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A Filosofia na Alcova

Marques de Sade
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curioso 26/04/2012

O ápice da libertinagem
Marques de Sade foi um escritor muito além de seu tempo... e ainda hoje sua leitura é tida como escandalosa, beirando o bestial e torpe... cujo teor pode causar um certo furor nos mais conservadores e puritanos... Já li A Filosofia na Alcova varias vezes ao longo dos anos e estou relendo mais uma vez... é ao mesmo tempo filosófico e libertino... é um livro intrigante, excitante e mordaz... recomendado aos amantes, tanto iniciantes como veteranos... e também aos pudicos, claro... o que aprendi com ele ? que sexo deve ser desfrutado em toda a sua plenitude... o prazer é a primeira necessidade...
Sade deixa claro que era ateu... e se voce acha que o sexo é coisa diabólica, então não leia este livro... o livro é o retrato de Marques de Sade, cuja vida e a obra estão interligadas, exprimindo muito bem toda a vida desregrada e libertina do autor... mas a despeito disso, teve seu nome no panteão da fama e a história o registrou...

Edir Araujo


Gustavo Augusto 25/04/2012

Emancipador do gênero humano.
Os libertinos franceses do séc XVIII e XIX, sem dúvida deixaram marca indeléveis na historia da literatura e do pensamento humano.
Marques de Sade talvez o maior expoente entre eles, não podia ficar para trás, até hoje a sociedade pode ser divídida entre aqueles que realmente compreenderam a atemporalidade e a genialidade destes grande espiritos emancipadores do gênero humano, de toda forma repressora dos costumes e da moral, e também (por mais que isso possa soar estranho a mentes condicionadas e superficiais) também ao sexismo e ao condicionamento dos gêneros que a sociedade impoê.

A religião tem um papel fundamental neste carater denegridor do que há mais belo na natureza humana, que é a busca constante de todos os seres (sejam homems ou mulheres) por prazer e satisfação (não só por sexo, apesar do sexo ser a marca maior da sensualidade e satisfação do genêro humano).
Imundando o mundo com dogmas, preceitos, fantasmas e quimeras repressoras, a religião, instituições conservadoras e outros mecanismos de poder da sociedade, fizeram que a vida passase a ser algo a ser buscado longe da natureza da imanência terrena que todo ser humano vive, longe do aqui e do agora. O sexo e com ele também os relacionamentos, a coisa mais bela que a evolução "deu" para os seres humanos junto com as fantasias naturais proprías a qualquer ser vivo senciente e orgânico, foi vista como uma aberração, quando na verdade é a coisa mais natural que existe na natureza, nem profano nem sagrado, tão normal qunato um jogo inocente de crianças. Caso contrários não nasceriamos com esses instintos e desejados cultivados desde a mais tenra idade pelo nosso próprio organismo.

A vida foi castrada e no lugar dela se colocaram apenas fantasmas e sombras, mas, a sociedade não sendo capaz de eliminar os seus desejos mais internos, continua vagueando pelo mundo seja com dissimulações ou com a camada hipocríta e denegridora da sociedade, denegrindo o que há de mais natural no ser humano o desejo de vida, do gozar.


Daniel Vieira 26/03/2012

Politicamente Incorreto
Libertinagem e apologia a tudo que é considerado imoral. Mesmo para nós, que julgamos viver numa sociedade "liberal", o livro pode ser chocante, e até causar mal estar. Mas de qualquer forma, é muito bom para perceber alguns ideais que rondavam a mente de franceses liberais pós-revolução. A necessidade desesperada de se afirmar como uma nova sociedade, renascida, e abandonar e rejeitar qualquer coisa que remeta à nobreza francesa.


robertablo 29/12/2011

O horror
Sade tem o dom da escrita, mas o usou para depreciar todos as virtudes e morais que existem na sociedade. Estupro, incesto, assassinatos, tortura, roubo, etc., tudo é correto. Tudo pode. Tudo deve ser difundido e apreciado. Ele usa como principal argumento que se algo está presente na natureza, este algo é correto. E ainda não mede palavras para criticar as boas morais, sentimentos de piedade e sobretudo, religião.

A única coisa interessante é você ter praticamente todas as suas morais criticadas e entender o raciocínio por trás destes pensamentos. Como uma pessoa que defende tortura o faz. Mas fora isso, o livro é chocante (no mau sentido), asqueroso.


Arnold 20/11/2011

Esta não pretende ser uma resenha de fato
Para mim, resenha é um negócio complexo(processo + resultado), mas que ao mesmo tempo tem que ser claro e de preferência sucinto, na exposição do argumento central e das formas de construir este argumento com os sub-argumentos de determinado texto, além de outros detalhes que visam clarear o seu entendimento.

Como aspirante a historiador, eu não li este livro com todos os cuidados e análises que eu faria numa ou noutra leitura. A questão é que, ao meu ver, isto não é uma "necessidade" para com este livro de dimensão literária - na verdade, só há necessidade, em relação a qualquer texto, se alguém se propõe a isso.

Quero dizer com isso que o livro "A filosofia na alcova" não pretende uma "verdade" na medida em que a história acontece na dimensão do absurdo tão cara a Sade e a diversas literaturas. Seja o que for, a história deste livro com o seu diálogo, a estética, a forma, etc., não pretende dar algo fechado dentro de uma disciplina, cientificidade, enfim, algo não necessariamente contrário, mas diferente, por exemplo, das obras historiográficas que(geralmente, vide contexto acadêmico) contém toda uma teoria, metodologia, dentro de uma disciplina aonde possam reconhecer-se como obras historiográficas. Enfim, a "verdade pretendida", ou melhor, a inverdade que se quer denunciar, é feita em grande medida diferentemente em gênero, número, grau, função, dinâmica e dimensão daquela tratada pela historiografia. Considerando que nem a literatura nem a história necessariamente são fechadas ou têm seu conteúdo fechado, ou mesmo que, dizendo secamente, não pretendem uma "verdade", para não cair num buraco que eu mesmo cavei, concluo apenas considerando que são coisas totalmente diferentes, mas que são dinâmicas, mutáveis, convergem-se e divergem-se, enfim, dialogam com as coisas e circunstâncias. A verdade lidada por cada uma destas formas de escrita merece uma abordagem que não incluirei neste momento.

Tratei de todas essas questões porque no livro o autor lida com "fatos históricos", aspectos humanos, sociais e culturais, mas que pela natureza da narrativa não devem ser considerados fora da dimensão do fantástico, do absurdo, da literatura. Antes de perceber completamente esta característica, até mais ou menos dois terços do livro quase me apaixonei a ponto de escrever uma antítese. Mas depois percebi que este projeto é totalmente inútil, e isso o tradutor explica na última consideração em sua "A revolução da palavra libertina", no final do livro, assim como na apresentação da "Coleção pérolas furiosas", no começo:

"(...)[Marquês de Sade]via na literatura uma possibilidade de criar um mundo às avessas onde tudo é levado às últimas consequências. Sade nos faz ver o impossível nas entrelinhas dessa realidade absurda na qual, paradoxalmente, nega-se a vida e os homens para melhor afirmá-los, vale dizer, para glorificá-los."

Percebe-se em "A filosofia da alcova" essa "dimensão do impossível" - profundamente exagerada, alheia à aplicabilidade nas sociedades humanas -, aonde os leitores livremente se relacionarão com uma realidade hipotética e "hipotetizante", contestando e até mesmo transgredindo forças que exercem repressões de diversos tipos aos impulsos humanos na "real realidade" nossa em nossos tempos, o que confere atualidade ao texto, simplesmente pela "atuação/aplicabilidade num mundo possível" - nenhuma realidade é completamente possível, no sentido de alcançável, concebível, nem completamente impossível, enquanto utopia. Realidade esta, a sadiana, cabe ressaltar, convidativa na medida em que nos propomos a "pular as cercas" da moral, dos costumes, da religião, dos governos, do pudor, do que seja.

Para mim basta concluir esta "resenha" com a seguinte reflexão: o mais inocente ou menos óbvio discurso pode esconder um ganancioso poder intencionado*¹(mesmo que coletivo ou impessoal), de forma que a "beleza" suplante o discurso-de-poder e o ouvinte em sua potencialidade consequentemente prejudicada. Sade, em seu tempo, questiona estes aspectos da vida em sociedade - conturbados tempos, aliás, perpassando a Revolução de 1789(e vai muito além dos questionamentos).

*¹: Na minha opinião, não existe um poder não-intencionado, na medida em que as coletividades(terreno máximo do poder sobre os homens) não são naturais, mas concebidas, "arquitetadas" mesmo que num inconsciente-involuntário lado da consciência coletiva(quando o esquecimento, a a-cultura - diferente de anti-cultura -, a alienação, são úteis ao podere voluntários e conscientes. Entretanto, na minha análise, não consigo ver aonde se expressa este último poder... talvez porque estamos atualmente numa política cada vez mais abrangente e efetiva de in-conscientização e "in-voluntariabilização" dos sujeitos singulares.


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