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O Normal e o Patológico

GEORGES CANGUILHÉM
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romag 30/07/2010

O problema das estruturas e dos comportamentos patológicos no homem é imenso. o portador de um defeito físico congênito, um invertido sexual, inúmeraveis problemas que remetem, em última análise, ao conjunto das pesquisas anatômicas, embriológics, fisiológicas, psicológicas.
Esse problema porém, não deve ser tratado dividido e sim analisado em blocos. seria o estado patológico apenas uma modificação quantitativa do estado normal?
tudo o que o homem perdeu pode lhe ser reconstituído, tudo que nele entrou, pode sair. Tanto a doença pode ser sortilégio, encantamento possessão demoníaca, pode-se ter esperança de vencê-la. A doença atinge o homem para que nem toda esperança esteja perdida.
A doença difere da saúde, o patológico do normal. Dominar a doença é conhecer suas relações com o estado normal que o homem vivo deseja restaurar, já que ama a vida.
a natureza do homem ou fora dele, é uma reação generalizada com intenção de cura. o organisfmo fabrica uma doença para se curar a si próprio.
TEORIAS
AUGUSTO COMTE
O interesse se dirige do patológico para o normal com a finalidade de determinar especulativamente as leis do normal, pois é como substituir de uma experimentação biológica muitas vezes impraticável - sobretudo no homem, que a doença aparece como digna de estudos sitemáticos. A identidade do normal e do patológico é afirmada, em proveito do conhecimento do normal. A. Comte utiliza dos princípios de Broussais (fenômenos biológicos, psicológicos e sociológicos), e com esse princípio explica que todas as doenças consistem basicamente "no excesso ou falta da excitação dos diversoso tecidos abaixo ou acima do grau que constitui o estado normal". Portanto, as doenças nada mais são "que os efeitos de simples mudanças de intensidade na ação dos estimulantes indispensáveis à conservação da saúde". O princípio de Broussais considera a excitação como o fator vital primordial. O homem só existe pela excitação exercida sobre seus órgãos pelos meios nos quais é obrigado a viver. as superfícies de relação, tanto internas quanto externas, transmitem por sua inervação, essa excitação ao cérebro ue a reflete em todos os tecidos, inclusive nas superfícies de relação, essas superfícies estão sujeitas a dois tipos de excitação: os corpos estranhos e a influência do cérebro. E é sobre a ação contínua dessas fotnes de excitação que a vida se mantém. Comte e seus objetivos são diferentes dos de Broussais, quando se expões em matéria de patologia; pretende codificar os métodos científicos e instruir cientificamente uma doutrina política.
CLAUDE BERNARD
O interesse deste, dirige-se do normal para o patológico, com a finalidade de uma ação racional sogre o patológico, pois é como fundamento de uma terapêutica em franca ruptura com o empirismo que o conhecimento da doença é procurado por meio da fisiologia e a partir dela. a saúde e a doença: duas maneiras de ser, com apenas diferenças de grau: a exageração, a desproporção e a desarmonia. "Disturbio de um mecanismo normal, é que consiste uma vairação quantitativa, numa exageração ou até atunuação dos fenômenos normais."
C. Bernard utiliza de variações quantitativas e diferenças de graus, isto é, dois conceitos: homogeinuidade e continuidade, o primeiro implicitamente, e o segundo expressamente. ele atribui um conteúdo experimental ao conceito do normal. por exemplo: testar a urina normal de um dia de trabalho, com a mesma urina normal em jejum, ou em qualquer condições que se queira estabelecer.
Um fenômeno patológico pode ser definido pela qualidade ou pela quantidade, conforme o ponto de vista conforme considerarmos o fenõmeno vital em sua expressão ou em seu mecanismo. O estado patológico é do organismo cujas funções todas estão mudadas.
LERICHE:
A saúde, é a vida no silêncio dos órgãos. inversamente a doença é aquilo que perturba os homens no exercício normal de sua vida e em suas ocupações e sobretudo aquilo que os faz sofrer. "O estado de saúde, para o indivíduo, é a inconsciência de seu próprio corpo. Inversamente, tem-se a consciência do corpo pela sensação dos limites, das ameaças, dos obstáculos à saúde.
Nem sempre o silêncio dos órgãos significa ausência de doença, podem estar ou ficara tempos imperceptiveis. o excesso de tecidos que temos retarda o aparecimento de perturbações no organismo, por isso, que as vezes não sentimos nada (nenhum sintoma), e de repente aparece uma doença já instalada em seu rim, pulmão, etc...
A dor é um fenômeno individual e não uma lei da espécie - um fato da doença. Nao é mais pela dor que a doença é definida, é como doença que a dor é apresentada.
A respeito das relações entre a fisiologia e a patologia, Leriche faz um julgamento técnico, e não filosófico, como A. Comte, ou de cientistas, como C. Bernard. A. Comte acha que as experiências,mesmo praaticadas em animais, nos iniciam no conhecimento das doenças do homem. Porém, ambos acham que pode se proceder loicamente partindo do conhecimento fisiológicaq experimental para a técnica médica.
Para Leriche, o conhecimento do estado fisiológico é obtido por abstração retrospectiva da experiência clínica e terapêutica. "Não se sabe, se os estudos em homens normais será suficiente, mesmo se comparado a de animais, para dar-nos informações sobre a vida normal do homem."
Leriche diz "Há em nós, a cada instante, muito mais possibilidades fisiológicas do que a fisiologia nos faz crer. Mas é preciso haver a doença para que elas nos sejam reveladas."
A teoria de Leriche se dá pelo fato de ser a teoria de uma técnica, uma teoria para a qual a técnica existe, não como conselheira e incentivadora, chamando a atenção para os problemas concretos e orientando a perquisa na direção dos obstáculos sem presumir, antecipadamente, nada acerca das soluções teóricas que lhes serão dadas.

NORMAL
O que é conforme a regra, regular, o que não se inclina nem para a direita, nem para esquerda, se conserva num meio termo; na medicina: o estado normal do corpo humano é o estado que se deseja restabelecer. há duas coisas nos fenõmenos da vida: 1º: o estado de saúde; 2º o estado de doença; daí duas ciências distintas, a fisiologia, que trata dos fenômenos do 1º caso, e a patologia, quem tem como objeto no fenõmeno do 2º caso.
Normalidade biológica. " o que está de acordo com as leis (da física, química, etc), mas não está de acordo com a norma que é a atividade do próprio organismo.
ANOMALIA
anormal, desigual, rugoroso, irregular, desigual.
Anormal= conceito descritivo // Anomalia = conceito normativo.
As então chamadaas monstruosidades são viriações de anomalias, são leves e simples que não colocam obstáculos na realização de nenhuma função e que não produzem deformidade, por exemplo: um músculo supranumérico, uma artéria renal dupla, etc.../ porém, há os que tornam impossível a realização de funções como : a imperfuração do ânus, a hipospadia, o lábio leporino, etc. As heterotaxias são anomalias complexas, mas que aparentemente não são anomalias complexas e graves, exemplo : ectromelia, ou a ciclopia.
O critério de gravidade na anomalia é a improtãncia do órgão quanto a suas conexões fisiológicas ou anatômicas; a anomalia só é conhecida pela ci~encia se tiver sido, primeiro, sentida na consciência, sob a forma de obstáculos ao exercício das funções, sob a forma de perturbação ou de nocividade.
ANOMALIA E DOENÇA
A anomalia pode se transformar em doença, mas não é, por si só mesma doenaç, não é fácil determinar em que momento a anomalia vira doença. Anomalias anatõmicas de tipo congênito só se torna dolorasa muito tarde, ou nunca.
Por meio de variações das formas vivas, aparece uma adaptação das anomalias, e algumas bem-sucedidas.
NORMAL E EXPEREIMENTAL
O estado de um ser vivo pode serr definido por uma relação de ajustamentos aos meios, inclusive no próprio laboratório.
NORMA E MÉDIA
O normal é definido muito mais como tipo ideal em condições experimentais determinadas, do que como média aritmética ou frequencia estatística. Por média procurar em um grupo de indivíduos submetidos a situações mais semelhantes possíveis. O problema coonsiste em saber dentro de que oscilações em torno de um valor médio puramente teórico os indivíduos vão ser considerados normais. Para imaginarmos uma espécie nos é dadas normas que serão determinadas e analisadas por médias. O ser vivo normal é aquele que é constituído de conformidade com essas normas - O modelo é na realidade um produto de estatísticas, resultado de cálculos e médias.
o qque está longe de acontecer, e que seria necessário, seria analisar cada desvio individualmente de acordo com suas relações e suas espécies.
QUÊTELET
Procura identificar as noções de frequanciia estatística e de norma, pois uma média que determina desvios tanto mais raros quanto mais amplos, foram é na verdade uma norma. Quêtelet distingue duas espécies de médias: a média aritmética e a média verdadeira, apresenta a regularidade ontológica como algo que se expressa na média.
Questões de fisiologia e de patologia são surpreendidas por fatos - >povos orientais (chineses, outros)chá, arroz, vegetais e germe de trigo / preferem andar a pé, para se confundirem com a natureza.
Enquanto os ocidentais cada vez mais sedentários, a civilização urbana e as exigências da economia moderna perturbam os ciclos fisiológicos da atividade, deixando, no entanto, subsistir alguns vestígios.
A melhor definição do homem seria, a de um ser insaciável, isto é, que ultrapassa sempre suas necessidades.
"Doenças de nutrição não são doenças de órgãos e sim doenças de funções", por exemplo: vícios de alimentação, que gera distúrbios de nutrição, obesidade, etc, as doenças da nutrição são sempre evitáveis.
A adaptação do homem no meio, faz com que suas ações e funções fisiológicas também se adaptem (doenças do sono, regimes alimentares, etc.).
SORRE
Compreender a importância da espécie humana para uma teoria de habilidade relativa das constantes fisiológicas - a importância dos estados de falso equilíbrio adaptativo para a explicação das doenças ou das mutações - a relação das constantes anatõmicas e fisiológicas com os regimes alimentares, etc.
"O homem tem características físicas em relação com sua atividade, porém, nada se altera somente pela mudança de ambiente."
O estado patológico ou anormal não é consequência de ausência de qualquer norma. a doença é ainda uma norma de vida, mas é uma norma inferior, no sentido que não tolera nenhum desvio das condições em que é válida, por ser incapaz de se tranformar em outra norma.
Os fenômenos patológicos são modificações regulares dos fenômenos normais - tendo percebido o sentido original dessa modificação. é preciso observar a transformação da personalidade do doente.
O doente não é anormal por ausência de norma, e sim por incapacidade de ser normativo. a doença passa a ser uma esperiência de inovação positiva do ser vivo, e não apenas um fato diminutivo ou multiplicativo (visão que afasta de A. Comte e C. Bernard), a doenaç não e uma variação da dimensão de saúde, ela é uma nova dimensão da vida.
PROFESSORA MARA SILVIA DAMASCO, JUNDIAÍ, 2001.
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