Macunaíma

Macunaíma
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Resenhas - Macunaíma


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Valnikson 04/04/2015

1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer: Macunaíma

site: https://1001livrosbrasileirosparalerantesdemorrer.wordpress.com/2013/09/12/01-macunaima-o-heroi-sem-nenhum-carater/
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SakuraUchiha 21/03/2015

Clássico Modernista
A batalha entre o brasileiro genuíno e o estrangeiro é o grande enfoque desta rapsódia, que somente no final do texto tem seu desdobramento.
A obra coloca o índio, brasileiro nativo, como representante da cultura de nossa terra, que encontra em seu adversário, o gigante Piaimã, de nome Venceslau Pietro Pietra, seu antagônico, o estrangeiro – comedor de gente.
Com certeza é uma das maiores obras de nossa literatura, que proporciona uma leitura muito rápida, pois como já dito, possuí uma cadência musical. Lançada seis anos depois da Semana de Arte Moderna de São Paulo, a obra expressa todo o espírito modernista que havia dominado certos autores, principalmente os paulistas, especialmente os amigos Osvald e Mário de Andrade.
Segundo o próprio autor, Mário de Andrade, Macunaíma representa “a aceitação sem timidez nem vanglória da entidade nacional”, concebida como o retrato cultural do povo brasileiro, índio branco, feiticeiro, mau caráter, preguiçoso, mentiroso, egoísta, gozador, capaz de rir de si próprio e de nunca perder uma piada.
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Camila Faria 08/03/2015

Um marco do realismo fantástico, Macunaíma é mais do que um anti-herói cômico ou um símbolo do modernismo brasileiro. Macunaíma é algo de selvagem, de mítico, de surreal… O livro mistura folclore, lendas, mitos e manifestações religiosas para contar a história de um malandro, esperto e amoral, que sempre consegue o que quer. Para ler sem compromisso com a realidade ou com a lógica. Coincidentemente assisti a brilhante e divertida adaptação do livro para o cinema (dirigido por Joaquim Pedro de Andrade em 1969) logo depois de ler o livro, o que tornou a experiência ainda mais completa.

site: http://naomemandeflores.com/os-tres-ultimos-livros-2/
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Newton Nitro 12/01/2015

A Pura Brincadeira de Mário de Andrade!
No meio da leitura dos livros de contos do Rubem Fonseca Amálgama (2013), Feliz Ano Novo (1975), O Buraco na Parede (1995), O Cobrador (1979) e Pequenas Criaturas (2002), dos quais vou fazer uma resenha inteira usando a experiência de ler em sequência, deu uma paradinha para aproveitar que a minha esposa escritora resolveu ler Macunaíma, para ler uma das obras primas do Modernismo Brasileiro, a saga do herói sem caráter de Mário de Andrade. Ter um parceiro de leitura, uma pessoa que lê o mesmo livro que você está lendo, é muito legal, dá para comentar a experiência durante a leitura, com os dois coabitando o mesmo espaço imaginário. E não tem espaço imaginário mais brasileiro do que o de Macunaíma!

Macunaíma foi escrito em 1928, pelo monstro intelectual Mário de Andrade, infelizmente mais citado do que lido atualmente. É considerado um dos mais importantes exemplares do Modernismo brasileiro e reflete essa tentativa de se criar uma cultura brasileira, antropofágica, de criação livre, de ruptura estética com o passado, e no caso de Macunaíma, isso se traduziu em uma espécie de indianismo moderno.

O resultado é um purê brasileiro, como se Andrade tivesse jogado em um liquidificador de criação poética as lendas e mitologia indígenas, a espiritualidade e cultura afro-brasileira, o desenvolvimento urbano esquizofrênico de São Paulo e Rio, que já eram modelos de urbanização descontrolada na época, a espiritualidade católica, a herança portuguesa, a mineiridade e a vida dos sertões, a miscigenação e hedonismo presente na nossa mistura de raças, os aforismos, os ditados populares, a volúpia, sensualidade, a sacanagem e tudo o mais que compunha o cenário brasileiro da colonização até os anos vinte.

Essa colagem de inspirações de milhares de fontes é feita, em Macunaíma, dentro de uma visão poética. Nas outras resenhas do livro que li, muitos resenhistas reclamam do texto, de ser muito obscuro, de difícil leitura, mas, ao meu ver, Macunaíma deve ser lido e abordado como poesia, e não como prosa. O mais interessante é a confissão de Mário de Andrade nos prefácios publicados na edição da editora Nova Fronteira (de 2013) http://www.amazon.com.br/Macuna%C3%ADma-Mario-Andrade/dp/8520933610/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1421088172&sr=1-1&keywords=macuna%C3%ADma . Ele compara a sua obra aos repentes dos cantadores do nordeste, que incorporam em suas cantigas lendas, histórias, mitos, causos, alterando e fantasiando para incorporar nas canções.

E Macunaíma, encarado como poesia, mostra toda sua força quando lido em voz alta. É fantástico! O texto de Andrade segue a tradição oral, são causos e mais causos contados em diversos registros, seja com linguagem popular, linguagem simulando a indígena, registros emulando textos de intelectuais brasileiros e portugueses, registros emulando a linguagem urbana, etc. Ele segue a lógica dos contos de fada, de histórias contadas por uma criança, a lógica da narrativa mitológica, a lógica dos sonhos, e exige uma leitura diferente, relaxada, gostosa, curtida. Não andianta interligar tudo em uma relação de causa e efeito, em algum tipo de racionalidade. Cada capítulo, cada parágrafo, cada frase são como versos, feitos para criar alusões, sensações, para rir, para chorar, para divertir, para fazer sonhar. E refletir.

Notei também o alto grau de compressão poética, ou seja, cada frase, cada parágrafo, capítulo, estão repletos de alusões, símbolos, jogos poéticos com as palavras, ressonância de temas, seguindo uma sequência narrativa mais próxima às canções, a dos causos, e até dos hinos religiosos, como Andrade esclarece em seu prefácio) do que a prosa tradicional em si.

O livro é repleto de jogos de linguagem. Por exemplo a frase característica da personagem é "Ai, que preguiça!". Como na língua indígena o som "aique" significa "preguiça", Macunaíma seria duplamente preguiçoso.

E é ser divertidíssimo, cheio de rimas que me levaram de volta à infância “Zé Prequeté, tira bicho do pé pra comer com café!”, passagens muito engraçadas, considero Macunaíma algo como um Ulysses brasuca, ou em termos nerds, o nosso Silmarilion (uai, tem até uma saga envolvendo a pedra “muiraquitã” a versão tupiniquim das silmarils!).


Recomendo a leitura, nem que lenda, capítulo por capítulo, como poesia, lendo em voz alta, sentindo os ritmos das frases, as alusões, o colorido das descrições, a criatividade da ortografia (cuspe é guspe, por exemplo). E além de tudo, Macunaíma expande o vocabulário de qualquer leitor, e inspira a criatividade de qualquer escritor. É, além de tudo, um manifesto a favor da liberdade de expressão literária e de criação poética. Mário de Andrade grita, a cada frase, “seja livre! Seja livre para criar o que quiser!”. :)

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BONUS STAGE DA RESENHA - PALÁVRAS DO MÁRIO MACUNAÍMA DE ANDRADE!

Esses são alguns textos escritos pelo Mário e que explodiram a minha cabeça e expandiram a minha leitura do Macunaíma!

2º PREFÁCIO - MÁRIO DE ANDRADE SOBRE MACUNAÍMA

27 de Março de 1928 - Prefácio da Segunda Edição do Romance

Este livro de pura brincadeira escrito na primeira redação em seis dias ininterruptos de rede, cigarros e cigarras na chacra de Pio Lourenço perto do ninho da luz que é Araraquara, afinal resolvi dar sem mais preocupação. Já estava me enquizilando... Jamais não tive tanto como diante dele a impossibilidade de ajuizar dos valores possíveis duma obra minha.

Não sei ter humildades falsas não e se publico um livro é porque acredito no valor dele. O que reconheço é que muitas vezes publico uma coisa ruim em si, por outros valores que podem resultar dela. É o caso por exemplo do poder de ensaios de língua brasileira, tão díspares entre si, tão péssimos alguns. Não me amolo que sejam péssimos e mesmo que minha obra toda tenha a transitoriedade precária da minha vida. O que me interessa mesmo é dar pra mim o destino que as minhas possibilidades me davam. E que tenho sido útil: as preocupações, as tentativas, as amizades e até as repulsas (dinâmicas?) que tenho despertado provam bem. Principalmente disso vem o orgulho tamanho que possuo e me impede completamente qualquer manifestação de vaidade. Eu não me contentei em desejar a felicidade, me fiz feliz.

Ora este livro que não passou dum jeito pensativo e gozado de descansar umas férias, relumeante de pesquisas e intenções, muitas das quais só se tornavam conscientes no nascer da escrita, me parece que vale um bocado como sintoma de cultura nacional.

Me parece que os melhores elementos duma cultura nacional aparecem nele. Possui psicologia própria e maneira de expressão própria. Possui uma filosofia aplicada entre otimismo ao excesso e pessimismo ao excesso dum país bem onde o praceano considera a Providência como sendo brasileira e o homem da terra pita o conceito da pachorra mais que fumo. Possui aceitação sem timidez nem vanglória da entidade nacional e a concebe tão permanente e unida que o país aparece desgeograficado no clima na flora na fauna no homem, na lenda, na tradição histórica até quanto isso possa divertir ou concluir um dado sem repugnar pelo absurdo.

Falar em “pagos” e “querências” em relação às terras do Uraricoera é bom. Além disso possui colaboração estrangeira e aproveitamento dos outros, complacente, sem temor, e sobretudo sem o exclusivismo de todo ser bem nascido pras idéias comunistas. O próprio herói do livro que tirei do alemão de Koch-Grünberg, nem se pode falar que é do Brasil. É tão ou mais venezuelano como da gente e desconhece a estupidez dos limites pra parar na “terra dos ingleses” como ele chama a Guiana Inglesa. Essa circunstância do herói do livro não ser absolutamente brasileiro me agrada como o quê. Me alarga o peito bem, coisa que antigamente os homens expressavam pelo “me enche os olhos de lágrimas”.

Agora: não quero que imaginem que pretendi fazer deste livro uma expressão de cultura nacional brasileira. Deus me livre. É agora, depois dele feito, que me parece descobrir nele um sintoma de cultura nossa. Lenda, história, tradição, psicologia, ciência, objetividade nacional, coopeeração acomodada de elementos estrangeiros passam aí. Por isso que malicio nele o fenômeno complexo que o torna sintomático.

Quanto às intenções que bordaram o esquerzo, tive intenções por demais. Só não quero é que tomem Macunaíma e outros personagens como símbolos. É certo que não tive intenção de sintetizar o brasileiro em Macunaíma nem o estrangeiro no gigante Piaimã. Apesar de todas as referências figuradas que a gente possa perceber entre Macunaíma e o homem brasileiro, Venceslau Pietro Pietra e o homem estrangeiro, tem duas omissões voluntárias que tiram por completo o conceito simbólico dos dois: a simbologia é episódica, aparece por intermitência quando calha pra tirar efeito cômico e não tem antítese. Venceslau Pietro Pietra e Macunaíma nem são antagônicos, nem se completam e muito menos a luta entre os dois tem qualquer valor sociológico.

Se Macunaíma consegue retomar a muiraquitã é porque eu carecia de fazer ele morrer no Norte. E é impossível de se ver na morte do gigante qualquer aparência de simbologia. As próprias alusões, sem continuidade ao elemento estrangeiro que o gigante faz nascer, concorrem pra minha observação do sintoma cultural do livro: é uma complacência gozada, uma acomodação aceita tão conscientemente que a própria mulher dele é uma caapora e a filha vira estrela.

Me repugnaria bem que se enxergasse em Macunaíma a intenção minha dele ser o herói nacional. É o herói desta brincadeira, isso sim, e os valores nacionais que o animam são apenas o jeito dele possuir o “Sein” de Keyserling a significação imprescindível a meu ver, que desperta empatia. Uma significação não precisa de ser total pra ser profunda. E é por meio de “Sein” (ver o prefácio do tradutor em Le Monde qui Naît) que a arte pode ser aceita dentro da vida. Ele é que fez da arte e da vida um sistema de vasos comunicantes, equilibrando o líquido que agora não turtuveio em chamar de lágrima.

Outro problema do livro que careço explicar é da imoralidade. Palavra que seria falso concluir pela imoralidade e pela porcariada mesmo que está aqui dentro, que me comprazo com isso. Quando muito admito que concluam que me comprazo... com o brasileiro.

Uma coisa fácil de constatar é a constância da porcaria e da imoralidade nas lendas de primitivos em geral e nos livros religiosos. Não só aceitei mas acentuei isso. Não vou me desculpar falando que as flores do mal dão horror do mal não. Até que despertam muito a curiosidade... Minha intenção aí foi verificar uma constância brasileira que não sou o primeiro a verificar, debicá-la numa caçoada complacente que a satiriza sem tomar um pitium moralizante. Macunaíma afinal afrouxou e num esforço... de herói, se acaba ver peixe, pela... boca. Mas me repugnava servir de mendoim pra piazotes e velhotes. Empreguei todos os calmantes possíveis: a perífrase, as palavras indígenas, o cômico, e um estilo poético inspirado diretamente dos livros religiosos. Creio que assim pude restabelecer a paz entre os homens de boa vontade.

E resta a circunstância da falta de caráter do herói. Falta de caráter no duplo sentido de indivíduo sem caráter moral e sem característico. Está certo. Sem esse pessimismo eu não seria amigo sincero dos meus patrícios. É a sátira dura do livro. Heroísmo de arroubo é fácil de ter. Porém o galho mais alto dum pau gigante que eu saiba não é lugar propício pra gente dormir sossegado.

Como se vê não é o preconceito contra a moral nem vergonha de parecer moralista na roda inda decadente que me leva a certas complacências.

Nas épocas de transição social como a de agora é duro o compromisso com o que tem de vir e quase ninguém não sabe. Eu não sei. Não desejo a volta do passado e por isso já não posso tirar dele uma fábula normativa. Por outro lado o jeito de Jeremias me parece ineficiente. O presente é uma neblina vasta. Hesitar é sinal de fraqueza, eu sei. Mas comigo não se trata de hesitação. Se trata duma verdadeira impossibilidade, a pior de todas, a de nem saber o nome das incógnitas. Dirão que a culpa é minha, que não arregimentei o espírito na cultura legítima. Está certo. Mas isso dizem os pesados de Maritain, dizem os que espigaram de Spengler, os que pensam por Wells ou por Lenine e viva Einstein!

Mas resta pros decididos como eu que a neblina da época está matando o consolo maternal dos museus. Entre a certeza decidida que eletrocuta e a fé franca que se recusa a julgar, nasci pra esta. Ou o tempo nasceu por mim... Pode ser que os outros sejam mais nobres. Mais calmos certamente que não. Mas não tenho medo de ser mais trágico.

Escrito por Mário de Andrade, para a 2ª edição de Macunaíma, em
27 de Março de 1928

SOBRE AS ALEGORIAS E SÍMBOLOS EM MACUNAÍMA

Essa é de um texto do Mário (escrito aqui em Belzonte!) em 1943, sobre a alegoria da criação ou do fracasso da criação de uma civilização tropical. Posto aqui o trecho publicado no livro.

NOTAS DIÁRIAS
Especial para Mensagem

[...]
...a observação de Sérgio Milliet me obrigou a esta releitura dos três capítulos finais de Macunaíma...

Francamente às vezes até me chateia, mais freqüentemente me assusta, a versidade de intençõezinhas, de subentendidos, de alusões, de símbolos que dispersei no livro. Talvez eu devesse escrever no livro, pelo menos ensaio, Ao lado de Macunaíma, comentando tudo o que botei nele. Até sem querer!

De uma das alegorias não me lembrava, porém a leitura de hoje fez ela me ressaltar bem viva na lembrança. Talvez a recordação chegasse tão viva agora porque, tendo imaginado retomar a composição do meu romance Café, o problema de formarmos, de querermos formar uma cultura e civilização de base cristã-européia, que seria por assim dizer a tese do romance, esteja me preocupando muito.

Já me esquecera da alegoria que pusera sobre isso no Macunaíma... Mas agora tudo se relembrou em mim vividamente, ao ler a frase: “Era malvadeza da vingarenta (a velha Vei, a Sol) só por causa do herói não ter se amulherado com uma das filhas da luz”, isto é, as grandes civilizações tropicais, China, Índia, Peru, México, Egito, filhas do calor.

A alegoria está desenvolvida no capítulo intitulado Vei, a Sol. Macunaíma aceita se casar com uma das filhas solares, mas nem bem a futura sogra se afasta, não se amola mais com a promessa, e sai à procura de mulher. E se amulhera com uma portuguesa, o Portugal que nos herdou os princípios cristãos-europeus. E por isso, aqui no acabar do livro, no capítulo final, Vei se vinga do herói e o quer matar. Ela é que faz aparecer a Uiara que destroça Macunaíma. Foi vingança da região quente solar. Macunaíma não se realiza, não consegue adquirir um caráter. E vai pro céu, viver o “brilho inútil das estrelas”.

...pra completar a nota acima: um dos elementos sorridentemente amargos da alegoria é o custo, a hesitação de Macunaíma, quando deseja se jogar nos braços da Uiara enganosa, com que Vei, a Sol, o pretende matar. Estou me referindo à imagem da água estar fria, forçadamente fria naquele clima do Uraricoera e naquela hora alta do dia.

A água destrança as suas ondinhas de “ouro e prata” (alusão à cantiga-de-roda ibérica da Senhora dona Sancha) e aparece a uiara falsa. Macunaíma sente um desejo enorme de ir brincar com ela, talvez a fecundasse, talvez nascesse um novo filho-guaraná, como dos seus amores com Ci... Mas põe o dedão do pé e tem medo do frio, isto é, se arreceia de uma civilização, de uma cultura de clima moderado europeu.

E Macunaíma, como num pressentimento, retira o dedão, não se atira n’água. O herói se salva essa primeira vez. E a água mexida pelo dedão do herói se entrança de novo num tecido de ouro e prata, escondendo a visagem da Uiara-dona-Sancha. A qual é dona Sancha pra ser européia, pois Vei, em vez de se utilizar duma das suas filhas, europeíza o seu instrumento de vingança. Ela percebe que, sem o europeísmo a que se acostumou, Macunaíma não se enganava. Vei não desanima e pra enfim vencer acaba se servindo de um argumento exatamente tropical. Pega num chicote de calor e dá uma lambada no herói. Este não resiste mais. Se atira na água fria, preferindo os braços da iara ilusória. E vai ser devorado pelos bichos da água, botos, piranhas.

Ainda consegue voltar à praia, mas é um frangalho de homem. Como agora? sem uma perna, sem isto e mais aquilo, e sem principalmente a muiraquitã que lhe dá razão-de-ser, poderá se organizar, se reorganizar numa vida legítima e funcional?... Não tem mais possibilidade disso. Desiste de ir viver com Delmiro Gouveia, o grande criador. Desiste de ir pra Marajó, único lugar do Brasil em que ficaram traços duma civilização superior. Lhe falta o amuleto nacional, não conseguirá mais vencer nada. Então ele prefere ir brilhar do brilho inútil das estrelas.

MÁRIO DE ANDRADE


(O cara é foda mesmo vééééio! E vamos ler porque ler é doidimais!!!)


Gabriela 02/03/2015minha estante
Fiquei muito feliz ao ler a sua resenha, pois amo Macunaíma e Rubem Fonseca! :p




Hel 19/08/2014

Macunaíma- um herói de caráter brasileiro
Bom, é sempre complicado tecer qualquer tipo de crítica a um clássico, mas devo admitir que a leitura não foi das mais agradáveis, embora eu reconheça o valor histórico que a obra teve naquele período. Acostumada à leituras lineares e dentro da norma culta, quando me deparei com a escrita de Mário de Andrade fiquei muito confusa (parágrafos imensos com pouquíssimas vírgulas)e tive que reler várias passagens para poder continuar a leitura da obra. Acredito que este livro seja daqueles que é preciso ler mais de uma vez para que seja -mais que entendido- compreendido.E não tem como fazer a leitura sem antes se inteirar do momento histórico e cultural que circundava a obra, o movimento Modernista. Ademais, a obra é salva pelos toques de ironia e sátira que estão na pessoa do Macunaíma, indivíduo preguiçoso e safado que só quer saber de "brincar". Muitos o consideram a imagem do povo brasileiro, eu concordo em parte.
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Fabiana 03/08/2014

Uma música-apanhado sobre o herói Macunaíma
http://www.youtube.com/watch?v=GRR8Z4vMV3Y
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Bella 24/06/2014

Totalmente nacional!
Não vou mentir, li o livro porque era para trabalho de escola. O livro é chato no começo, tem umas palavras que só mesmo quem escreveu para entender. Mas, depois que você pega o ritmo da historia, ele vai se encaixando e você vai entendendo, depois do meio do livro comecei a gostar e tive que voltar para entender melhor a historia.Ele é completamente brasileiro, e tem umas coisas muito FICTÍCIAS. Mas, gostei bastante de ler e recomendo, somente para quem quer entrar em um mundo totalmente fora do ritmo da realidade.

Bjus, Bella.
Mary 15/10/2014minha estante
"Totalmente nacional", "completamente brasileiro". Oi?
É um livro escrito por Mário de Andrade, que foi um escritor brasileiro. Não é de se espantar que ele escreva um livro que retrate o Brasil...


Bella 15/10/2014minha estante
Mary, há livros de escritores brasileiros que escrevem sobre países de fora ex: Paulo Coelho.
Você deveria ter informado melhor sobre isso antes de escrever isso. Okay? Bjus.


Mary 15/10/2014minha estante
Mário de Andrade morreu em 1945. Paulo Coelho é contemporâneo. Lembrando que o Paulo é mundialmente conhecido e os livros dele são traduzidos em vários idiomas.
Eu sei muito bem que existem escritores brasileiros que escrevem sobre outros países.
Mário de Andrade foi um escritor modernista, e o movimento modernista tinha como FOCO elementos da cultura brasileira.
Você deveria estudar melhor literatura antes de escrever isso, ok?


Nath 15/10/2014minha estante
Mary, você que estudou tanto assim o movimento modernista devia entender que, quando Bella diz que o livro é totalmente nacional, está mais que correta e que existem muitos livros de escritores brasileiros da mesma época de Mario de Andrade e até antes que tinham aspectos muito estrangeiros, transformando as histórias que se passavam no brasil em cópias de romances franceses e portugueses. O modernismo negava a influência estrangeira, por isso o livro é completamente voltado para os costumes e a natureza brasileira. Mesmo dentro do movimento modernista haviam autores que se inspiravam em obras estrangeiras, como Oswald de Andrade. O argumento da Bella é que, dentre tantos livros nacionais com influências estrangeiras, este se destaca especificamente por ser 100% brasileiro. Seu comentário é típico de gente pseudo cult que acha que sabe mais que todo mundo e querendo desmerecer a opinião alheia. Ninguém é obrigado a saber tudo sobre literatura brasileira.


Bella 16/10/2014minha estante
É isso ai Naty. Para um bom leitor meia explicação basta, eu não preciso ficar explicando coisas da nacionalidade porque tem tudo no Google. E Mary, sei muito bem da literatura brasileira e de cultura também.
Não preciso dos seus comentários nada cultos.Okay? Bjus.




R 13/06/2014

O livro que me ingressou no mundo litérário
Macunaíma é um livro divertido, empolgante bem desenvolvido e um clássico da literatura brasileira , li esse livro em 2009 na biblioteca da escola no ensino médio , peguei sem comprometimento , vi o autor conhecido Mario de Andrade e resolvi ler, me agradou de primeira , o humor bem elaborado, a narrativa com suas palavras indígenas, um marco no movimento literário brasileiro , que consolidou o autor num dos melhores escritores do mundo.
Recomendo esse livro , pra ler com calma e interesse se pudesse dava 10 pontos pra esse livro , muito bom!
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Viviane 03/04/2014

Ruim demais - só quem faz Letras pra ler um livro ruim desse jeito. Não dá, muito confuso, a história não é linear e você chega no meio do livro sem entender bulufas do que está acontecendo.
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Fecancio 03/03/2014

Brasileiro
Um mix da brasilidade
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Anderson 04/02/2014

Minhas impressões sobre Macunaíma
Macunaíma é o índio que nasceu negro, e logo depois se tornou branco e loiro de olhos claros ao se banhar nas águas do rio que se formou na pegada do gigante!

Mágico é, sem dúvidas, a palavra que define o livro. A história acompanha Macunaíma na sua saga em busca da muiraquitã, junto com seus irmãos na cidade de São Paulo; sua diversas peripécias, lutas, encontros e traquinagens.

No fim da edição que eu li (editora Agir), acompanha um grupo de textos escritos pelo Mário de Andrade referente à sua obra, a leitura desses textos me foi mais prazerosa que o livro em si, por que em meio a tantos termos indígenas e essa narração ora lenta ora rápida, me senti um pouco entediado em algumas passagens.

O livro é realmente bom, louvável, e apesar de Andrade afirmar que foi uma brincadeira, a relação entre as lendas brasileiras, as tradições religiosas e a critica social tão ampla sobre o Brasil e suas regiões são inegáveis.

(Livro que eu incluí no VIAGEM PELO BRASIL EM 54 LIVROS https://www.facebook.com/groups/viagempelobrasilem54livros/?fref=ts
Autor de São Paulo, antigo)
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Cyssah 04/02/2014

VIAGEM PELO BRASIL EM 54 LIVROS
007/54


"Macunaíma" é o nono livro do paulista Mário de Andrade. Foi publicado em 1928.

O autor conta a história da vida do índio Macunaíma desde o seu nascimento até sua morte. Maior parte da história se concentra nas aventuras que o personagem vive com os dois irmãos quando deixa a floresta para ir a São Paulo recuperar a muiraquitã que ele ganhou da única mulher pela qual se apaixonou, mas que morreu assim como seu filho e viraram estrelas. Macunaíma é preguiçoso, egoísta, covarde e chorão. Além de viver pensando em "brincar".

A frase característica da personagem é "Ai, que preguiça!". Como na língua indígena o som "aique" significa "preguiça", Macunaíma seria duplamente preguiçoso.

Logo no inicio da história ele fica branco, mas os irmãos não conseguem tomar banho na mesma água. Um fica negro e o outro vermelho.

No decorrer da saga de Macunaíma, a obra utiliza mitos indígenas, lendas, provérbios do povo brasileiro, aspectos do folclore do país. Acontecem muitas coisas surrereais como bichos virando gente e gente morrendo e virando estrela.

O autor escrever da mesma forma que as pessoas falam trocando "se" por "si" por exemplo, e isso tornou minha leitura um pouco mais lenta assim como as palavras de origem indígena.

Durante sua saga, o herói passa por vários estados do Brasil e alguns países da América do Sul também.

Já naquela época havia quem achasse que no Brasil temos feriados demais e que futebol é uma praga!

"Afinal chegou o domingo pé-de-cachimbo que era dia do Cruzeiro, feriado novo inventado pros brasileiros descansarem mais." Cap. X Pauí-Pódole

"E foi assim que Maanape inventou o bicho-do-café, Jiguê a largarta-rosada e Macunaíma o futebol, três pragas." Cap. VI A Francesa e o Gigante

Há muitas parte cômicas na obra, mas também há algumas que lembram filme de terror. Como quando o gigante usa o sangue de seu choffer como molho de macarrão ou quando Macunaíma vai à um terreiro e através de uma entidade submete o gigante Piamã à várias torturas.

"Enfim roxo de pancada sangrando pelo nariz pela boca pelos ouvidos caiu desmaiando no chão. E era horroroso... Macunaíma ordenou que o eu do gigante fosse tomar um banho salgado e fervendo e o corpo de Exu fumegou molhando o terreno. E Macunaíma ordenou que o eu do gigante fosse pisando vidro através dum mato de urtiga e agarra-compadre até as grunhas da serra dos Andes pleno inverno e o corpo de Exu sangrou com lapos de vidro, unhadas de espinho e queimaduras de urtiga, ofegando de fadiga e tremendo de tanto frio. Era horroroso. E Macunaíma ordenou que o eu de Venceslau Pietro Pietra recebesse o guampaço dum marruá, o coice dum bagual, a dentada dum jacaré e os ferrões de quarenta vezes quarenta mil formigas-de-fogo e o corpo de Exu retorceu sangrando empolando na terra, com uma carreira de dentes numa perna, com quarenta vezes quarenta mil ferroadas de formiga na pele já invisível, com a testa quebrada pelo casco dum bagual e um furo de aspa aguda na barriga. A saleta se encheu dum cheiro intolerável." Cap. VII Macumba

O livro não tem nenhum suspense, mas o final é bem imprevisível, assim como o destino de cada personagem. E apesar de difícil de entender alguns trechos, achei a história muito interessante.

E tem um filme de 1969, que não mostra todas as aventuras, só as mais marcantes. E tem um final relativamente diferente. Fez bastante sucesso, principalmente na França. E tem Grande Otelo no elenco.

http://www.youtube.com/watch?v=FNoga3IxPHs
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Paty ;D 31/01/2014

Mário de Andrade queria provocar a elite burguesa e conservadora. Diria que “Macunaíma” é um livro quase impossível de ler: possui um estilo inovador e sua linguagem fora do que estamos acostumados. Ainda hoje nos tira da zona de conforto. Sua ordem não é cronológica e sua trama é surrealista, onde tudo pode ser realizado e construído. Uma insanidade, quase racional. Uma obra OBRIGATÓRIA.
Arsenio Meira 31/01/2014minha estante
E olhe que ele sacrificou boa parte do seu tempo para ensinar - isso mesmo - ensinar mais de um exército de escritores, poetas, musicistas, folcloristas e etc e tals, escrevendo mais de 100.000 cartas (é exagero), percorrendo o Brasil... Afinal, ele ele era um estudioso da música, da línguia e dos costumes da nossa gente. Mas teve tempo para romper com tudo o que havia de convencional e o fez junto com a rapaziada de 22.




Pablo 13/01/2014

Tudo é Brasil!
Lendo “Macunaíma” tive uma sensação muito parecida com aquela que me acometeu ao assistir “Sem Essa, Aranha”, do grande cineasta brasileiro Rogério Sganzerla; a razão disso? Sinceramente, me parece muito óbvia: tanto o livro de Mario de Andrade quanto o filme de Sganzerla são resumos da cultura de nossa tão incompreendida nação brasileira. É algo simplesmente fantástico que um artista pegue todo o espírito de um povo e o coloque inteirinho dentro de uma obra, sem tirar nem por, apenas representando tal espírito através dos malabares do sempre importante e inseparável estilo. A coisa fica ainda mais interessante quanto a nação representada é uma tão controversa e exótica quanto a nossa. Amado Brasil, há quem lhe odeie sem nem ao menos lhe conhecer, e isto mesmo tendo nascido e vivido dentro de ti por toda a existência; mas o que se pode fazer? Terra tão maravilhosa assim só poderia mesmo atrair tantos amantes quanto inimigos, ou melhor, “inimigos”.

Aqueles que tanto criticam a preguiça, a vida boa e despreocupada, provavelmente veem esta obra como uma crítica ao comportamento boêmio de muitos brasileiros; pois para estes só digo uma coisa: são uns pobres coitados; pois que crítica nada, isto aqui é, antes de qualquer coisa, uma louvação à vida mansa. Pois melhor ser um vagabundo, preguiçoso, aprontador e de bem com o mundo, do que um “trabalhador”, “homem de bem”, “seguidor da moral de dos bons costumes”. Aliás, são estes tais “trabalhadores” que, na maioria das vezes, falam mal do Brasil; eles chamam de puteiro, terra de mendigos, terra de bêbados, etc.; mas, e daí? E se o Brasil for mesmo um grande puteiro, onde só se faz “brincar”, aprontar, e beber? Teria isto que ser algo ruim? Ruim mesmo, para mim, é ser moralista. Cada um vive como bem entende, e viva à liberdade, viva à trapaça, viva à fornicação e a todo tipo de pecado que puder existir!

Aliás, estes tais “trabalhadores” moralistas estão justamente contra a nossa moral, contra o espírito da nossa nação: pois aqui a ordem é aproveitar a vida sem esquentar a cabeça, por mais que vivam inventando coisa aqui e coisa ali para enganar o povo. “Macunaíma”, então, é como o nosso grande épico, é como nosso grande conto mitológico de louvação a todo o significado de uma época, a todo o resultado de centenas de anos de evolução de uma sociedade. A obra é a representação do país, e seu herói, ainda mais do que o herói da nossa gente, é a nossa gente, toda ela própria representada, ainda que caricaturada, enfeitada, aumentada (como tudo na obra, aliás – mas não poderia ser diferente, afinal, como já foi dito, isto aqui é um épico mitológico, e onde já se viu fazer épicos desta espécie seguindo a triste e chata lógica do mundo real?).

Macunaíma é safado, está sempre procurando uma moça para “brincar”; e as moças também procuram e muito por Macunaíma (e por qualquer outro também!), afinal, aqui, não existe puta nem santa, o que existe é a mulher, que tem tanto desejo quanto o homem, e que não tem esse desejo reprimido por uma sociedadezinha hipócrita e imbecil que fica buscando medir o valor de alguém pela quantidade de pessoas com quem ela transou (no caso das mulheres, quanto menos, melhor; no caso dos homens, quanto mais). Aí até parece, neste ponto, que o que está sendo retratado não é o Brasil, mas disso sim vem a crítica; não a crítica burra à boemia, e sim a crítica inteligente à boçalidade de uma ideia machista, que desrespeita o ser humano de maneira hedionda e inaceitável (detalhe: o “trabalhador” geralmente concorda com tal ideia).

Ainda há, neste livro, uma passagem bastante significativa sobre a interação entre máquina e homem, com direito a até pensamentos filosóficos vindos diretamente do protagonista; também há um interessante embate do homem rico contra o homem pobre, ou ao menos quase isso; sem falar na antológica transformação de Macunaíma em homem branco – ironicamente genial. Também vemos na obra a apresentação de várias das culturas presentes dentro da grande cultura brasileira: os povos e os costumes das matas, cidades, pampas, cerrados, pantanais, enfim, de toda terra tupiniquim; está tudo presente aqui. Tudo é Brasil! E já que é Brasil, não poderia se ficar nada de fora, ainda que, obviamente, não se possa simplesmente misturar as coisa homogeneamente, pois o todo que faz o Brasil é um todo bem diversificado.

Ainda poderia falar aqui um punhado de coisas sobre a escrita de Mario de Andrade, sobre o modernismo e tudo aquilo que o movimento representa e representou – enfim, poderia falar sobre aquilo que todo mundo está cansado de saber para conseguir uma boa nota no ENEM. Mas não falarei. Só digo mesmo que a leitura de “Macunaíma” não é fácil, mas é fascinante. E para finalizar de vez, deixo uma frase de Rogério Sganzerla que, acredito eu, se adequa muito bem a este livro: “Quem não é bom, quem não entendeu até agora, não vai entender nunca”.
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danield_moura 22/09/2013

FALTA QUEIJO!
(Vanceslau Pietro Pietra)
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