O Jantar

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Resenhas - O Jantar


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Ramon.Amorim 05/11/2015

Aquilo que se faz por amor sempre se faz além dos limites do bem e do mal (Nietzsche)
Poderia ser um livro entediante: o encontro de dois casais num restaurante sofisticado de Amsterdam. Os dois homens são irmãos, um é político de sucesso, o outro é o narrador, Paul Lohman. É através da versão deste que toda a história tem seu desdobramento - ele é implacável nas suas críticas ácidas e no seu descontentamento com o encontro.

Segundo Nietzsche, o super-homem, despido da razão falseadora dos sentidos e revelando-se a partir de sua “desespiritualização”, veria os demais indivíduos da mesma maneira como o homem observa o macaco. E é com esse olhar de desprezo que o protagonista observa não apenas o irmão e seus gestos esquemáticos, mas a realidade a sua volta, como os maneirismos do restaurante requintado e sua "goumertização", criticada com candente ironia:

"Essa era uma das desvantagens dos restaurantes chiques: todas as interrupções, como a descrição detalhada de cada pinole presente no prato, o interminável desarrolhar de garrafas de vinho e o enchimento não solicitado de nossas taças, faziam com que a pessoa perdesse o rumo da conversa"

A conversa vai se desenvolvendo a partir do cinema (o novo filme de Woody Allen), passando pela questão racial, revelando antagonismos irresolvíveis entre Paul Lohman e seu irmão, Serge.

Toda a sua indiferença com as ideias cristãs de solidariedade e comunhão se coligam numa recordação do diálogo com o diretor da instituição onde Paul trabalhava como professor, passagem absolutamente marcante, no qual ele justifica seu comentário sobre as vítimas da Segunda Guerra Mundial proferido em sala de aula, a seguir:

"Em um grupo de cem pessoas, quantos babacas há? (...) Olhem ao redor. Quantos de seus colegas de turma deixariam vocês contentes se não voltassem às suas carteiras amanhã de manhã? E agora pense em todos aqueles milhões de vítimas de todas as guerras do passado (...) e pense nos milhares, talvez dezenas de milhares de vítimas que precisamos ter por perto tanto quanto precisamos de um buraco na cabeça. Mesmo de um ponto de vista puramente estatístico, é impossível que todas aquelas vítimas fossem pessoas boas, quem quer que elas fossem. A injustiça está mais no fato de que os babacas também são incluídos na lista de vítimas inocentes”.

A questão que motiva o encontro é dos casais é um episódio envolvendo os filhos de ambos e cuja solução os colocam em posição de franco confronto, com desdobramento que faria inveja ao protagonista de Dostoievisky em Crime e Castigo. A condição imoral do narrador é um aspecto que dá contornos firmes à obra e possibilita a abertura de desfechos.

O Jantar, longe de ser um livro entendiante, cativa pela escrita, que vai se abrindo aos poucos para a contenda que lhe dá sustentação, além, claro, da fluidez e refinamento do tratado moral que serve como fundo.
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fgrein 18/09/2015

Gostei bastante!
Antes de qualquer coisa tenho que dizer que, na minha opinião, este é um livro que não vai agradar a todo mundo.... Mas a mim agradou bastante!
Suspense psicológico de alta qualidade, que trata das relações entre pais e filhos.
É um livro diferente daquela fórmula tradicional.
Aprovado e indicado.
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Eric 06/09/2015

Tensão a todo momento
"Um fenômeno best-seller internacional, um suspense sombrio, conto altamente controverso de suas famílias que lutam para tomar a decisão mais difícil de suas vidas no percorrer de uma refeição. É noite de verão em Amsterdã e dois casais se encontram em um restaurante da moda para jantar. Entre garfadas de comida e raspadas educadas de talheres a conversa permanece um zumbido suave de discurso educado - a banalidade do trabalho, a trivialidade das férias. Mas por trás de palavras vazias, coisas terríveis precisam ser ditas, e com cada sorriso forçado e cada novo rumo as facas estão sendo afiadas. Cada casal tem um filho de quinze anos de idade. Os dois meninos estão unidos por sua responsabilidade por um único ato horrível, um ato que provocou uma investigação policial e quebrou as confortáveis e isoladas vidas de suas famílias. A medida que o jantar atinge seu clímax culinário a conversa finalmente toca em seus filhos. Assim como a civilidade e amizade desintegra-se cada casal mostra o quão longe eles estão dispostos a ir para proteger aqueles que ama. Uma escrita tensa e incrivelmente emocionante, contada por um narrador inesquecível, O Jantar promete ser o tema de inúmeros jantares. Espetando tudo, desde os valores dos pais, menus pretensiosos a convicções políticas, este romance revela o lado obscuro da gentil sociedade e pergunta o que cada um de nós faria em face de uma inimaginável tragédia."

Não posso dizer mais nada da história além do que esta escrito na sinopse, vale o leitor descobrir as fortes reviradas no estômago que este livro irá realizar.

Narrado pelo Paul, irmão do Serge, vamos conhecendo duas personalidades totalmente distintas. Paul é aquele homem mais liberal e que ama o filho incondicionalmente. Serge é um candidato a um cargo político importante, e faz o tipo certinho. Ambos marcam este jantar com intuito de discutir a atrocidade que seus filhos cometeram, que originará uma porção de alfinetadas e desentendimento

O livro de início é bem parado, o autor poderia economizar umas 50 páginas de enrolacões. Porém, não desisti da leitura, pois estava confiante que iria ter um final que me chocasse.

Com uma complexidade irresistível, esta obra irá discutir até que ponto os pais são capazes de defenderem seus filhos por amor. Uma defesa praticamente insana que transportará o leitor pra um final de cair os queixos.

Esse thriller psicológico vai nos colocar em frente de assuntos familiares praticamente esquecidos nas hodiernas famílias e demonstrar como as influências dos pais originam filhos problemáticos. O autor também irá questionar quando o amor se torna insanidade.

A escrita de Herman é muito bem construtiva. Ele vai mostrando ao leitor a doentia personalidade dos seus personagens de forma bem gradativa. Uns podem gostar e outros não, uma vez que isso torne a leitura um pouco cansativa. Entretando, insistir na história valerá muito a pena, porque possui um desfecho bem assustador.

Apesar de não ter atingidos minhas expectativas, O Jantar é um livro muito recomendável. Para quem gosta de Thrillers Psicológicos, esta obra pode ser bem agradável.
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Michael 25/08/2015

É bom.
Achei desnecessário umas 30 páginas. O tipo de escrita do autor não é veloz. Há muitos detalhes sobre comidas e detalhamentos desnecessários. A história é boa, te toma a atenção vai ficando cada vez mais intensa. Se fosse um livro mais fino (sem tanto detalhamento) seria melhor. Para o MEU gosto, não recebeu 5 estrelas porque poderia ser mais direto ao ponto, mas a história e bem realística, atual e bem escrita.
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Maria M 22/07/2015

O suspense que virou cansaço.
Quando a Intrínseca começou a divulgação do lançamento, criei uma expectativa enorme pela singularidade que o autor apresentava os personagens: à mesa de jantar e dois casais discutindo sobre seus filhos. Ao início da leitura fiquei vidrada pelo livro, porém a partir do meio, tive a leve impressão de que a narrativa foi permanecendo arrastada e não deixando o leitor curioso, mas, sim, cansado da história.
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Angelica 03/05/2015

não tem como não se incomodar com esse Jantar
terminei o polêmico "O Jantar", me incomodou muito, senti raiva de todos os personagens - mas será que não é isso mesmo que o autor queria? - ao mesmo tempo esperava ansiosa pra ler as atitudes tomadas por cada um deles, só pra ficar cada vez mais embasbacada... gostei de saber alguns detalhes sobre a Holanda que eu jamais imaginaria (no fundo somos todos tão parecidos...)
se você quiser sentir incômodo, principalmente você que tem filhos, leia... Caso contrário , passe longe, é uma leitura difícil e por vezes arrastada ...
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Carol 20/03/2015

Um final que vale a leitura
Comecei a leitura com muita expectativa, a capa e a sinopse são interessantes e me deixaram ansiosa para conhecer melhor a história.

Entretanto tive que ser muito paciente... até a metade achei o livro bem chato e parado, apesar de ser uma parte importante onde os personagens são apresentados, senti que o autor não soube segurar um enredo interessante junto a isso, nem mesmo o mistério que envolve o motivo do jantar segura a atenção.

Mas do meio para o final do livro, o contexto dos acontecimentos começa a ficar mais claro e a leitura conseguiu me prender, há uma parte muito humana e real nos fatos narrados que me fizeram questionar, mas também compreender as decisões dos personagens.

Para os que querem ler: sim, vale a pena, sejam pacientes com o começo.
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Dani 23/01/2015

Me surpreendeu de uma certa forma.
Fiquei achando que a história tomaria um rumo e acabou tomando outra.
Na maioria das vezes isso é bom, ainda não tenho certeza absoluta se gostei desse rumo, pareço gostar mais do que estava na minha cabeça...rs
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Laura Brand 13/10/2014

Os livros da Intrínseca me fazem sair da minha zona de conforto. As histórias são diferentes e únicas e sempre me fazem questionar alguma coisa. O Jantar foi uma leitura um tanto quanto complexa e difícil de ser explicada.
Tenho que ser honesta e dizer que o livro O Jantar foi difícil de ler. Por vários motivos.
A ideia de que um livro inteiro seria escrito com base num intervalo de mais ou menos duas horas, é nova para mim. Estou acostumada a ler livros que se baseiam em dias, semanas e até mesmo anos. O livro ganhou pontos comigo por causa disso, pra mim foi uma inovação.
A história é dividida em cinco partes: Aperitivos, Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Digestivo. É narrada por Paul Lohman, marido de Claire. O jantar é um encontro entre os dois e o irmão de Paul, Serge, e sua esposa Babette. Eles se encontram em um restaurante caro Paul passa alguns bons parágrafos dissertando a respeito dos preços exorbitantes do lugar escolhido pelo irmão e chamam atenção por causa de Serge. Ele é um político conhecido e candidato praticamente já eleito. Assim que Babette entra com os olhos levemente inchados como quem chorou recentemente, Paul percebe que não será uma noite fácil.
A narrativa se baseia em narrações sobre banalidades. É uma narrativa extremamente detalhada; Paul faz reflexões que vão desde o dedo mindinho do gerente apontando e explicando cada prato do cardápio até seus pensamentos sobre questões culturais da Holanda. É preciso muita atenção durante a leitura uma vez que Paul cita acontecimentos de meses ou anos atrás para justificar algum pensamento que lhe veio à mente. A princípio, achava que essas lembranças não seriam tão relevantes ao final da narrativa, mas são. Mesmo a leitura se arrastando bastante nessas momentos, é preciso estar atento aos detalhes. Paul, que no começo passa a impressão de ser o mais pé no chão de todos ali à mesa, ao longo da leitura revela lembranças duras e surpreendentes a respeito de ações passadas.
O encontro gira em torno de um problema envolvendo os filhos adolescentes dos casais. À mesa, não estão os pratos, está o destino de seus filhos e o futuro político de Serge. Por isso, cada um tem uma opinião diferente sobre o que fazer a respeito do escândalo que possuem em mãos. De acordo com Paul, a família dos irmãos sempre tentou fazer tudo parecer perfeito, como se fossem as pessoas mais felizes do mundo, e isso fica claro durante as tentativas de decidir o problema.
O Jantar ganhou pontos por fazer o leitor entrar na mente de Paul. É um thriller completamente psicológico, me fez lembrar um pouco de A Mulher Silenciosa por conta da profundidade dos pensamentos envolvidos. No começo, o leitor pensa que está perfeitamente ciente dos rumos da história, mas Paul começa a se revelar e, de repente, você se vê perdido em pensamentos um tanto quanto obscuros e realistas. Esse é outro ponto forte do livro; tudo o que acontece na narrativa é perfeitamente plausível de acontecer na realidade. O livro me fez perguntar constantemente o que eu faria se estivesse naquela situação. Entra em xeque questões de certo x errado. Você se pergunta o que faria se estivesse na pele de um dos meninos ou de um dos pais.
Algumas coisas ficam claras a respeito da personalidade dos personagens: busca da perfeição; isso é percebido desde a escolha do restaurante até a tentativa de não mostrar lágrimas secas e cobrir os olhos inchados. Egoísmo; essa é, talvez, a questão mais importante do livro uma vez que o grande dilema gira em torno de fazer o que é certo ou proteger a si mesmo. Aspecto calculista; tanto Paul quanto Claire se mostram extremamente inteligentes, frios e controlados. Suas decisões são tomadas apenas após certa meditação e pensamento crítico a respeito.
O Jantar é um livro um tanto quanto perturbador do ponto de vista psicológico. Ao ser apresentado ao o interior da mente de Paul, questionamentos éticos a respeito da influência dos pais vêm à mente. É um livro capaz de te fazer repensar algumas coisas e te enfurecer a respeito de outras. Faz o leitor pensar em quanta coisa ele não seria capaz de jogar para debaixo do tapete como fazem os personagens e faz refletir sobre a influência do comportamento dos pais na criação dos filhos.
A escrita do autor não é complicada, é fácil de ser lida e bem detalhada. O que fez o livro perder alguns pontos comigo foram as banalidades. Elas são importantes sim para o enredo como um todo, mas nesse caso fizeram com que a narrativa não ficasse tão envolvente assim. Li muitos comentários positivos a respeito da narrativa e da história e várias classificações 5/5. Gosto de histórias um pouco mais objetivas, daquelas que vão direto ao ponto ou que, se preciso for, detalhem bastante mas que te prendam de forma irrefutável. Isso não aconteceu comigo. Minha classificação é completamente subjetiva nesse caso.
O Jantar é uma indicação imediata para quem adora thrillers psicológicos. Se fosse meu estilo de livro, com certeza absoluta ganharia cinco estrelas, porque o livro é extremamente inteligente do ponto de vista psicológico. Mas, se você não for tão fã, vale a pena ler com ressalvas, com calma. Apesar de tudo, o livro com certeza vai deixar alguns questionamentos na sua mente. Deixou em mim.


site: http://nostalgiacinza.blogspot.com.br/
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Nana 05/06/2014

Sensacional!!!
Bem escrito, original e inteligente. Um livro que mexe com os sentimentos do leitor, fazendo você sentir raiva, sede de justiça e um desconforto que eu, particularmente, adoro sentir quando leio.
O enredo te faz pensar na importância do papel dos pais na educação dos filhos e o quanto a proteção exagerada pode prejudicá-los.
Eu não costumo gostar de livros que tem cenas muito detalhadas, mas neste caso, os detalhes descritos são tão bons e envolventes, que me senti uma convidada deste jantar e vou guardar na minha memória o dedinho do gerente em cada prato servido...rsrs (quem leu vai entender o que estou dizendo).
O final não foi o que eu gostaria, mas foi surpreendente e totalmente dentro da realidade Muito bom mesmo!!!
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Gvn 14/05/2014

GAROTASQUEDIZEMLI.BLOGSPOT.COM
Paul é casado com Claire. Seu irmão, Serge, com Babette. Os quatro marcam um jantar em um restaurante da moda, com preços exorbitantes e pratos sofisticados. Toda essa pompa, no entanto, não é capaz de encobrir o verdadeiro motivo pelo qual os casais estão ali: seus filhos, Michel e Rick, cometeram, juntos, um crime violento. E agora cabe aos adultos limpar a bagunça da melhor forma possível.

Além do interesse em proteger seus filhos, há mais envolvido: a reputação de Serge, candidato ao cargo de primeiro ministro, com grandes chances de ganhar a votação – caso o escândalo não vaze, é claro. No entanto, as opiniões dos casais divergem quando o assunto é o que fazer com a informação que possuem. E os quatro brigarão com unhas e dentes para defender seu ponto de vista, levando a discussão até as últimas consequências.

Dividindo o livro em cinco partes: Aperitivo, Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Digestivo, o narrador, Paul, intercala relatos sobre o que está ocorrendo na mesa do jantar, com os acontecimentos que os levaram até ali. A partir dessas descrições, é possível conhecer mais a fundo cada um dos personagens, que são muito mais complexos do que aparentam. Somos apresentados ao atrito que há entre Paul e Serge, e que só os distanciou ao longo dos anos. Além disso, através dos episódios anteriores narrados, descobrimos os "podres" da família e a ânsia em aparentar sempre perfeição e felicidade, mesmo que tudo esteja desmoronando. Essa característica fica ainda mais clara ao longo da história, e chega ao ápice no final.

O Jantar é um livro surpreendente e arrebatador. Minha única ressalva – que me fez dar quatro estrelas, ao invés de cinco, na classificação – é a forma como a narração se arrasta em alguns momentos, especialmente nos relatos de eventos passados. É verdade que esses momentos são muito importantes no enredo, mas confesso que senti uma certa agonia, causada pela curiosidade, pois queria voltar logo ao "palco" da história: a mesa de jantar.

No mais, se trata de uma história que te acompanhará mesmo depois de você virar a última página. Uma leitura muito recomendada!

site: garotasquedizemli.blogspot.com
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jota 20/04/2014

Famílias felizes...
Durante a leitura de O Jantar naturalmente fui me lembrando do livro de William Landay, Em Defesa de Jacob, que li recentemente. Há muitos pontos em comum entre a história contada por Landay e a do holandês Herman Kock, até demais. Mas se dei 5 estrelas para a o livro do americano, o de Kock mereceria 6 ou mais.

Ambas são obras tensas, muito bem escritas, que versam sobre o que as pessoas são capazes de fazer para proteger aqueles a quem amam, especialmente quando se trata de pais e filhos, de uma família. E logo nas primeiras páginas de O Jantar vem aquela famosa frase de Tolstoi, da abertura de Anna Karenina: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”, que tem muito a ver a história de Kock.

O que o holandês faz com maestria, penso, é subverter completamente a citação do russo (ou a primeira parte dela), através da história desse jantar. Ou melhor, da história de Paul Lohman, o narrador, um ex-professor de História, de sua mulher, Claire, e do filho Michel. O filho não participa do jantar, que tem ainda como comensais Serge, irmão de Paul, e a esposa dele, Babette.

Muita coisa se fala e se discute à mesa: a ideia do encontro foi de Serge, que tem algo grave para revelar ao irmão e à cunhada. Depois de muita conversa ficamos sabendo que os filhos deles possivelmente estejam envolvidos num crime que chocou os holandeses recentemente. Serge quer resolver esse assunto logo, o que vai significar uma brusca mudança em seu plano de vida. E necessariamente nos dos demais protagonistas.

O cenário principal do encontro é um caríssimo restaurante em Amsterdam e o jantar parece interminável, mas contamos com recuos e avanços no tempo proporcionados pela narrativa de Paul e indispensáveis para que as coisas aos poucos comecem a fazer sentido ou se tornem mais claras. Mas antes que tudo venha à tona, Paul nos guia pelos caminhos e descaminhos de sua narrativa incomum: as surpresas e descobertas vão ser muitas para o leitor.

É impossível não se render aos seus comentários espirituosos - ou maldosos - sobre restaurantes caros e seus funcionários, políticos, professores, alunos, diretores de escolas, comportamento dos holandeses no exterior, etc. Ficamos sabendo que Serge é candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições e compreendemos que ele é exatamente um sujeito que se deu bem na vida, do tipo que Paul parece não invejar, mas odiar. Enfim, ele diagnostica no irmão todos os defeitos que acredita que as pessoas bem-sucedidas portam consigo.

O Jantar é um romance com suspense acentuadamente psicológico (e fazendo um trocadilho, também patológico), com vários fatos esclarecedores – e estarrecedores - servidos entre os aperitivos do início do jantar e os digestivos do final, que permitem perceber e avaliar o comportamento dos personagens principais. E já nas páginas finais, quando você entende completamente o que está acontecendo ou aconteceu, ainda tem mais uma revelação ou duas.

Então contar mais alguma coisa aqui seria entregar parte da história envolvente que o holandês Herman Kock criou com muito talento e inteligência, capaz de prender fortemente nossa atenção o tempo todo e fazer com que não queiramos largar o livro até que a última linha seja lida. Comigo foi assim.

Lido entre 18 e 20/04/2014.
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Aline T.K.M. 07/04/2014

Um livro totalmente psicológico, perturbador e que semeia a discórdia na mente do leitor.
Em evidência estão as aparências e a negação, tanto dos problemas familiares como também de qualquer coisa que ameace romper a redoma que envolve a imagem ilusória da família feliz. Assim é O Jantar, do holandês Herman Koch: um thriller psicológico dos mais sensacionais que tive o prazer de ler recentemente.

A ação se desenrola durante um jantar em um fino restaurante do qual participam os irmãos Paul (o narrador) e Serge Lohman, e suas respectivas esposas, Claire e Babette. Um incidente sério envolvendo Michel e Rick, os filhos adolescentes dos dois casais, deve ser discutido pelos pais naquela noite. Mas a tensão passa a predominar na mesa dos Lohman; gradativamente vem à superfície a seriedade do assunto relativo aos dois garotos, tema no qual a família hesita em tocar.

Narrando os fatos, Paul leva o leitor pela mão, a princípio por um caminho aparentemente claro, mas que adiante se revela tortuoso, formado por segredos e verdades distorcidas. O decorrer do jantar é intercalado com memórias do narrador, eventos passados relacionados à família, bem como os acontecimentos mais recentes envolvendo o filho e o sobrinho.

A trama é contada através da perspectiva de uma mente que não é exatamente como qualquer outra, e a isso é condicionada a integridade dos fatos e dos demais personagens. Este é, absolutamente, o aspecto mais interessante do livro. A partir do momento em que o leitor começa a sacar melhor o narrador, é inevitável questionar e formular pequenas teorias a respeito de seus atos e das críticas que ele tece principalmente ao irmão.

O egoísmo é sentimento recorrente na trama; com o pretexto de proteger o próximo, busca-se proteger a si mesmo, mantendo intactas as próprias ilusões e a zona de conforto moral. Não há certo nem errado; apenas assistimos às medidas que vão sendo tomadas e suas possíveis consequências em relação aos atos cometidos pelos dois jovens.

Teriam os garotos sofrido alguma influência da educação parental? Haveria mesmo um motivo para isentar esses pais de qualquer responsabilidade? Ou ainda, até que ponto pode-se chegar para proteger um filho?

O Jantar perturba ao jogar com o psicológico, com valores morais e até com a questão da impunidade. Um jogo perigoso e tão complexo quanto a própria essência do ser humano.

LEIA PORQUE...
Um livro totalmente psicológico, perturbador e que semeia a discórdia na mente do leitor.

DA EXPERIÊNCIA...
Gosto de encontrar o dúbio, de me ver perante histórias que me fazem repensar conceitos e me perguntar o que eu faria em tal e tal situação. O Jantar tem isso e mais um pouco. Leitura excelente.

FEZ PENSAR EM...
Folhas Caídas (de Thomas H. Cook) que, apesar de ser um suspense policial, também traz a questão dos problemas familiares velados, das máscaras usadas no cotidiano, da ilusão de felicidade, e questiona até que ponto se conhecem verdadeiramente ou não as pessoas que vivem em um mesmo lar.


site: http://livrolab.blogspot.com
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Aline Gomes 24/03/2014

Fascinante
O Jantar é contado pelo ponto de vista de Paul - irmão de Serge que esta se candidatando para ser primeiro-ministro da Holanda-. Um dia Serge chama Paul e sua mulher para um jantar para decidir o futuro deles e de seus filhos que cometeram um grave crime. Mas o que será que irá acontecer nesse jantar? O que será que esses meninos fizeram de tão grave para colocar seus futuros em risco?

Bom quando eu li o titulo e vi a proposta do livro fiquei muito curiosa - pensei: como um livro INTEIRO irá se passar em um jantar-, quando comecei a ler entendi a sacada do autor. Ele usou situações ocorridas em pleno o jantar para relembrar outras histórias - relacionadas- que ocorreu nas vidas dos protagonistas.

O que eu achei de mais interessante é que o autor nos faz pensar, e nos faz refletir com a sua escrita. Ele faz isso meio que deixando perguntas no ar, que depois de algumas paginas são resolvidas - mas até lá, você já roeu todas as unhas das mãos e dos pés kk -, muito interessante também são as comparações que o autor faz com as situações do jantar, são comparações muito inesperadas mas que faz todo sentido -adorei-.

Outro ponto deste livro é que ele trata de assuntos bem polêmicos, como, racismo, submissão da mulher, e até mesmo o que seres humanos são capazes de fazer por causa de uma doença ou pelo simples sentimento chamado amor.

A situação criada pelos meninos é bem complicada, mas conseguimos ver por vários pontos de vista, pois cada personagem pensa de uma maneira, além de você ficar instigado a pensar o que você faria no lugar deles, na hora de tomar uma decisão tão difícil.

O mais legal é que você não fica pensando no final - por que em cada pagina tem algo diferente para nós pensarmos-, e quando ele finalmente chega, flui tão naturalmente que você nem percebe que o livro está acabando - isso não quer dizer que ficou coisas sem um desfecho ou que o final foi fraco, ao contrário como você não fica ali massacrando as páginas para chegar a ultima, quando chega se torna muito surpreendente-.

Indico muuuito este livro, pois foi uma descoberta para mim - mesmo- tenho certeza de quem se identificou e ficou curioso com a história vai amar-.

site: http://palaceofbook.blogspot.com.br/
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