O visconde partido ao meio

Italo Calvino



Resenhas - O visconde partido ao meio


19 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2


viviandemoraes 10/12/2014

O homem dividido de Italo Calvino
"O Visconde partido ao meio" (1952), editado pela Companhia de Bolso, selo da Companhia das Letras, em 2012, é uma grande metáfora da angústia do homem contemporâneo. Numa narrativa fantástica, um visconde italiano, Medardo di Terralba, vai à guerra contra os turcos, e seu ferimento de canhão consiste numa divisão ao meio, que, no entanto, não o faz morrer.
Sua metade direita volta à terra natal e todo o malefício do mundo recai sobre o território, por causa das maldades do Visconde. Um carpinteiro se especializa em máquinas de tortura e patíbulos que atendem plenamente às expectativas nocivas de Medardo.
A narração é feita por um sobrinho enjeitado do Visconde, que gosta de acompanhar o médico que atende o burgo. Tudo vai terrivelmente mal: nem o médico se interessa pelas doenças, e a vila de leprosos recebe a própria ama de leite de Medardo, a seu mando, embora ela esteja sã. Conhecedora de ervas, ela não se deixa contaminar.
Mas as coisas ficam piores quando uma outra metade retorna: é a metade da esquerda, o lado bom do Visconde.
As bondades da outra metade se revelam ainda mais terríveis que as maldades da primeira, porque todo homem naquela terra é malvado, mesmo os huguenotes, os mais religiosos do burgo.
As duas metades disputam as atenções de Pamela, uma camponesa. Hábil e inteligente, ela é ajudada pelo narrador.
O livro possui muitas metáforas inteligentes e uma conciliação ao final do enredo. Nessa obra, o divertimento é a tônica, segundo o próprio autor, mas revelam-se a falta de humanidade da própria humanidade como um todo, a insensibilidade das pessoas dentro de seus papeis sociais (médico, mãe, filho, pai, carpinteiro etc.), além da angústia que é estar "partido ao meio", o que nos cabe igualmente a todos os que somos contemporâneos. O livro não deixa de ser uma fábula, com moral da história, e deve-se destacar que a narração por um menino enjeitado e curioso torna a narrativa mais pitoresca e agradável. "O Visconde partido ao meio" é uma ótima obra introdutória para a obra de Calvino.

site: resenhascompanhia.blogspot.com
comentários(0)comente



O que tem na no 30/09/2014

O Visconde Partido ao Meio
Depois de ler As Cidades Invisíveis que achei absurdamente fabuloso, chegou a vez de O Visconde partido ao Meio obra que me atraiu justamente pelo seu título sugestivo.

O italiano consagrou-se com seus contos e histórias em estilo de fábulas, onde sua criatividade extrapola e muito a realidade, despertando em nosso imaginário as mais fantásticas interpretações de seus contos.

Neste livro, Calvino narra a história do visconde Menardo di Terralba, que durante uma guerra contra os turcos, acaba sendo bombardeado por uma bala de canhão. Ferido, os médicos conseguem lhe restaurar apenas metade exata de seu corpo: meio rosto, meio tórax, um braço, uma perna, ficando o restante esmigalhado amputado. Partido ao meio, o visconde volta a sua terra e em seu castelo passa a demonstrar um temperamento diferente do que os seus servos estavam acostumados a ver, mostrando-se maligno. No decorrer da história, surgem personagens interessantes, como o escudeiro Curzio, a ama Sebastiana, ou ainda o Dr. Trelawney, médico que não gosta de ser médico. A história é narrada por seu jovem sobrinho bastardo, que não divulga o seu nome, e ainda a moça do campo Pamela, que tem papel de destaque do meio para o final da história.

A surpresa vem quando o visconde Menardo encontra com o restante de seu corpo, o lado esquerdo, que incrivelmente foi encontrado e curado. Diferentemente da sua face má, o outro lado do visconde vive a fazer bondades e caridades. Descobre-se então dois viscondes controversos: um rico, arrogante e maligno, dono das terras, e outro maltrapilho, que vive a vagar pelas ruas, mas a fazer o bem. Que interessante!: Um único indivíduo, mas dividido ao meio, onde um lado, o direito, é maléfico; e o outro, o esquerdo, é bom. As visitas dos dois Menardos às aldeias onde vivem leprosos em festa e orgias (!!), e também ao sitio dos Huguenotes, trazem a narrativa a multiplicidade dos sentimentos existentes entre os habitantes de Terralba para com o visconde. Tanto a maldade excessiva do Menardo direto, quanto a bondade demasiada do esquerdo faz com que nem um nem outro sejam bem vindos na localidade.

Por meio dessa improvável história, Italo Calvino apresenta as ambiguidades do ser humano, e sua incompletude natural. Calvino visualiza em uma metade de humano a integridade desejada dos sentimentos, seja o bom ou o mal, mas ao mesmo tempo, propõe seus máximos efeitos, que incluem a sua não aceitação completa por partes da sociedade. O autor propõe paradoxalmente em uma metade, a visualização da integridade, e em um inteiro, a incompletude do ser humano. A extrapolação do real faz parte da narrativa das obras de Italo Calvino. O livro é curtinho e vale a pena ser lido. No Brasil, é editado pela Cia das Letras, que tem duas versões nas livrarias: a mais simples,(amarela) que segue o mesmo padrão dos outros livros do Calvino pela editora, e a de bolso, que tem uma capa, ao meu ver, mais bonita.

site: http://oquetemnanossaestante.blogspot.com.br/2014/09/livros-resenha-105-o-visconde-partido.html
comentários(0)comente



Maria 26/03/2014

Meu coração partido ao meio.
Imagine que você é um visconde e que seu país está em guerra contra os turcos. O que você faz? Se alista para agradar alguns duques e vai para o campo de batalha. É isso que o visconde Medardo Di Terralba faz. A Itália está em guerra contra a Turquia e lá vai o visconde defender seu país.

Mas quando o visconde finalmente retorna para sua nação, os moradores têm uma grande surpresa: somente metade de seu corpo retornou. O corpo fora dividido ao meio ao ser atingindo por um tiro de canhão. Esta metade que retornou, era a metade ruim, que praticava o mal gratuitamente, pelo simples prazer de ver a desgraça alheia. Partia ao meio tudo o que encontrava pelo caminho. Atentou contra a vida de seu pai, contra a vida da mulher que tinha sido sua babá e até contra a vida de seu sobrinho.

Em meio a tantas desgraças provocadas pela metade maligna do visconde, as pessoas já estavam descrentes de que algo bom poderia acontecer, mas aconteceu. Eis que surge a metade boa. No início ninguém pensou que fosse possível e até pensaram que o que era mau tinha virado bom, mas depois perceberam que havia duas metades mesmo: a boa e a ruim.
Esse acontecimento causou uma certa confusão, porque o que um destruía, o outro consertava e de início, não sabiam da existência um do outro, mas quando souberam, a parte má tentou matar a parte boa a fim de ser o único visconde.

A história é narrada em primeira pessoa pelo sobrinho do visconde, que é fiel em sua narrativa e não nos esconde nada. Vemos como ele vê.

Muitos dizem que esse livro lembra uma fábula, pela presença do fantástico e da moral da história no final do livro. Pode até ser, mas de uma coisa que eu estou certa, é que não me agradei deste livro. Acho que o motivo é porque tenho como base o primeiro livro que li do autor, "O Barão nas árvores" e espero que os demais sejam tão bons quanto este. Faltou alguma coisa no livro. Mais profundidade talvez.
comentários(0)comente



DIÓGENES ARAÚJO 26/12/2013

Fascinante e decepcionante
Sem dúvida é um livro excepcional, leitura simples e leve, mas decepciona exatamente por ser um livro tão bom e tão curto.
O autor poderia ter ido muito mais a fundo na história do Visconde que após receber uma bala de canhão no peito, é partido ao meio. Milagrosamente, as duas partes do Visconde sobrevivem, vivendo uma independente da outra, porém, uma metade, totalmente malvada e a outra, totalmente bondosa.
Uma história bem fantasiosa, mas muito rica em criatividade e bem divertida.
Camila 11/02/2014minha estante
Vou começar a ler nesse momento. Boa resenha!




Alaerte 19/07/2013

Muito bom este livro, conta a história do Visconde Medardo que é dividido ao meio por uma bala de canhão.

Um lado do Visconde é de uma pessoa extremamente má e outra boa, ambos com personalidades insuportáveis.

O autor demostra em seus personagens como o ser humano é na atualidade, com suas diversas personalidades e que não adianta ser somente bom ou ruim, é necessário dosar para criar um "EU" que possa ser aceito na sociedade.
Camila 11/02/2014minha estante
Bacana a resenha, Alaerte. Vou começar a ler o livro. Espero gostar. Beijos!




sonia 28/06/2013

Duplicidade




O outro – um tema recorrente na literatura que já rendeu obras primas como O duplo, de Dostoievsky ou O médico e o monstro de Robert Louis Stevenson.
Agora Italo Calvino nos brinda com sua versão medieval da história, mais popularesca, de uma simplicidade enganosa, pois atrás da trama simples, vão-se tecendo considerações paralelas sobre diversos outros temas.
Fica logo evidente que o todo é bem mais que a soma das partes, e a fusão das duas metades do visconde vai ocorrer por conta do amor, afinal, que vai levar ao enfrentamento das duas metades opostas ou complementares.
Há, paralelamente, a história do médico que era quase um impostor, a da babá que não se deixa enganar pelas aparências, a da pastora que é quase vendida pelos próprios miseráveis pais, a dos leprosos e dos huguenotes, que são segregados da sociedade local.
Gosto dos temas do autor, porem o estilo dele não é do tipo que me faz grudar na poltrona e não querer deixar o livro de lado, pelo contrario em certos trechos ele me cansa um pouco – eu acompanho sua lógica, mas ele não me toca o coração.
comentários(0)comente



Israel 04/05/2013

“O visconde partido ao meio” me decepcionou um pouco. Apesar de ser uma história bem ambientada e ter uma estrutura simples que beira a fábula e riquíssima em termos de referências, além de muito criativa, o autor acabou dando um tropeço e tornou o livro chato, mas muito chato. Tão chato que suas 94 partes parecem intermináveis, principalmente depois do meio para o fim.
Essa eterna dicotomia “parte boa-parte mau” já foi explorada até o esgotamento pela cultura pop, inclusive a literatura. Nem o surrealismo da história consegue salvar o livro.
O bom é que isso não inviabiliza toda a obra do autor, pelo contrário. Só estimula a buscar a sua essência em outros livros. E analisando friamente a coisa, é muito fácil tropeçar com um personagem partido ao meio que só tem uma perna. E o pior, em algumas correspondências o Calvino disse que fez o livro pra se divertir. Quem sabe ele devesse ter feito pra divertir os leitores.

Maria 26/03/2014minha estante
Eu pensava que era a única no mundo que não tinha gostado desse livro. Bom achar alguém que pensa como eu.




e-zamprogno 12/01/2013

Uma fábula infantil

Em todos os aspectos me pareceu uma fábula, dos acontecimentos fantásticos à presença de uma moral.
comentários(0)comente



Cristiana 19/10/2012

Esse sem dúvidas é um dos meus livros favoritos. Fiz essa leitura durante uma cadeira de teoria literária, mas tenho que admitir que já devo ter relido esse livro umas três vezes... A linguagem de Calvino é fantástica, e nesse livro ele descreve a maldade do ser humano de forma tão articulada que podemos ler coisas terríveis, como cegonhas e flamingos comendo carne podre no lugar de corvos e abutres, sem nenhum espanto. Recomendo esse livro a todos!
comentários(0)comente



leecharao 06/08/2012

O visconde partido ao meio
O Visconde Partido ao Meio faz parte da série Os nossos antepassados juntamente com O Cavaleiro Inexistente e O Barão nas Arvores.

Medardo di Terralba vai à guerra em defesa da ‘santa causa’, Calvino, incansável, ironiza o passado de guerras que de santas nunca tiveram nada.
Desta nasce um meio Visconde, Metardo que graças aos esforços dos médicos de campanha conseguem colar, remendar e cauterizar o lado direito do jovem. Pena que este não era seu lado bom.
Em casa Medardo incomoda muita gente, e entre seus serviçais esta Pedroprego o carpinteiro capaz de criar os objetos mais maléficos de tortura conforme solicitação do Manco (Medardo) entre outros apelidos simpáticos que o Visconde recebe de seus conterrâneos ao longo das páginas.
A narração fica por conta do sobrinho de Medardo que inevitavelmente se vê em situações de grande perigo quando em contato muito próximo com o estimado tio. As outras personagens que fazem a vida de Metardo divertida são: a ama Sebatiana, Dr, Trelawney, Esequiel um fazendeiro criador de sua própria religião e sua família, um feliz grupo de leprosos entre outros. E quando toda essa gente parece ter se acostumado com a maldade do Visconde eis que aparece o que faltava, seu outro lado.

Como os autores latinos Calvino não media esforços e nos faz divertir através do choque pela sua total liberdade de atropelar convenções sociais. Foi com essa leitura que aprendi muito tarde o que me parecia absurdo, acreditava que livros precisavam ter pelo menos três mesóclises por paragrafo para serem considerados literatura. Fiquei feliz com este engano que se pode cometer pelo precário sistema educacional público deste país.

Sei que ainda vou ler ‘O Barão nas Arvores’ pois é diversão garantida. Italo também escreveu “Por que ler os clássicos” ... com a indicação dele não há o que questionar.

www.concentrofoba.com.b
comentários(0)comente



MANO 21/02/2012

O visconde partido ao meio
Trata-se da estória surreal de um cidadão que vai para a guerra e após um tiro de canhão tem o seu corpo dividido verticalmente. Ambas as partes, porém, permanecem vivas e autônomas. Todavia, uma representa o lado bom do cavaleiro e a outra, o lado mal. Também parece uma alusão a "O Médico e o Monstro".
comentários(0)comente



Jair 12/02/2012

Visconde partido ao meio
"Mettardo partido ao meio, só sobrou-lhe apenas, a sua parte malvada
comentários(0)comente



Juliana 24/01/2011

Outro exemplo de uma boa idéia muito bem desenvolvida. "O visconde partido ao meio" é a história de um cara que foi pra guerra, mas uma bomba o acertou no meio do peito e ele se partiu em dois. Os médicos conseguiram costurar e dar um jeito em uma das suas metades, e ele se tornou uma pessoa ao meio. Mas quando voltou para onde morava, as pessoas perceberam que ele estava muito mais sombrio e malvado. Talvez porque a metade que os médicos conseguiram salvar, era a metade má do visconde. E imagina o que acontece quando a sua outra metade perdida, a boa, também volta? É uma história incrível nas palavras de um grande escritor. 100 páginas é pouco.
comentários(0)comente



Jofre 16/01/2011

Uma estória divertida carregada de ironia.A eterna luta do Bem X Mal,narrada de forma primorosa, onde reafirma a máxima que o homem é a medida de todas as coisas, onde suas ações para o bem ou para o mal gera o julgamento e a condenação pela ação ou onissão de seus atos.A reflexão do "bom Medardo" é colocada de forma muito eloquente:"...isso é o bom de ser partido ao meio:entender de cada pessoa e coisa no mundo a tristeza que cada um e cada uma sente pela própria incompletitude.Eu era inteiro e não entendia, e me movia surdo e incomunicável entre as dores e feridas disseminadas por todos os lados, lá onde, inteiro, alguém ousa acreditar menos".
Um livro para diversão e reflexão.
"Às vezes a gente se imagina incompleto e é apenas jovem".
comentários(0)comente



Fabio Shiva 06/08/2010

Simplesmente deliciosa esta narrativa sobre o Visconde Medardo, que vai lutar nas cruzadas e acaba sendo dividido em dois por uma certeira bala de canhão. Miraculosamente as duas metades sobrevivem, seccionadas também na personalidade: uma é inteiramente má, outra é totalmente boa. Como logo se descobre, as duas são igualmente insuportáveis, do ponto de vista dos que são obrigados a conviver com elas.

O autor afirma no prefácio que seu objetivo ao escrever este livro foi divertir a si mesmo e aos outros, pois uma das mais importantes funções sociais da literatura é a diversão. Ao mesmo tempo, fica evidente que profundas reflexões sobre a natureza humana permeiam a aparente leveza do texto. O próprio Italo Calvino explica:

“O homem contemporâneo é dividido, mutilado, incompleto, hostil a si mesmo; Marx o chama de ‘alienado’, Freud, de ‘reprimido’; um estado de harmonia foi perdido, aspiramos a uma nova totalidade. Este é o núcleo ideológico-moral que eu queria conscientemente trazer para a história”.

(28.09.2007)


Camila 11/02/2014minha estante
Muito boa resenha!




19 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2



logo skoob
"Diferentemente das redes de relacionamento pessoal, o que importa no site não são as fotos dos usuários ou para que time eles torcem, e sim o que merece ou não ser lido."

Estadão