Precisamos Falar Sobre o Kevin

Precisamos Falar Sobre o Kevin
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Resenhas - Precisamos Falar Sobre o Kevin


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Retalho Club 06/02/2016

Conheça o mundo sob o olhar e a perspectiva da mãe de uma psicopata juvenil, Eva Khatchadourian, aos 16 anos seu filho mais velho Kevin entrou em sua escola prendeu seus colegas no ginásio e saiu atirando neles, como qualquer história por trás de um massacre qualquer dos tantos que ocorrem e já ocorreram nos Estados Unidos.

No entanto, Kevin matou seus colegas com um arco e flecha, seu herói favorito era Robin Hood, e a proposta de Lionel Shriver é bem clara: apresentar o cenário familiar por trás dos jovens rebeldes e violentos que se revoltam contra o seu meio social.

Estamos diante de uma obra aterrorizante e arrebatadora, mergulhar na história da família Khatchadourian pode ser surpreendente e ao mesmo tempo decepcionante, ainda mais se levarmos em conta o final da obra que nos deixa com uma grande interrogação na mente.

Kevin é um belo e jovem rapaz, com uma família amorosa e um pai que o mima, tem tudo o que alguém poderia precisar e querer ter, porém desde criança apresentou traços de crianças problema, mas estes notados somente pela mãe.

Na perspectiva apresentada por Shriver somo levados a refletir sobre o papel dos pais na construção da personalidade dos filhos e a buscar entender quem são os verdadeiros culpados dessas atrocidades?

Precisamos falar sobre o Kevin, o nome é sem dúvida a decisão mais acertada do autor, precisamos sim falar sobre ele, sobre os Kevins do mundo real, não podemos somente nos calar e ficar quietos esperando quem se tornará o próximo.

LEIA MAIS:

site: http://www.retalhoclub.com/2016/01/09/resenha-precisamos-falar-sobre-o-kevin-lionel-shriver/
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Cassita 25/01/2016

Precisamos falar sobre...
Não é engraçado que a mãe, que em uma infinidade de cartas, se chame Eva (Khatchadourian)? É como se ela viesse - como toda mulher - impregnada com o pecado original. Já não nascemos culpadas?
Precisamos falar sobre Kevin é um romance epistolar que destrincha, sem dó, os desafios da maternidade da forma mais grotesca possível. É uma leitura assustadora e que demanda bastante reflexão, sobretudo para as mulheres que ainda são muito assombradas com o fantasma obrigatório da maternidade.
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Ravete 20/01/2016

Nunca vou parar de falar sobre o Kevin.
Precisamos Falar Sobre o Kevin, da autora Lionel Shriver, conta a história de Kevin Khatchadourian (juro que aprendi a escrever o nome, não pesquisei no google! hahaha) através de cartas que sua mãe, Eva, escreve para seu pai. Nessas cartas ela traça um monólogo na busca incessante de respostas para entender por que o Kevin é assim e o que o levou a fazer o que fez . O Kevin é um sociopata. Ele nasceu mau, e desde pequeno ele dá grandes indícios dessa maldade inata que culminou até o ápice da história, a fatídica quinta-feira, dois dias antes de seu aniversário de dezesseis anos quando ele cometeu uma chacina no colégio onde estudava (isso não é spoiler). Mas o problema é que a única a perceber isso é a própria Eva. Só ela presenciou os ataques de fúria, a negação de Kevin, ainda recém nascido, em aceitar seu colo e até mesmo seu leite materno, as provocações, o cinismo. Kevin era fingido. Com o pai, era uma criança quase adorável, e além disso, Franklin era extremamente super protetor e fechava os olhos para quaisquer evidencias de que seu filho não era aquele menino indefeso que tanto tentava aparentar ser: se nenhum vizinho gostava do Kevin, a culpa era dos vizinhos. Se nenhuma babá ficava no emprego, a culpa era das babás. Se ele destruia algo que sua mãe levou meses para fazer, só estava tentando ajudar. Durante a leitura eu senti muito mais raiva do Franklin do que do próprio Kevin. Mas para a Eva ele mostrava quem realmente era. E olha, eu chorei. Não foi o livro que mais me fez chorar na vida, mas foi o que mais me deixou triste (?) dá pra entender? Eu fiquei tão triste pela Eva, por tudo o que ela passou, por tudo o que ela perdeu... Eu quis poder abraçá-la, dizer que não era culpa dela. Quis ter o poder de mudar o final e torná-lo um pouco menos doloroso. Mesmo sendo só um livro, me deixou muito angustiada. Não é uma história fácil de ser engolida, muito menos esquecida. Não é uma leitura fácil, é bastante complexa e requer paciência e envolvimento. Não é o tipo de livro que lê-se para distrair. É dolorido, é revoltante, mas acima de tudo é brilhante e genial.
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Daiane 06/01/2016

Incrível. Ideal para quem tem interesse por psicologia e psicopatia. De um jeito incrivelmente interessante, a autora narra a história pela a mãe de Kevin, um menino com transtornos psíquicos. Melhor livro que eu li, que tenha abordado o tema! Se você quer ficar grudado na cadeira por dias, este livro é absolutamente a melhor opção!
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Sempre lendo 05/01/2016

O peso da culpa de uma mãe
Fiquei bastante apreensiva com esta leitura! Não é spoiler pois a resenha oficial do livro/filme trata da culpa (ou a busca das razões) de uma mãe ao saber que seu filho é delinquente e assassino. Caraca isto é muito tenso!

O livro tem uma ótima escrita, são cartas que a mãe do Kevin escreve ao ex-marido tentando entender onde foi que errou e como chegou naquele desfecho, que só vamos saber ao lermos estas mesmas cartas, porque a história se inicia no estilo de retrospectiva. Interessante e ao mesmo tempo horrível. Se quiser saber logo como funciona veja o filme, mas recomendo que leia o livro antes que está mais suave, inclusive o final é diferente.
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Marta 02/01/2016

Uma leitura que te sufoca, mas te acrescenta em reflexão
A sensação que fica é confusa. Uma leitura que se finda numa compreensão diferente, ao mesmo tempo que me esvazia um pouquinho.

Sem muito drama, a história é contada por Eva, por meio de cartas que escreve ao marido. Nisso, a autora acerta em cheio, pois o ponto de vista de Eva é crucial para dar uma intensidade diferente à história (mas confesso que adoraria ler tudo sob a perspectiva do Kevin; seria óbvio, mas intrigante).

Ser mãe não estava em seus primeiros planos e ela teve dificuldades em assimilar esse papel em sua vida. Mais que isso: assimilar Kevin em sua vida. O garoto sempre foi um pouco diferente, e isso Eva compreendeu desde o início. Com sinceridade, sem mais ocultações, ela tece toda a teia dessa história nas cartas. Expõe pensamentos, sentimentos e atitudes que muitos se horrorizariam em saber, mas é necessário fazê-lo. E nisto conhecemos seu casamento, seu trabalho e, principalmente, conhecemos Kevin, com suas peculiaridades e atos um tanto desagradáveis, caminhando para um desfecho desolador na história da família.

Em alguns momentos, odiei Eva. Noutros, odiei Kevin. Mas, conhecendo-os aos poucos, passei a sentir tudo, menos ódio. Quem me incomodou mesmo, do início ao fim (principalmente no fim) foi o marido de Eva, Franklin. De verdade, poderia compreendê-lo, mas não me dei ao trabalho de tentar, pois seu posicionamento muito me irritou. Mas ele não estraga o enredo! Pelo contrário, acrescenta muito e é fundamental. Eva não seria tão Eva sem ele. E Kevin não seria tão Kevin.

É uma história que merece ser degustada e, depois, devorada. A digestão depende muito de quem somos nós.
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Lud 28/12/2015

A leitura prende você do início ao fim, no afã de tentar entender minimamente as razões pra tanta maldade. O livro apresenta algumas discussões interessantes sobre tópicos cotidianos da vida de uma família estadunidense, inclusive o problema, bastante comum, de crianças armadas matando seus colegas de escola.

O final é simplesmente devastador, fiquei em choque com o nível de desprendimento a que Kevin chega. Você fica sem palavras ao final da história. Mas com certeza, ela nos faz refletir sobre a vida e a humanidade.
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may 28/12/2015minha estante
Meu, quero muito ler esse livro!
Sua resenha está ótima, só me deixou mais curiosa...




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warley torres 18/12/2015

Precisamos falar sobre o Kevin (o diabo em pessoa)
Precisamos falar sobre o Kevin é um livro que me surpreendeu bastante, um livro diferente de tudo que eu já li. Não sou de fazer resenhas com frequência, apenas de livros que me marcam, o que foi o caso desse livro. Então vamos lá, confesso que quando comecei a ler, não estava botando muitas expectativas, pois não estava me agradando muito o fato de Eva (mãe de Kevin e quem narra a história) falar tanto sobre sua vida e a de seu marido, como se o livro chamasse "Precisamos falar sobre nosso relacionamento" ao invés de "Precisamos falar sobre o Kevin", porém quando eu terminei de ler, vi que isso foi essencial para a construção da história.

O livro é narrado por cartas que Eva passa a enviar para o seu marido, colocando o leitor a par de todos os acontecimentos que a levaram a engravidar de Kevin até o momento em que o vê prestes a completar 18 anos e atrás das grades. E do meu ponto de vista, Kevin tornou-se o que tornou devido a rejeição que sofria já dentro do ventre de sua mãe, pois ela não queria muito tê-lo, meio que aconteceu por pressão do marido. E parece que Kevin sentiu essa rejeição e, por isso, desde bebê, tornava a vida de Eva num verdadeiro inferno. Alguns exemplos disso são o fato dele não aceitar mamar nos peitos de Eva e de fazer cocô nas calças até se eu não me engano os 6 anos de idade, e seu comportamento estranho quando adolescente, como se masturbar no banheiro propositalmente com a porta aberta para que sua mãe o visse.

Outro ponto que notei também que possa ter transformado Kevin num assassino cruel é de o pai dele sempre ter passado a mão em sua cabeça em tudo, não dando ouvidos a Eva que sempre notou que havia algo de errado com o filho. Confesso que sentia muita raiva do pai de Kevin pela sua ingenuidade ou ignorância, não sei bem ao certo a palavra. E por mais que soubesse que Kevin havia feito um massacre em sua escola, já que na própria sinopse do livro isso é citado, não imaginava que ele seria capaz de tanto, ao ponto de... Bom, deixo isso para que você leia e descubra, mas te garanto que você ficará de queixo caído, assim como eu fiquei.
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Amélie 10/12/2015

sobre amar nosso cônjuge
Alguém se lembra de uma declaração oportunamente, na época, considerada polêmica segundo a qual uma mãe deu a seguinte declaração: “Amo mais meu marido do que meus filhos”? Que besteira a minha, a questão ainda é polêmica.
Precisamos falar sobre o Kevin não se trata diretamente sobre amar mais o parceiro, mas sim de que nem sempre as expectativas da maternidade correspondem, e que a “Grande questão” nem sempre é respondida quando você vê a árvore genealógica aumentando.
Ser pai/mãe não é te fadar ao fracasso, mas sejamos francos, como a própria autora escreveu na dedicatória, quando 'esse filho' se trata de um Kevin, ficamos felizes caso seja “Uma encrenca da qual escapamos.”

APATIA

Eva, Eva, Eva.
Por trás da independência, viagens e superioridade sobre qualquer coisa que se mova além do próprio marido, cavou a própria cova atrás de respostas. A “figura” forte, que rejeita até mesmo anestesia para provar a coragem de que de pouco tem, esbanja apenas orgulho e teimosia camuflada.
Rejeitada pelo próprio filho, responde na mesma moeda. O que para mim pareceu à coisa mais hipócrita, por isso o termo apatia. Esse tabu que li por aqui em outras resenhas de “o chamado "instinto materno"(existe?) ; é “permitido” uma mãe não amar o seu filho?” bateu de frente comigo. Fiquei indignada durante todo o começo, porém quando se começa a conhecer o Kevin, se percebe que “ei , não é bem assim garotão”.

EMPATIA

Juro por tudo que não consigo sacar qual é a do Kevin, diferente daquela professora “Não sei qual é dele”.
Entendi o Franklin; suas manias e arredondamento, e digo sem duvida que por todo o livro, possivelmente foi o personagem que mais me deixou agoniada. Mentir para si mesmo? Americano exemplar? Paizão nota mil? Agoniza-me os pensamentos que a Eva reproduziu nos últimos momentos dele, ele nunca foi cego.
A empatia vem no momento em que eu percebo que apesar de tudo a Eva foi mais forte que qualquer um, enxergou por e si e também pelo marido, sofreu por causa do Kevin, e agora sofre por outras pessoas; e apesar e tuuuudo, ainda tem um segundo quarto na casa, vazio com um exemplar de Robin Hood. Podera. Ela, que apesar de ter o próprio dinheiro, e de poder deixar tudo pra trás, amava o Franklin e nunca sequer passou pela cabeça dela jogar tudo aos ares. Que se fosse eu? Primeiro olhar de desprezo do Kevin, desabaria.
Se eu não consegui sacar o contexto, que não tinha contexto porque ELE ERA O CONTEXTO. Imaginem que eu não consegui interpretar o final. Afinal o Kevin amava a mãe, como a Eva o amava também? Aquele final nada mais me faz que querer imaginar o futuro dos dois, depois dos 5 anos restantes.
O Kevin mudou depois dos anos?
Não saquei a dele, mas se você sacou, por favor, me ajude!



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Cris 09/12/2015

Precisamos realmente falar sobre o Kevin
O livro é narrado por Eva Khatchadourian, mãe do Kevin. Em cartas que ela escreve para seu marido Franklin.

Dona de uma editora de guias de viagem para mochileiros, faz parte da sua vida viajar para os lugares mais exóticos, e é feliz assim. Até que, diante da necessidade do marido em ser pai, decide ter um filho que nunca quis.
Desde sempre Kevin é perverso. Desde recusar o peito da mãe retorcidamente a não manter nenhuma babá, chorando o dia inteiro ou fazendo pequenas (grandes) demonstrações de birra planejada. Menos na frente do pai, o paizão maneirão. Kevin é incrivelmente inteligente.

Vários cenários da vida mostram pra mãe o que o pai não enxerga. A mãe é sempre o alvo final (quase sempre indireto) de toda atrocidade cometida.

A narrativa nas cartas, alterna a história da família com os relatos das visitas que a mãe faz a Kevin, preso aos 15 anos. A mãe de Kevin é bastante prolixa nas cartas, o que torna a leitura um tanto arrastada, mas não tira, em nenhum momento, a qualidade do livro. É interessante como todo o tempo Franklin, o pai, consegue ser cegamente convencido pelo filho deixando o leitor perturbado de ódio, mas sem afetar o amor da esposa por ele. E ainda mais interessante é como não conseguimos criar por Kevin, o assassino, o mesmo sentimento ruim tão facilmente. Ao final, pode se concluir que Kevin tem algum tipo de adoração torta pela mãe, que expressa com atos desafiadores, já que a mãe é pra ele esta figura. Talvez uma maior rispidez e sinceridade dela com o filho teriam feito a história tomar rumos diferentes (e não teríamos o livro), mas é crível que o paizão maneirão sempre foi uma barreira pra esse comportamento ser assumido pela mãe. Um ponto ilustrado no livro sobre a relação mãe e filho é observar como a mudança dessa relação foi bem representada pela mudança de atitude dele em relação ao olho da irmã Célia.

O brilhante do livro é como, junto com a mãe, aprendemos de certa forma até a gostar de Kevin. E como na visão da mãe nos colocamos no lugar de incompreensão dos fatos que ela tem. O conflito da culpa versus finalmente ter uma ligação real com o filho. Que ao final, "achava que sabia [porque fez isso tudo] e agora não mais".

site: https://twitter.com/crisfsantana
Cris 09/12/2015minha estante
Tem mais no bloguinho: http://euarticulando.blogspot.com.br/2015/12/leiturizando-precisamos-realmente-falar.html




Igor 01/12/2015

Um livro que incomoda
Escrito pela americana Lionel Shriver, Precisamos Falar Sobre o Kevin foi lançado em 2003 e consagrou-se como um livro polêmico por tratar de dois temas que sempre acabam gerando controvérsias: massacres nas escolas e maternidade.

A trama é a seguinte: Eva Katchadourian tinha uma vida perfeita; era bem sucedida na profissão, tinha um marido amoroso e levava uma rotina confortável. Até que decide ter um filho e tudo desanda. Kevin, desde os primeiros anos, demostra cinismo e apatia em relação a tudo e todos, além de uma clara tendência a perversidade. O menino parece ter a mãe como o principal alvo de suas performances, como se por algum motivo quisesse puni-la. A situação eclode quando, aos quinze anos, Kevin arquiteta um massacre e acaba assassinando nove pessoas na escola em que estudava.

Com a vida virada de cabeça para baixo, a única coisa que resta a Eva é reconstituir e questionar, em forma de cartas endereçadas a seu marido, o seu papel de mãe, de mulher, de pessoa. Ela busca entender a sua parcela de culpa na tragédia, já que, no papel de progenitora do monstro que assassinou a sangue frio sete colegas, uma professora e um zelador, perante a sociedade ela é igualmente merecedora de punição.

E o livro segue dessa forma: Eva vai dissecando desde o papel da mídia até a opressora cultura americana, que ao mesmo tempo em que condena os tais “garotos Columbine” (termo que designa os jovens que, como o seu filho, cometeram chacinas em escolas, em referência ao Massacre de Columbine) revela-se sua plateia mais assídua.

Uma coisa interessante é que Eva não se coloca como vítima. Pelo contrário: desde o começo, ela choca ao demonstrar desprezo à ideia da maternidade e ao se posicionar tão radicalmente a respeito de alguns “tabus”; quando Kevin nasce, por exemplo, Eva não tem receio de confessar o arrependimento de ter se tornado mãe, desejando sua vida antiga de volta.

Ao contrário dos esforços de seu marido Franklin, que se empenha em acreditar que tem uma família perfeita e que as “estranhezas” do filho são “coisas da idade”, Eva é honesta e não tem medo de assumir que a perversidade de Kevin é genuína e calculada.

Precisamos Falar Sobre o Kevin é um livro denso e intrigante, que não hesita em a fundo em temas desconfortáveis: o chamado "instinto materno" é mesmo real? Será que é “permitido” uma mãe não amar o seu filho? E quanto à psicopatia infantil? É certo dizer que o massacre se deveu também ao desamor que Eva sempre demonstrou para ele? O quão longe os pais estão de realmente conhecerem os próprios filhos?

São tabus que o livro toca, sem se incomodar em oferecer respostas formais.

site: http://colapsoensaiado.blogspot.com.br/
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Mariana Destacio 10/11/2015

Precisamos Falar Sobre o Kevin
"Desde quando havia alguma coisa que um de nós não pudesse nunca, jamais, dizer?"

O título do livro não poderia ser melhor. Se encaixou perfeitamente em tudo o que aconteceu. Por mais que a verdade doa, DEVE-SE CONVERSAR SOBRE TUDO. No início, eu descreveria o relato de Eva como perturbador, mas conforme fui passando meus dias com ela - porque li esse livro muito devagar, relutando em terminar -, agora o descrevo somente como sincero.

A relação Eva-Franklin, parecera boa no início, até o momento em que dois viraram três. Para ele foi maravilhoso. Para ela, decepcionante. Pode-se pensar que um filho ajudaria a unir um casal, mas o que o Kevin trouxe, foi uma muralha entre ambos. A partir do momento em que ele nasceu, regras foram impostas, e um amor incondicional obrigatório nasceu em Franklin, mas não em Eva. Desde o início ela soube que algo estava errado, mas dizer isso se mostrou um ato não permitido, que sempre que era tocado, virava-se contra ela. Apesar disso, não resta dúvidas que ela o amava.

A relação Franklin-Kevin parecera boa. Pelo menos para o Franklin. Era como se ele tivesse conseguido o filho que sempre quis e estivesse disposto a ser o melhor pai do mundo. Aquele com quem o filho sempre pudesse contar. Mas para o Kevin, tudo que Franklin oferecia, soava falso e vazio. Uma mera obrigação. O modo como Kevin manipulava ele, foi mesmo impressionante. Mas o que mais me chocou, foi o modo como Franklin acreditava. Ele realmente achava que a Eva estava exagerando e
que o Kevin era um bom garoto, ou com o passar do tempo ele sabia exatamente quem o Kevin era, sabia que sempre fora manipulado e simplesmente resolveu fechar os olhos? Franklin me mostrou como o pais relutam a pensar o pior dos filhos. "O meu filho? Não, ele nunca faria isso." Porque Franklin era um homem bom, que tentava sempre passar coisas boas. E coisas ruins acontecem com famílias ruins e com pessoas que não tem apoio. Certo?

A relação Eva-Kevin sempre fora horrenda - do momento da gravidez até o fim, porém verdadeira. Ele nunca fingiu para ela como realmente se sentia. Ambos sempre souberam quem eram, ainda que em um breve momento ela tenha se deixado levar por aquele sentimento de "o meu filho não faria isso." Ele sempre soube exatamente como atingi-la. Mas ela tinha um enorme desvantagem em relação a saber como ele funcionava. Kevin nunca se interessava por nada, castigá-lo era quase impossível. O apego para ele era um fraqueza. E ela nunca teve o apoio de seu cônjuge, que não via as coisas que ela via. Com o tempo, as tentativas de Eva em expor o que o Kevin era, se tornou, aos olhos de Franklin, uma perseguição.

Quando Eva resolveu ter um segundo filho, para provar a si mesma - e a todos - que a culpa do Kevin ser quem era, nunca fora dela, me surpreendeu. E funcionou, porque Celia era encantadora. A diferença entre ela e o irmão era colossal.
O que me fez pensar que filhos são mesmo uma caixinha de surpresas. Não devemos pensar nunca, que só porque são nossos, que eles serão perfeitos, ou que nunca seriam capazes de cometer atrocidades. Acima de tudo, devemos vê-los como PESSOAS. Afinal, todo mundo que comete algum crime, é filho de alguém. E pensar que esse alguém está morando em outro planeta e que não será você, pode resultar num erro fatal. A criação que os pais dão, só podem influenciar até um certo ponto, isso quando, não influencia em nada. E por mais que a gente tente fazer com que vejam as coisas certas, eles pensam por si mesmos, e podem ver aquilo como errado. Mas, falar é mais fácil do que fazer.

Apesar de ter visto o filme logo que saiu, e saber como tudo iria terminar, o livro foi infinitamente melhor e mais esclarecedor, e conseguiu me deixar com um nó na garganta no final - e me fez admirar ainda mais a Eva.

O livro em si é muito bem escrito.
Os capítulos são apresentados em forma de cartas da Eva para Franklin.
Li como e-book no kindle, e o dicionário foi bem útil, já que tem muitas palavras - pelo
menos para mim - diferentes, assim como citações de fatos reais, que enriquecem a leitura.
Para mim, este é um livro que todo mundo deveria ler. Recomendo sem dúvida.
Esdras 10/11/2015minha estante
Livro P-E-R-F-E-I-T-O!
Ótima resenha! ^^


Mariana Destacio 10/11/2015minha estante
Obrigada ;)


hassdc 21/11/2015minha estante
Muito boa a resenha. Você escreve muitíssimo bem.




Ela 08/11/2015

Magnífico!
Do meio do livro ao final dele eu estava num local ermo, no meio da natureza e sem internet. E eu pude sentir esse livro sem nenhuma interrupção, sem distrações. Me lembro exatamente onde eu estava sentada, como estava o clima e a minha cara embasbacada quando terminei de ler. E quando terminei de ler eu queria pesquisar na internet para ver se ele era baseado em fatos reais porque eu não acreditava que a autora pudesse ter construído uma história dessas. Mas ela escreveu. É um livro forte. Com cenas fortes e um personagem multifacetado com é o Kevin.
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