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Capitão

Sergio Prado
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Celly Borges 18/01/2012

Resenha + Entrevista com o autor
Em Capitão (Giz Editorial, 2011, R$24,90), acompanhamos a visão de um homem sem memória retorna para sua casa, guiado pelas informações obtidas na rua. Também descobre, além de sua moradia, que não foi uma pessoa muito digna. Durante a leitura, vemos as lembranças do Capitão, através de sua narração de como tudo é uma descoberta “trágica” de seu passado desumano. Descobre seu filho, mas esse não é o único e nem sua família verdadeira, que sofre pela ausência do pai. Depois encontra a esposa real, e a vê com semblante de sofrimento, medo, assim como o cachorro que corre ao avistá-lo. Triste verdade de uma pessoa que se percebe, enfim, má.

"Minha expressão nas fotos reforçava a impressão de um homem embrutecido, polido em lixa grossa, zangado com tudo o que a vida lhe reservara sem reservas”.


Acompanhamos a visão do Capitão e por sua narração demonstra sofre todos os dias, a cada “descoberta” de sua maldade, da crueldade que cometia com todas as famílias.

"– Isto é um crime... – eu dizia, enquanto Pedro tentava me convencer que levar as garotas do mangue para trabalhar em prostíbulos era melhor para elas do que permanecerem na ilha”, pág 69.

Mas não basta somente falar de bondade, é preciso mostrar, provar com ações, para tantas pessoas que sofreram nas mãos do Capitão, que ele quer realmente mudar, e os olhos dos demais não mentem quando o assunto é sofrimento. A tristeza, a maldade cometida por tanto tempo está estampada no rosto de cada morador da ilha. Nos pais que tiveram suas filhas levadas para uma vida que ninguém sabe como é.

O Capitão sofre para demonstrar que não é mais o mesmo. Que quer ajudar a todos a melhorar de vida. Não há fantasia, somente a tristeza real de todos os personagens.

Há tantos e tantos que fazem e passam por histórias semelhantes, mas não têm tempo de mudar o curso. Sergio Prado (1970) criou uma história envolvente, podemos tomá-la por real, quando da busca por boas ações depois de tantas más cometidas ao longo de uma vida.

Entrevista com o autor:

Mundo de Fantas: Como foi escrever "Capitão", conte-nos o processo e as inspirações.

Sergio Prado: A ideia que originou Capitão, partiu do interesse que sempre tive sobre o assunto amnésia. Certa noite eu sonhei que eu acordei em um local sem saber quem eu era, e isto inspirou a trama. No dia seguinte já comecei a escrever Capitão, e, a partir do nada, criei a vida que o Capitão teria que descobrir. Podemos dizer que fui descobrindo junto a ele enquanto eu ia escrevendo. Tentei não criar nenhum vínculo comigo mesmo, fazendo com que o enredo se desenrolasse em locais distantes, em um povoado de uma ilha que eu inventei, baseando-me na rotina cotidiana dos manguezais brasileiros.
Narrei a história em primeira pessoa, pois creio que assim, por ser póstuma, eu alcançaria uma riqueza de detalhes e sentimentos importantes, se narrados pelo protagonista.
Espero, com este livro, abrir caminho para o próximo que estou escrevendo para 2012, e que sairá pela Editora Regência. Tentarei lançá-lo a tempo para a bienal de SP. O título será “Pra Você Viver Mais” e contará com a epígrafe de “Canção Pra Você Viver Mais” do Pato Fu... Consegui a autorização da banda para a utilização de trecho da música na epígrafe, sem nenhum ônus, após análise dos primeiros capítulos. Fiquei muito contente, sei que é difícil conseguir estes avais. Vi nesta autorização, um primeiro reconhecimento do que será um livro que de tão intenso, às vezes, tenho que parar e ficar alguns dias sem escrever.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

SP: As dicas que eu deixo para leitura não são muitas... Vou indicar apenas meus 5 favoritos:
Grande Sertão Veredas: Guimarães Rosa, em minha opinião, foi o autor brasileiro com maiores recursos de escrita que já existiu. Ele era gênio! Muitos de seus livros não tem nem como traduzir para outros idiomas devido às aliterações que ele criava como ninguém nunca fez.
Dom Casmurro: Machado de Assis dá uma aula de como tornar uma história com acontecimentos extremamente simples, num livro genial, por meio de uma narrativa rara.
A Coronel Chabert: Honoré de Balzac, livro extraordinário deste autor francês que foi uma referência de ninguém mais do que Machado de Assis. Mulher de Trinta Anos: Também do Honoré de Balzac. Neste, a sensibilidade do autor ultrapassa os limites! Devia ser proibido escrever como ele escreveu este livro (brincadeira). Este é outro livro sem grandes surpresas no enredo; trama simples que espanta pelo modo ímpar com que é narrado. Gosto das pinturas que o retratam: era um tipo, que pela aparência, podemos julgá-lo inapto ao talento que carregava (isto mostra que talento não escolhe aparência). Costumava posar com uma mão no coração e a outra esticada, como a declamar apaixonadamente um verso a alguém... Só faltava ajoelhar-se. Imagem muito brega, mas o gesto revelava um autor que era a pura e fina sensibilidade.

*****
Outras resenhas: Mundo de Fantas no mundo dos livros
http://mundodefantas.blogspot.com/


spoiler visualizar


Amanda Reznor 22/10/2011

Maravilhoso!
Sergio Prado surpreende o leitor com uma narrativa segura, revelando as pistas no momento certo, brinca com a consciência do protagonista e nos inflige sentimentos confusos, que se fundem entre a piedade e a raiva, satisfazendo toda a expectativa ao finalizar a história com chave de ouro.

Prós: suspense fantástico, bem ambientado, que instiga a ler mais a cada página - como o protagonista, o leitor também fica na expectativa do que virá a seguir; personagens fortes, originais; trama envolvente e sensível.

Contras: o ritmo final do livro tornou-se mais rápido, contrastando com o desenvolvimento anterior, mas não prejudica a diversão.


Andressa Leite 04/10/2011

Capitão é homem que por onde passa é temido. Possui negócios ilegais, trai a mulher, possui um filho fora do casamento, bebe muito e se mete em confusão com frequência. Um dia ele acorda e não sabe muito bem onde está, aliás, não sabe nem quem ele é, e o rosto sujo que ele vê no espelho não é muito familiar. Ele se veste com as roupas que estavam próximas, parecia que estava em quarto de bordel, e vai atrás de respostas sobre ele mesmo.
Descobre seu sujo passado e passa a querer ser chamado de Renato, seu verdadeiro nome, não mais de Capitão, nem de padrinho, que para ele era uma pessoa desprezível, não era uma parte dele. Agora ele precisa se redimir, mesmo que não se lembre das coisas horríveis que o Capitão fez, precisa reconquistar a confiança da esposa e o amor dos filhos. Mas ele vai mais além e muda até mesmo as pessoas da ilha onde mora, trazendo uma nova forma de vida para eles.


Não esperava que eu fosse me afeiçoar tanto com a estória. O livro é curtinho e a escrita gostosa de ler. Já vi bastantes filmes em que o personagem principal perdia a memória e tal, mas nunca tinha lido um livro. Um personagem que eu gostei bastante foi a mulher dele, professora formada que quando estava na ilha realizando uma pesquisa se apaixonou por ele, mas ele foi mudando com ela até o ponto de ameaça-la de morte caso fugisse de casa. No inicio ela desconfia, afinal o Capitão já tinha fingido ter mudado só para enganar ela, mas com o tempo ela vê que o marido não é mais o mesmo e precisa da sua ajuda para seguir em frente. Ela é simples apesar da formação e ama muito a filha.

É triste ver como Renato sofre ao descobrir as atrocidades que fazia, mas é muito bonito ver ele se redimindo perante seus erros e buscando o perdão daqueles que ele fez mal. Ele vai atrás, luta para conseguir as coisas, mas o Capitão é uma parte dele e não dá para apagar o passado com uma borracha, afinal nem tudo é tão simples como queríamos que fosse.


claudioschamis 04/10/2011

O livro "Capitão" é meio que um soco no estômago. É uma história diferente onde o Capitão que em seu passado era uma pessoa intragável, prepotente, exploradora, violenta, daquelas que quermos ver a milhas de distância ao mesmo tempo que temos pavor de contrariar sofre um revés que dá ao livro um tom comovente.

Capitão que depois de sofrer uma pancada na cabeça sofre de uma amnésia que faz com que seu passado seja apagado somente de sua memória, começa a busca de quem ele era. Acompanhamos a luta dele em entender como ele pôde ser daquele jeito por tanto tempo. Ele não se reconhecia e tinha vergonha de tudo isso.

Aos poucos ele vai retomando a sua vida, o seu cotidiano, só que com a diferença que ele tenta mudar, pois vai descobrindo aos poucos quem ele era e o que as pessoas pensavam ou sabiam dele.

Cada dia para o Capitão é um dia de conquista. Inclusive com sua própria família.

Os erros do passado ele vai ao longo dessa "viagem" tentando repará-los de forma que ele consiga compensar as pessoas que ele maltratou, explorou ou desprezou.

É uma história de superação e reparação.
laura 29/10/2011minha estante
Linda resenha, Parabéns




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