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Um Útero É do Tamanho de um Punho

Angélica Freitas
Resenhas
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4 encontrados | exibindo 1 a 4


Paty 22/01/2014

Em Um útero é do tamanho de um punho, Angélica faz uma poesia fina, direta e cheia de verdade, com um humor inteligente, meio que jocoso, com uma doce certa de ironia, força de alguém que não tem medo das palavras, ao contrário, as usa muito bem e sabe pra onde as está levando.

Como o próprio título sugere, o mote de suas poesias é o feminino, as mulheres, é um livro feminista? Sim, mas não é de e nem há panfletagem. Há denúncia, mas não é algo bruto; ela observa e relata como a mulher é vista, apontada, moldada, o que fica muito claro na primeira parte do livro com O "uma mulher limpa". Angélica reinventa e dá uma nova roupagem ao preconceito, quando o incorpora para expor justamente toda a sua face cômica que já deveria ter sido percebida por todos há muito tempo!
As poesias são cheias de nuances e significados que vão além de sua rima forte e de sua falsa simplicidade.
Falam da forma ostensiva que a mulher é vigiada, seja sobre a forma como se veste, pelo seu peso, sua beleza. Ainda traz poemas sobre a transsexualidade, o homossexualismo feminino, falam das ilusões, desilusões e desejos de toda mulher.

Um útero não é o mesmo que um punho e muito menos tem a sua força física, isso é claro, mas se você quiser parar e pensar só um pouco, mesmo não estando muito acostumado a isso, vai entender que esse órgão de posse apenas do feminino, carrega toda uma supremacia, tem sim muito poder! Mas ao mesmo tempo, se formos analisar o avesso dessas costuras tão bem tecidas pela autora [e como sugere tão belamente a capa da edição], vamos enxergar que esse mesmo útero deixa de ser algo sagrado, prendendo a mulher à uma única prioridade.

Como eu falei, não sou boa para falar de poesia, aliás, nem sei se sou boa em fazer poesia, mas Angélica Freitas é, e muito! Ela nos atinge em cheio e, o melhor, sem precisar empunhar um punho fechado!

Postado originalmente aqui:


site: http://almadomeusonho.blogspot.com.br/2014/01/um-utero-e-do-tamanho-de-um-punho.html#more
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viviandemoraes 21/01/2014

Questões feministas em torno do útero
"Um útero é do tamanho de um punho" é o segundo livro de Angélica Freitas. É dividido em sete temas: "Uma mulher limpa", "Mulher de", "A mulher é uma construção", "Um útero é do tamanho de um punho", "3 poemas com o auxílio do Google", "Argentina" e "O livro rosa do coração dos trouxas".
"Uma mulher limpa" já é um tapa na cara no começo do livro. São diversos poemas que contrapõem a mulher "limpa" (o tipo de mulher que deve ser aceito pela sociedade) à mulher suja (a transgressora).
"Mulher de" é uma antologia de poemas nomeados por "mulher de (qualquer coisa)", por exemplo, o primeiro poema, "Mulher de vermelho", que remete à questão feminista da culpabilização da vítima em um estupro. Afinal, por que uma mulher estaria de vermelho. Essa série de poemas tem a ver com essa temática, das reivindicações feministas de que a mulher é dona do seu corpo.
"A mulher é uma construção" traz o ótimo poema "uma serpente com a boca cheia de colgate", mas não é o único: todos são primorosos. a parte do livro que dá nome ao livro é um extenso poema em que são declamadas as partes íntimas da mulher e questões de feminilidade e papel social. com o auxílio do Google, os "3 poemas..." são leves e divertidos e usam o paralelismo com as expressões "a mulher vai...", "a mulher pensa..." e "a mulher quer...".
"Argentina" trata de questões concernentes ao papel do homem e da mulher na sociedade, de forma bem humorada, reivindicando o direito à mulher fazer churrasco. O livro fecha com "O livro rosa do coração dos trouxas", que trata de amores lésbicos e trata de coisas prosaicas com muito lirismo.
É um livro editado pela Cosac-Naif pela Lei de Incentivo à Cultura, que faz com que o contribuinte se sinta reconfortado: pelo menos nessa obra, que revela uma brilhante poeta, os recursos públicos foram muito bem utilizados.

site: viviandemoraes.blogspot.com
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Carina 11/09/2013

A voz feminina na poesia
Um livro mediano, porém ousado. Angélica Freitas sabe dar voz a muitos dos conflitos femininos - e incorporando a voz da mulher que se calou durante séculos, dispara seus versos em um continuum. Ainda que os poemas sejam unidades isoladas, alguns dos que estão no livro só têm sentido de ser quando apreendidos dentro do seu contexto. É o conjunto que dá a força da obra - lidos isoladamente, os versos, por vezes, não funcionam.

Nota: 7,0

Trechos:

“uma mulher gorda
incomoda muita gente
uma mulher gorda e bêbada
incomoda muito mais
uma mulher gorda é uma mulher suja
uma mulher suja
incomoda incomoda
muito mais

uma mulher limpa
rápido
uma mulher limpa”.

mulher depois

queridos pai e mãe
tô escrevendo da tailândia
é um país fascinante
tem até elefante
e umas praias bem bacanas

mas tô aqui por outras coisas
embora adore fazer turismo
pai, lembra quando você dizia
que eu parecia uma guria
e a mãe pedia: deixem disso?

pois agora eu virei mulher
me operei e virei mulher
não precisa me aceitar
não precisa nem me olhar
mas agora eu sou mulher
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Eduardo 22/11/2012

"(...)
eu quando corto
relações corto
relações
não tem essa de
briga de torcida
todos os sábados
(...)"

:D
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