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Poemas

Wislawa Szymborska
Resenhas
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8 encontrados | exibindo 1 a 5
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Paula 30/01/2014

Acho que eu quero aprender polonês.
Sob uma estrela pequenina


Me desculpe o acaso por chamá-lo necessidade.
Me desculpe a necessidade se ainda assim me engano.
Que a felicidade não se ofenda por tomá-la como minha.
Que os mortos me perdoem por luzirem fracamente na memória.

Me desculpe o tempo pelo tanto de mundo ignorado por segundo.
Me desculpe o amor antigo por sentir o novo como primeiro.
Me perdoem, guerras distantes, por trazer flores para casa.
Me perdoem, feridas abertas, por espetar o dedo.
Me desculpem os que clamam das profundezas pelo disco de minuetos.

Me desculpe a gente nas estações pelo sono das cinco da manhã.
Sinto muito, esperança açulada, se às vezes me rio.
Sinto muito, desertos, se não lhes levo uma colher de água.
E você, falcão, há anos o mesmo, na mesma gaiola,
fitando sem movimento sempre o mesmo ponto,
me absolva, mesmo se você for um pássaro empalhado.
Me desculpe a árvore cortada pelas quatro pernas da mesa.
Me desculpem as grandes perguntas pelas respostas pequenas.

Verdade, não me dê excessiva atenção.
Seriedade, me mostre magnanimidade.
Ature, segredo de ser, se eu puxo os fios das suas vestes.
Não me acuse, alma, por tê-la raramente.
Me desculpe tudo, por não poder estar em toda parte.
Me desculpem todos, por não saber ser cada um e cada uma.

Sei que, enquanto viver, nada me justifica
já que barro o caminho para mim mesma.
Não me julgue má, fala, por tomar
emprestado palavras patéticas,
e depois me esforçar para fazê-las parecer leves.

Wislawa Szymborska. Poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. Tradução: Regina Przybycien.

site: http://www.pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2014/01/sob-uma-estrela-pequenina.html
Renata CCS 11/02/2014minha estante
Este é um de meus poemas preferidos deste livro!




Catharina 24/01/2014

Quem disse que não há mais poesia no mundo? Pelo menos na Polônia ela foi preservada, intacta e contundente.

Ela tem em seu currículo apenas 350 poemas durante toda sua carreira e quando um jornalista a perguntou sobre o porquê desse número tão diminuto Wisława Szymborska respondeu: “Eu tenho uma lixeira na minha casa.” E ainda: “Eu escrevo à noite. De dia, tenho o hábito irritante de reler o que escrevi para constatar que há coisas que não suportam sequer o teste de uma volta do globo.”

Toda essa ironia fez com que sua obra tomasse corpo, não só na Polônia, como também pelo resto do mundo.

É dela uma das melhores definições de poeta que eu já li :

" O poeta, independentemente de educação, idade, sexo e preferências, permanece no seu coração o herdeiro espiritual da humanidade dos primórdios. Explicações científicas sobre o mundo não o impressionam muito.

Ele é um animista, um fetichista, que acredita nos poderes secretos adormecidos em todas as coisas, e está convencido de poder mexer com essas forças com a ajuda de um punhado de palavras bem escolhidas.

O poeta pode até ter recebido um ou outro título com distinção e louvor, mas no momento em que se senta para escrever um poema, seu uniforme da escola racionalista começa a pinicar sob os braços.

Ele se retorce, bufando, abre primeiro um botão, depois outro, até arrancar a roupa de uma vez, expondo-se diante de todo mundo como um selvagem que leva uma argola no nariz. Isso mesmo, um selvagem.

Do que mais se pode chamar uma pessoa que fala em versos com os mortos e os não-nascidos, com as árvores, os pássaros, e até mesmo com abajures e pernas de mesa?"
Arsenio Meira 30/01/2014minha estante
Bravo, Catharina! Wislawa Szymborska apenas pensa que morreu.


Renata CCS 29/01/2014minha estante
Tb me apaixonei por este livro, Catharina. Uma das descobertas incríveis aqui no Skoob!




Renata CCS 28/10/2013

Leveza na alma
Falar de poesia requer um treino e uma capacidade que, com certeza, eu não tenho. Mas não poderia deixar passar em branco esta obra magnífica! Wislawa Szymborska é muito mais do que um nome exótico e quase impronunciável (pronuncia-se mais ou menos Vissuáva Chembórska) e para mim, o livro POEMAS foi uma das leituras mais deliciosas dos últimos tempos, dessas que nos fazem saborear cada palavra, cada página, e ao mesmo tempo sentir a urgência de não querer parar de ler. Mas não há como fazer uma resenha desses poemas e qualquer um se sente minúsculo diante esse propósito, a não ser que eu faça uma resenha sobre a enorme leveza na alma que suas palavras me proporcionaram. E não dá para escrever o quanto esse livro me fez bem, mas não poderia deixar de lado as emoções que esta leitura me trouxe. Precisava dividir com vocês!


Sob uma estrela pequenina

Me desculpe o acaso por chamá-lo necessidade.
Me desculpe a necessidade se ainda assim me engano.
Que a felicidade não se ofenda por tomá-la como minha.
Que os mortos me perdoem por luzirem fracamente na memória.
Me desculpe o tempo pelo tanto de mundo ignorado por segundo.
Me desculpe o amor antigo por sentir o novo como primeiro.
Me perdoem, guerras distantes, por trazer flores para casa.
Me perdoem, feridas abertas, por espetar o dedo.
Me desculpem os que clamam das profundezas pelo disco de minuetos.
Me desculpe a gente nas estações pelo sono das cinco da manhã.
Sinto muito, esperança açulada, se às vezes me rio.
Sinto muito, desertos, se não lhes levo uma colher de água.
E você, falcão, há anos o mesmo, na mesma gaiola,
fitando sem movimento sempre o mesmo ponto,
me absolva, mesmo se você for um pássaro empalhado.
Me desculpe a árvore cortada pelas quatro pernas da mesa.
Me desculpem as grandes perguntas pelas respostas pequenas.
Verdade, não me dê excessiva atenção.
Seriedade, me mostre magnanimidade.
Ature, segredo do ser, se eu puxo os fios das suas vestes.
Não me acuse, alma, por tê-la raramente.
Me desculpe tudo, por não poder estar em toda parte.
Me desculpem todos, por não saber ser cada um e cada uma.
Sei que, enquanto viver, nada me justifica
já que barro o caminho para mim mesma.
Não me julgue má, fala, por tomar emprestado palavras patéticas,
e depois me esforçar para fazê-las parecer leves.
Catharina 24/01/2014minha estante
Não há sinais de fadiga ou tédio em sua poesia. Parece sempre curiosa, intensa, doce. Uma leitura única e imperdível para amante de poesia.


Renata CCS 29/10/2013minha estante
Essa poesia aparentemente simples e intensamente profunda merece a leitura!


Arsenio Meira 29/10/2013minha estante
É isso, Raquel, o que dizer? É difícil, e Wislawa Szymborska é a própria poesia. Bela resenha. Que outras pessoas possam sentir o mesmo encanto que (ou impacto/espanto) que esta poeta encantadora irradia através deste livro.




Kovacs 25/06/2013

Wislawa Szymborska - Poemas
Editora Companhia das Letras - 168 páginas - Lançamento 26/09/2011 - Seleção, tradução e prefácio de Regina Przybycien.

Um livro absolutamente indispensável para quem gosta de poesia e procura entender um pouco mais dessa estranha matéria chamada natureza humana. É a primeira tradução da polonesa Wislawa Szymborska (1923 - 2012), prêmio Nobel de literatura de 1996, no Brasil, talvez pelo fato da língua original representar um desafio tão grande para qualquer tradutor com os seus assustadores agrupamentos consonantais, a começar pelo nome da própria autora que, por sinal, pronuncia-se como Vissuáva Chembórska. Para conhecer mais sobre o trabalho dela, recomendo esta matéria da revista Piauí de março/2012, escrita por Eucanaã Ferraz, e o site do prêmio Nobel com biografia e outras informações.

Wislawa Szymborska sempre procurou preservar a sua vida particular, tendo concedido poucas entrevistas e deixado somente doze pequenos volumes de poesia com algumas centenas de poemas. Ao ser extremamente seletiva com a qualidade de seu trabalho, ela parece comprovar que a grandeza de um poeta também pode ser avaliada pelo que deixou de publicar.

Assim como outros autores poloneses que viveram os horrores da Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, décadas de totalitarismo comunista, Szymborska reflete sobre a condição humana através de indagações simples, carregadas de ironia. A temática dos poemas é muitas vezes sombria e até mesmo trágica, mas a abordagem é quase sempre bem-humorada. O poema abaixo, "Nuvens", me lembra a maravilhosa citação de outro grande poeta, o nosso Mario Quintana: "As únicas coisas eternas são as nuvens"!

Nuvens
(Wislawa Szymborska, 2002)

Para descrever as nuvens
eu necessitaria ser muito rápida —
numa fração de segundo
deixam de ser estas, tornam-se outras.

É próprio delas
não se repetir nunca
nas formas, matizes, poses e composição.

Sem o peso de nenhuma lembrança
flutuam sem esforço sobre os fatos.

Elas lá podem ser testemunhas de alguma coisa —
logo se dispersam para todos os lados.

Comparada com as nuvens
a vida parece muito sólida,
quase perene, praticamente eterna.

Perante as nuvens
até a pedra parece uma irmã
em quem se pode confiar,
já elas — são primas distantes e inconstantes.

Que as pessoas vivam, se quiserem,
e em sequência que cada uma morra,
as nuvens nada têm a ver
com toda essa coisa
muito estranha.

Sobre a tua vida inteira
e a minha, ainda incompleta,
elas passam pomposas como sempre passaram.

Não têm obrigação de conosco findar.
Não precisam ser vistas para navegar.
Renata CCS 07/10/2013minha estante
Esta é minha mais nova aquisição! Adoro poesia e tive ótimas recomendações deste livro aqui no Skoob.




Lílian 28/12/2012

DL 2012 - Dezembro
Comecei minha vida de leitora com a poesia. E isso devo aos ótimos professores de língua portuguesa que tive durante o segundo grau. Pode soar um exagero, mas essa relação com a poesia começou na escola, numa aula na qual descobri - e passei a amar- a obra de Ferreira Gullar, um dos meus poetas favoritos. Acontece que, após o segundo grau, meu foco de leitura se deslocou para os livros de história da graduação. Bom, tudo isso pra dizer que eu lia muita poesia ( além do Gullar, Drummond,Pessoa, os árcades mineiros e Gregório, sim, muito barroco na minha estante)e que, com o tempo, perdi esse hábito.A participação no desafio literário, além de possibilitar um planejamento de leitura, colaborou para eu voltasse a ler poesia. E numa tarde vasculhando o acervo da Mário de Andrade, escolhi " Poemas" de Wislawa Szymborska, polonesa, vencedora do Nobel de Literatura. O que me chama a atenção na escrita de Szymborska é a sutileza e simplicidade, algo que considero muito raro e sofisticado. Some-se à isso, uma dose de ironia e você terá uma pequena amostra do universo da autora. Confesso que os poemas de cunho mais explicitamente político não chamam a minha atenção. Dentre todos, sugiro a leitura de " A curta vida de nossos antepassados", meu favorito.É com ele que pretendo, um dia, quem sabe?, iniciar uma aula de história. Vejam que genial e singelo:

Poucos chegavam aos trinta
A velhice era privilégio das pedras e das árvores.
A infância durava tanto quanto a dos lobos.
Tinham de apressar-se, acompanhar a vida
antes de o sol se pôr,
antes de a primeira neve cair.

Progenitoras de treze anos,
Meninos de quatro a andar aos ninhos pelos juncais,
aos vinte, batedores das caçadas,
ainda mal eram gente e logo deixavam de o ser.
Os extremos do infinito rapidamente se tocavam.
As bruxas mastigavam palavras mágicas
ainda com todos os dentes da juventude.
O filho amadurecia aos olhos do pai,
mas era a caveira do avô que via o filho nascer.

De resto, não contavam os anos.
Contavam redes, tachos, tendas e machados.
O tempo, tão generoso com as estrelas do céu,
estendia-lhes uma mão cheia de nada
para logo a retirar como que arrependido.
Mais um passo, mais dois
ao longo do rio refulgente,
que nas trevas nasce e nas trevas se perde.

Não havia um instante a perder,
perguntas adiadas ou revelações tardias,
se não tivessem já sido vividas.
A sabedoria não podia esperar cabelos brancos,
tinha que ver com clareza antes de se fazer luz,
ouvir toda a voz antes de se propagar.

O bem e o mal,
pouco dele sabiam, porém tudo:
quando o mal triunfa, o bem oculta-se;
quando o bem se manifesta, o mal fica à espreita.
Um e outro invencíveis,
inseparáveis de uma vez para sempre.
E por isso, na alegria – a angústia misturada,
no desespero – sempre uma esperança calada.
A vida, mesmo a mais longa, será sempre curta.
Curta demais, para aqui algo acrescentar.


Wislawa Szymborska, “A curta vida dos nossos antepassados”.
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