O Código Élfico

Leonel Caldela



Resenhas - O Código Élfico


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Bruna Fernández 11/09/2013

Resenha para o site www.LivrosEmSerie.com.br
Os elfos são belos e imortais, a mais perfeita das raças. Mas, para que haja um povo de guerreiros e poetas, é preciso haver um povo de escravos.

Ler um livro de fantasia de um autor nacional e ficar impressionada com a narrativa está virando algo comum. Pelo menos para mim. Não sabia o que esperar de O código élfico quando o livro caiu nas minhas mãos e estava um pouco apreensiva em relação à narrativa, e também por não conhecer o estilo de escrita do autor, mas o livro me surpreendeu.

O código élfico se passa, na maior parte do tempo, na cidadezinha brasileira e fictícia de Santo Ossário – um nome escolhido a dedo pelo autor, leiam e descobrirão o porquê – e, como toda cidade pequena, é intrigante e cheia de segredos. Olhando de fora parece ser apenas uma pacata cidade, conservadora e acolhedora. Mas a cada página virada a cidade se transforma em um antro de intrigas, mentiras e obscuridade, assim como os seus moradores. A protagonista, Nicole Manzini, está ligada aos mistérios de Santo Ossário e ao voltar para a cidade precisa encarar a verdade mais cruel da sua vida: seu pai, Salomão Manzini, foi um famoso assassino, pertencente a uma ordem de seguidores que sacrificava inocentes em rituais para uma deusa.

Essa deusa é a Rainha Titânia de Arcádia, um mundo paralelo ao nosso onde vivem os elfos que sonham há tempos em recuperar o poder sobre os humanos e escravizar a nossa raça novamente, mas para isso eles precisam abrir o portal entre os dois mundos. Isso se torna possível com o novo guerreiro Astarte, nosso segundo protagonista. Treinado em arquearia para ser um guerreiro, Astarte desconhece seu destino e acaba por questionar os interesses de seu povo, resultando em uma parceria com Nicole para impedir que os elfos dominem nosso mundo novamente.

“- Está preparada?
- Não. Mas isso nunca me impediu. (p. 108)”


O livro tem uma quantidade absurda de personagens incríveis e eu poderia escrever páginas sobre todos eles, mas resolvi poupar vocês e falar somente dos principais. Nicole Manzini foi a que mais me surpreendeu. A personagem tem uma personalidade forte que pode ser confundida com teimosia em alguns momentos. Cética, valente e de opiniões fortíssimas, todas elas sempre muito bem explicadas pela personagem e também ao longo da narrativa que mostra alguns momentos do passado da garota. Pra mim, foi a criação mais perfeita autor. Nicole me conquistou desde o começo com suas falhas humanas e sua jornada ao longo do livro me surpreendeu.

Já o elfo Astarte traz um visão interessante pra história: sendo de um mundo diferente, existem muitos conceitos do nosso mundo que são difícil compreensão para ele. Ao mesmo tempo, muitas ideias e conceitos do elfo são complexos demais para os “limitados” humanos. Isso cria um vínculo de trocas de ensinamentos entre os dois protagonistas e o Leonel conseguiu fazer isso de uma forma envolvente e até mesmo divertida, sem tornar esses momentos em discussões filosóficas maçantes. Um detalhe curioso também é como o autor retrata o povo élfico na história: geralmente um povo pacífico, os elfos de Leonel são cruéis.

“Se você entender chocolate, entenderá a humanidade – proferiu a garota. – É gordo, cercado de propaganda, doce demais. Faz mal e domina tudo que toca. Mas qualquer um que não goste de chocolate é indigno de confiança. (p. 220)”

O destaque de personagem secundário vai, com toda certeza, para Félix, um mercenário que tem os seus próprios motivos para a sua vingança. Grande fã das mais loucas teorias conspiratórias, das quais ele acredita serem todas muito verdadeiras, o ruivo barbudo é responsável pelo alívio cômico na história, e se torna uma peça crucial para o enredo. Os vilões Salomão Manzini e Emanuel Montague são grandes manipuladores e um acaba sendo a ruína do outro, há um enorme abismo na disciplina de ambos e é interessante ver como o autor trabalha isso.

A forma como o Leonel misturou a fantasia urbana com a fantasia medieval é um dos pontos positivos do livro, ele conseguiu mesclar os dois estilos com muita leveza e naturalidade. O trabalho editorial dispensa comentários, como todos os livros lançados pela Fantasy, podemos ver o cuidado em cada detalhe, desde a capa até os detalhes internos e separações de capítulos. Com todos os elementos necessários para uma boa jornada fantástica, O código élfico é uma ótima adição para a literatura nacional. Não deixe de visitar Santo Ossário – a cidade para onde todos voltam.

“Já é o começo do aprendizado. Não existe diferença entre a metáfora e o que ela representa. (p. 438)”

site: http://livrosemserie.com.br/2013/08/05/resenha-fora-de-serie-o-codigo-elfico-de-leonel-caldela/
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Sheila 08/09/2013

Resenha: "O Código Élfico" (Leonel Caldela)
Por Sheila: Oi Pessoas! Resenha de autor brasileiro na área ... e de literatura fantástica, um gênero que vem ganhando cada vez mais autores, atenção e crescimento nos últimos anos. Apesar de que iremos encontrar no universo descritivo criado por Leonel um misto de literatura fantástica, aventura, ficção científica, onde a realidade, o mito e a fantasia se misturam em um só.

A maior parte da trama ambienta-se na cidade de Santo Ossário, fictícia, mas que se encontra em uma região remota do Brasil, famosa por duas questões: uma é pelo seu festival de cinema; outra, mais peculiar, são os eventos bizarros ocorridos na cidade, muitos anos antes do momento em que a narração da estória começa.

Num primeiro momento seremos apresentados - ainda que separadamente - aos dois personagens principais da trama: Nicole, uma das sobreviventes aos acontecimentos noticiados em todo o país acontecidos há muito em Santo Ossário, conhecida como a "Rainha das conspirações"; e Astarte, príncipe dos elfos de Arcádia, isolado dos seus até terminar por completo seu treinamento de guerreiro.

"Era a última vez que o chamava de mestre, Astarte o havia igualado.
O mentor não demonstrava qualquer satisfação; não demonstrava nada. Era pura serenidade, rosto sem expressão, sentado sobre os calcanhares na relva úmida de carvalho ...
- Vossa Alteza é Astarte. Filho de Sua Majestade, Titânia, a Rainha da Beleza. Principe dos elfos. A Primeira Flecha de Arcádia.
Prostrou-se em respeito. Astarte se ergueu.
- Então agora poderei obter respostas Harallad? Conhecerei o palácio? Conhecerei minha mãe?
- Em breve, Alteza, conhecerá seu verdadeiro destino."

"Era só mais uma abdução. Assim como tantas outras, como talvez havia sido a perda de memória em plena universidade, meses antes. Era uma droga, mas quase rotina para a pessoa mais abduzida do mundo. A filha do Estripador das Hortências, a musa das lendas urbanas, garota da capa de tablóides sensacionalistas, celebrada nos principais sites sobre assassinatos ritualísticos.
Nicole Manzini, a Princesa das Cnspirações."

As histórias dos dois mundos são contadas em paralelo, sendo-nos dado sinais sobre pontos de interseção entre os dois, sendo que o mistério por detrás da infância de Nicole e do isolamento de Astarte dos outros de sua espécie vão sendo progressivamente desvendados.

"Voltando a emudecer a televisão, Félix reuniu os outros materiais que pesquisara: os discos, as palavras cruzadas, as demais fitas de vídeo,
- Todos tem algo em comum Nicole. Fazem alusão a essa mulher. Muitos chamam-na de deusa, como seu pai, mas outros usam o termo "Rainha". falam da Rainha e do Dragão.
- Você acha que meu pai era ...
- Não sei. Mas o dragão parece ser um tipo de servo ou campeão favorito. Tudo isto - fez um gesto para o porão inteiro - é culto à Rainha."

Até o momento em que os dois, Nicole e Astarte, nosso universo e o de Arcádia, se tocam e se encontram. Agora os dois, juntamente com Félix, um ex militar em busca de respostas que ele nunca imaginaria serem respondidas por um elfo, irão enfrentar uma das maiores conspirações do planeta, para tentar salvar a terra de uma dominação arquitetada há milênios.

A ideia de sincronicidade perpassa toda a trama do livro, que é dividido em três partes: uma focada na história de Astarte, outra na de Nicole e, por fim, da jornada conjunta rumo a uma batalha épica pelo controle da vida no planeta como é conhecida, batalha ambientada na aparentemente pacata, mas sombria e perversa cidade de Santo Ossário.

Os personagens de Leonel Caldela são profundos e complexos, e a jornada que empreendem é muito mais interior do que física. Vi algumas resenhas que ressaltavam de uma maneira negativa o prólogo confuso e o uso excessivo de descrição. Eu, particularmente, fui instigada pelo prólogo, que não explica nada até mais da metade do livro, e na narrativa de Caldela é como se cada descrição e diálogo servissem para aprofundar mais as relações complexas existentes entre os dois mundos que buscam se fundir - sendo a destruição de um deles a consequência.

Um livro, na minha opinião, muito bem escrito, reunindo aventura, ação, romance, cenas descritas de forma crua, relatando o horror, o mal presente dentro do ser humano, aliadas a uma descrição com toda a sutileza necessária para descrever a transcendência existente na forma como todos os acontecimentos se confundem e complementam para chegar ao desfecho final - uma batalha épica e eletrizante.

Leonel Caldela, virei fã. Recomendadíssimo.

site: http://www.dear-book.net/2013/09/resenha-o-codigo-elfico-leonel-caldela.html
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May 01/09/2013

Tempo fora do tempo; Mundo fora do mundo
A minha relação com o livro O Código Élfico, do brasileiro Leonel Caldela, foi, desde o primeiro capítulo, um misto de amor e ódio que se estende até agora. Não pela incapacidade do autor na criação da trama ou na linguagem utilizada, mas pela infinidade de detalhes que um leitor desavisado pode ter dificuldade de engolir.

Leia a resenha completa no blog Chá de Prosa.

site: http://chadeprosa.wordpress.com/2013/08/31/tempo-fora-do-tempo-mundo-fora-do-mundo/
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Fernanda 12/07/2013

Resenha: O Código Élfico
Resenha: “O Código Élfico” é uma verdadeira conspiração de gêneros fantásticos, realísticos e magia frequente, envolto por muitos mistérios, lendas e segredos surpreendentes. É, portanto, um livro encantador e irremediavelmente belo, tanto pela capa enigmática e por vezes sommbria, e pela história sublime. Durante a leitura tive a sensação de estar num sonho recheado de seres místicos revolucionários e ares glorificados justamente pela narrativa dinâmica e ousada ao qual Leonel Caldela remete o leitor.

“Se ela lembrasse do Dragão, da espada e da máscara de ouro, poderia estar preparada. Se recordasse a razão do treinamento que ainda não acontecera, saberia que a deusa se aproximava, e que tudo que ela procurava deixar para trás estava voltando, pior do que nunca.” Pg.16

Santo Ossário é a cidade fictícia intrigante, onde acontecem os maiores enigmas e conflitos possíveis, e é nesse ambiente onde a trama é conduzida com maestria e cumplicidade junto aos personagens. Na verdade, acredito que a real protagonista de toda a trama foi a própria cidade, que revelava um segredo maior a cada página virada. O ambiente conservador e unido, era considerado perfeito para tais domínios e diante de tanta cumplicidade é possível declarar uma atmosfera ínfima, perdida e nebulosa. Assim como o espaço descrito se torna envolvente, todos os personagens carregavam uma mistura complexa de sentimentos causais e poderes inestimáveis, itens fundamentais para perceber as verdadeiras intenções de cada ser.

“Sincronicidade é um estranho fazer seu doce preferido no dia em que você chega, Alice. Sincronicidade é não estarmos procurando um ao outro, mas nossos propósitos na vida nos juntarem.” Pg.24

Astarte é o príncipe dos elfos, e sempre imaginou que seu futuro lhe reservaria muitos triunfos e sucesso. No estágio em que se encontrava, ele se achava preparado para todas as adversidades que viessem a surgir, pelo motivo de ter sido treinado por mestres qualificados em diferentes métodos élficos. Ele vive em Arcádia, mas logo vai se ver frente a uma nova realidade. Um desafio surgirá de uma forma inesperada e certeira, fazendo com que novos fatos lhe sejam apresentados para fortalecer ainda mais os seus caminhos. Já Nicole é humana e também é uma das personagens centrais, e chama a atenção justamente pelo fato de interpretar alguém forte, corajosa, guerreira e ao mesmo tempo delicada e bondosa. Impossível não nutrir um carisma especial por ela, proveniente dos seus atos tempestuosos e as vezes irregulares. Parecia que tudo estava destinado a acontecer com ela e perto dela, devido a sua história de vida ser um pouco tenebrosa, as coisas pareciam que nunca iam se acalmar e a moça acabava ficando com um jeito estranho de ser vista pelas pessoas ao seu redor. O mais interessante é que as histórias de Artarte e Nicole se interligam de modo estratégico a conduzir os caminhos a uma única interpretação. Ou seja, formam o tipo de casal que parece não ter nenhum tipo de união, porém ao longo dos acontecimentos se unem para defender objetivos maiores.

“Nada era mais importante e solene que a relação entre mestre e discípulo. Justamente por isso, nada era mais intimo. O discípulo avançado não desafiava o mestre, mas sabia o que falar e quando falar.” Pg.39

O livro se divide em três partes sob o ponto de vista de Astarte e Nicole, e essas divisões fizeram com que ficasse mais perceptível a jornada de cada um dos envolvidos no enredo, assim como o próprio desenvolvimento das cenas, dos combates transcritos, dos personagens heroicos e dos relacionamentos concretizados. O destaque da trama segue pela maneira como o autor juntou peças de ação, horror, apreensão e romance num só conteúdo. Esta é realmente uma aventura elaborada e épica, digna de comentários positivos diante de um texto bem estruturado e expressivo.

“Astarte era o maior dos enigmas, e não abriria uma pequena passagem. Abriria a passagem definitiva. A beleza podia estar em tudo.” Pg.44


site: http://www.segredosemlivros.com/2013/07/resenha-o-codigo-elfico-leonelcaldela.html
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criscat 15/06/2013

Rumo a Santo Ossário
Resenha no blog: http://www.cafeinaliteraria.com.br/2013/06/01/o-codigo-elfico/
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RoFolDo 13/06/2013

Um épico de fantasia urbana com toques de medievalismo!
Confira a resenha no blog Elhanor!

http://elhanor.blogspot.com.br/2013/06/resenha-o-codigo-elfico-de-leonel.html
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PH 31/05/2013

Resenha: O Código Élfico, de Leonel Caldela
Conheço Leonel Caldela há pouco. Admito que ser comparado a Bernard Cornwell me atrai e me afasta ao mesmo tempo. É um imã com os polos sendo girados. Quem me atraiu mesmo foram suas palavras, suas entrevistas, suas respostas. Por isso, fui ler O Caçador de Apóstolos, seu quarto livro. Sim, guardada medidas proporções, é válido compará-lo a Cornwell. Tem meu aval. Agora Caldela chega com O Código Élfico, lançado pela Fantasy – Casa da Palavra. Difícil não começar essa leitura em alta após ter lido dois livros do autor (o outro foi o Deus Máquina).

Até metade do livro, Leonel parecia conter uma necessidade de soltar algo gigante, enorme… como se tivesse algo encravado, incompleto. Leonel é cru, é íntimo, é nojento às vezes. Aqui em O Código Élfico, eu não via mais tanto o autor de O Caçador de Apóstolos e Deus Máquina. Na verdade, o Leonel de Deus Máquina também nem era mais o mesmo do Caçador. Chamo isso de maturidade. O Leonel de O Código Élfico é o mais maduro dos três leoneis que já li. É um Leonel universal. Com limites, mas adorável em conseguir causar nojo e ser cru na medida correta.

Não existem mais diálogos simples em O Código Élfico. Outra evolução do autor. Existem diálogos cirúrgicos responsáveis por segurar uma gama de personagens não muito grande. Trabalho árduo, creio eu. Como não gostar de Felix e Astarte, por exemplo? No delegado da cidade, vejo meu pai. E Nicole? Nicole é a personagem mais forte dos três livros que li. Pela primeira vez vejo o autor colocar uma profundidade que mistura o mundano e o mágico precisamente como gosto. Antes seus personagens eram levados ao extremo. Em Nicole a dosagem dos dois lados é perfeita. Personagem mulher já nasce forte, é fato, pois os conflitos são óbvios. Aqui, entretanto, Nicole foi levada a uma outra camada de profundidade. Nem magnanima demais, pois é apenas uma humana, nem mundano demais, pois ela é especial. O tempero precisamente medido. A fusão correta.

"Nicole surgiu nas alturas, sentada sobre a montaria aérea sem segurar-se, sem tentar manter o equilibrio. Não fazia a menor ideia de como cavalgar aquele animal, então agia como o arqueiro cego: deixava algo cavalgar por ela, entrava em comunhão com a vontade do mundo, que era sua vontade e a da fera." (O Código Élfico, Leonel Caldela)

Nicole era isso e o não isso ao mesmo tempo. Ela usava um grifo, mas nem sabia direito o que fazia. Ela era humana e humanos não foram feitos para grifos, mas ela era especial e, por isso, os grifos foram feitos para Nicole.

Sobre a besta contida por todo o livro, não foi preciso soltá-la. Em outras fantasias de Caldela, a estrutura de escrita do autor parece um marcapasso e não erra entre momentos de tensão e calmarias. Dessa vez a escalada é retilínea. A besta da qual falei, segura o leitor por toda a trama. Sim, ele precisava soltá-la. E não foi em banhos de sangue de rituais tensos e nocivos às cabeças mais fracas, foi em um final literalmente fantástico. Morte, dor, muito sangue, batalhas homéricas e viradas de trama. Quem era eu para ter julgado que a besta-fera presa não iria ser solta? Ela foi e aconteceu da melhor maneira possível. De um modo simples e nada exagerado. Afinal, a beleza do existir está na simples leveza do respirar. Para que pedir mais do que isso?

Suas quase 600 páginas podem espantar leitores menos experientes, entretanto o autor não é conhecido por escrever pouco. Existem sempre motivos para Leonel escrever muito e aqui não foi diferente. Por conhecer bem de estrutura literária, há em O Código a dosagem necessária entre calmaria e tensão para te prender ao longo de tantas palavras. Não se espante. Estranho vai ser Leonel entregar um livro com 200 páginas.

A primeira vez que vi o autor falar sobre esse livro foi na Bienal do Livro do Ceará. Aquele foi um ponto importante, pois o nome fora anunciado com a chancela de Raphael Draccon, seu editor, que o assistia da platéia. Assim que ouvi o nome do livro, me perguntei: “Como raios ele vai me fazer ler uma história sobre elfos?“. Li, fui lendo, algumas coisas fui relendo. Não era sobre elfos, nem humanos, nem magia, nem mundo. É sobre local. Nosso local. Santo Ossário é qualquer cidade do interior do Ceará, do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso… Santo Ossário é nossa terrinha, nossa homeland. Sabe quando você volta e passa uns tempos no local ou na casa onde nasceu e momentaneamente cresceu? Te acham mais gordo, te acham mais esperto, te acham o orgulho daquele pedaço de local onde nada muda e dificilmente mudará. Pra mim, ler O Código Élfico não foi ler sobre seres, mas sim sobre origem e como devemos respeitá-la, defendê-la e reerguê-la, quando necessário for. Costumamos esquecer disso, mas o “onde”, na maioria das vezes, é mais importante do que o “quem”.

Não comparo mais Leonel a Cornwell. Acabou! Depois de O Código Élfico, as paredes de escudo pertencem a outra fase do autor, tão boa quanto essa, mas que não se encaixa nesse momento. Somente os grandes autores conseguem sair do seu lugar comum; do seu conforto. Somente os grandes autores conseguem sobreviver a tamanha comparação. Cornwell?! Eu jamais gostaria de ter isso pra mim. Somente os grandes autores conseguem ser profundos e corretos baseados na simplicidade. Somente os grandes conseguem cravar seu sobrenome. Leonel Caldela é grande. Ora, não é preciso parede de escudos quando se tem o glorioso metal élfico.

"O quarto helicóptero já estava voltando para Astarte. Disparou dois mísseis, que vieram certeiros na direção do príncipe. Astarte respondeu o arco — acertou uma flecha, depois outra, e os dois mísseis explodiram no ar. Avançou pela bola de fogo e fumaça, de repente surgindo muito perto do helicóptero, sacou uma das espadas, arremessou-a. O metal élfico quebrou o vidro blindado e girou, decapitando o piloto." (O Código Élfico, Leonel Caldela)

O Código Élfico é a mistura correta do que é fantástico e do que é real. A trama não nos deixa esquecer que a fantasia não existe somente em seu meio. A fantasia é tudo, e nada ao mesmo tempo. Pertence a um “tempo que não é tempo, a um mundo que não é mundo“. Pertence a cada um de nós e nosso poder de criar, de imaginar, de viajar sem precisar sair do lugar. A fantasia é nossa e de ninguém ao mesmo tempo. É de Nicole, uma “humana”, é de Astarte um “não humano”.
Fernanda 10/07/2013minha estante
não sei se me arrependo ou não de ter lido sua resenha. fiquei com mais vontade de ler esse livro, mesmo sendo difícil de encontrar aqui na minha cidade. parabéns pela resenha!


Leandro 25/08/2013minha estante
Eu li vários comentários elogiando o livro e resolvi comprá-lo no início desse mês. Sem zoeira, não achei nem metade do que as críticas falavam. É um livro ruim? Não! Mas também não é para tanto.

Gostei da escrita do autor, mas senti que a história era muito forçada em vários pontos. Como se estivesse exagerando de propósito para tentar fazer a história ficar boa. Por exemplo, colocar uma empresa com vários cientistas top no Brasil, ou então colocar o presidente do EUA abaixando a cabeça para o Emanuel. Só porque é fantasia não significa que pode-se fazer qualquer coisa. Ainda mais que ele quis envolver o mundo real nessa história.

Outro ponto que eu achei muito fraco foi toda essa conversa da força de vontade, se desejarmos vencer iremos vencer. Papo bem poético, mas tão legal quanto um vampiro que brilha. Lutas não são decididas por força de vontade, lutas são decididas por habilidade. Astarte e Nicole foram derrotados por Emanuel, mas depois que suas "vontades" superam a dele simplesmente vencem? Beleza! Se não fosse esse aspecto as lutas teriam sido ótimas.

Enfim, para mim é um livro regular.




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