Macunaíma

Mário de Andrade



Resenhas - Macunaíma


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Helena 19/08/2014

Macunaíma- um herói de caráter brasileiro
Bom, é sempre complicado tecer qualquer tipo de crítica a um clássico, mas devo admitir que a leitura não foi das mais agradáveis, embora eu reconheça o valor histórico que a obra teve naquele período. Acostumada à leituras lineares e dentro da norma culta, quando me deparei com a escrita de Mário de Andrade fiquei muito confusa (parágrafos imensos com pouquíssimas vírgulas)e tive que reler várias passagens para poder continuar a leitura da obra. Acredito que este livro seja daqueles que é preciso ler mais de uma vez para que seja -mais que entendido- compreendido.E não tem como fazer a leitura sem antes se inteirar do momento histórico e cultural que circundava a obra, o movimento Modernista. Ademais, a obra é salva pelos toques de ironia e sátira que estão na pessoa do Macunaíma, indivíduo preguiçoso e safado que só quer saber de "brincar". Muitos o consideram a imagem do povo brasileiro, eu concordo em parte.
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Fabiana 03/08/2014

Uma música-apanhado sobre o herói Macunaíma
http://www.youtube.com/watch?v=GRR8Z4vMV3Y
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Bella 24/06/2014

Totalmente nacional!
Não vou mentir, li o livro porque era para trabalho de escola. O livro é chato no começo, tem umas palavras que só mesmo quem escreveu para entender. Mas, depois que você pega o ritmo da historia, ele vai se encaixando e você vai entendendo, depois do meio do livro comecei a gostar e tive que voltar para entender melhor a historia.Ele é completamente brasileiro, e tem umas coisas muito FICTÍCIAS. Mas, gostei bastante de ler e recomendo, somente para quem quer entrar em um mundo totalmente fora do ritmo da realidade.

Bjus, Bella.
Mary 15/10/2014minha estante
"Totalmente nacional", "completamente brasileiro". Oi?
É um livro escrito por Mário de Andrade, que foi um escritor brasileiro. Não é de se espantar que ele escreva um livro que retrate o Brasil...


Bella 15/10/2014minha estante
Mary, há livros de escritores brasileiros que escrevem sobre países de fora ex: Paulo Coelho.
Você deveria ter informado melhor sobre isso antes de escrever isso. Okay? Bjus.


Mary 15/10/2014minha estante
Mário de Andrade morreu em 1945. Paulo Coelho é contemporâneo. Lembrando que o Paulo é mundialmente conhecido e os livros dele são traduzidos em vários idiomas.
Eu sei muito bem que existem escritores brasileiros que escrevem sobre outros países.
Mário de Andrade foi um escritor modernista, e o movimento modernista tinha como FOCO elementos da cultura brasileira.
Você deveria estudar melhor literatura antes de escrever isso, ok?


Nath 15/10/2014minha estante
Mary, você que estudou tanto assim o movimento modernista devia entender que, quando Bella diz que o livro é totalmente nacional, está mais que correta e que existem muitos livros de escritores brasileiros da mesma época de Mario de Andrade e até antes que tinham aspectos muito estrangeiros, transformando as histórias que se passavam no brasil em cópias de romances franceses e portugueses. O modernismo negava a influência estrangeira, por isso o livro é completamente voltado para os costumes e a natureza brasileira. Mesmo dentro do movimento modernista haviam autores que se inspiravam em obras estrangeiras, como Oswald de Andrade. O argumento da Bella é que, dentre tantos livros nacionais com influências estrangeiras, este se destaca especificamente por ser 100% brasileiro. Seu comentário é típico de gente pseudo cult que acha que sabe mais que todo mundo e querendo desmerecer a opinião alheia. Ninguém é obrigado a saber tudo sobre literatura brasileira.


Bella 16/10/2014minha estante
É isso ai Naty. Para um bom leitor meia explicação basta, eu não preciso ficar explicando coisas da nacionalidade porque tem tudo no Google. E Mary, sei muito bem da literatura brasileira e de cultura também.
Não preciso dos seus comentários nada cultos.Okay? Bjus.




R 13/06/2014

O livro que me ingressou no mundo litérário
Macunaíma é um livro divertido, empolgante bem desenvolvido e um clássico da literatura brasileira , li esse livro em 2009 na biblioteca da escola no ensino médio , peguei sem comprometimento , vi o autor conhecido Mario de Andrade e resolvi ler, me agradou de primeira , o humor bem elaborado, a narrativa com suas palavras indígenas, um marco no movimento literário brasileiro , que consolidou o autor num dos melhores escritores do mundo.
Recomendo esse livro , pra ler com calma e interesse se pudesse dava 10 pontos pra esse livro , muito bom!
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Viviane 03/04/2014

Ruim demais - só quem faz Letras pra ler um livro ruim desse jeito. Não dá, muito confuso, a história não é linear e você chega no meio do livro sem entender bulufas do que está acontecendo.
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Fecancio 03/03/2014

Brasileiro
Um mix da brasilidade
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Anderson Felix 04/02/2014

Minhas impressões sobre Macunaíma
Macunaíma é o índio que nasceu negro, e logo depois se tornou branco e loiro de olhos claros ao se banhar nas águas do rio que se formou na pegada do gigante!

Mágico é, sem dúvidas, a palavra que define o livro. A história acompanha Macunaíma na sua saga em busca da muiraquitã, junto com seus irmãos na cidade de São Paulo; sua diversas peripécias, lutas, encontros e traquinagens.

No fim da edição que eu li (editora Agir), acompanha um grupo de textos escritos pelo Mário de Andrade referente à sua obra, a leitura desses textos me foi mais prazerosa que o livro em si, por que em meio a tantos termos indígenas e essa narração ora lenta ora rápida, me senti um pouco entediado em algumas passagens.

O livro é realmente bom, louvável, e apesar de Andrade afirmar que foi uma brincadeira, a relação entre as lendas brasileiras, as tradições religiosas e a critica social tão ampla sobre o Brasil e suas regiões são inegáveis.

(Livro que eu incluí no VIAGEM PELO BRASIL EM 54 LIVROS https://www.facebook.com/groups/viagempelobrasilem54livros/?fref=ts
Autor de São Paulo, antigo)
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Cyssah 04/02/2014

VIAGEM PELO BRASIL EM 54 LIVROS
007/54


"Macunaíma" é o nono livro do paulista Mário de Andrade. Foi publicado em 1928.

O autor conta a história da vida do índio Macunaíma desde o seu nascimento até sua morte. Maior parte da história se concentra nas aventuras que o personagem vive com os dois irmãos quando deixa a floresta para ir a São Paulo recuperar a muiraquitã que ele ganhou da única mulher pela qual se apaixonou, mas que morreu assim como seu filho e viraram estrelas. Macunaíma é preguiçoso, egoísta, covarde e chorão. Além de viver pensando em "brincar".

A frase característica da personagem é "Ai, que preguiça!". Como na língua indígena o som "aique" significa "preguiça", Macunaíma seria duplamente preguiçoso.

Logo no inicio da história ele fica branco, mas os irmãos não conseguem tomar banho na mesma água. Um fica negro e o outro vermelho.

No decorrer da saga de Macunaíma, a obra utiliza mitos indígenas, lendas, provérbios do povo brasileiro, aspectos do folclore do país. Acontecem muitas coisas surrereais como bichos virando gente e gente morrendo e virando estrela.

O autor escrever da mesma forma que as pessoas falam trocando "se" por "si" por exemplo, e isso tornou minha leitura um pouco mais lenta assim como as palavras de origem indígena.

Durante sua saga, o herói passa por vários estados do Brasil e alguns países da América do Sul também.

Já naquela época havia quem achasse que no Brasil temos feriados demais e que futebol é uma praga!

"Afinal chegou o domingo pé-de-cachimbo que era dia do Cruzeiro, feriado novo inventado pros brasileiros descansarem mais." Cap. X Pauí-Pódole

"E foi assim que Maanape inventou o bicho-do-café, Jiguê a largarta-rosada e Macunaíma o futebol, três pragas." Cap. VI A Francesa e o Gigante

Há muitas parte cômicas na obra, mas também há algumas que lembram filme de terror. Como quando o gigante usa o sangue de seu choffer como molho de macarrão ou quando Macunaíma vai à um terreiro e através de uma entidade submete o gigante Piamã à várias torturas.

"Enfim roxo de pancada sangrando pelo nariz pela boca pelos ouvidos caiu desmaiando no chão. E era horroroso... Macunaíma ordenou que o eu do gigante fosse tomar um banho salgado e fervendo e o corpo de Exu fumegou molhando o terreno. E Macunaíma ordenou que o eu do gigante fosse pisando vidro através dum mato de urtiga e agarra-compadre até as grunhas da serra dos Andes pleno inverno e o corpo de Exu sangrou com lapos de vidro, unhadas de espinho e queimaduras de urtiga, ofegando de fadiga e tremendo de tanto frio. Era horroroso. E Macunaíma ordenou que o eu de Venceslau Pietro Pietra recebesse o guampaço dum marruá, o coice dum bagual, a dentada dum jacaré e os ferrões de quarenta vezes quarenta mil formigas-de-fogo e o corpo de Exu retorceu sangrando empolando na terra, com uma carreira de dentes numa perna, com quarenta vezes quarenta mil ferroadas de formiga na pele já invisível, com a testa quebrada pelo casco dum bagual e um furo de aspa aguda na barriga. A saleta se encheu dum cheiro intolerável." Cap. VII Macumba

O livro não tem nenhum suspense, mas o final é bem imprevisível, assim como o destino de cada personagem. E apesar de difícil de entender alguns trechos, achei a história muito interessante.

E tem um filme de 1969, que não mostra todas as aventuras, só as mais marcantes. E tem um final relativamente diferente. Fez bastante sucesso, principalmente na França. E tem Grande Otelo no elenco.

http://www.youtube.com/watch?v=FNoga3IxPHs
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Paty ;D 31/01/2014

Mário de Andrade queria provocar a elite burguesa e conservadora. Diria que “Macunaíma” é um livro quase impossível de ler: possui um estilo inovador e sua linguagem fora do que estamos acostumados. Ainda hoje nos tira da zona de conforto. Sua ordem não é cronológica e sua trama é surrealista, onde tudo pode ser realizado e construído. Uma insanidade, quase racional. Uma obra OBRIGATÓRIA.
Arsenio Meira 31/01/2014minha estante
E olhe que ele sacrificou boa parte do seu tempo para ensinar - isso mesmo - ensinar mais de um exército de escritores, poetas, musicistas, folcloristas e etc e tals, escrevendo mais de 100.000 cartas (é exagero), percorrendo o Brasil... Afinal, ele ele era um estudioso da música, da línguia e dos costumes da nossa gente. Mas teve tempo para romper com tudo o que havia de convencional e o fez junto com a rapaziada de 22.




Pablo 13/01/2014

Tudo é Brasil!
Lendo “Macunaíma” tive uma sensação muito parecida com aquela que me acometeu ao assistir “Sem Essa, Aranha”, do grande cineasta brasileiro Rogério Sganzerla; a razão disso? Sinceramente, me parece muito óbvia: tanto o livro de Mario de Andrade quanto o filme de Sganzerla são resumos da cultura de nossa tão incompreendida nação brasileira. É algo simplesmente fantástico que um artista pegue todo o espírito de um povo e o coloque inteirinho dentro de uma obra, sem tirar nem por, apenas representando tal espírito através dos malabares do sempre importante e inseparável estilo. A coisa fica ainda mais interessante quanto a nação representada é uma tão controversa e exótica quanto a nossa. Amado Brasil, há quem lhe odeie sem nem ao menos lhe conhecer, e isto mesmo tendo nascido e vivido dentro de ti por toda a existência; mas o que se pode fazer? Terra tão maravilhosa assim só poderia mesmo atrair tantos amantes quanto inimigos, ou melhor, “inimigos”.

Aqueles que tanto criticam a preguiça, a vida boa e despreocupada, provavelmente veem esta obra como uma crítica ao comportamento boêmio de muitos brasileiros; pois para estes só digo uma coisa: são uns pobres coitados; pois que crítica nada, isto aqui é, antes de qualquer coisa, uma louvação à vida mansa. Pois melhor ser um vagabundo, preguiçoso, aprontador e de bem com o mundo, do que um “trabalhador”, “homem de bem”, “seguidor da moral de dos bons costumes”. Aliás, são estes tais “trabalhadores” que, na maioria das vezes, falam mal do Brasil; eles chamam de puteiro, terra de mendigos, terra de bêbados, etc.; mas, e daí? E se o Brasil for mesmo um grande puteiro, onde só se faz “brincar”, aprontar, e beber? Teria isto que ser algo ruim? Ruim mesmo, para mim, é ser moralista. Cada um vive como bem entende, e viva à liberdade, viva à trapaça, viva à fornicação e a todo tipo de pecado que puder existir!

Aliás, estes tais “trabalhadores” moralistas estão justamente contra a nossa moral, contra o espírito da nossa nação: pois aqui a ordem é aproveitar a vida sem esquentar a cabeça, por mais que vivam inventando coisa aqui e coisa ali para enganar o povo. “Macunaíma”, então, é como o nosso grande épico, é como nosso grande conto mitológico de louvação a todo o significado de uma época, a todo o resultado de centenas de anos de evolução de uma sociedade. A obra é a representação do país, e seu herói, ainda mais do que o herói da nossa gente, é a nossa gente, toda ela própria representada, ainda que caricaturada, enfeitada, aumentada (como tudo na obra, aliás – mas não poderia ser diferente, afinal, como já foi dito, isto aqui é um épico mitológico, e onde já se viu fazer épicos desta espécie seguindo a triste e chata lógica do mundo real?).

Macunaíma é safado, está sempre procurando uma moça para “brincar”; e as moças também procuram e muito por Macunaíma (e por qualquer outro também!), afinal, aqui, não existe puta nem santa, o que existe é a mulher, que tem tanto desejo quanto o homem, e que não tem esse desejo reprimido por uma sociedadezinha hipócrita e imbecil que fica buscando medir o valor de alguém pela quantidade de pessoas com quem ela transou (no caso das mulheres, quanto menos, melhor; no caso dos homens, quanto mais). Aí até parece, neste ponto, que o que está sendo retratado não é o Brasil, mas disso sim vem a crítica; não a crítica burra à boemia, e sim a crítica inteligente à boçalidade de uma ideia machista, que desrespeita o ser humano de maneira hedionda e inaceitável (detalhe: o “trabalhador” geralmente concorda com tal ideia).

Ainda há, neste livro, uma passagem bastante significativa sobre a interação entre máquina e homem, com direito a até pensamentos filosóficos vindos diretamente do protagonista; também há um interessante embate do homem rico contra o homem pobre, ou ao menos quase isso; sem falar na antológica transformação de Macunaíma em homem branco – ironicamente genial. Também vemos na obra a apresentação de várias das culturas presentes dentro da grande cultura brasileira: os povos e os costumes das matas, cidades, pampas, cerrados, pantanais, enfim, de toda terra tupiniquim; está tudo presente aqui. Tudo é Brasil! E já que é Brasil, não poderia se ficar nada de fora, ainda que, obviamente, não se possa simplesmente misturar as coisa homogeneamente, pois o todo que faz o Brasil é um todo bem diversificado.

Ainda poderia falar aqui um punhado de coisas sobre a escrita de Mario de Andrade, sobre o modernismo e tudo aquilo que o movimento representa e representou – enfim, poderia falar sobre aquilo que todo mundo está cansado de saber para conseguir uma boa nota no ENEM. Mas não falarei. Só digo mesmo que a leitura de “Macunaíma” não é fácil, mas é fascinante. E para finalizar de vez, deixo uma frase de Rogério Sganzerla que, acredito eu, se adequa muito bem a este livro: “Quem não é bom, quem não entendeu até agora, não vai entender nunca”.
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danield_moura 22/09/2013

FALTA QUEIJO!
(Vanceslau Pietro Pietra)
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Cli 20/08/2013

O herói sem nenhum caráter
Quando tentei ler esse livro há um tempo atrás, foi ódio
à primeira vista. Eu não conseguia entender e achei aquela história sobre o Curupira horrível, aí Lógico, desisti.
Mas agora, eu precisei ler para a faculdade. E descobri que a percepção da gente pode mudar completamente com a maturidade, e o tal conto do Curupira me pareceu na realidade, extremamente hilário. Assim como todo o resto do livro. Sem contar que é uma parábola da sociedade brasileira e é bastante enriquecedor culturalmente.
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Bogodinha 20/07/2013

Leitura obrigatória no Ensino Médio. Acho que não lhe dei o devido mérito, na época. Preciso relê-lo, agora, sob a ótica de uma licenciada em Letras, que sou.

De qualquer forma, o livro não tem uma leitura fácil: há trechos em Tupi e a alegoria da criação das raças que constituem o povo brasileiro não é tão clara assim.
Vou reler, um dia...rs
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Felipe 27/03/2013

Estrela maior
É inacreditável que um livro como Macunaíma exista. Era necessário que ele existisse. Ele existe, está no mundo e este fato emudece a tristeza de qualquer leitor que entre em contato com ele. Mário De Andrade escreveu o livro oficial do Brasil. O almanaque do tipo psicológico brasileiro, o tortuoso cicerone da alma fragmentada de um país sem caráter – porque sem identidade fixa.

É possível escrever um livro sobre um tipo psicológico que é, por excelência, uma mentalidade avessa aos ditames estéticos e ideológicos europeus tomando como perspectiva a pena estética e ideológica de um europeu? Não, não era possível. É por isso que Macunaíma existe: ele existe para mostrar que essa figura desconcertante do brasileiro deveria ser tratada com a perspectiva mito-estética de um brasileiro, de sua mentalidade profundamente enraizada em sua gênese sinuosa, cruel e multiforme. Não é sob o conceito obtuso de “regionalismo” que esse livro se inscreve no panteão das obras máximas do Brasil (stricto sensu, o Ulisses de Joyce é tão regional quanto Macunaíma), mas antes porque este livro é um êxito sem paralelos, êxito da Literatura e da Linguagem.

Bataille dizia que a literatura pode dizer tudo, porque ela é inorgânica. A literatura pode ser tudo, pois não há um corpo que reduza sua forma a uma estrutura fixa. Em Macunaíma esse radicalismo inorgânico é radicalizado: não há forma fixa das coisas, pois elas são tudo e podem “se virar” em tudo. Assim, Macunaíma é homem-índio-preto, é homem-louro-europeu, é peixe, é pássaro, mas não é pedra não – “Não vim ao mundo pra ser pedra” – é, finalmente, uma constelação. Não é realismo mágico, não é realismo poético, esqueçam os gêneros e lembrem-se: a literatura não é a realidade, mas algo maior que ela. Assim, o mais descritivo dos realismos pode se passar pelo mais fantástico dos acontecimentos.

A linguagem utilizada em Macunaíma é um tour de force inigualável. Somos arremessados, seduzidos, enfeitiçados por uma língua estranha e tão familiar. Denunciando uma literatura pomposa e insípida construída sob a linguagem padrão (o Português), Mário De Andrade escreveu o primeiro livro no Brasil escrito na língua brasileira (diferente da portuguesa), trouxe para dentro de Macunaíma a língua de um povo que não pertence mais a Portugal. É lindo, lindo, lindo!

Macunaíma deveria ser o livro de cabeceira de todo brasileiro. É impossível não reconhecer neste livro um espelho erguido contra a bandeira verde-amarela. Como diz o provérbio: não é culpa do espelho se a cara é torta. Macunaíma é o herói sem nenhum caráter, mas isso não se resume ao sentido moral, mas também identitário. Encontramos neste livro uma sequência de alegorias que interpretam e resumem o nascimento desta Vênus ameríndia, a terra brasileira. Não, não há qualquer vestígio de chauvinismo nesta resenha, é apenas um leitor impactado com a força de um livro que conseguiu radicalizar a linguagem, os sentidos da Literatura e a sua destinação sem se tornar um experimento patético ou um desses abortos que o Modernismo engendrou aos montes.
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