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A Maçã No Escuro

Clarice Lispector
Resenhas
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10 encontrados | exibindo 1 a 5
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sylvia 01/06/2009

A Maça no Escuro - uma Epifania "lispectoriana"
Ler Clarice é nunca mais se ser o mesmo. Se estivermos dispostos em levar até o fim a leitura de um livro dela, ao fecharmos o livro não mais seremos os mesmos. Clarice nos revela uma epifania em seus livros que contrapõe-se à gratuidade de uma mera leitura: "não a beleza mas freqüentemente a abominável feiúra; não a bondade mas a crueldade nua e crua." Suas experiências existenciais são predominantes. Refletiriam-se nas experiências de mulheres no interior de suas casas (A Paixão segundo GH), no contato com coisas mais humildes e com elas identificadas (A Hora da Estrela),etc. A experiência de se ler Clarice é sempre a experiência da verdade. Há que se ter coragem.Clarice diz, escreve o indizível.Em palavras plenas de significantes, sempre além ou aquèm das coisas. Ler Clarice é ler a própria vida. É se deparar com ela e com a nossa absoluta solidão diante dos nossos semelhantes. Poderia falar sobre "A Maçã no Escuro", contar a estória, dizer se gostei ou não. Simples assim. Mas fazer isso, seria reduzir a temática de Clarice, que se estende por toda a sua obra e sua experiência de escritura.Clarice sabe mais do que diz. Porque tem o domínio do sensível e do intuitivo.E dentro disso, a verdade de uma maçã no escuro.
Sandra :-) 18/08/2012minha estante
Que texto lindo vc escreveu. Parabéns!


Ju 29/04/2012minha estante
Minha monografia vai ser sobre "A maçã no Escuro" estou gostando demais. Clarice é Clarice né..




Claudius 11/06/2012

A maçã na escuridão: Clarice Lispector
Pecado-redenção, morte-ressurreição e queda-ascensão são temas centrais no romance A Maçã no Escuro, de Clarice Lispector. As personagens são aprendizes do mundo em uma narrativa adâmica, pois o romance em certa medida é uma parodia do mito da criação. Também neste romance, os seres estão em busca da plenitude ontológica: identidade sem fissuras. É uma narrativa de ação rarefeita e “uma literatura não do significante, mas do significado”. Clarice Lispector opõe-se às palavras estereotipadas que nada dizem e criam comportamentos alienados. E, assim, A Maçã no Escuro, é um romance da diáspora, em que o outro é o que orienta o discurso para o paradoxo e que cria a heroização e deseroização.
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Davisson 09/01/2009

Personagens cheios de conflitos internos e conflitando entre si.
Crimes e ações são pontos de mudança na vida de cada um.
Clarice é uma grande escritora de contos, em alguns pontos é fácil perceber como ela perde o fôlego da narrativa. O livro tem pontos alto e baixos tornando a leitura difícil em alguns treços.
Mas Clarice pra mim é a rainha da literatura é a minha fonte de inspiração e admiração.
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Evelyn Ruani 19/01/2011

Otimo!
Não posso dizer que achei uma leitura fácil. Clarice nunca é fácil, pois como já relatei em outra resenha, a leitura de Clarice é densa porque faz pensar e traz a tona sentimentos que as vezes não queremos encarar. Por isso acho-a tão essencial.

Gostei muito de A maça no Escuro justamente por causa disso, muito embora eu confesso que tive dificuldades e achei o livro bastante cansativo em alguns momentos. Mas certos livros só mostram o seu verdadeiro valor quando você o termina de ler e pensa nele como um todo. A maça no Escuro é uma leitura muito reflexiva que trata de aprendizagem, sentimentos, transformações internas e sensações.

A obra está dividida em 3 capítulos: “Como se faz um homem”, “Nascimento do herói” e “A maça no Escuro”. Essa divisão e a forma como a história se desenrola faz com que você passe pelos estágios de transformação de Martin, o protagonista do livro, como se estivesse acontecendo com você. Você mergulha profundamente na mente da personagem e consegue sentir as transformações e sensações pelas quais vai passando ao longo dos acontecimentos.

Leitura recomendada!
Aline 22/12/2011minha estante
Clarice não é uma leitura fácil. O livro que mais achei complicado foi A paixão segundo G.H. Aquela aflição dela com a barata realmente me aflingiu e parei a leitura, mas um tempo depois retornei e fui até o fim. E então, fica aquela mensagem que vc mesma expôs "...livros só mostram o seu verdadeiro valor quando você o termina de ler e pensa nele como um todo". Considero um maravilhoso livro, pois ela conseguiu passar aquele sentimento dela com a barata. Tive ansiedade, raiva, nojo, admiração; e por um momento, desisti de enfrentar esse momento com a barata, mas algo dizia que deveria enfrentar o encontro (a passagem da barata). Há tempo que não leio mais Clarice. Retornarei.




Lu 16/12/2013

Do blog: http://sonharnostemposdoagora.blogspot.com.br/
Clarice não é fácil, como podemos supor ao ler tantas frases circulando por aí. Ela é de uma intensidade tão grande que nos ultrapassa. Compreender o que tem ali, é se despir, é encarar o mais profundo do que nós somos.
Ela escreve como se tivesse pensando, como se na confusão daqueles personagens estivesse a sua alma, como se as dúvidas daqueles personagens fossem as suas dúvidas. E durante a leitura a impressão que nós temos é de também participar naquela confusão, de também sentir aquelas dúvidas, aquelas angústias. Nós vivemos cada personagem. Tudo aquilo arma batalha com quem nós somos e ao fechar o livro, o sentimento é de ter descoberto uma parte de nós que até então não havíamos vislumbrado com clareza.

Eu comecei a ler o livro e tive que voltar cinco vezes (cinco!) para entender o caminho, a linha de raciocínio do texto, para me encontrar com o personagem. E isso já havia acontecido num outro livro dela, tive que voltar três vezes a leitura. Clarice não escreveu para ser lida com pressa! E isso é maravilhoso, porque isso distingue a escrita dela dessa massa pronta, digamos assim, que existe. Então, é difícil, sim, porque é diferente, porque você não pode "passar os olhos", você precisa encarar o texto, cada palavra, precisa dar as mãos aos personagens, caminhar junto deles.

"A maçã no escuro" é fantástico, só que, em comparação com os outros dois livros que li dela, ele é muito mais denso, exige muito mais do leitor, é como um passo a mais na leitura da autora, ou seja, não é pra ser a primeira experiência com ela, é bom que você já tenha alguma "conversa" anterior.

Aqui nós temos um homem que aparentemente cometeu um crime e fugiu, agora ele precisa se reencontrar, se refazer. Esse é o ponto central do livro. Ele sai sem um rumo, sem uma orientação e acaba chegando numa fazenda, a fazenda de Vitória, uma mulher que tem uma aparência de força e de domínio de tudo, que quer controlar cada pedacinho da vida, que se faz "meio homem" para dirigir o lugar, mas que na verdade nós vamos descobrir ser também muito frágil, ela é mais um alguém que precisa de outro que a escute, que a apoie, como todos nós. Ali ele também vai encontrar Ermelinda, uma moça que tem um pensamento muito confuso, inacabado, mas que é toda ela, dona de uma transparência sem fim. É nesse espaço que Martim, nosso fugitivo, vai continuar na tentativa de descobrir o mais profundo dele, e do tal crime. Vitória aceita que ele trabalhe na fazenda, mas fica desconfiada porque ele se diz engenheiro e ela não entende o que um engenheiro está fazendo naquele lugar, se submetendo a um trabalho que está aquém da sua formação. Esses três personagens vão se "descortinando" no decorrer da história, a autora vai brincando com as palavras, com a cena.
E o mais legal do livro não é nem descobrir que crime é esse, o que vai acontecer com ele, é tudo, é cada pensamento, cada reflexão, cada momento.

"Aliás - pensou Martim sentindo que se excedia ligeiramente mas já sem poder mais se conter - aliás era tolice não entender. "Só não entende quem não quer!", pensou ousado. Porque entender é um modo de olhar. Porque entender, aliás, é uma atitude. Martim, muito satisfeito, tinha essa atitude. Como se agora, estendendo a mão no escuro e pegando uma maçã, ele reconhecesse nos dedos tão desajeitados pelo amor uma maçã. Martim já não pedia mais o nome das coisas. Bastava reconhecê-las no escuro. E rejubilar-se, desajeitado." - p. 296

É uma leitura super indicada, o livro é MUITO bom, mas como eu já disse, não aconselho começar por ele, sugiro, dos que eu li, "Perto do coração selvagem" para um primeiro contato.

site: http://sonharnostemposdoagora.blogspot.com.br/
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