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Viagens na Minha Terra

Almeida Garrett
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Juliana 05/07/2014

tor.tu.ra
Um dos livros mais difíceis que já li. Almeida Garrett fez um relato de sua viagem de Lisboa a Santarém. Com muitas reflexões sobre acontecimentos da época esse livro torna-se um tesouro para pessoas que se interessam pela história de Portugal. Acredito que Garrett pecou ao afirmar que sua obra seria um "mito", mas como está na lista de leitura obrigatória da fuvest quem sou eu para julgá-lo. O que achei realmente interessante foi a "apresentação" que relata brevemente a vida do autor, seu estilo, e uma boa análise de sua obra que é indispensável para um vestibulando.
Nota 3 para a propaganda enganosa da sinopse que diz ser uma prosa "fluida" e "espontânea";
"Nota 7" para Garrett por introduzir recursos inéditos pra sua época;
"Nota 8" para a história de Carlos e Joaninha, por me salvarem de uma crise de sono e choro;
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Camila 19/04/2014

Viagens na Minha Terra
Achei esse livro muito maçante, por causa das longas descrições que o autor faz e das digressões. As digressões fazem com que a estória fique confusa e você tenha que ficar voltando no texto para entender o que ele estava falando anteriormente e isso fez eu ficar um pouco dispersa durante a leitura. Fora que esse não é o estilo de livro que geralmente leio, então isso colaborou um pouco para que eu gostasse menos ainda do livro.
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Mary Dourado 07/01/2014

O livro foi o mais difícil que li até hoje, a história é confusa e em alguns casos chega a não ter nexo, não em uma leitura rasa.É preciso analisar todas as partes da história, o período histórico e os problemas da sociedade da época, porque o autor não deixa esses assuntos muito claros no texto.
Acho que nessa primeira leitura a única coisa que entendi foi 90% da história de Carlos, D. Francisca, Joana, Georgina e Frei Dinis, percebi que não entendi 100% da história, quando li análises da obra.
Sobre a viagem do narrador, pouco compreendi, ele faz referência a acontecimentos políticos e a autores literários, aí é necessário pesquisar sobre o acontecimento e sobre a obra dos autores, o que acabou me confundindo ainda mais. Futuramente pretendo reler ele, e quem sabe compreender melhor o enredo.
Recomendo esse livro para quem deseja um desafio literário, porque se for iniciante no mundo literário ou não tiver muita afinidade com livros antigos, corre o risco de desanimar e desistir da leitura do livro e talvez de outros.
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marcondess 18/08/2013

As partes que fogem da história central - Carlos e Joaninha - são maçantes, que provavelmente é causada pela linguagem empregada pelo autor, contudo, quando você pega o ritmo, elas passam fáceis e boas lições podem ser retiradas.
E o que mais me chamou atenção, é que no fundo, não sei se essa a intenção - ou mesmo é a opinião geral - mais do que a menina dos rouxinóis a história é sobre Carlos, e a degradação do amor, dos que amam de mais. No geral,depois de ler o romance e passar por um período de reflexão, entende-se o seu valor, mesmo que em um primeiro momento exista aversão pela obra.
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Karina 20/05/2013

Viagens na Minha Terra - Almeida Garrett

Clássico escrito por Almeida Garret, Viagens na minha Terra, pode ser considerado um romance contemporâneo. Além da viagem que de fato acontece paralelamente o autor nos conta um romance sentimental.
O que mais me encantou na obra, é que Garret nos conta um fato real, uma viagem que o mesmo realmente fez a Santarém e que teve o cuidado de situar no tempo. Tantas e tais viagens, que nunca delas o leva justamente, pela mão de um companheiro e itinerário, a centrar-se no drama sentimental de Carlos e a meninas dos rouxinóis, Joaninha.
Mas vamos então comentar melhor sobre essa obra maravilhosa. O romance resume-se, a intrincada história de uma velhinha com sua neta Joaninha. A menina moça tem um primo, filho da única filha da avó. Que já chegou a falecer.

Todas as semanas Frei Dinis vinha visita-las e algumas vezes trazia notícias de Carlos, que já algum tempo, fazia parte do séquito de D. Pedro. Só que a maneira como Frei Dinis falava de Carlos, dava para perceber algo que só a idosa e o mesmo conheciam.
Passara o ano de 1830, Carlos então se formou em Coimbra, e só então visitou sua família, mas com muitas reticências em relação a avó e a Frei Dinis. Carlos também pressentia que ele e a avó mantinham um segredo, ele sentia isso, era quase palpável. Carlos em suas andanças, já tinha elegido uma fidalga para ele. D. Georgina, mulher de fino trato, com era expressada na época.
Em contra partida a guerra civil progredia, eram meados de 1833. Os constitucionalistas tinham tomado a esquadra de D. Miguel. Lisboa estava em poder deles, e Carlos era um dos guerreiros da parte Realista.
Em 11 de Outubro, os soldados estão por todos os lados de Lisboa, as tropas constitucionais vinham ao encalço dos Realistas, e na batalha sangrenta, e que batalha, muitos ficaram feridos.

A Casa de Joaninha foi tomada por soldados Realistas, que vigiavam a passagem dos Constitucionais. Joaninha em um passeio por perto de casa, encontra então Carlos, um dos guerreiros. Ele pede que a moça não diga que ele está lutando ali, mas abraçam-se e trocam juras de amor ali mesmo. Só que Carlos sabia que Georgina o esperava, e a sua mente tornou-se confusa, já não sabia se amava Georgina, o sentimento por Joaninha era enorme, ele não conseguia se decidir.
Com Carlos ferido e alojado perto do vale onde morava Joaninha, essa veio inúmeras vezes vê-lo, e ajudá-lo na enfermidade. Certo dia Carlos depois de muita insistência de Joaninha foi ver a avó, e ficou surpreso da cegueira da senhora, como sempre encontrou no local Frei Dinis, e quanto mais olhava menos gostava do senhor. Enquanto permaneceu por perto, Carlos e Joaninha mantiveram em segredo um caloroso e inesquecível romance.
Mas Carlos, já curado dos ferimentos seguiu para a tropa, e antes passou na casa da avó para se despedir. Implorou para que ela contasse a verdade sobre o suspeito segredo. Então Dona Francisca conta que o Frei Dinis é o verdadeiro pai do rapaz. Conta também que a sua mãe morreu de desgosto e para se defender, Frei Dinis matou o pai de Joaninha, e o marido da sua amante.
Carlos partiu atordoado, deixando Joaninha desolada. Volta a viver com Georgina. Escreve a prima contando todo o seu romance com Georgina o que para a moça foi um impacto terrível. Mais tarde Carlos se tornou Barão. Carlos também abandonou Georgina.

Joaninha enlouqueceu e morreu. Frei Dinis foi quem cuidou da velha senhora até a morte. E assim o Comboio chega ao terreiro do Paço, e Garret finaliza mais uma das suas melhores obras.
Almeida Garret fez uma magnifica obra, que foi o ponto de arranque da moderna prosa literária portuguesa, pela mistura de estilos e de gêneros, pelo cruzamento de sua linguagem clássica com a popular. Jornalística e dramática, ressaltando a vivacidade de expressões e imagens pelo tom oralizante do narrador.
Uma linda história que é deve ser obrigatória não só em vestibulares, mas também para a vida de cada ser humano existente.


Titulo: Viagens na minha Terra
Autor: Almeida Garret
Ano: 1846
Páginas: 268
Editora: Martin Claret

Boa Leitura

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Karina Belo



O coração humano é como o estômago humano, não pode estar vazio, precisa de alimento sempre: são e generoso só as afeições lhe podem dar; o ódio, a inveja e toda a outra paixão má é estímulo que só irrita, mas não sustenta. Se a razão e a moral nos mandam abster destas paixões, se as quimeras filosóficas, ou outras, nos vedarem aquelas, que alimento dareis ao coração, que há de ele fazer? Gastar-se sobre si mesmo, consumir-se… Altera-se a vida, apressa-se a dissolução moral da existência, a saúde da alma é impossível.

Sim, leitor benévolo, e por esta ocasião vou te explicar como nós hoje em dia fazemos a nossa literatura. Já não me importa guardar segredo; depois desta desgraça não me importa já nada. Saberás, pois, ó leitor, como nós outros fazemos o que te fazemos ler.

Trata-se de um romance, de um drama — cuidas que vamos estudar a história, a natureza, os monumentos, as pinturas, os sepulcros, os edifícios, as memórias da época? Não seja pateta, senhor leitor, nem cuide que nós o somos. Desenhar caracteres e situações do vivo na natureza colori-los das cores verdadeiras da história… isso é trabalho difícil, longo, delicado, exige um estudo, um talento, e sobretudo um tato!…

Não senhor: a coisa faz-se muito mais facilmente. Eu lhe explico. Todo o drama e todo o romance precisa de: Uma ou duas damas. Um pai. Dois ou três filhos, de dezenove a trinta anos. Um criado velho. Um monstro, encarregado de fazer as maldades. Vários tratantes, e algumas pessoas capazes para intermédios. Ora bem; vai-se aos figurinos franceses de Dumas, de Eug. Sue, de Vítor Hugo, e recorta a gente, de cada um deles, as figuras que precisa, gruda-as sobre uma folha de papel da cor da moda, verde, pardo, azul — como fazem as raparigas inglesas aos seus álbuns e scraapbooks, forma com elas os grupos e situações que lhe parece; não importa que sejam mais ou menos disparatados. Depois vai-se às crônicas, tiram-se um pouco de nomes e de palavrões velhos; com os nomes crismam-se os figurões, com os palavrões iluminaram…(estilo de pintor pintamonos). E aqui está como nós fazemos a nossa literatura original.
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