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Precisamos Falar Sobre o Kevin

Lionel Shriver
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Flávia 11/10/2014

Incrível, sob vários aspectos. No momento é a palavra que tenho para descrever esse livro. Ao mesmo tempo que é uma história forte, sem meias palavras, que vai direto ao cerne de todas as questões levantadas por todos nós sobre o que há por trás desses massacres que vemos, na maioria das vezes nos Estados Unidos, mas que acontecem no mundo inteiro, inclusive no Brasil tivemos um caso recente, é também um tanto comovedor quando nos colocamos no lugar da mãe do Kevin.

É um soco na boca do estômago. Será que o fato da mãe não amar ou desejar um filho pode ser um fator desencadeante para um processo desse nível? Um menino que durante sua vida inteira nutre um ódio e uma insatisfação enormes em relação a todas as pessoas que o cercam, nunca foi capaz de gostar de nada nem de ninguém, por isso mesmo incapaz de se colocar no lugar das outras pessoas.

O livro é escrito em forma de carta em que Eva, mãe de Kevin, escreve ao pai dele, Franklin, relatando tudo aquilo que se passou com ela, desde sua infância, no casamento dos dois, a maternidade, o comportamento do filho, suas impressões sobre a vida e é claro a tragédia que se abateu sobre eles e como as coisas estão se desenrolando após esse acontecimento.

Apesar de ser uma ficção, a história também mescla dados reais sejam eles referentes aos massacres cometidos por outros adolescentes e até fatos políticos. Kevin Khatchadourian, que depois ficou conhecido como "KK", com premeditados dezesseis anos à época (quem leu o livro vai entender o porquê desse comentário), chegou na escola em que estudava, portando uma belastra, que é um arco que se assemelha a uma espingarda, mas é composto de arco e flecha que atira dardos, e atirou contra todos os estudantes que estavam a seu alcance no ginásio do colégio que ele estudava e esses estudantes não foram escolhidas a esmo e sim foram escolhidas a dedo. Kevin matou ao todo 11 pessoas. Essa tragédia ficcional ocorreu 12 dias do massacre de Columbine, um fato extremamente doloroso da recente história norte-americana.

"Franklin, eu nunca conheci ninguém - e a gente conhece os próprios filhos - que achasse a própria existência um fardo ou uma indignidade maiores. Se por acaso você está imaginando que foi a forma de eu tratá-lo que levou nosso menino a essa baixa auto-estima, pense melhor. Eu via aquela expressão enfezada nos olhos dele quando Kevin tinha 1 ano de idade".(p.75)

Quando isso acontece, a pergunta que não quer calar é: POR QUE?

Nos Estados Unidos, mais do que em qualquer outro país, podemos dizer que isso de certa forma é comum, mesmo sabendo que muitas autoridades, psiquiatras, psicanalistas, especialistas em todas as áreas tentem achar a resposta para essa atitude, que na maioria das vezes, parte de jovens, que acabam se matando logo em seguida, salvo em raríssimos casos e quando vai se averiguar os motivos algumas vezes são digamos "banais" do tipo levar o fora da namorada ou até mesmo algo muito grave como por exemplo sofrer bullying. Eles não sabem como lidar com as frustrações.

Ainda assim, não conseguimos entender. Lendo esse livro tive a impressão que a autora faz um exercício enorme para tentar responder a esse e outros questionamentos, mas já sabendo de antemão que todos terão respostas muito pessoais. Então, não não adianta questionar isso. É tão absurdo, hediondo, assustador que não conseguimos, por mais que tentemos.

Uma das coisas que mais me chamaram atenção no enredo é a relação esquisita que os pais do Kevin tinham com ele. Desde o berço, Eva, a mãe, sempre percebeu que o filho era estranho, mas mesmo assim ela nunca cogitou a possibilidade de levá-lo a um psicólogo. Kevin usou fraldas até os 6 anos de idade, sempre teve gostos estranhos por coisas mórbidas, as pessoas fugiam dele, usava roupas estranhas, e ela nunca tomou uma atitude. Não acho que uma mãe vá pensar que o filho vai cometer uma chacina, mas cuidar da saúde mental de um filho é tão essencial quanto cuidar da saúde física.

"O nome? Acho que só queria que o bebê fosse meu. Não conseguia me livrar da sensação de ter sido tomada. Mesmo quando fui fazer o ultrassom e a dra. Rhinestein passou o dedo por uma massa em movimento, no monitor, eu pensei: Quem é esse? Embora estivesse bem ali, debaixo da minha pele, nadando num outro mundo, a forma me parecia distante. E será que um feto tem sentimento? Eu não tinha como antever que continuaria fazendo essa mesma pergunta a respeito de Kevin quinze anos depois".

E o que dizer do pai! Era totalmente condescendente e omisso, achava que as pessoas perseguiam seu filho, era do tipo, o filho do vizinho é que é má influência. Ao menos, ele acreditava no filho de uma forma verdadeira, porque realmente o amava, pois sempre percebeu que Eva não tinha interesse e não demonstrava amor ao filho, fato que ela mesma confessa.

Não é o caminho culpar o pai, a mãe ou quem tenha cuidado dessa criança, mas buscar entender essas famílias desestruturadas que crescem a cada dia, filhos que não sabem a identidade do pai, que é educado pela televisão, que tem o bandido como ídolo, que não tem sonhos nem perspectivas, que como o próprio Kevin dizia, queria viver às custas do governo.

A maneira como Lionel Shriver escreve consegue manter o suspense até o final, de modo que, pelo menos para mim, o final foi surpreendente. Porém, faço uma ressalva. Sabe daqueles livros que se tivessem 150 páginas a menos ainda assim seriam sensacionais? Foi essa sensação que tive lendo Precisamos falar sobre o Kevin . Entendam bem, o livro é excelente pelo tema que aborda e pela forma como a história é contada, mas ainda acho que poderia ter menos páginas que não afetaria seu brilhantismo.

Precisamos falar sobre o Kevin nos convida a reflexão, não só como pais, mas acima de tudo como educadores. Temos que prestar atenção nos sinais que as crianças e adolescentes emitem desde cedo, por mínimos que eles sejam, sem ficarmos histéricos, mas observar seus gestos, seus gostos, manias, comportamentos com os amigos, na sociedade em geral. Acho que é o mínimo que podemos fazer, para o bem deles e da própria sociedade.
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Renata CCS 06/10/2014

O que falar sobre o Kevin?

"Mas todas as mães, sem exceção, deram à luz grandes homens e se a vida as enganou em seguida, delas não foi a culpa." (Boris Pasternak)

"Eduque-o como quiser; de qualquer maneira há de educá-lo mal." (Sigmund Freud)


PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN é aquele tipo de livro impactante que prende o leitor de uma maneira indizível e que permanece na memória por muito tempo após o término da leitura. A obra nos apresenta, de forma estupenda, o que é um psicopata, desde o seu nascimento até a chacina por ele planejada de forma fria e calculista, cometida um pouco antes de completar 16 anos de idade.

É através da perspectiva da mãe de um assassino que Lionel Shriver faz uma espécie de genealogia de um homicida ao conceber, através desta ficção, uma chacina semelhante a outras tantas causadas por jovens em escolas norte-americanas. Sua crítica cutuca a ferida do que acredita ser um dos maiores problemas, não só nos EUA, mas em qualquer país que depara-se com a barbárie cometida por adolescentes: ninguém quer ser apontado como responsável.

O livro é agonizante como um soco no estômago. Enquanto Kevin cumpre pena, sua mãe, Eva, padece exilada por todos por causa da monstruosidade cometida pelo filho. Entre momentos de cólera, culpa e solidão, ela somente sobrevive.

Eva é a narradora do livro que cruza sua existência pós-morticínio com sua vida ao lado do filho Kevin, reconstruindo-os de forma magistral através de cartas destinadas ao marido, que ela considera ser o único ouvinte capaz de compreender seus infortúnios, apesar de ausente e de nunca responder às suas cartas.

É através dessa correspondência que Eva relata sua condição atual enquanto mergulha em memórias da sua própria vida. Sem qualquer medo, Eva não reluta em assumir seus erros, não poupa palavras árduas e verdades ferozes, pois, afinal, ela não tem mais nada a perder. Ela não pensa duas vezes ao reconhecer que chegou a odiar o filho e que também desejou que ele nunca tivesse nascido. Shriver realmente conseguiu criar uma personagem muito humana, complexa, e é impossível não sentir pena, raiva e medo. Eva esmiuçou cada minuto da relação daquela família nas cartas que escrevia.

Mas o que falar sobre o Kevin? Ele é um psicopata, um monstro, e também um dos personagens mais complexos que já vi. Dono de uma inteligência impressionante e de um autocontrole fora do comum, Kevin finge uma humanidade que nunca fez parte dele e um a normalidade que não possui. Ele assombra e surpreende o tempo todo, não só todos com quem convive, mas também o leitor.

Kevin foi uma aberração desde o momento que nasceu, e Eva reconheceu o horrível caráter do filho desde que colocou os olhos no bebê pela primeira vez. Sempre disposto a irritar e debochar, atormentou a mãe em cada dia de sua vida, destilando crueldade todo momento e destruindo tudo em que tocava. Definitivamente, um garoto incomum.

A grande questão do livro é: Kevin já nasceu mal ou a vida o tornou assim? Até que ponto a falta de instinto materno de Eva contribuiu para Kevin se tornar um assassino? Ele teria sido o monstro que se tornou se tivesse sido criando por uma mãe amorosa, e não por uma mãe que se retraiu quando o filho rejeitou seu seio ainda na maternidade? Se ela tivesse sido uma mãe que não se afastasse emocionalmente do próprio filho por indiferença, medo e ciúmes? Kevin é o problema ou a culpa é de Eva? Essa é a grande magia do livro!

PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN é uma obra irretocável, um dos melhores livros que já li. Não apenas o tema é instigante, como a escrita da autora é brilhante e envolvente. Shriver nos faz pensar muito não só na função da família e no papel da maternidade, mas também na selvageria nas escolas e nas causas da psicopatia.

O tema é tão poderoso e intrigante que a leitura das 463 páginas do livro passa voando. As palavras de Eva quebram o silêncio que costuma predominar neste tipo de situação e nos fazem imergir em seu mundo, saindo de nossa zona de conforto.

O livro me fascinou e ainda tenho comigo as sensações que ele me trouxe. É uma obra de qualidade espantosa, perfeito do início ao fim. Uma história que todos devem ler!

Um livraço!
Renata CCS 17/10/2014minha estante
Jayme,
Uma grande verdade a sua colocação!
Joy,
Leia sim! Você vai gostar muito.


Joy 15/10/2014minha estante
Gostei demais da proposta do livro. Vou ler, com certeza. Ótima resenha!


Jayme 09/10/2014minha estante
Shriver nos propõe o amor - ou o simples cansaço - como resposta: ninguém consegue viver sozinho, nem com todo o amor-próprio do mundo, e esse parecer ser, também, a fonte dos nossos problemas.




Daniela 02/10/2014

Precisamos falar sobre o livro
Recentemente terminei de ler Precisamos falar sobre Kevin, e confesso que fiquei impressionada com a narrativa. Havia assistido o filme há um tempão, e não me lembrava de todos os detalhes, apenas as partes mais importantes. O que mais me impressionou na estória não foi o assassinato em massa arquitetado pelo garoto, mas sim a complexidade dos personagens, principalmente de Eva, a mãe de Kevin.

A presença de detalhes no livro deixa a narrativa envolvente e um suspense no ar. Digo que, até agora, depois de ter lido e assistido o filme duas vezes, ainda me pergunto se Eva sentiu-se completamente culpada pelo que Kevin fez, e se o mesmo se arrependeu. A autora deixa isso no ar de uma forma complexa e assustadora que nos faz refletir sobre nossos próprios pensamentos.

Me identifiquei com Eva em inúmeros trechos do livro, principalmente como sentia-se em relação a sua liberdade de ir e vir, sua vontade de ser mãe e por fim, a culpa por ter falhado. Sobre o Kevin, não tive escolha, senti uma empatia por ele quando mostrava-se frio ás tentativas de aproximação da mãe, visto que não vinham de coração, e sim por obrigação. Porém, em muitos momentos pensei em nada mais do que um garoto mimado e arrogante, procurando por atenção.

O que posso dizer no geral sobre a estória é que, de certa forma, sinto que no mundo há mais pessoas como Kevin do que imaginamos. Sua busca incansável por vivacidade o fez cometer um crime inadmissível, mas infelizmente, comum. Eva indiretamente pagou por rejeitar o filho mesmo antes de ele vir ao mundo, ficando enfim sem sua liberdade, seus filhos, seu marido que tanto amava e por fim, sua vida. No final todos pagaram pelo sonho de liberdade.



site: http://masnossagente.blogspot.com.br/2014/10/precisamos-falar-sobre-o-livro.html
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Vitor 25/09/2014

Cada página um tapa.
Antes de mais nada tenho de dizer que é uma leitura dura e difícil, não é fácil ler em cada página os horrores que desde que nasceu Kevin realizou. Eva e seu marido Franklin eram apaixonados, porém um queria filhos e o outro não. Ela tinha uma vida de empresária bem sucedida e viajava pelo mundo todo, não estava disposta a abrir mão de tudo para cuidar de filhos. Mas ao ver o relacionamento abalado, e com medo de perder o marido Eva resolve ter o primeiro filho, e assim nasceu Kevin. Ao narrar o nascimento do filho, Eva nos mostra como Kevin já nasceu odiando o mundo, ele demorou horas para nascer, e ao chegar ao mundo sem chorar não quis saber de mamar no peito da mãe. E ao decorrer do anos, o temperamento de Kevin só piorou. Mas Eva não fica atrás, ela não é o que feinimos como boa mãe: é impiedosa, sarcástica e com o drma de sua vida ficou armagurada. Mas não impede o fato de gostarmos da narradora, você se apaixona por eva pelos defeitos mais que pelas qualidades

Desde o início sabemos que Kevin irá realizar uma chacina, e o foco do livro não é o ato, mas o motivo que levou Kevin a fazer o que fez. Um dos grandes conflitos narrados pela mãe, é o fato do pai não ver do que o filho era capaz. E todo problema que o menino arranjava o pai defendia de uma forma cega. E os problemas foram muitos: Kevin fez o vizinho cair e se machucar de uma bicicleta; fez uma colega do primário que tinha uma doença de pele se coçar até sangrar o corpo todo; fez uma professora perder o emprego a acusando de abusos sexuais contra ele. A narrativa de Eva, nos mostra atos nojentos de Kevin, como por exemplo, se masturbar na frente da mãe. E o pior de tudo, ele jogou ácido no rosto da irmã fazendo ela perder um dos olhos.

Um ano após a matança que o filho realizou, Eva perdeu tudo, só sobrou um apartamento caindo aos pedaços e sem amigos e familiares por perto, a única coisa que resta para ela é visitar o filho na instituição para menores. Durantes as visitas, Eva descobre que o filho é um ídolo entre os menores lá dentro. Mas também quantas pessoas são capazes de matar onze pessoas com uma balastra e flechas? Kevin com suas roupas bem menores do que o número que realmente usa tem orgulho de dizer é o maior e mais jovem assassino de todos os tempos.

Continuação no blog:

site: http://umpomarcultural.blogspot.com.br/2014/09/resenha-precisamos-falar-sobre-o-kevin.html
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