O Jantar

Herman Koch



Resenhas - O Jantar


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Laura Brand 13/10/2014

Os livros da Intrínseca me fazem sair da minha zona de conforto. As histórias são diferentes e únicas e sempre me fazem questionar alguma coisa. O Jantar foi uma leitura um tanto quanto complexa e difícil de ser explicada.
Tenho que ser honesta e dizer que o livro O Jantar foi difícil de ler. Por vários motivos.
A ideia de que um livro inteiro seria escrito com base num intervalo de mais ou menos duas horas, é nova para mim. Estou acostumada a ler livros que se baseiam em dias, semanas e até mesmo anos. O livro ganhou pontos comigo por causa disso, pra mim foi uma inovação.
A história é dividida em cinco partes: Aperitivos, Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Digestivo. É narrada por Paul Lohman, marido de Claire. O jantar é um encontro entre os dois e o irmão de Paul, Serge, e sua esposa Babette. Eles se encontram em um restaurante caro Paul passa alguns bons parágrafos dissertando a respeito dos preços exorbitantes do lugar escolhido pelo irmão e chamam atenção por causa de Serge. Ele é um político conhecido e candidato praticamente já eleito. Assim que Babette entra com os olhos levemente inchados como quem chorou recentemente, Paul percebe que não será uma noite fácil.
A narrativa se baseia em narrações sobre banalidades. É uma narrativa extremamente detalhada; Paul faz reflexões que vão desde o dedo mindinho do gerente apontando e explicando cada prato do cardápio até seus pensamentos sobre questões culturais da Holanda. É preciso muita atenção durante a leitura uma vez que Paul cita acontecimentos de meses ou anos atrás para justificar algum pensamento que lhe veio à mente. A princípio, achava que essas lembranças não seriam tão relevantes ao final da narrativa, mas são. Mesmo a leitura se arrastando bastante nessas momentos, é preciso estar atento aos detalhes. Paul, que no começo passa a impressão de ser o mais pé no chão de todos ali à mesa, ao longo da leitura revela lembranças duras e surpreendentes a respeito de ações passadas.
O encontro gira em torno de um problema envolvendo os filhos adolescentes dos casais. À mesa, não estão os pratos, está o destino de seus filhos e o futuro político de Serge. Por isso, cada um tem uma opinião diferente sobre o que fazer a respeito do escândalo que possuem em mãos. De acordo com Paul, a família dos irmãos sempre tentou fazer tudo parecer perfeito, como se fossem as pessoas mais felizes do mundo, e isso fica claro durante as tentativas de decidir o problema.
O Jantar ganhou pontos por fazer o leitor entrar na mente de Paul. É um thriller completamente psicológico, me fez lembrar um pouco de A Mulher Silenciosa por conta da profundidade dos pensamentos envolvidos. No começo, o leitor pensa que está perfeitamente ciente dos rumos da história, mas Paul começa a se revelar e, de repente, você se vê perdido em pensamentos um tanto quanto obscuros e realistas. Esse é outro ponto forte do livro; tudo o que acontece na narrativa é perfeitamente plausível de acontecer na realidade. O livro me fez perguntar constantemente o que eu faria se estivesse naquela situação. Entra em xeque questões de certo x errado. Você se pergunta o que faria se estivesse na pele de um dos meninos ou de um dos pais.
Algumas coisas ficam claras a respeito da personalidade dos personagens: busca da perfeição; isso é percebido desde a escolha do restaurante até a tentativa de não mostrar lágrimas secas e cobrir os olhos inchados. Egoísmo; essa é, talvez, a questão mais importante do livro uma vez que o grande dilema gira em torno de fazer o que é certo ou proteger a si mesmo. Aspecto calculista; tanto Paul quanto Claire se mostram extremamente inteligentes, frios e controlados. Suas decisões são tomadas apenas após certa meditação e pensamento crítico a respeito.
O Jantar é um livro um tanto quanto perturbador do ponto de vista psicológico. Ao ser apresentado ao o interior da mente de Paul, questionamentos éticos a respeito da influência dos pais vêm à mente. É um livro capaz de te fazer repensar algumas coisas e te enfurecer a respeito de outras. Faz o leitor pensar em quanta coisa ele não seria capaz de jogar para debaixo do tapete como fazem os personagens e faz refletir sobre a influência do comportamento dos pais na criação dos filhos.
A escrita do autor não é complicada, é fácil de ser lida e bem detalhada. O que fez o livro perder alguns pontos comigo foram as banalidades. Elas são importantes sim para o enredo como um todo, mas nesse caso fizeram com que a narrativa não ficasse tão envolvente assim. Li muitos comentários positivos a respeito da narrativa e da história e várias classificações 5/5. Gosto de histórias um pouco mais objetivas, daquelas que vão direto ao ponto ou que, se preciso for, detalhem bastante mas que te prendam de forma irrefutável. Isso não aconteceu comigo. Minha classificação é completamente subjetiva nesse caso.
O Jantar é uma indicação imediata para quem adora thrillers psicológicos. Se fosse meu estilo de livro, com certeza absoluta ganharia cinco estrelas, porque o livro é extremamente inteligente do ponto de vista psicológico. Mas, se você não for tão fã, vale a pena ler com ressalvas, com calma. Apesar de tudo, o livro com certeza vai deixar alguns questionamentos na sua mente. Deixou em mim.


site: http://nostalgiacinza.blogspot.com.br/
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Nana 05/06/2014

Sensacional!!!
Bem escrito, original e inteligente. Um livro que mexe com os sentimentos do leitor, fazendo você sentir raiva, sede de justiça e um desconforto que eu, particularmente, adoro sentir quando leio.
O enredo te faz pensar na importância do papel dos pais na educação dos filhos e o quanto a proteção exagerada pode prejudicá-los.
Eu não costumo gostar de livros que tem cenas muito detalhadas, mas neste caso, os detalhes descritos são tão bons e envolventes, que me senti uma convidada deste jantar e vou guardar na minha memória o dedinho do gerente em cada prato servido...rsrs (quem leu vai entender o que estou dizendo).
O final não foi o que eu gostaria, mas foi surpreendente e totalmente dentro da realidade Muito bom mesmo!!!
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Gvn 14/05/2014

GAROTASQUEDIZEMLI.BLOGSPOT.COM
Paul é casado com Claire. Seu irmão, Serge, com Babette. Os quatro marcam um jantar em um restaurante da moda, com preços exorbitantes e pratos sofisticados. Toda essa pompa, no entanto, não é capaz de encobrir o verdadeiro motivo pelo qual os casais estão ali: seus filhos, Michel e Rick, cometeram, juntos, um crime violento. E agora cabe aos adultos limpar a bagunça da melhor forma possível.

Além do interesse em proteger seus filhos, há mais envolvido: a reputação de Serge, candidato ao cargo de primeiro ministro, com grandes chances de ganhar a votação – caso o escândalo não vaze, é claro. No entanto, as opiniões dos casais divergem quando o assunto é o que fazer com a informação que possuem. E os quatro brigarão com unhas e dentes para defender seu ponto de vista, levando a discussão até as últimas consequências.

Dividindo o livro em cinco partes: Aperitivo, Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Digestivo, o narrador, Paul, intercala relatos sobre o que está ocorrendo na mesa do jantar, com os acontecimentos que os levaram até ali. A partir dessas descrições, é possível conhecer mais a fundo cada um dos personagens, que são muito mais complexos do que aparentam. Somos apresentados ao atrito que há entre Paul e Serge, e que só os distanciou ao longo dos anos. Além disso, através dos episódios anteriores narrados, descobrimos os "podres" da família e a ânsia em aparentar sempre perfeição e felicidade, mesmo que tudo esteja desmoronando. Essa característica fica ainda mais clara ao longo da história, e chega ao ápice no final.

O Jantar é um livro surpreendente e arrebatador. Minha única ressalva – que me fez dar quatro estrelas, ao invés de cinco, na classificação – é a forma como a narração se arrasta em alguns momentos, especialmente nos relatos de eventos passados. É verdade que esses momentos são muito importantes no enredo, mas confesso que senti uma certa agonia, causada pela curiosidade, pois queria voltar logo ao "palco" da história: a mesa de jantar.

No mais, se trata de uma história que te acompanhará mesmo depois de você virar a última página. Uma leitura muito recomendada!

site: garotasquedizemli.blogspot.com
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jota 20/04/2014

Famílias felizes...
Durante a leitura de O Jantar naturalmente fui me lembrando do livro de William Landay, Em Defesa de Jacob, que li recentemente. Há muitos pontos em comum entre a história contada por Landay e a do holandês Herman Kock, até demais. Mas se dei 5 estrelas para a o livro do americano, o de Kock mereceria 6 ou mais.

Ambas são obras tensas, muito bem escritas, que versam sobre o que as pessoas são capazes de fazer para proteger aqueles a quem amam, especialmente quando se trata de pais e filhos, de uma família. E logo nas primeiras páginas de O Jantar vem aquela famosa frase de Tolstoi, da abertura de Anna Karenina: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”, que tem muito a ver a história de Kock.

O que o holandês faz com maestria, penso, é subverter completamente a citação do russo (ou a primeira parte dela), através da história desse jantar. Ou melhor, da história de Paul Lohman, o narrador, um ex-professor de História, de sua mulher, Claire, e do filho Michel. O filho não participa do jantar, que tem ainda como comensais Serge, irmão de Paul, e a esposa dele, Babette.

Muita coisa se fala e se discute à mesa: a ideia do encontro foi de Serge, que tem algo grave para revelar ao irmão e à cunhada. Depois de muita conversa ficamos sabendo que os filhos deles possivelmente estejam envolvidos num crime que chocou os holandeses recentemente. Serge quer resolver esse assunto logo, o que vai significar uma brusca mudança em seu plano de vida. E necessariamente nos dos demais protagonistas.

O cenário principal do encontro é um caríssimo restaurante em Amsterdam e o jantar parece interminável, mas contamos com recuos e avanços no tempo proporcionados pela narrativa de Paul e indispensáveis para que as coisas aos poucos comecem a fazer sentido ou se tornem mais claras. Mas antes que tudo venha à tona, Paul nos guia pelos caminhos e descaminhos de sua narrativa incomum: as surpresas e descobertas vão ser muitas para o leitor.

É impossível não se render aos seus comentários espirituosos - ou maldosos - sobre restaurantes caros e seus funcionários, políticos, professores, alunos, diretores de escolas, comportamento dos holandeses no exterior, etc. Ficamos sabendo que Serge é candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições e compreendemos que ele é exatamente um sujeito que se deu bem na vida, do tipo que Paul parece não invejar, mas odiar. Enfim, ele diagnostica no irmão todos os defeitos que acredita que as pessoas bem-sucedidas portam consigo.

O Jantar é um romance com suspense acentuadamente psicológico (e fazendo um trocadilho, também patológico), com vários fatos esclarecedores – e estarrecedores - servidos entre os aperitivos do início do jantar e os digestivos do final, que permitem perceber e avaliar o comportamento dos personagens principais. E já nas páginas finais, quando você entende completamente o que está acontecendo ou aconteceu, ainda tem mais uma revelação ou duas.

Então contar mais alguma coisa aqui seria entregar parte da história envolvente que o holandês Herman Kock criou com muito talento e inteligência, capaz de prender fortemente nossa atenção o tempo todo e fazer com que não queiramos largar o livro até que a última linha seja lida. Comigo foi assim.

Lido entre 18 e 20/04/2014.
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Aline T.K.M. 07/04/2014

Um livro totalmente psicológico, perturbador e que semeia a discórdia na mente do leitor.
Em evidência estão as aparências e a negação, tanto dos problemas familiares como também de qualquer coisa que ameace romper a redoma que envolve a imagem ilusória da família feliz. Assim é O Jantar, do holandês Herman Koch: um thriller psicológico dos mais sensacionais que tive o prazer de ler recentemente.

A ação se desenrola durante um jantar em um fino restaurante do qual participam os irmãos Paul (o narrador) e Serge Lohman, e suas respectivas esposas, Claire e Babette. Um incidente sério envolvendo Michel e Rick, os filhos adolescentes dos dois casais, deve ser discutido pelos pais naquela noite. Mas a tensão passa a predominar na mesa dos Lohman; gradativamente vem à superfície a seriedade do assunto relativo aos dois garotos, tema no qual a família hesita em tocar.

Narrando os fatos, Paul leva o leitor pela mão, a princípio por um caminho aparentemente claro, mas que adiante se revela tortuoso, formado por segredos e verdades distorcidas. O decorrer do jantar é intercalado com memórias do narrador, eventos passados relacionados à família, bem como os acontecimentos mais recentes envolvendo o filho e o sobrinho.

A trama é contada através da perspectiva de uma mente que não é exatamente como qualquer outra, e a isso é condicionada a integridade dos fatos e dos demais personagens. Este é, absolutamente, o aspecto mais interessante do livro. A partir do momento em que o leitor começa a sacar melhor o narrador, é inevitável questionar e formular pequenas teorias a respeito de seus atos e das críticas que ele tece principalmente ao irmão.

O egoísmo é sentimento recorrente na trama; com o pretexto de proteger o próximo, busca-se proteger a si mesmo, mantendo intactas as próprias ilusões e a zona de conforto moral. Não há certo nem errado; apenas assistimos às medidas que vão sendo tomadas e suas possíveis consequências em relação aos atos cometidos pelos dois jovens.

Teriam os garotos sofrido alguma influência da educação parental? Haveria mesmo um motivo para isentar esses pais de qualquer responsabilidade? Ou ainda, até que ponto pode-se chegar para proteger um filho?

O Jantar perturba ao jogar com o psicológico, com valores morais e até com a questão da impunidade. Um jogo perigoso e tão complexo quanto a própria essência do ser humano.

LEIA PORQUE...
Um livro totalmente psicológico, perturbador e que semeia a discórdia na mente do leitor.

DA EXPERIÊNCIA...
Gosto de encontrar o dúbio, de me ver perante histórias que me fazem repensar conceitos e me perguntar o que eu faria em tal e tal situação. O Jantar tem isso e mais um pouco. Leitura excelente.

FEZ PENSAR EM...
Folhas Caídas (de Thomas H. Cook) que, apesar de ser um suspense policial, também traz a questão dos problemas familiares velados, das máscaras usadas no cotidiano, da ilusão de felicidade, e questiona até que ponto se conhecem verdadeiramente ou não as pessoas que vivem em um mesmo lar.


site: http://livrolab.blogspot.com
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Aline Gomes 24/03/2014

Fascinante
O Jantar é contado pelo ponto de vista de Paul - irmão de Serge que esta se candidatando para ser primeiro-ministro da Holanda-. Um dia Serge chama Paul e sua mulher para um jantar para decidir o futuro deles e de seus filhos que cometeram um grave crime. Mas o que será que irá acontecer nesse jantar? O que será que esses meninos fizeram de tão grave para colocar seus futuros em risco?

Bom quando eu li o titulo e vi a proposta do livro fiquei muito curiosa - pensei: como um livro INTEIRO irá se passar em um jantar-, quando comecei a ler entendi a sacada do autor. Ele usou situações ocorridas em pleno o jantar para relembrar outras histórias - relacionadas- que ocorreu nas vidas dos protagonistas.

O que eu achei de mais interessante é que o autor nos faz pensar, e nos faz refletir com a sua escrita. Ele faz isso meio que deixando perguntas no ar, que depois de algumas paginas são resolvidas - mas até lá, você já roeu todas as unhas das mãos e dos pés kk -, muito interessante também são as comparações que o autor faz com as situações do jantar, são comparações muito inesperadas mas que faz todo sentido -adorei-.

Outro ponto deste livro é que ele trata de assuntos bem polêmicos, como, racismo, submissão da mulher, e até mesmo o que seres humanos são capazes de fazer por causa de uma doença ou pelo simples sentimento chamado amor.

A situação criada pelos meninos é bem complicada, mas conseguimos ver por vários pontos de vista, pois cada personagem pensa de uma maneira, além de você ficar instigado a pensar o que você faria no lugar deles, na hora de tomar uma decisão tão difícil.

O mais legal é que você não fica pensando no final - por que em cada pagina tem algo diferente para nós pensarmos-, e quando ele finalmente chega, flui tão naturalmente que você nem percebe que o livro está acabando - isso não quer dizer que ficou coisas sem um desfecho ou que o final foi fraco, ao contrário como você não fica ali massacrando as páginas para chegar a ultima, quando chega se torna muito surpreendente-.

Indico muuuito este livro, pois foi uma descoberta para mim - mesmo- tenho certeza de quem se identificou e ficou curioso com a história vai amar-.

site: http://palaceofbook.blogspot.com.br/
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Fernanda Turino 21/03/2014

Para entrar na história
Não dá para falar muito sobre o enredo do livro sem soltar spoilers, mas basicamente a história é sobre o encontro de dois irmãos e suas respectivas esposas em um jantar em um restaurante chique para discutir um acontecimento envolvendo seus filhos adolescentes.E o que os garotos fizeram é pesado.
Os personagens são bem construídos e também bem desconstruídos, ao longo do livro você vai conhecendo bem cada um deles e vendo que são bem diferentes do que mostrado inicialmente. Uns querendo se safar (e safar os seus queridos) a qualquer custo, sem nem ao menos ponderar as suas ações e opiniões.
Do meio para o final, já estava com raiva, querendo entrar na discussão, brigar e dar a minha opinião! Fiquei estressada com aqueles personagens como se eles fossem pessoas reais (podem até ser, não duvido que muitas pessoas não pensem daquele jeito).
E esse, acho que seja o grande mérito do livro, nos incluir tanto na história. Não dá pra não se envolver. Mais um livro que entra pra lista dos que eu indico.

site: http://naoseiandardesalto.blogspot.com.br/2014/03/eu-li-o-jantar.html
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João Lourenço 17/03/2014

Menu Degustação
Entrevistei o autor. O resultado pode ser conferido no blog da intrínseca.




site: http://www.intrinseca.com.br/site/2014/03/menu-degustacao/
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Felipe 24/02/2014

Não vou me prender aqui a narrar a trama do romance, você que está lendo este texto provavelmente já sabe o principal acerca disso, na verdade é difícil fazer uma resenha sem revelar detalhes cruciais do plot, pra mim a sensação mais marcante foi a de desconstrução dos personagens (especialmente do narrador): no desdobramento do enredo estes revelam aspectos nenhum pouco agradáveis de suas personas, deixando o leitor com um gosto amargo na boca, mas a despeito disso, cada vez mais interessado no desfecho da trama. A discussão principal gira em torno da dobradinha crime/castigo, porém não conte com qualquer traço de pragmatismo, o bom-senso não é convidado: a única coisa que permeia essa discussão é o juízo de autoproteção dos personagens, que é de uma frieza impressionante uma vez que ultrapassa de longe qualquer preocupação com justiça. É um livro duro, que rejeita qualquer traço de “bom-mocismo” e mostra a facilidade com que se passa por cima de qualquer moral quando isso é de alguma forma conveniente.
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Nikolas 17/02/2014

"O Jantar" de Herman Koch
Quão longe você é capaz de proteger a sua família?

Finalmente vou tirar a poeira da categoria “Resenhas” e apresentar a vocês O Jantar de Herman Koch, um autor holandês, publicado pela editora intrínseca. Vamos lá.


O Jantar é um livro incomum, começando pela divisão de capítulos que representam as partes de um jantar mais requintado, Aperitivo, Entrada, Sobremesa e Digestivo. É um thriller que começa com dois casais, dois irmãos e suas respectivas mulheres. Paul e Claire; Serge e Babette. Eles precisavam colocar alguns pontos nos is. É sobre os filhos, são adolescentes. Dois irmãos, Beau e Rick, filhos de Serge e Babette e o filho de Paul e Claire que consequentemente é primo deles, o Michel. Ambos acometeram um crime que chocou Holanda inteiro nos dias interiores e á medida que o jantar se torna indigesto, mais o clima se torna, inquietavelmente tenso…

Esse livro me fez arrepiar. Admiro thrillers que tem o poder de te deixar tenso a cada capítulo que passa. Esse é um deles. Pra começar, o livro começa com a impressão de que Serge e Babette, são os inescrupulosos, pois, Serge é candidato à um cargo de primeiro-ministro, é simpático e ambicioso, Babette é a esposa-troféu, estilo Michelle Obama, encanta a cada passo dado e Paul, o narrador é de classe média alta, lecionou História e Claire, é a sua esposa inteligente e esperta. logo ficamos do lado dos protagonistas, mas não é assim que ocorre. Á medida que o livro vai recontando fatos do passado da família, você muda de opinião, bem no estilo Garota Exemplar. O final foi bem surpreendente, não imaginava mesmo aquilo, apesar de um jeito diferente, e logo no extremo fim, você fecha o livro arrepiado. Simples assim.

A narração, que é o do Paul, mesmo por ser primeira pessoa, reconta como se fosse terceira pessoa, é bem ágil e fluído, não há crueza, mas também não esconde nada, o começo, devo avisar, é bem entendiante e monótono assim como quase todos os jantares mais requintados são. Descrições e descrições de comida a la carte, elogios, exageros… Mesmo assim, se torna bem interessante.

É um excelente livro, me surpreendeu bastante, possui várias questões éticas e morais, é um thriller inteligente, tem várias mudanças de caráter, muitas reviravoltas e plot twists. Ótimo para fãs de thriller, como eu. Recomendo!

Avaliação: 5/5

Tradução: Alexandre Martins
Lançamento: 12-10-2013
Páginas: 256
Formato: 16 x 23cm
Gênero: Ficção
ISBN: 978-85-8057-418-0

site: http://culturalizing.wordpress.com/2014/02/17/o-jantar-herman-koch/
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Renata 06/02/2014

Indigesto - no bom sentido
Neste início de fevereiro assistimos horrorizados dois casos bárbaros na Zona Sul do Rio de Janeiro: um bando de jovens saiu à caça de homens homossexuais para espancá-los no Aterro do Flamengo e, no mesmo local, um rapaz de 15 anos foi acorrentado por "justiceiros" nu a um poste, acusado de tentativa de assalto. Ainda, na mesma semana, o jornal Extra noticiou que um outro adolescente, também pobre e também negro, foi quase linchado em um supermercado em Copacabana ao tentar roubar comida. Ele parecia drogado e gritava que estava com fome.

O que todos estes casos têm em comum é que, nos dois últimos, se tratam de pessoas com alto pode aquisitivo, escoladas, que resolvem fazer justiça com as próprias mãos investindo contra gente pobre e marginalizada, que por não reconhecerem como iguais, também não reconhecem como seres humanos - o que os leva a perder sua própria humanidade. O curioso é que o mesmo tratamento não é dispensado ao rapaz ou à moça de classe média alta, bem vestidos e educados que praticam furtos de supérfluos em lojas de departamento e supermercados ou que matam pedestres ao dirigirem bêbados, entre muitos outros crimes praticados pelas classes altas. A crueldade é dispensada ao pobre e, por extensão, ao negro. Já o primeiro demonstra a mesma lógica da agressão ao diferente, sendo praticado por jovens também de classe média, aqui motivados por homofobia. Mas o que isto tem a ver com O Jantar? Bem, sem entregar muito do livro, sabemos logo na quarta capa que dois jovens fizeram algo terrível e muito desta mentalidade de enxergar o diferente como o Outro - principalmente os marginalizados pela sociedade -, está presente para a justificativa de atitudes condenáveis e chocantes. Mas que fique claro: esta não é a posição de Herman Koch e sim de alguns de seus personagens; posição esta essencial para a consistência da trama.

Leia mais no Prosa Espontânea:

site: http://mardemarmore.blogspot.com.br/2014/02/o-jantar-herman-koch.html
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Claudia 18/01/2014

Impressionante como o autor consegue criar empatia entre o leitor e os personagens, para depois mostrar coisas estarrecedoras feitas pelos últimos! Hipocrisia, agressividade, e mais, são reveladas de forma que prende a atenção... tomara que publiquem mais livros do autor. Quando o livro mexe com quem lê, é que é bom! Pelo menos, eu gosto!....
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Felipe Seibert 14/01/2014

Muito bom.
Livros que possuem um cenário único e com poucos personagens, ganham minha atenção. Quando isso acontece, o escritor consegue descrever com maior detalhe e se aprofundar no que importa: o perfil de cada nome citado dentro da obra.

O fato de toda narrativa ocorrer baseado em um encontro em um restaurante, é só o ponto para fisgar o leitor. A mensagem e os problemas morais do livro é muito mais profundo e perturbador. Não ter um final feliz e mostrar a podridão que existe na sociedade e, pior ainda: imaginarmos que próximo a nós, em um restaurante do nosso bairro, podem estar sentados uma familia cheia de problemas, exercendo atitudes questionáveis, fizeram com que eu me grudasse no livro e fosse até o final.

Independente se a mensagem é boa ou ruim, se concordamos ou não (e quem leu o livro com certeza não aprova a atitude dos adolescentes, mas se questiona sobre a ação dos pais) não há dúvidas que esse livro é um belo entretenimento. E prova como tem gente doente no mundo.
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Jossi 08/01/2014

Um jantar indecente!
O livro é perturbador, principalmente a partir do "prato principal", quando as coisas todas são abertas e mostradas - ainda que parcialmente - ao leitor.

Quando se pensa que aquilo é tudo, que tudo o que sobrará na história é o desespero das famílias, há uma nova reviravolta na narrativa.

Veja bem, 'na narrativa', o que não significa que a história mudará de rumo a partir do momento presente. O que vai ocorrer é que o narrador Paul vai contar mais alguns segredos (cabeludos) sobre seu passado. Ele contará fatos sobre o que já passou, não sobre 'o que está acontecendo' e essas tais coisas vão trazer luz sobre o presente... A gente passa a entender tudo.

Por quê? Por que o filho de Paul teve aquela atitude? O mais assustador em toda a trama é a atitude daquelas famílias, aparentemente tão elegantes, educadas, corretas.

Tudo neles nos faz sentir nojo: Nojo de seus espíritos dissimulados, da sujeira por baixo do tapete, da maldade, crueldade, conivência.
Termine a resenha lendo no link abaixo.


site: http://romance-sobrenatural.blogspot.com.br/2014/01/herman-koch-o-jantar.html
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