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O Código Élfico

Leonel Caldela
Resenhas
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Acad. Literária 21/03/2014

RESENHA - O Código Élfico
Resenha publicada originalmente no blog Academia Literária DF

Os seres humanos são a espécie dominante do planeta Terra, certo? Se não fosse assim, qual seria o papel da humanidade na história?
Quando Astarte – príncipe de Arcádia e último filho da raça dos elfos – completa seu treinamento segundo o código do nobre guerreiro élfico, domina todas as artes e habilidades élficas e se torna um arqueiro, é chegado o momento de enfim conhecer o seu destino e seu papel na sociedade regida por sua mãe, a Rainha da Beleza: abrir o portal a muito selado que conecta Arcádia à Terra e assim permitir que os elfos novamente exerçam seu domínio por direito ao mundo dos homens e recoloque a humanidade em seu devido lugar, escravos de sua raça infinitamente superior. Mas Astarte não conhece seu destino e quando este lhe é apresentado, não parece certo, nobre ou condizente com tudo o que lhe fora ensinado. Quando Nicole – filha de um cultista assassino, princesa das conspirações, famosa em sua terra e fora dela por todas as tragédias, mortes, abduções e estranhas coincidências ao seu redor – se vê obrigada a abandonar seu mestrado quase concluído em filosofia na Europa e voltar para a cidade de Santo Ossário onde nasceu e cresceu e para onde jurou jamais voltar, muito do seu passado e das razões para todas as estranhezas em sua vida serão explicadas. E, na garupa das respostas, muito do seu destino ficará desconfortavelmente claro. Quando mais um Festival de Cinema transformar a pequena e pitoresca cidade interiorana de Santo Ossário em uma passarela onde desfilarão as maiores beldades da Terra; quando o príncipe dos elfos despertar no mundo dos homens pela ciência e a magia combinadas por uma antiga família dedicada ao culto à deusa e aos senhores elfos; e quando a princesa das conspirações estiver de volta à sua cidade natal, um grupo de cultistas de uma deusa antiga e cruel, liderados por Emanuel Montague, o Dragão, estarão preparando o terreno e os rituais sagrados para o retorno da deusa e senhora dos elfos, a Rainha da Beleza. E então, mais uma vez, o domínio desses seres de vida eterna será estabelecido e os humanos serão escravos. Em oposição às forças dos elfos, da Rainha, do Dragão e dos cultistas se postarão Astarte, Nicole e uns poucos conhecedores dos mistérios de Santo Ossário e do verdadeiro sentido do código élfico. Duas espécies diferentes, dois objetivos distintos, quatro seres – dois predestinados (Astarte e Nicole) e dois imbuídos de vontade e poder (o Dragão e a deusa) – com papeis fundamentais no desenrolar dos fatos. Um representante de cada raça em cada lado da balança. A guerra pelo domínio da Terra irá começar.
As páginas dessa narrativa apresenta uma história de transmissão de conhecimentos; de treinamentos e preparação de guerreiros; da supremacia de uma raça superior e do culto a essa raça por uma outra inferior; da tentativa de retorno e dominação dos lordes élficos e de uma deusa maligna; da força e do poder da vontade; de guerra. Nesta história, os elfos personificam uma gigantesca contradição: são seres imortais (a menos que sejam assassinados ou escolham morrer de velhice), belos, em comunhão completa com a natureza, amantes da beleza, das artes, da poesia e da filosofia; e simultaneamente são seres arrogantes e convencidos de sua superioridade, escravocratas impiedosos, cruéis e sanguinários que encontram divertimento em caçar e exterminar humanos. O conceito literário aplicado a eles se assemelha aquele estabelecido por J.R.R. Tolkien, mas, diferente de seus semelhantes da Terra Média, os elfos de “O código élfico” não prezam pela bondade e justiça. Entretanto, um ponto deve ser explanado: a própria narrativa esclarece que houve um passado distante em que os elfos eram bons, praticavam e transmitiam os verdadeiros valores do código élfico (representados pela filosofia e o treinamento na arquearia), mas a raça corrompeu-se e degenerou para os valores atuais. A filosofia élfica, da maneira como é apresentada, parece se inspirar nas culturas orientais e inclusive – dentro da realidade em que se insere a trama – sugere que estas, de maneira inversa, foram inspiradas na cultura élfica. Outro conceito de difícil interpretação é a relação entre a vontade de um ser e o seu poder e sua capacidade de realizar algo. De um modo geral, “abstrato” é a palavra que mais se aproxima da função de traduzir as ideias contidas nessa obra.
A narrativa é intricada e confusa no princípio, repleta de idas e vindas no tempo e no espaço, além da relação temporal divergente entre a Terra e Arcádia, características que podem deixar o leitor um tanto perdido até que ele entenda a dinâmica da história. Conceitos filosóficos sobre a arte e o pensamento guerreiro – e o próprio treinamento em si – são elementos constantes no texto e transmitem noções bastante subjetivas que requerem um bom nível de abstração para ser assimilado. Mas à medida que o enredo prossegue e as questões vão sendo explicadas, a leitura flui com maior facilidade. E, com a aproximação do ápice da história, a leitura se torna mais dinâmica e fluída em virtude da gradativa aceleração dos acontecimentos. E o auge da narrativa se concentra na batalha final. Muitas reviravoltas e muitos eventos constroem o cenário caótico e intricado de um grande e épico desfecho.
Em todos os momentos da história, é interessante observar a construção dos personagens e o modo como o autor se vale deles. São, em sua maioria, seres pitorescos com características, razões e motivações bastante peculiares. Por mais que a premissa seja simples a princípio – humanos como o elo fraco e indefeso da corrente, elfos como o elo forte e dominante; os que querem dominar, os que desejam servir, aqueles que tentam resistir – as características pré-estabelecidas se diluem e se fundem e, no fundo, cada personagem é muito mais do que parece, muito mais complexo e insondável. Algo importante a ressaltar: mortes são frequentes e corriqueiras. O autor, Leonel Caldela, não vê problemas em se desfazer dos personagens tão criteriosamente construídos, independentemente do lado da balança em que estejam. Uma característica marcante do autor também se faz presente nesta obra: pequenas doses de sadismo permeiam a trama, seja nas experiências realizadas em Nicole durante suas abduções, seja nas atitudes dos elfos dispensadas aos humanos, seja na forma das mortes de vários dos personagens. Não chega a ser chocante mas é, sem dúvidas, bastante inquietante.
Narrado em terceira pessoa por um narrador observador, em “O código élfico” o foco da narrativa se divide entre os conceitos abstratos da Filosofia e do treinamento élfico e a ação dos preparativos e dos atos de guerra. Como explanado anteriormente, a narrativa é um tanto truncada no início mas ganha maior fluidez com o desenrolar da trama. Os capítulos são divididos em três Partes que dão o tom do ritmo da trama. A formatação do livro é simples mas muito condizente com o espírito da história e o pequeno símbolo do arco e da flecha utilizado nas pausas textuais demostram de forma sutil e delicada o cuidado dispensado à apresentação visual da obra.
E o mestre dessa jornada ao mundo e aos princípios élficos é Leonel Caldela, brasileiro apaixonado por RPG e morador da cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul. No campo do RPG, Caldela escreve, edita e traduz livros e manuais pela Editora Jambô. Como escritor de romances, o autor teve sua grande estreia com a obra “O inimigo do mundo”, primeiro volume da aclamada Trilogia da Tormenta baseada no cenário brasileiro de RPG de mesmo nome. Possui em seu currículo dois outros títulos, dessa vez em cenário próprio: “O caçador de apóstolos” e “Deus máquina”. Com seu “O código élfico”, Caldela reforça suas marcas registradas e seu talento para criar histórias complexas e bem contadas, onde nem tudo é tão simples quanto parece. E assim, “O código élfico” é um livro para ser apreciado por quem nutre gosto por aventuras e desafios e por aqueles que gostam de ser surpreendidos por um desfecho inesperado.

site: http://academialiterariadf.blogspot.com.br/2014/02/resenha-o-codigo-elfico-leonel-caldela.html
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Aninha 09/02/2014

No início o livro me desapontou, porém com o desenvolvimento da história fui me envolvendo com os segredos escondidos na pequena cidade de santo Ossário. E com certeza este não é um simples livro de literatura fantástica, ele traz algo mais, tem certas descrições na trama que são realmente de aterrorizar deixando-te realmente aflito!
E os personagens? Como não amar o Félix? O Astarte?

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Alan 17/01/2014

Santo Ossário, a Silent Hill brasileira.
Juntando o nome “élfico” na capa do romance mais o fato da personagem principal ser uma mulher, meu preconceito julgou que esse livro trazia uma história de fantasia teen tipo um Crepúsculo da vida. Não podia estar mais errado. O Código Élfico traz uma aventura com toques de terror e fantasia em uma cidade do interior fictícia chamada Santo Ossário. O tom macabro no decorrer da trama me fez enxergar a cidade como uma Silent Hill brasileira. Inclusive usando todos os cenários típicos de histórias de mistério que se passam em cidades do interior como manicômios, porões cheios de segredos, açougues macabros, casarões antigos e cultistas. O maior diferencial é que aqui há elfos, duendes e grifos no lugar de fantasmas e demônios. Mas não se engane. Mesmo apresentando criaturas mais relacionadas a contos de fadas há passagens bem assustadoras. O livro conseguiu me deixar apreensivo em certas partes mesmo falando sobre elfos. Algo que nunca havia me acontecido antes.

site: http://www.almhpg.com/tolkienmetal/?p=1951
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Nema 05/01/2014

Eu estava meio que com um pé atrás com esse livro. Depois de algumas experiências ruins com literatura fantástica brasileira, todo livro desse estilo originário daqui me deixa hesitante, e olha que é o meu gênero favorito (mesmo que tecnicamente O Código Élfico seja uma espécie de Science Fantasy, embora haja gente dizendo que é New Weird??? Eu sei lá). Já tinha O Código Élfico aqui desde 1500 a.C., mas continuava empurrando outros livros na frente com medo de acabar me decepcionando durante a leitura. Minha cisma foi tão tensa que mesmo depois de tê-lo iniciado enrolei por quase um mês para chegar na última página.

Ficar sem internet por dois dias foi a solução. Para minha surpresa (e para a das minhas amigas, que acompanhavam meus comentários durante a leitura), eu gostei.

Há várias coisas que me agradaram nesse livro. A primeira é a escrita do Leonel Caldela, que me lembrou um pouco a do Justin Cronin em A Passagem, ganhando assim minha aprovação em um piscar de olhos. O tom do livro é bem diferente dos outros que estão no mercado, e mesmo toda a mistura me deixando meio de testa franzida (elfos + ciência + fantasia + conspirações = ???, ou foi o que eu pensei), o modo como tudo foi apresentado me agradou bastante. O ritmo do livro é ótimo, tendo capítulos mais curtos quando necessário e sem aquela velha enrolação que enche o saco em livros não tão finos (O Código Élfico tem mais de 500 páginas).

Quanto aos personagens, eu gostei da maioria. Nicole, a protagonista, é legal, e o Astarte também é, mas não caí de amores por nenhum dos dois. O romance entre eles passou por mim impassível, mas não foi ruim. De um modo geral, me agradou, e os personagens secundários roubaram a cena várias vezes.

Há defeitos no livro, claro. As estripulias de Nicole e Astarte me irritaram além da conta. Sim, eu saquei que eles podem dar um duplo salto mortal de costas, mas a coisa me pareceu tão forçada que eu passava direto pra não me aborrecer ainda mais. Os ferimentos graves (e mortais) que permitiam que todo mundo continuasse fazendo mil coisas também me frustraram profundamente. Foi, sinceramente, o ponto baixo do livro (no final então…), mas acho que tirando isso não há nada mais a ser dito de modo negativo não. Os diálogos foram bons e sim, isso é uma grande coisa quando se trata de livros brasileiros para jovens (não vou citar nomes, mas).

Para finalizar, gostaria de deixar meu protesto para os escritores de fantasia brasileiros: parem de matar os personagens legais. Por favorzinho. A coisa está saindo de controle. Primeiro foi o André Vianco em Os Sete (até hoje não li Sétimo, e por quê? Meu personagem preferido morreu, muito obrigada), depois o Eduardo Spohr (Anjos da Morte está mofando aqui porque uma certa pessoa morreu no final de Herdeiros de Atlântida, para minha frustração) e agora o Leonel Caldela, mas esse não corre risco de eu não ler o próximo livro dele, já que O Código Élfico é volume único. Mas enfim. Parem.

É isso. 4 estrelas para O Código Élfico.

site: http://apicedepandora.blogspot.com.br/
Victor Silva 24/02/2014minha estante
Anjos da morte*


Victor Silva 24/02/2014minha estante
pelo menos não o que você pensa no Anjo da morte, muito pelo contrario...


Victor Silva 24/02/2014minha estante
Morreu nada...




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