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O Jantar

Herman Koch
Resenhas
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Laura Brand 13/10/2014

Os livros da Intrínseca me fazem sair da minha zona de conforto. As histórias são diferentes e únicas e sempre me fazem questionar alguma coisa. O Jantar foi uma leitura um tanto quanto complexa e difícil de ser explicada.
Tenho que ser honesta e dizer que o livro O Jantar foi difícil de ler. Por vários motivos.
A ideia de que um livro inteiro seria escrito com base num intervalo de mais ou menos duas horas, é nova para mim. Estou acostumada a ler livros que se baseiam em dias, semanas e até mesmo anos. O livro ganhou pontos comigo por causa disso, pra mim foi uma inovação.
A história é dividida em cinco partes: Aperitivos, Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Digestivo. É narrada por Paul Lohman, marido de Claire. O jantar é um encontro entre os dois e o irmão de Paul, Serge, e sua esposa Babette. Eles se encontram em um restaurante caro Paul passa alguns bons parágrafos dissertando a respeito dos preços exorbitantes do lugar escolhido pelo irmão e chamam atenção por causa de Serge. Ele é um político conhecido e candidato praticamente já eleito. Assim que Babette entra com os olhos levemente inchados como quem chorou recentemente, Paul percebe que não será uma noite fácil.
A narrativa se baseia em narrações sobre banalidades. É uma narrativa extremamente detalhada; Paul faz reflexões que vão desde o dedo mindinho do gerente apontando e explicando cada prato do cardápio até seus pensamentos sobre questões culturais da Holanda. É preciso muita atenção durante a leitura uma vez que Paul cita acontecimentos de meses ou anos atrás para justificar algum pensamento que lhe veio à mente. A princípio, achava que essas lembranças não seriam tão relevantes ao final da narrativa, mas são. Mesmo a leitura se arrastando bastante nessas momentos, é preciso estar atento aos detalhes. Paul, que no começo passa a impressão de ser o mais pé no chão de todos ali à mesa, ao longo da leitura revela lembranças duras e surpreendentes a respeito de ações passadas.
O encontro gira em torno de um problema envolvendo os filhos adolescentes dos casais. À mesa, não estão os pratos, está o destino de seus filhos e o futuro político de Serge. Por isso, cada um tem uma opinião diferente sobre o que fazer a respeito do escândalo que possuem em mãos. De acordo com Paul, a família dos irmãos sempre tentou fazer tudo parecer perfeito, como se fossem as pessoas mais felizes do mundo, e isso fica claro durante as tentativas de decidir o problema.
O Jantar ganhou pontos por fazer o leitor entrar na mente de Paul. É um thriller completamente psicológico, me fez lembrar um pouco de A Mulher Silenciosa por conta da profundidade dos pensamentos envolvidos. No começo, o leitor pensa que está perfeitamente ciente dos rumos da história, mas Paul começa a se revelar e, de repente, você se vê perdido em pensamentos um tanto quanto obscuros e realistas. Esse é outro ponto forte do livro; tudo o que acontece na narrativa é perfeitamente plausível de acontecer na realidade. O livro me fez perguntar constantemente o que eu faria se estivesse naquela situação. Entra em xeque questões de certo x errado. Você se pergunta o que faria se estivesse na pele de um dos meninos ou de um dos pais.
Algumas coisas ficam claras a respeito da personalidade dos personagens: busca da perfeição; isso é percebido desde a escolha do restaurante até a tentativa de não mostrar lágrimas secas e cobrir os olhos inchados. Egoísmo; essa é, talvez, a questão mais importante do livro uma vez que o grande dilema gira em torno de fazer o que é certo ou proteger a si mesmo. Aspecto calculista; tanto Paul quanto Claire se mostram extremamente inteligentes, frios e controlados. Suas decisões são tomadas apenas após certa meditação e pensamento crítico a respeito.
O Jantar é um livro um tanto quanto perturbador do ponto de vista psicológico. Ao ser apresentado ao o interior da mente de Paul, questionamentos éticos a respeito da influência dos pais vêm à mente. É um livro capaz de te fazer repensar algumas coisas e te enfurecer a respeito de outras. Faz o leitor pensar em quanta coisa ele não seria capaz de jogar para debaixo do tapete como fazem os personagens e faz refletir sobre a influência do comportamento dos pais na criação dos filhos.
A escrita do autor não é complicada, é fácil de ser lida e bem detalhada. O que fez o livro perder alguns pontos comigo foram as banalidades. Elas são importantes sim para o enredo como um todo, mas nesse caso fizeram com que a narrativa não ficasse tão envolvente assim. Li muitos comentários positivos a respeito da narrativa e da história e várias classificações 5/5. Gosto de histórias um pouco mais objetivas, daquelas que vão direto ao ponto ou que, se preciso for, detalhem bastante mas que te prendam de forma irrefutável. Isso não aconteceu comigo. Minha classificação é completamente subjetiva nesse caso.
O Jantar é uma indicação imediata para quem adora thrillers psicológicos. Se fosse meu estilo de livro, com certeza absoluta ganharia cinco estrelas, porque o livro é extremamente inteligente do ponto de vista psicológico. Mas, se você não for tão fã, vale a pena ler com ressalvas, com calma. Apesar de tudo, o livro com certeza vai deixar alguns questionamentos na sua mente. Deixou em mim.


site: http://nostalgiacinza.blogspot.com.br/
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Nana 05/06/2014

Sensacional!!!
Bem escrito, original e inteligente. Um livro que mexe com os sentimentos do leitor, fazendo você sentir raiva, sede de justiça e um desconforto que eu, particularmente, adoro sentir quando leio.
O enredo te faz pensar na importância do papel dos pais na educação dos filhos e o quanto a proteção exagerada pode prejudicá-los.
Eu não costumo gostar de livros que tem cenas muito detalhadas, mas neste caso, os detalhes descritos são tão bons e envolventes, que me senti uma convidada deste jantar e vou guardar na minha memória o dedinho do gerente em cada prato servido...rsrs (quem leu vai entender o que estou dizendo).
O final não foi o que eu gostaria, mas foi surpreendente e totalmente dentro da realidade Muito bom mesmo!!!
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Gvn 14/05/2014

GAROTASQUEDIZEMLI.BLOGSPOT.COM
Paul é casado com Claire. Seu irmão, Serge, com Babette. Os quatro marcam um jantar em um restaurante da moda, com preços exorbitantes e pratos sofisticados. Toda essa pompa, no entanto, não é capaz de encobrir o verdadeiro motivo pelo qual os casais estão ali: seus filhos, Michel e Rick, cometeram, juntos, um crime violento. E agora cabe aos adultos limpar a bagunça da melhor forma possível.

Além do interesse em proteger seus filhos, há mais envolvido: a reputação de Serge, candidato ao cargo de primeiro ministro, com grandes chances de ganhar a votação – caso o escândalo não vaze, é claro. No entanto, as opiniões dos casais divergem quando o assunto é o que fazer com a informação que possuem. E os quatro brigarão com unhas e dentes para defender seu ponto de vista, levando a discussão até as últimas consequências.

Dividindo o livro em cinco partes: Aperitivo, Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Digestivo, o narrador, Paul, intercala relatos sobre o que está ocorrendo na mesa do jantar, com os acontecimentos que os levaram até ali. A partir dessas descrições, é possível conhecer mais a fundo cada um dos personagens, que são muito mais complexos do que aparentam. Somos apresentados ao atrito que há entre Paul e Serge, e que só os distanciou ao longo dos anos. Além disso, através dos episódios anteriores narrados, descobrimos os "podres" da família e a ânsia em aparentar sempre perfeição e felicidade, mesmo que tudo esteja desmoronando. Essa característica fica ainda mais clara ao longo da história, e chega ao ápice no final.

O Jantar é um livro surpreendente e arrebatador. Minha única ressalva – que me fez dar quatro estrelas, ao invés de cinco, na classificação – é a forma como a narração se arrasta em alguns momentos, especialmente nos relatos de eventos passados. É verdade que esses momentos são muito importantes no enredo, mas confesso que senti uma certa agonia, causada pela curiosidade, pois queria voltar logo ao "palco" da história: a mesa de jantar.

No mais, se trata de uma história que te acompanhará mesmo depois de você virar a última página. Uma leitura muito recomendada!

site: garotasquedizemli.blogspot.com
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jota 20/04/2014

Famílias felizes...
Durante a leitura de O Jantar naturalmente fui me lembrando do livro de William Landay, Em Defesa de Jacob, que li recentemente. Há muitos pontos em comum entre a história contada por Landay e a do holandês Herman Kock, até demais. Mas se dei 5 estrelas para a o livro do americano, o de Kock mereceria 6 ou mais.

Ambas são obras tensas, muito bem escritas, que versam sobre o que as pessoas são capazes de fazer para proteger aqueles a quem amam, especialmente quando se trata de pais e filhos, de uma família. E logo nas primeiras páginas de O Jantar vem aquela famosa frase de Tolstoi, da abertura de Anna Karenina: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”, que tem muito a ver a história de Kock.

O que o holandês faz com maestria, penso, é subverter completamente a citação do russo (ou a primeira parte dela), através da história desse jantar. Ou melhor, da história de Paul Lohman, o narrador, um ex-professor de História, de sua mulher, Claire, e do filho Michel. O filho não participa do jantar, que tem ainda como comensais Serge, irmão de Paul, e a esposa dele, Babette.

Muita coisa se fala e se discute à mesa: a ideia do encontro foi de Serge, que tem algo grave para revelar ao irmão e à cunhada. Depois de muita conversa ficamos sabendo que os filhos deles possivelmente estejam envolvidos num crime que chocou os holandeses recentemente. Serge quer resolver esse assunto logo, o que vai significar uma brusca mudança em seu plano de vida. E necessariamente nos dos demais protagonistas.

O cenário principal do encontro é um caríssimo restaurante em Amsterdam e o jantar parece interminável, mas contamos com recuos e avanços no tempo proporcionados pela narrativa de Paul e indispensáveis para que as coisas aos poucos comecem a fazer sentido ou se tornem mais claras. Mas antes que tudo venha à tona, Paul nos guia pelos caminhos e descaminhos de sua narrativa incomum: as surpresas e descobertas vão ser muitas para o leitor.

É impossível não se render aos seus comentários espirituosos - ou maldosos - sobre restaurantes caros e seus funcionários, políticos, professores, alunos, diretores de escolas, comportamento dos holandeses no exterior, etc. Ficamos sabendo que Serge é candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições e compreendemos que ele é exatamente um sujeito que se deu bem na vida, do tipo que Paul parece não invejar, mas odiar. Enfim, ele diagnostica no irmão todos os defeitos que acredita que as pessoas bem-sucedidas portam consigo.

O Jantar é um romance com suspense acentuadamente psicológico (e fazendo um trocadilho, também patológico), com vários fatos esclarecedores – e estarrecedores - servidos entre os aperitivos do início do jantar e os digestivos do final, que permitem perceber e avaliar o comportamento dos personagens principais. E já nas páginas finais, quando você entende completamente o que está acontecendo ou aconteceu, ainda tem mais uma revelação ou duas.

Então contar mais alguma coisa aqui seria entregar parte da história envolvente que o holandês Herman Kock criou com muito talento e inteligência, capaz de prender fortemente nossa atenção o tempo todo e fazer com que não queiramos largar o livro até que a última linha seja lida. Comigo foi assim.

Lido entre 18 e 20/04/2014.
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