O Código Élfico

O Código Élfico
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Resenhas - O Código Élfico


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Beatriz Bastos. 13/10/2013

A premissa do livro é incrível e os personagens são envolventes, mas desapontou no início. A história demora para prender, se resume em mesmice por páginas a fio e quando "andava" um pouco, o excesso de detalhes sobre a nova situação entediava.
A Trama: Depois de um prólogo confuso, o livro começa alternando entre o cotidiano dos protagonistas, Nicole e Astarte. Ambos vivem em mundos bem diferentes... literalmente. Nicole achava que cursando uma faculdade no exterior estaria bem longe de seu passado e da cidade natal, até receber uma carta do banco dizendo que perderia o apartamento e a bolsa de estudos e teria que sair do país com dívidas. Sem alternativa, volta para o único lugar que conhece, Santo Ossário, uma cidade fictícia mais envolvida com magia do que seus cidadãos imaginam. Enquanto deixa sua antiga casa habitável (pois quando tinha quatro anos de idade um sinistro incidente destruiu a mansão), Nicole conhece Felix, um mercenário que parece ser a única opção de amigo disponível. As poucas empresas existentes na cidade pertencem à família Strauss, tratados como realeza pelos cidadãos. O que ninguém suspeita é de seu envolvimento com culto à Rainha Titânia, citada como "A Rainha da Beleza", uma elfa sanguinária e cruel que se alimenta de sacrifícios. Porém seus planos não têm funcionado. Seu filho, Astarte, ao invés de unir-se a ela para matar os humanos, decide salvar a raça inferior, começando por ajudar Nicole.
Enquanto isso, a narrativa também acompanha o elfo Astarte. Ele treina a "arte élfica", com direito a muita filosofia profunda, em Arcádia, um mundo bem diferente da Terra. Entretanto, há um segredo importantíssimo em volta dele e algumas coisas começam a fazem sentido depois dessa revelação.
A trama é repleta de mistérios até o desastroso encontro dos protagonistas e para mim o clímax começou a partir desse ponto. Porém, depois da metade do livro, senti o ritmo ficar corrido, como se o autor quisesse se apressar, gerando furos na trama que dão um ar irreal, e não de fantasia. Quando tudo se acalma, volta o excesso de informações. Para compensar, as cenas de combate são sangrentas e pude visualizar bem as descrições, mesmo que o resultado de narrar muitas batalhas ao mesmo tempo tenha sido falho.

*Nota: Durante a narrativa, o autor explica um pouco sobre o que é a arte élfica e como tudo é movido por algo. É um conceito complicado e boa parte do livro foi de explicações sobre isso. A língua dos elfos em O Código Élfico é a mesma criada por Tolkien, o Quenya, mas Leonel transcrevia apenas a tradução direta.*

Os Protagonistas: Nicole foi ideal. Ela não desejava ser a heroína, assim como não queria ser o símbolo das conspirações, então ao invés de ficar lamentando, simplesmente seguia em frente. O autor entendeu que há um abismo entre "opinião formada" e "cabeça dura e teimosa". Nicole tem medos e recaídas, assim como pontos fortes, algo bem diferente de "coragem heroica e cega". Ao longo do livro, ela passa por uma jornada de autoconhecimento, amadurece, aprende a se importar com as pessoas e a enxergar o potencial por trás do rótulo de “Princesa das Lendas Urbanas”.
A primeira imagem que tive com a descrição do elfo Astarte foi Legolas de Senhor dos Anéis, mas isso me ajudou a imaginar os outros elfos citados, já que não há descrição da aparência deles e mesmo que seja óbvio, eu espera isso de um livro onde o autor faz questão detalhar quase tudo. Enfim, Astarte sabe muito bem qual sua "missão" e não dá uma de Sou a última esperança do mundo por causa disso. Achei interessante descobrir seu passado, totalmente diferente do que esperava. A escolha que ele toma, para a infelicidade de Arcádia e sorte dos humanos pode parecer spoiler, mas o maior divertimento do livro é o que ela acarreta.
Eu gostei de o autor não fazer da paixão dos dois protagonistas o ponto principal e sim só mais um detalhe, porém a forma como tudo é “criado”, instantâneo e óbvio, não me convenceu. Em suma, ambos os protagonistas contaram pontos positivos, pois mesmo perdidos e conturbados, se dedicaram em descobrir os planos dos cultistas ao invés de desperdiçar tempo com conflitos internos que não levariam a lugar nenhum.

Os Personagens Secundários: São tantos personagens que se eu fosse citá-los a lista seria infinita, mas são três os mais importantes.
Félix deu mais humor à trama. No começo, ele parecia apenas mais um fã obcecado por Nicole, mas depois conhecemos melhor seu passado, qual sua visão do mundo e motivos para buscar vingança, me fazendo vê-lo de uma maneira mais tangível e classificá-lo como importantíssimo no livro.
Agora os vilões! No começo, Emanuel Montague era apenas um dos muitos personagens “ocupando espaço”, mas ele foi subindo de cargo e o meu nível de compreensão da sua vilania também. Emanuel desde pequeno é tão manipulador que fez uma cidade inteira o ver como exemplo e com admiração. Entretanto, por trás de todo esse carisma, Emanuel brinca com a mente das pessoas, como se todos fossem peças de jogo, além de ser responsável pelas cenas de luta mais agonizantes!
Já Salomão Manzisi foi considerado o último Dragão na época em que sua filha Nicole era pequena, porém o resultado da derrota acabou com sua vida, mas não com sua fama ou espírito assassino. Salomão acreditava que a Rainha falava com ele através de detalhes aleatórios, portanto sempre caçou mensagens subliminares em tudo e novas vítimas para praticar sacrifícios e cultos à Rainha na própria casa.

Capa, Diagramação e Escrita: As cores mórbidas da capa e seu interior
combinam com a história, estranha e anormal, no melhor sentido. Não me atrairia numa livraria, mas seu tamanho contorna isso. A diagramação está muito boa, as letras são maiores que o habitual e ocupam boa parte da página. Um arco e flecha é a divisão na mudança de foco na narrativa. No geral, Leonel faz várias comparações com uma trama de horror clássico hollywoodiano, talvez porque seu livro se assemelha a uma em vários aspectos e ele quis fazer um humor por cima disso. Não nego que foi uma leitura difícil, mas quando conseguiu me prender, analisei melhor a escrita do autor e falo com sinceridade que Caldela escreve muito bem quando não exagera na minuciosidade das descrições e merece palmas por fazer bons personagens. O que mais me fixou na leitura foram os seus diálogos, pois percebi diferenças no modo de falar dos personagens.

Concluindo: Gostei da inovação da mitologia sobre os elfos, pois geralmente são serem pacíficos, mas neste livro eles usam sua artilharia para um propósito cruel e sanguinário. Eu não achei o final satisfatório. Depois de encarar um tijolo desses, o livro tinha de ter um final, mesmo havendo possibilidades de uma continuação, porém o autor encerra o volume sem definir nada, não é exatamente um gancho, eu achei que ficou muito vago. O livro tinha potencial, mas apenas perto do fim me envolvi realmente e esse foi o maior ponto fraco: os detalhes se estendem demais, muitos deles são desnecessários e alguns não convenceram.
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Newton Nitro 19/09/2013

Uma obra de peso de fantasia e horror!
Leonel Caldeia é fantástico. Pronto. Minha resenha acabou, pegue e leia o Código Élfico. Se você curte escrever, e sonha em algum dia virar escritor profissional, leia o Código Élfico.

Mas eu tenho que falar alguma coisa do livro, não? Vamos lá.

O “Código Élfico” é uma obra de peso, daquelas que o escritor encara uma tarefa épica de criar um mundo do nada, complexo e interessante, chamar o leitor para dentro dele em uma jornada. É uma obra impressionante em seu escopo, um exemplar do New Weird, ou a Nova Literatura Estranha ou Fantástica, autores que a partir da segunda metade dos anos 90 começaram a mistura gêneros literários como a ficção científica, a fantasia e o terror em uma nova roupagem. Em “Código Élfico” a mistura é da fantasia clássica de inspiração tolkeana, os elfos da história, com o gênero de horror contemporâneo.

O Código Élfico é muito bem escrito, o texto mostra o profissionalismo e a habilidade de Leonel Caldela, e recomendaria para quem quer escrever literatura de fantasia contemporânea. Li algumas resenhas que acharam partes do texto difícil, eu discordo delas, achei muito acessível e profundo. Os personagens são bem construídos e interessantes, com diversas camadas. A jornada interior dos personagens acontece em paralelo com os eventos épicos exteriores.

A trama é complexa e mistura de vários elementos fantásticos, conspirações, horror, magia, etc. Só para ter uma idéia, olha a sinopse oficial do livro:

A pequena cidade de Santo Ossário esconde muitos segredos. Entre os habitantes, Nicole, uma jovem corajosa, descobre estar ligada aos mistérios da cidade, o que a leva a uma investigação sobre o próprio passado. Seu pai foi um famoso assassino que pertencia à ordem de seguidores de uma deusa oculta, sacrificando inocentes em rituais. Em Arcádia, um mundo paralelo governado pela deusa, vivem os elfos. Criaturas perfeitas que há milênios sonham em recuperar o poder sobre os humanos. Finalmente veem a esperança no novo guerreiro Astarte, treinado em arquearia, que deve abrir o portal que liga os dois mundos e exercer o domínio da Rainha sobre a Terra. Astarte, no entanto, é o único que desconhece o seu destino, até o momento de cumprir com a sua sina. Avesso aos interesses do seu povo, o elfo resolve juntar-se aos mortais em Santo Ossário. Agora, Nicole e Astarte estão ligados a um mesmo propósito: reunir os habitantes da pacata cidade e derrotar os seres místicos que ameaçam dominar o mundo.

Nerd véio como eu, depois de uma sinopse dessas, eu tinha que ler esse livro.

Um dos pontos fortes de Leonel são suas cenas de ação. São cinematográficas e emocionantes, unindo as emoções internas dos personagens com o que acontece na cena. E o mais importante, Leonel usa grande parte da narrativa para conhecermos os protagonistas Nicole e Astarte, o que faz com que, quando chegam as cenas de ação, eu estava emocionalmente investido nos personagens. Gostei muito do personagem Felix, principalmente pelo elemento de humor que ele introduziu na trama.

Mas o que mais me chamou atenção foi a cidade de Santo Ossário, uma cidadezinha do Ceará, bem brasileira. Eu leio trocentos livros de fantasia gringos por ano, e ver uma cidade bem brasileira, com personagens bem brasileiros é muito bom! O livro também aborda questões filosóficas interessantes a respeito da força de vontade humana, dando uma profundidade interessante na história.

Fica a recomendação.
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Bruna Fernández 11/09/2013

Resenha para o site www.LivrosEmSerie.com.br
Os elfos são belos e imortais, a mais perfeita das raças. Mas, para que haja um povo de guerreiros e poetas, é preciso haver um povo de escravos.

Ler um livro de fantasia de um autor nacional e ficar impressionada com a narrativa está virando algo comum. Pelo menos para mim. Não sabia o que esperar de O código élfico quando o livro caiu nas minhas mãos e estava um pouco apreensiva em relação à narrativa, e também por não conhecer o estilo de escrita do autor, mas o livro me surpreendeu.

O código élfico se passa, na maior parte do tempo, na cidadezinha brasileira e fictícia de Santo Ossário – um nome escolhido a dedo pelo autor, leiam e descobrirão o porquê – e, como toda cidade pequena, é intrigante e cheia de segredos. Olhando de fora parece ser apenas uma pacata cidade, conservadora e acolhedora. Mas a cada página virada a cidade se transforma em um antro de intrigas, mentiras e obscuridade, assim como os seus moradores. A protagonista, Nicole Manzini, está ligada aos mistérios de Santo Ossário e ao voltar para a cidade precisa encarar a verdade mais cruel da sua vida: seu pai, Salomão Manzini, foi um famoso assassino, pertencente a uma ordem de seguidores que sacrificava inocentes em rituais para uma deusa.

Essa deusa é a Rainha Titânia de Arcádia, um mundo paralelo ao nosso onde vivem os elfos que sonham há tempos em recuperar o poder sobre os humanos e escravizar a nossa raça novamente, mas para isso eles precisam abrir o portal entre os dois mundos. Isso se torna possível com o novo guerreiro Astarte, nosso segundo protagonista. Treinado em arquearia para ser um guerreiro, Astarte desconhece seu destino e acaba por questionar os interesses de seu povo, resultando em uma parceria com Nicole para impedir que os elfos dominem nosso mundo novamente.

“- Está preparada?
- Não. Mas isso nunca me impediu. (p. 108)”


O livro tem uma quantidade absurda de personagens incríveis e eu poderia escrever páginas sobre todos eles, mas resolvi poupar vocês e falar somente dos principais. Nicole Manzini foi a que mais me surpreendeu. A personagem tem uma personalidade forte que pode ser confundida com teimosia em alguns momentos. Cética, valente e de opiniões fortíssimas, todas elas sempre muito bem explicadas pela personagem e também ao longo da narrativa que mostra alguns momentos do passado da garota. Pra mim, foi a criação mais perfeita autor. Nicole me conquistou desde o começo com suas falhas humanas e sua jornada ao longo do livro me surpreendeu.

Já o elfo Astarte traz um visão interessante pra história: sendo de um mundo diferente, existem muitos conceitos do nosso mundo que são difícil compreensão para ele. Ao mesmo tempo, muitas ideias e conceitos do elfo são complexos demais para os “limitados” humanos. Isso cria um vínculo de trocas de ensinamentos entre os dois protagonistas e o Leonel conseguiu fazer isso de uma forma envolvente e até mesmo divertida, sem tornar esses momentos em discussões filosóficas maçantes. Um detalhe curioso também é como o autor retrata o povo élfico na história: geralmente um povo pacífico, os elfos de Leonel são cruéis.

“Se você entender chocolate, entenderá a humanidade – proferiu a garota. – É gordo, cercado de propaganda, doce demais. Faz mal e domina tudo que toca. Mas qualquer um que não goste de chocolate é indigno de confiança. (p. 220)”

O destaque de personagem secundário vai, com toda certeza, para Félix, um mercenário que tem os seus próprios motivos para a sua vingança. Grande fã das mais loucas teorias conspiratórias, das quais ele acredita serem todas muito verdadeiras, o ruivo barbudo é responsável pelo alívio cômico na história, e se torna uma peça crucial para o enredo. Os vilões Salomão Manzini e Emanuel Montague são grandes manipuladores e um acaba sendo a ruína do outro, há um enorme abismo na disciplina de ambos e é interessante ver como o autor trabalha isso.

A forma como o Leonel misturou a fantasia urbana com a fantasia medieval é um dos pontos positivos do livro, ele conseguiu mesclar os dois estilos com muita leveza e naturalidade. O trabalho editorial dispensa comentários, como todos os livros lançados pela Fantasy, podemos ver o cuidado em cada detalhe, desde a capa até os detalhes internos e separações de capítulos. Com todos os elementos necessários para uma boa jornada fantástica, O código élfico é uma ótima adição para a literatura nacional. Não deixe de visitar Santo Ossário – a cidade para onde todos voltam.

“Já é o começo do aprendizado. Não existe diferença entre a metáfora e o que ela representa. (p. 438)”

site: http://livrosemserie.com.br/2013/08/05/resenha-fora-de-serie-o-codigo-elfico-de-leonel-caldela/
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Sheila 08/09/2013

Resenha: "O Código Élfico" (Leonel Caldela)
Por Sheila: Oi Pessoas! Resenha de autor brasileiro na área ... e de literatura fantástica, um gênero que vem ganhando cada vez mais autores, atenção e crescimento nos últimos anos. Apesar de que iremos encontrar no universo descritivo criado por Leonel um misto de literatura fantástica, aventura, ficção científica, onde a realidade, o mito e a fantasia se misturam em um só.

A maior parte da trama ambienta-se na cidade de Santo Ossário, fictícia, mas que se encontra em uma região remota do Brasil, famosa por duas questões: uma é pelo seu festival de cinema; outra, mais peculiar, são os eventos bizarros ocorridos na cidade, muitos anos antes do momento em que a narração da estória começa.

Num primeiro momento seremos apresentados - ainda que separadamente - aos dois personagens principais da trama: Nicole, uma das sobreviventes aos acontecimentos noticiados em todo o país acontecidos há muito em Santo Ossário, conhecida como a "Rainha das conspirações"; e Astarte, príncipe dos elfos de Arcádia, isolado dos seus até terminar por completo seu treinamento de guerreiro.

"Era a última vez que o chamava de mestre, Astarte o havia igualado.
O mentor não demonstrava qualquer satisfação; não demonstrava nada. Era pura serenidade, rosto sem expressão, sentado sobre os calcanhares na relva úmida de carvalho ...
- Vossa Alteza é Astarte. Filho de Sua Majestade, Titânia, a Rainha da Beleza. Principe dos elfos. A Primeira Flecha de Arcádia.
Prostrou-se em respeito. Astarte se ergueu.
- Então agora poderei obter respostas Harallad? Conhecerei o palácio? Conhecerei minha mãe?
- Em breve, Alteza, conhecerá seu verdadeiro destino."

"Era só mais uma abdução. Assim como tantas outras, como talvez havia sido a perda de memória em plena universidade, meses antes. Era uma droga, mas quase rotina para a pessoa mais abduzida do mundo. A filha do Estripador das Hortências, a musa das lendas urbanas, garota da capa de tablóides sensacionalistas, celebrada nos principais sites sobre assassinatos ritualísticos.
Nicole Manzini, a Princesa das Cnspirações."

As histórias dos dois mundos são contadas em paralelo, sendo-nos dado sinais sobre pontos de interseção entre os dois, sendo que o mistério por detrás da infância de Nicole e do isolamento de Astarte dos outros de sua espécie vão sendo progressivamente desvendados.

"Voltando a emudecer a televisão, Félix reuniu os outros materiais que pesquisara: os discos, as palavras cruzadas, as demais fitas de vídeo,
- Todos tem algo em comum Nicole. Fazem alusão a essa mulher. Muitos chamam-na de deusa, como seu pai, mas outros usam o termo "Rainha". falam da Rainha e do Dragão.
- Você acha que meu pai era ...
- Não sei. Mas o dragão parece ser um tipo de servo ou campeão favorito. Tudo isto - fez um gesto para o porão inteiro - é culto à Rainha."

Até o momento em que os dois, Nicole e Astarte, nosso universo e o de Arcádia, se tocam e se encontram. Agora os dois, juntamente com Félix, um ex militar em busca de respostas que ele nunca imaginaria serem respondidas por um elfo, irão enfrentar uma das maiores conspirações do planeta, para tentar salvar a terra de uma dominação arquitetada há milênios.

A ideia de sincronicidade perpassa toda a trama do livro, que é dividido em três partes: uma focada na história de Astarte, outra na de Nicole e, por fim, da jornada conjunta rumo a uma batalha épica pelo controle da vida no planeta como é conhecida, batalha ambientada na aparentemente pacata, mas sombria e perversa cidade de Santo Ossário.

Os personagens de Leonel Caldela são profundos e complexos, e a jornada que empreendem é muito mais interior do que física. Vi algumas resenhas que ressaltavam de uma maneira negativa o prólogo confuso e o uso excessivo de descrição. Eu, particularmente, fui instigada pelo prólogo, que não explica nada até mais da metade do livro, e na narrativa de Caldela é como se cada descrição e diálogo servissem para aprofundar mais as relações complexas existentes entre os dois mundos que buscam se fundir - sendo a destruição de um deles a consequência.

Um livro, na minha opinião, muito bem escrito, reunindo aventura, ação, romance, cenas descritas de forma crua, relatando o horror, o mal presente dentro do ser humano, aliadas a uma descrição com toda a sutileza necessária para descrever a transcendência existente na forma como todos os acontecimentos se confundem e complementam para chegar ao desfecho final - uma batalha épica e eletrizante.

Leonel Caldela, virei fã. Recomendadíssimo.

site: http://www.dear-book.net/2013/09/resenha-o-codigo-elfico-leonel-caldela.html
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May 01/09/2013

Tempo fora do tempo; Mundo fora do mundo
A minha relação com o livro O Código Élfico, do brasileiro Leonel Caldela, foi, desde o primeiro capítulo, um misto de amor e ódio que se estende até agora. Não pela incapacidade do autor na criação da trama ou na linguagem utilizada, mas pela infinidade de detalhes que um leitor desavisado pode ter dificuldade de engolir.

Leia a resenha completa no blog Chá de Prosa.

site: http://chadeprosa.wordpress.com/2013/08/31/tempo-fora-do-tempo-mundo-fora-do-mundo/
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Fernanda 12/07/2013

Resenha: O Código Élfico
Resenha: “O Código Élfico” é uma verdadeira conspiração de gêneros fantásticos, realísticos e magia frequente, envolto por muitos mistérios, lendas e segredos surpreendentes. É, portanto, um livro encantador e irremediavelmente belo, tanto pela capa enigmática e por vezes sommbria, e pela história sublime. Durante a leitura tive a sensação de estar num sonho recheado de seres místicos revolucionários e ares glorificados justamente pela narrativa dinâmica e ousada ao qual Leonel Caldela remete o leitor.

“Se ela lembrasse do Dragão, da espada e da máscara de ouro, poderia estar preparada. Se recordasse a razão do treinamento que ainda não acontecera, saberia que a deusa se aproximava, e que tudo que ela procurava deixar para trás estava voltando, pior do que nunca.” Pg.16

Santo Ossário é a cidade fictícia intrigante, onde acontecem os maiores enigmas e conflitos possíveis, e é nesse ambiente onde a trama é conduzida com maestria e cumplicidade junto aos personagens. Na verdade, acredito que a real protagonista de toda a trama foi a própria cidade, que revelava um segredo maior a cada página virada. O ambiente conservador e unido, era considerado perfeito para tais domínios e diante de tanta cumplicidade é possível declarar uma atmosfera ínfima, perdida e nebulosa. Assim como o espaço descrito se torna envolvente, todos os personagens carregavam uma mistura complexa de sentimentos causais e poderes inestimáveis, itens fundamentais para perceber as verdadeiras intenções de cada ser.

“Sincronicidade é um estranho fazer seu doce preferido no dia em que você chega, Alice. Sincronicidade é não estarmos procurando um ao outro, mas nossos propósitos na vida nos juntarem.” Pg.24

Astarte é o príncipe dos elfos, e sempre imaginou que seu futuro lhe reservaria muitos triunfos e sucesso. No estágio em que se encontrava, ele se achava preparado para todas as adversidades que viessem a surgir, pelo motivo de ter sido treinado por mestres qualificados em diferentes métodos élficos. Ele vive em Arcádia, mas logo vai se ver frente a uma nova realidade. Um desafio surgirá de uma forma inesperada e certeira, fazendo com que novos fatos lhe sejam apresentados para fortalecer ainda mais os seus caminhos. Já Nicole é humana e também é uma das personagens centrais, e chama a atenção justamente pelo fato de interpretar alguém forte, corajosa, guerreira e ao mesmo tempo delicada e bondosa. Impossível não nutrir um carisma especial por ela, proveniente dos seus atos tempestuosos e as vezes irregulares. Parecia que tudo estava destinado a acontecer com ela e perto dela, devido a sua história de vida ser um pouco tenebrosa, as coisas pareciam que nunca iam se acalmar e a moça acabava ficando com um jeito estranho de ser vista pelas pessoas ao seu redor. O mais interessante é que as histórias de Artarte e Nicole se interligam de modo estratégico a conduzir os caminhos a uma única interpretação. Ou seja, formam o tipo de casal que parece não ter nenhum tipo de união, porém ao longo dos acontecimentos se unem para defender objetivos maiores.

“Nada era mais importante e solene que a relação entre mestre e discípulo. Justamente por isso, nada era mais intimo. O discípulo avançado não desafiava o mestre, mas sabia o que falar e quando falar.” Pg.39

O livro se divide em três partes sob o ponto de vista de Astarte e Nicole, e essas divisões fizeram com que ficasse mais perceptível a jornada de cada um dos envolvidos no enredo, assim como o próprio desenvolvimento das cenas, dos combates transcritos, dos personagens heroicos e dos relacionamentos concretizados. O destaque da trama segue pela maneira como o autor juntou peças de ação, horror, apreensão e romance num só conteúdo. Esta é realmente uma aventura elaborada e épica, digna de comentários positivos diante de um texto bem estruturado e expressivo.

“Astarte era o maior dos enigmas, e não abriria uma pequena passagem. Abriria a passagem definitiva. A beleza podia estar em tudo.” Pg.44


site: http://www.segredosemlivros.com/2013/07/resenha-o-codigo-elfico-leonelcaldela.html
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criscat 15/06/2013

Rumo a Santo Ossário
Resenha no blog: http://www.cafeinaliteraria.com.br/2013/06/01/o-codigo-elfico/
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RoFolDo 13/06/2013

Um épico de fantasia urbana com toques de medievalismo!
Confira a resenha no blog Elhanor!

http://elhanor.blogspot.com.br/2013/06/resenha-o-codigo-elfico-de-leonel.html
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PH 31/05/2013

Resenha: O Código Élfico, de Leonel Caldela
Conheço Leonel Caldela há pouco. Admito que ser comparado a Bernard Cornwell me atrai e me afasta ao mesmo tempo. É um imã com os polos sendo girados. Quem me atraiu mesmo foram suas palavras, suas entrevistas, suas respostas. Por isso, fui ler O Caçador de Apóstolos, seu quarto livro. Sim, guardada medidas proporções, é válido compará-lo a Cornwell. Tem meu aval. Agora Caldela chega com O Código Élfico, lançado pela Fantasy – Casa da Palavra. Difícil não começar essa leitura em alta após ter lido dois livros do autor (o outro foi o Deus Máquina).

Até metade do livro, Leonel parecia conter uma necessidade de soltar algo gigante, enorme… como se tivesse algo encravado, incompleto. Leonel é cru, é íntimo, é nojento às vezes. Aqui em O Código Élfico, eu não via mais tanto o autor de O Caçador de Apóstolos e Deus Máquina. Na verdade, o Leonel de Deus Máquina também nem era mais o mesmo do Caçador. Chamo isso de maturidade. O Leonel de O Código Élfico é o mais maduro dos três leoneis que já li. É um Leonel universal. Com limites, mas adorável em conseguir causar nojo e ser cru na medida correta.

Não existem mais diálogos simples em O Código Élfico. Outra evolução do autor. Existem diálogos cirúrgicos responsáveis por segurar uma gama de personagens não muito grande. Trabalho árduo, creio eu. Como não gostar de Felix e Astarte, por exemplo? No delegado da cidade, vejo meu pai. E Nicole? Nicole é a personagem mais forte dos três livros que li. Pela primeira vez vejo o autor colocar uma profundidade que mistura o mundano e o mágico precisamente como gosto. Antes seus personagens eram levados ao extremo. Em Nicole a dosagem dos dois lados é perfeita. Personagem mulher já nasce forte, é fato, pois os conflitos são óbvios. Aqui, entretanto, Nicole foi levada a uma outra camada de profundidade. Nem magnanima demais, pois é apenas uma humana, nem mundano demais, pois ela é especial. O tempero precisamente medido. A fusão correta.

"Nicole surgiu nas alturas, sentada sobre a montaria aérea sem segurar-se, sem tentar manter o equilibrio. Não fazia a menor ideia de como cavalgar aquele animal, então agia como o arqueiro cego: deixava algo cavalgar por ela, entrava em comunhão com a vontade do mundo, que era sua vontade e a da fera." (O Código Élfico, Leonel Caldela)

Nicole era isso e o não isso ao mesmo tempo. Ela usava um grifo, mas nem sabia direito o que fazia. Ela era humana e humanos não foram feitos para grifos, mas ela era especial e, por isso, os grifos foram feitos para Nicole.

Sobre a besta contida por todo o livro, não foi preciso soltá-la. Em outras fantasias de Caldela, a estrutura de escrita do autor parece um marcapasso e não erra entre momentos de tensão e calmarias. Dessa vez a escalada é retilínea. A besta da qual falei, segura o leitor por toda a trama. Sim, ele precisava soltá-la. E não foi em banhos de sangue de rituais tensos e nocivos às cabeças mais fracas, foi em um final literalmente fantástico. Morte, dor, muito sangue, batalhas homéricas e viradas de trama. Quem era eu para ter julgado que a besta-fera presa não iria ser solta? Ela foi e aconteceu da melhor maneira possível. De um modo simples e nada exagerado. Afinal, a beleza do existir está na simples leveza do respirar. Para que pedir mais do que isso?

Suas quase 600 páginas podem espantar leitores menos experientes, entretanto o autor não é conhecido por escrever pouco. Existem sempre motivos para Leonel escrever muito e aqui não foi diferente. Por conhecer bem de estrutura literária, há em O Código a dosagem necessária entre calmaria e tensão para te prender ao longo de tantas palavras. Não se espante. Estranho vai ser Leonel entregar um livro com 200 páginas.

A primeira vez que vi o autor falar sobre esse livro foi na Bienal do Livro do Ceará. Aquele foi um ponto importante, pois o nome fora anunciado com a chancela de Raphael Draccon, seu editor, que o assistia da platéia. Assim que ouvi o nome do livro, me perguntei: “Como raios ele vai me fazer ler uma história sobre elfos?“. Li, fui lendo, algumas coisas fui relendo. Não era sobre elfos, nem humanos, nem magia, nem mundo. É sobre local. Nosso local. Santo Ossário é qualquer cidade do interior do Ceará, do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso… Santo Ossário é nossa terrinha, nossa homeland. Sabe quando você volta e passa uns tempos no local ou na casa onde nasceu e momentaneamente cresceu? Te acham mais gordo, te acham mais esperto, te acham o orgulho daquele pedaço de local onde nada muda e dificilmente mudará. Pra mim, ler O Código Élfico não foi ler sobre seres, mas sim sobre origem e como devemos respeitá-la, defendê-la e reerguê-la, quando necessário for. Costumamos esquecer disso, mas o “onde”, na maioria das vezes, é mais importante do que o “quem”.

Não comparo mais Leonel a Cornwell. Acabou! Depois de O Código Élfico, as paredes de escudo pertencem a outra fase do autor, tão boa quanto essa, mas que não se encaixa nesse momento. Somente os grandes autores conseguem sair do seu lugar comum; do seu conforto. Somente os grandes autores conseguem sobreviver a tamanha comparação. Cornwell?! Eu jamais gostaria de ter isso pra mim. Somente os grandes autores conseguem ser profundos e corretos baseados na simplicidade. Somente os grandes conseguem cravar seu sobrenome. Leonel Caldela é grande. Ora, não é preciso parede de escudos quando se tem o glorioso metal élfico.

"O quarto helicóptero já estava voltando para Astarte. Disparou dois mísseis, que vieram certeiros na direção do príncipe. Astarte respondeu o arco — acertou uma flecha, depois outra, e os dois mísseis explodiram no ar. Avançou pela bola de fogo e fumaça, de repente surgindo muito perto do helicóptero, sacou uma das espadas, arremessou-a. O metal élfico quebrou o vidro blindado e girou, decapitando o piloto." (O Código Élfico, Leonel Caldela)

O Código Élfico é a mistura correta do que é fantástico e do que é real. A trama não nos deixa esquecer que a fantasia não existe somente em seu meio. A fantasia é tudo, e nada ao mesmo tempo. Pertence a um “tempo que não é tempo, a um mundo que não é mundo“. Pertence a cada um de nós e nosso poder de criar, de imaginar, de viajar sem precisar sair do lugar. A fantasia é nossa e de ninguém ao mesmo tempo. É de Nicole, uma “humana”, é de Astarte um “não humano”.
Fernanda 10/07/2013minha estante
não sei se me arrependo ou não de ter lido sua resenha. fiquei com mais vontade de ler esse livro, mesmo sendo difícil de encontrar aqui na minha cidade. parabéns pela resenha!


Leandro 25/08/2013minha estante
Eu li vários comentários elogiando o livro e resolvi comprá-lo no início desse mês. Sem zoeira, não achei nem metade do que as críticas falavam. É um livro ruim? Não! Mas também não é para tanto.

Gostei da escrita do autor, mas senti que a história era muito forçada em vários pontos. Como se estivesse exagerando de propósito para tentar fazer a história ficar boa. Por exemplo, colocar uma empresa com vários cientistas top no Brasil, ou então colocar o presidente do EUA abaixando a cabeça para o Emanuel. Só porque é fantasia não significa que pode-se fazer qualquer coisa. Ainda mais que ele quis envolver o mundo real nessa história.

Outro ponto que eu achei muito fraco foi toda essa conversa da força de vontade, se desejarmos vencer iremos vencer. Papo bem poético, mas tão legal quanto um vampiro que brilha. Lutas não são decididas por força de vontade, lutas são decididas por habilidade. Astarte e Nicole foram derrotados por Emanuel, mas depois que suas "vontades" superam a dele simplesmente vencem? Beleza! Se não fosse esse aspecto as lutas teriam sido ótimas.

Enfim, para mim é um livro regular.




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"Quem dedica boa parte de seu tempo livre às ferramentas de rede social, como Orkut e MySpace, tem agora um novo passatempo."

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