O Homem do Bosque

Scott Spencer



Resenhas - O Homem do Bosque


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Renata 28/01/2014

Não empolga
Paul é o homem perfeito: marido exemplar, bom padrasto e profissional dedicado. Em um dia especialmente ruim, Paul resolve caminhar no bosque e se vê no lugar errado, na hora errada: ele se depara com um homem maltratando seu cachorro e intervém. O homem, Will, é um paranoico endividado, que coleciona relacionamentos difíceis e falsas identidades enquanto foge pelo país. Will roubou o cachorro de uma de suas vítimas e passa a maltratá-lo como forma de aliviar suas neoses. O embate entre os dois homens foge do controle e Paul, sobrevivendo, passa a ter que conviver com a culpa e as justificativas que cria para não se entregar. E leva consigo Woody, o cachorro, que resolve batizar de Shep. Temos então o carpinteiro Paul e Shep: Paulo e o pastor (shepherd), em uma das nada sutis referências religiosas do livro.

Embora ecoe a premissa d clássico de Dostoiévski, Crime e Castigo, o livro de Scott Spencer não possui a mesma sofisticação para mergulhar na psique do protagonista, dando mais ênfase à religiosidade que aos demônios interiores de Paul. Sua namorada, Kate, famosa por ter se recuperado do alcoolismo ao se converter ao cristianismo e ganhar a vida escrevendo livros e dando palestras sobre o assunto, deixa de ser "a renascida" para questionar sua fé. A filha de Kate, Ruby, possui sensibilidade aguçada. E não muito mais há a se dizer sobre estes personagens e suas histórias pois a escrita de Spencer é tão seca e sem emoção que o leitor não consegue nem mergulhar no interior destes personagens tampouco ser cativado por eles, transformando a experiência em uma leitura banal com a qual não nos importamos. Com diálogos afetados, nem as ações nem os pensamentos parecem naturais - em determinado momento, Paul devaneia sobre a palavra dog como god [deus] ao contrário.

Prolixo, detalhista e muito descritivo, abusando das figuras de linguagem ("seus olhos verde-claros eram úmidos e desfocados, como azeitonas no fundo de uma taça de martíni"; p. 45 ) presentes em quase todas as passagens do livro, O Homem do Bosque parece ter carecido de um bom editor para cortar suas gorduras, amarrando melhor a trama de maneira que parecesse menos monótona ao leitor. Um bom exemplo de uma das muitas passagens do tipo é este retirado das páginas 64-65, quando Kate por alguma razão está dentro do estúdio de Paul (grifos meus):

Leia mais no Prosa Espontânea:

site: http://mardemarmore.blogspot.com.br/2013/11/o-homem-do-bosque-scott-spencer.html
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Claudia 27/10/2013

Levou 3 estrelas por conta da cena no bosque, muito real, bem escrita. Depois, o livro fica monótono. O final é bom.
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Nica 27/09/2013

O Homem do Bosque - Scott Spencer
Um livro adulto, sério, para quem gosta de um drama num tom de suspense psicológico. Scott Spencer descreve a tragédia de Paul Phillips em O Homem do Bosque, no entanto, não pretende surpreender nem chocar o leitor, apenas colocá-lo sob a luz da reflexão.
Paul, um homem bom, rústico, que trabalha com as próprias mãos, um carpinteiro em tudo o que faz, ama a vida e não leva nenhum rancor dela, embora tenha alguns bons motivos para acreditar na desesperança e na falta do amor dos homens e de Deus. Paul namora e vive com Kate Ellis, mãe de Ruby, uma garotinha linda e impetuosa. Kate é uma alcoólatra em recuperação, que encontrou a salvação do corpo, da alma e de sua filha através de Deus. Agora Kate é famosa pelo sucesso de seu livro, que aborda a esperança como solução dos problemas, e pelas pregações e seminários que faz sobre seu livro. Kate também é famosa por viver feliz um dia de cada vez. Paul estava tranquilo com o conforto emocional de sua nova vida embora enfrentasse alguns problemas com seus clientes. Em uma tarde de outono que esteve na cidade a trabalho, avistou um grande parque, estacionou o carro e foi caminhando até deparar-se com as mesas de piquenique. Tudo vazio, Paul se sentia solitário e parou para refletir sobre a vida e absolver a melancólica solidão do bosque, desfrutar do silêncio das arvores e do canto dos pássaros. Em meio à tranquilidade surge um homem com seu cão. O homem para em uma das mesas próximas de Paul e se dispõe a insultar o cachorro que o acompanhava, Paul tenta intervir, mas o homem do bosque parte para a agressão física ao pobre cão. Cutucá-lo, agredi-lo, enforcá-lo com a coleira. Paul percebeu que o "deixa disso" e "vamos com calma" não resolvia quando o homem o agride fisicamente. Diante de uma briga de corpos, a ira dominou Paul e ele soube bem usar suas mãos.
O que vem dai pra frente é a consequência dessa tarde no bosque. O remorso e a culpa vão massacrar um homem que se achava de bem com a vida. Como continuar a viver diante dos argumentos do próprio destino? Como encarar o céu e o inferno, o paraíso e a serpente?
O livro lembra a obra de Dostoievski, Crime e Castigo, principalmente pelo argumento do crime em si, mas também pelo apelo psicológico da culpa. Paralelo a essa reflexão da culpa de ante de Deus, do homem e de si mesmo, Scott Spencer coloca em cheque o vício no jogo, o alcoolismo, e a capacidade do ser humano de mudar o seu circulo de vida de inverter o seu modo de autoconhecimento.
O Homem do Bosque não é um livro religioso, é um puro drama psicológico leve, mas profundo. Leve pela linguagem e pelos aspectos narrativos, pois imagino se esse drama foi narrado em primeira pessoa! Profundo por abordar temas da alma, do remorso, do perdão de si mesmo. É um livro sobre o homem e a sua capacidade de agir.

site: http://www.lereomelhorlazer.com/2013/09/o-homem-do-bosque-scott-spencer.html
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