância por qualquer espécie de sentimento.

Exemplo disso é a total frieza como é encarada a tentativa de suicídio de Ipollit. Este afirma: “Vou olhá-los nos olhos. Vou despedir-me do Homem”. Aos poucos, durante a longa descrição deste episódio, a “humanidade” se vai restringindo a Liebedev, o bêbado e a Keller, o ignóbil pugilista. Os outros, os socialmente bem-aceitos afastam-se e riem de Ipollit.

Trata-se de uma obra muito profunda e, ao mesmo tempo, bem humorada, onde o autor procura pôr em relevo as grandes contradições do ser humano, questões que para sempre ficarão sem resposta: a natureza do bem, do belo, do mal, do ódio, da aversão, do amor, etc


Pam 20/02/2012

O melhor Livro que eu já li!
Embora o autor tenha inúmeras obras fascinantes, com certeza essa é a melhor novela que eu já li. Trata da corrupção do homem puro pela sociedade e seus inúmeros fantoches. A questão destacada no livro rodeia o limite do homem puro, anteriormente difundido por Rosseau, e sua possível destruição, que direciona o livro para um final completamente imprevisível. Puramente filosófico!!


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