A Importância do Ato de Ler

Paulo Freire



Resenhas - A Importância do Ato de Ler


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Elaine Cris 25/02/2014

Impressões sobre minha leitura do livro A importância do ato de ler de Paulo Freire
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam – 51 ed. – São Paulo: Cortez, 2011. (Coleções questões da nossa época; V. 22)

A escolha desse livro para leitura e para o embasamento teórico do meu TCC faz jus ao quanto Paulo Freire é assertivo em sua teoria de que a aprendizagem é movida pelo despertar do interesse no indivíduo. Ninguém aprende nada por obrigação ou sem uma determinada atenção ou motivação para o objeto desconhecido.
A importância do ato de ler, o livro, aborda de uma maneira simples e objetiva como se dá o processo de letramento da leitura do mundo. Para Freire a leitura do mundo e a leitura da palavra escrita ou falada são totalmente interligadas, uma não pode existir sem a outra, e uma se faz necessária para complementar a outra. Ninguém fala ou escreve algo sobre o qual nunca viu ou viveu. A não ser que tenha uma imaginação muito além. Mas, mesmo assim a imaginação é permeada por fatos já vistos, a diferença é que o indivíduo adquire prática e com a prática, criatividade para brincar com seus pensamentos.
Freire gentilmente nos convida a fazer com ele uma viagem no tempo da nossa história e nos mostra como desde o nosso nascimento começamos a fazer a nossa leitura do mundo. E isso é o fato de percebermos o mundo, senti-lo, compreendê-lo, conhecê-lo, etc.
Note que em todas as situações em quanto crescemos somos cercados por interação nossa com o meio e com o outro e não somos passivos a essas situações, agimos sobre ela. Isso lembra muito Vygostsky e Piaget. Portanto, em todas nossas experiências, experimentamos, nos movemos até ela, sentimos, e por que fazemos isso?
A resposta para isso não requer nenhum preparo de mestrado ou doutorado, é simples. Freire afirma que o que nos move é o interesse, a curiosidade, a necessidade! Essa é a mola que nos impulsiona para a construção do saber humano e nossa cultura.
Uma criança não é um pote vazio que alguém vai inserindo informações. Quando ela chega à escola esta repleta de seus saberes, de suas experiências. Portanto há necessidade de conhecer sua história, de provocar, para que ela perceba as experiências novas que ela pode romper, e para isso há necessidade que ela receba estímulos que lhe provoque esse interesse. E isso tanto pelos pais quanto pelos educadores.
Assim então provocados, estimulados, nosso instinto humano nos guia a apreender o que nos rodeia. E é assim, experimentando, manipulando, observando, participando que o homem se torna consciente de si e do mundo que o cerca. Sendo capaz de transformar, solucionar problemas, criar novos problemas, produzir e agir criticamente e ativamente sobre o mundo para sua sobrevivência e prolongar a sua existência.
A escrita e a leitura da escrita é o aperfeiçoamento desta capacidade intelectual de reflexão do homem. Só o homem é capaz de planejar o futuro, de relembrar o passado e agir sobre o meio de forma consciente, ou seja, ele sabe o que acontece quando age sobre algum objeto. Por exemplo, Freire nos conta a uma história de dois homens que cortaram uma arvore para construir um barco. Quando eles cortaram a árvore sabiam exatamente o que fariam com ela depois. Podiam visualizar o futuro. E sabiam que precisavam do barco para poder pescar e suprir suas necessidades. Isso é solucionar uma necessidade, a de sobrevivência. O homem trabalha para sobreviver modificando e transformando o mundo ao seu redor.
Freira deixa claro que esse processo de percepção e leitura da ação não se dá noite para o dia. Tampouco se realiza sem que se faça algo para que ocorram mudanças. Não se aprende a andar sem ser andando. Não se aprende escrever sem ser escrevendo. E somente a prática do fazer nos capacita melhorar a nossa ação. Frase parafraseada do autor, pois adaptei o texto para a minha necessidade.
Com a prática da leitura de mundo, o homem adquire esclarecimento e passa a perceber e compreender o seu mundo e o mundo externo do seu. Sendo assim capaz de dialogar e questionar este mundo. A palavra escrita, portanto, nada mais é do que a organização do ato perceptivo e da leitura realizada á todo momento da vida. E é o que faço ao me debruçar sobre essas folhas em branco e transcrevo em palavras a minha compreensão e reflexão crítica deste livro. Pude dialogar com Freire e ele fez de suas ideias fontes que esclareceram coisas que eu já sabia na prática.
No segundo e no terceiro artigo Freire nos apresenta como essa visão se realiza na prática. Ele narra como se deu o processo de reconstrução da sociedade através da alfabetização do povo de São Tomé e Príncipe. Um povo liberto recentemente da colonização de Portugal em 1981.
Neste ponto, já considerando que o ato da leitura do mundo, e a sua ligação com a leitura escrita é algo esclarecido no meu texto, quero salientar que Freire tem como fundamentação de sua experiência que educação é um ato político. Portanto, educar é politizar. Freire diz que é necessário que o educador tenha essa consciência e compreenda o seu papel enquanto cidadão.
Finalizo meu texto com uma frase deste livro e convido todos que leram até aqui que se permitam a leitura deste livro excelente de apenas 102 páginas e totalmente esclarecedoras.
“Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo”
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Fran 27/08/2012

A importância do ato de ler é um livro que você pode ler facilmente em apenas um dia. Retrata bem a já conhecida ideologia do educador Paulo Freire, constante defensor de que a leitura do mundo precede a leitura da palavra.
Na verdade esse breve, mas significante livro é composto de três artigos em que Freire discorre primeiramente sobre a importância do ato de ler, de uma forma dialogada que nos faz perceber o quanto a leitura está presente na vida do autor desde sua mais tenra infância, como ele faz questão de explicitar.
Em seguida destaca a alfabetização de adultos e a necessidade do desenvolvimento de bibliotecas populares, onde ele defende a compreensão crítica da alfabetização, envolvendo a compreensão igualmente crítica da leitura, e, portanto, demanda a compreensão critica da biblioteca.
E, por fim, destaca sua experiência na alfabetização de adultos na Ilha de São Tomé e Príncipe no fim da década de 70, quando o país encontrava-se recém-saído do jugo colonial português (lembra um outro país¿).
O ponto significativo deste livro e, evidentemente em toda obra de Freire, é que ele deixa bem claro a sua convicção de que não NEUTRALIDADE DA EDUCAÇÃO. Não é possível, seja aqui no Brasil ou em São Tomé e Príncipe pensar uma educação que não esteja a serviço de algo ou alguém, naquele caso a serviço da libertação daquelas pessoas que estavam sendo alfabetizadas e convidadas a participar da história fazendo a história.
É dessa forma que ele enfatiza que se fazia necessário “estimular a capacidade crítica dos alfabetizandos enquanto sujeitos do conhecimento, desafiados pelo objeto a ser conhecido.”
Não há muito mais o que falar, pois Paulo Freire é conhecido mundialmente pela sua ideologia da libertação. Recomendo essa leitura, pois é breve, porém instigante.

“um texto para ser lido é um texto para ser estudado. Um texto para ser estudado é um texto para ser interpretado.” Paulo Freire.
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Camila 30/01/2012

Alfabetização de adultos
O autor aborda neste livro seu método de ensino pedagógico, focando a alfabetização de adultos e a educação desenvolvida em São Tomé e Princípe, uma educação que não se restringe a memorização ou decoração de regras de conjuntos silábicos, mas sim à técnicas as quais requerem criatividade, imaginação e PRÁTICA da leitura e da escrita em paralelo com discussões de informações do mundo e da vida. Apresenta a importância da leitura dentro de um contexto e a relevância que a biblioteca possui em apresentar-se não como um depósito de livros, mas sim como um centro de cultura para fins didáticos e de estímulos à criatividade. De acordo com o autor: “A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo”.
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M Montanher 26/04/2010

No livro A Importância do ato de Ler, Paulo Freire trata sobre a leitura como forma de conscientização social, destacando a importância da formação de novos leitores que sejam criadores e autônomos em suas interpretações e capazes de guiarem-se na direção de seu interesse, contrariando que a leitura seja uma simples decodificação de códigos e repetição de fonemas. A obra nasceu de uma conferência realizada na cidade de Campinas, em São Paulo, tendo enfoque na leitura. Seu estilo guarda ainda traços da oralidade desta situação. Paulo Freire estabelece com clareza e profundidade uma relação íntima entre leitura e vida. Além disso, relata sua experiência na alfabetização de adultos desenvolvida em São Tomé e Príncipe.
Primeiramente, é demonstrado o papel do educador e educando no processo de ensino-aprendizagem, enfatizando que a leitura não começa na escola, mas muito antes dela. Já no segundo capítulo é problematizada a questão da alfabetização de adultos e o uso da biblioteca popular, evidenciando a importância do aluno em seu próprio processo de alfabetização. E por fim, para mostrar as aplicações dessa prática alfabetizadora em São Tomé e Príncipe, em seu terceiro capítulo o livro destaca o material utilizado na escola, desde a sua adesão até sua construção e montagem, resultantes de um trabalho desenvolvido por Freire e sua equipe em busca de uma identidade social, política e, sobretudo, educacional.
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Rangel 15/12/2009

Prática pedagógica de interpretar o mundo
O livro “a importância do ato de ler” do bacharel em direito e doutor em filosofia e história da educação, Paulo Freire, que recebeu o “Diploma de Mérito Internacional” pela International Reading Association, de Estocolmo, Suécia, em julho de 1990, é baseado em uma comunicação sobre as relações da biblioteca popular com a alfabetização de adultos, em uma experiência desenvolvida no país de São Tomé e Príncipe, que dimensiona o compromisso político com a tarefa de recuperar o oprimido na sua dignidade humana. Inicialmente, a obra se refere à prática pedagógica da leitura, que deve envolver a sua própria compreensão como ato, a fim de decofidicar as palavras e interpretar o mundo, nas percepções de texto e contexto, para um olhar crítico da realidade, a fim de realizar práticas políticas de mobilização e organização do povo contra práticas elitistas, colonialistas e exploradoras.
O exemplo da alfabetização de adultos realizada pelas bibliotecas populares, como meios de educação ativa, devem ser utilizadas, no processo educativo de forma não neutra, a fim de proporcionarem interpretação da realidade que não deve ser ingênua e alienada. Os Cadernos de Cultura Popular de Paulo Freire, utilizados para o processo de alfabetização e pós-alfabetização, centralizam reflexões para a participação democrática dos educandos no ato do conhecimento, com o intuito de praticar leitura e escrita da cultura de memória e oralidade em debates, na análise dos fatos para compreender uma reconstrução nacional, tratando de assuntos de interesse do próprio povo. Assim, conforme os cadernos, estudar significa criar e recriar, não repetir a expressão da ideologia dominante, pois a atividade da realidade concreta deve ser a geradora do saber e de caráter social, convergir a unidade, a disciplina, o trabalho e a vigilância de um povo na luta de se construir uma nova sociedade. O jogo de palavras, no ato de ler, deve ser amplamente dinamizado, para reinventar o pensar e o expressar para transformar o mundo que se conhece, principalmente, o produtivo, de forma justa. O trabalho manual deve ser valorizado igualmente ao trabalho intelectual. Todos, numa nação, devem estudar ao trabalhar, transformar a matéria bruta em matéria-prima, que esta pode produzir instrumentos, os meios de trabalho, que, na realidade, são todos meios de produção para se trabalhar. E dessa forma, as forças dos trabalhadores devem ser combinadas com os meios de produção para a produção em si, a fim de que o processo produtivo do trabalho seja de colaboração entre todos e não para competição. Na produção, a cultura do povo deve ser valorizada por ser a forma de se produzir e a maneira de o povo compreender sua relação com o mundo, mas ao mesmo tempo, ser aberta para a interação com outras culturas. Na produção, a cultura do povo deve ser valorizada por ser a forma de se produzir e a maneira de o povo compreender sua relação com o mundo. Na questão de adquirir conhecimento pela leitura, o desafio é pensar certo, observar os verbos da língua não só como panorama de luta, mas também para problematizarem, estimularem, provocarem, transferirem textos e frases para uma participação consciente do povo, na reconstrução nacional, de ação e pensamento, a fim de aprofundar conhecimentos da prática para que o povo se faça sociedade revolucionária e que exija do governo preocupação sistemática com a educação para estimular a produção. Na educação, o estudo da língua e da linguagem não deve ser gramatical, formal e mecânico, mas dinâmico, participativo, que estimule a curiosidade e a criatividade. A prática da educação, da leitura e da escrita deve ser sempre avaliada, analisada e comparada para corrigi-la e melhorá-la, a fim de que as dificuldades sejam superadas. E a importância da leitura para a transformação do meio que vive o educando deve ser crítica, convincente, envolvente, didática, lógica, consistente, promotora de consciência da história, revolucionária de idéias e pensamentos nas questões filosóficas, culturais, sócio-econômicas e políticas, a fim de a educação ser uma práxis libertadora.
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Tiago Ribeiro 13/01/2009

Obra de leitura rápida, curta, mas indispensável para estudantes de Comunicação Social, ou qualquer pessoa que deseja entender a necessidade da leitura em nosso dia a dia.

O livro é fininho, parece brincadeira - o que Paulo Freire jamais faria, porém é seríssimo. Aprenda com ele a ler e a pensar sobre cada coisa que passa em frente aos nossos olhos, seja um livro, ou o garoto sem escola que nos oferece bala no sinaleiro, mas que as vezes parecemos não entender.

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