Os Miseráveis

Victor Hugo



Resenhas - Os Miseráveis


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Fábio Godoi 29/07/2011

Enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis

Os Miseráveis é um romance de valor intangível do grande escritor Victor Hugo, expoente escritor, no que se refere ao realismo, nesta obra ele tira o véu da frente de nossos olhos e escruta a pobreza, a miséria, a exploração da criança, o abandono dos idosos. O horizonte que traz esse livro é de uma tristeza confrangedora e baça como uma mortalha, não mede esforços para dizer toda a verdade sobre a miséria, tudo que já sabemos, mas temos medo de admitir.

Entes que vivem na ignorância, nas trevas, sem a luz, ou seja, analfabetos, sem estudos, sem oportunidade, na última, ou melhor, debaixo da última camada social; é exposto nesta obra. Com uma descrição descomunal ele amálgama história, filosofia e geografia, incrustando uma história ímpar e singular de uma transformação completa de um forçado das galés.

Jean Valjean, protagonista, é condenado a cinco anos de trabalhos forçados, por roubar um pão, para alimentar sua família que morria de fome, o desespero levou ao ato criminoso. Todavia a injustiça de uma pena incomum, por um crime famélico criou um sentimento soez dentro de seu coração, o que levou a várias tentativas de fuga, aumentando em quatorze anos sua pena, no total, 19 anos nas galés por um pão roubado!

Vale salientar que as galés não é uma prisão comum é uns dos piores lugares onde um facínora poderia imaginar pagar seus crimes, para se te uma idéia, a Prisão de Guantánamo hoje seria férias na Disneylândia para esses condenados. Após cumprir sua lúgubre pena, Jean Valjean sai com um sentimento vil, querendo se vingar da torpe sociedade preconceituosa, pois agora seu passaporte é amarelo, ou seja, está marcado pelo opróbrio de ser um ex-forçado, Hugo mostra que a liberdade não é estar solto, pode-se sair da prisão, mas não da condenação.

Nesse ínterim, o Bispo de Digne, Charles-François-Bienvenu Myriel, lhe estendeu a mão, inimigo de qualquer preconceito, abre as portas de seu simples lar para Jean, no qual, foi recebido como uma pessoa normal ; arrumou a melhor cama e deu lhe de comer, tirando até mesmo da gaveta os talheres de prata, que somente usava para jantares com pessoas importantes.

A vida de Jean Valjean após conhecer o Bispo, Monsenhor Bienvenu, nunca mais será a mesma, a partir desse ponto sua transformação ocorrerá, o primeiro passo é criar uma consciência. Poderemos acreditar que um ex-forçado das galés, prisioneiro violento de alta periculosidade, possa de espontânea vontade mudar para o bem? O Bispo conseguirá resgatar a alma que está enveredada no caminho do mal? Essas respostas são apenas alguns fatos que vocês saberão ao deglutir está obra.

Raskolnikov em Crime e Castigo foi perseguido pela policia, sondado, pesquisado, enfim escrutado; todavia a perseguição que Jean Valjean sofreu nas mãos do incansável Javert, é inverossímil, também no livro é citado o famigerado Pierre François Lacenaire, que foi a inspiração para a obra de Dostoiévski.

Vários personagens complexos, gírias, bandido com voz de ventríloquo, reuniões subversivas, injustiça, preconceito, morte, miséria, risos mefistofélicos, turba germinal, gritos hediondos, criaturas famélicas explodem em cada página. Não espere encontrar jocosidades, obra tétrica!


[fabio9430@gmail.com]
Gláucia 19/04/2011minha estante
Nossa, você resumiu o obra de forma magistral, adorei os adjetivos.


Fábio Godoi 18/01/2012minha estante
Obrigado :)


Gustavo 15/12/2012minha estante
Rapaz suas resenhas são muito boas! Espero que as obras (indicadas por ti) sejam assim tão cativantes e eloquentes como a maneira de que você as redige. Show de bola!Continue assim! =)


Fábio Godoi 18/12/2012minha estante
Obrigado, Gustavo, mas pode ter certeza que as obras são melhores hihihi


Wylerson 15/01/2013minha estante
Entrei hoje nesta rede social, indicada por uma amiga, sendo este o primeiro título que procurei (por ser minha preferida obra de arte literária) e, para minha surpresa, no meu derradeiro primeiro contato já me deparo com esta que confesso ser, singela e sinceramente, a melhor resenha que eu já li sobre esta obra em todo meu tempo de vida. Parabéns, 'Fabinho', salvas orquestrais para vc, já me fizeste gostar do site. =)


Fábio Godoi 16/01/2013minha estante
Muito obrigado Wylerson, fico feliz por suas palavras e seja bem vindo, aqui nós aprendemos muito a cada dia, trocar informações de nosso interesse é sempre um aprendizado contínuo.


Brunna 16/02/2013minha estante
Olá tenho que fazer um trabalho,onde tenho que fazer uma resenha do Filme os Miseráveis,essa resenha serve? Assim não vou copiar tudo,vou tentar pelo menos mudar um pouco,vou ver uma parte do filme,pra arrumar,mais o trabalho é pra depois de amanhã então eu nem vou ter tempo pra ficar fazendo resenha,pois vou sair,vc recomendaria essa resenha? Ou o que fala no filme,é diferente do que fala no livro?


ray 26/03/2013minha estante
Gostei muito tenho um trabalho e a resenha me ajudo muito valeu


juliablack 29/08/2013minha estante
que resenha!!nunca li nenhuma resenha tão eloquente quanto a tua. Tem o dom da escrita sem duvida.
vi o filme recentemente e não consigo deixar de pensar na obra. É minha próxima leitura pois preciso mais do que ver retratado nas tela é ler o que o autor escreveu. Ainda que a realidade retratada seja nua e crua.Sem subterfúgios.
tuas palavras são mais um incentivo para ler essa obra..abraços!




Figuera 20/04/2010

Melhor livro de todos os tempos
Não há palavras para descrever esse que é, para mim, o melhor livro de romance de todos os tempos.

Quando fui escolher a nota desse livro enfrentei um grave dilema, dar-lhe somente a nota máxima seria compara-lo a vários outros livros (que também gosto muito) que também tinham recebido a mesma nota, ao notar esse fato só uma solução me veio a mente, e sem medo a tomei, diminui a nota de TODOS os outros livro, para que esse livro reinasse soberano em mim estante.

Talvez algum outro dia de minha vida eu seja agraciado com outra obra de comparável magnificência.

Mas não se engane, como todo grande livro, esse não é um livro de fácil leitura, há inúmeras pausas para grandes reflexões politicas e religiosas, que muitas vezes podem quebrar o ritmo de leitura do romance, porém esse não é de forma alguma um ponto negativo do livro, se o leitor souber parar e refletir junto com Victor Hugo irá aprender muita coisa, e certamente será ao fim da leitura um ser humano melhor.
André 20/05/2011minha estante
Pode crer que vale a pena cada página!


Cah 23/05/2011minha estante
Eu ja li a versão adaptada e amei!!
Lóogico que falo da história, porque a linguagem é fácil e confesso que adoro um livro com linguagem mais dificil!
Beijoss
http://emocoesempaginas.blogspot.com/




Jayme 14/03/2013

É um livro que trata de vários temas referentes a questões morais. Trata também questões sentimentais e principalmente fala sobre as injustiças sociais.

Os Miseráveis tem altos e baixos, mas conta a história através de anos de personagens da França do século XIX. O livro gira em torno de Jean Valjean, um homem preso por 19 anos por roubar um pão para salvar a vida de seu sobrinho, que é colocado em liberdade condicional, mas continua sendo perseguido pelo Capitão Javert através dos anos e mostrando eventos como os motins de 1832 e se envolvendo com uma série de outros personagens ao longo desse período. Uma jornada de sofrimento, amor, idealismo e redenção.

Dei uma resumida no enredo, o que é quase um sacrilégio com a obra de Hugo, mas necessário.

Um dos livros mais densos que já tive a oportunidade de ler.
J@n 16/04/2013minha estante
Este livro é maravilhoso!


Arsenio Meira 24/01/2014minha estante
Eu fico com uma fissura pra reler... O problema é os que já estão na estante. Bom resumo, Jayme. É, sem dúvida, "Uma jornada de sofrimento, amor, idealismo e redenção.", como vc bem frisou.




Bruno Gaspari 22/05/2010

Li certa vez alguém dizer que nas 1500 páginas d’Os Miseráveis havia um livro excepcional de 600 páginas. E, realmente, não é algo sem fundamento. Em meio à história do livro há imensas descrições políticas, sociais e históricas que, mesmo tendo ligações indiretas com o enredo principal, funcionaram pra mim como um balde de água fria em determinados momentos. Apesar de serem capítulos relevantes para a imersão na sociedade descrita no livro, alguns dessas longas passagens descritivas podem se tornar simplesmente insuportáveis para aqueles que querem saber o que acontece após determinado acontecimento, mas que precisam lidar com dezenas de páginas de informações bastante densas e, muitas vezes, jogadas ao leitor.

As longas descrições que ele dedica aos personagens também podem ser um incômodo em determinados momentos. Para descrever Myriel, ele dedica 60 páginas, onde TODAS as características desse personagem são destrinchadas ao leitor: onde vivia, no que acreditava, quem vivia com ele, como as contas de sua casa eram administradas, qual a opinião da sociedade sobre ele, etc. Isso enriquece o perfil do personagem, mas torna-se longo demais tendo em vista que a mensagem principal dessa descrição, que aliás é constantemente relembrada pelo autor durante todo o capítulo, é que Monsieur Myriel era um homem muito bom e caridoso. No volume 1 o capítulo que representa melhor a imensidão descritiva um tanto desnecessária é aquele que ele fala sobre um convento. Todas aquelas páginas podem agradar por tratar de um retrato bastante acurado de uma vida enclausurada daquelas freiras, mas o momento e a duração foram bastante frustrantes para mim.

A parte em que ele conta sobre determinado ano, dedica umas 4 páginas com 2 ou 3 parágrafos imensos de nomes e datas para depois dizer que nada daquilo seria tratado no livro. Esse tipo de situação acontece algumas vezes durante todo o livro, como no caso de Waterloo, onde as dezenas de páginas descrevendo as questões da guerra são um acessório para o que realmente importava: o encontro de dois personagens, que acontece nos parágrafos finais do capítulo. Ele também descreve coadjuvantes obscuros com riqueza de detalhes. Então, quem não gosta de livros muito descritivos, fique longe d’Os Miseráveis.

No entanto, os personagens são simplesmente fabulosos. Jean Valjean, Cosette, Fantine, Marius, Thénardier… Todos são inesquecíveis e valem a leitura e a persistência. A história e seus personagens estão entre os melhores que eu li até hoje. O livro merece as 5 estrelas, mesmo com tudo o que me incomodou, pois ele consegue, apesar de ser cansativo, não fazer o leitor deixar de pensar nas situações que foram apresentadas e querer saber o que acontece em seguida. É claramente um épico e merece ser lido, pois mesmo escrito há mais de 100 anos, ainda é extremamente atual e ainda retrata muito bem a civilização em que vivemos.

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U.F. 24601 15/12/2010

Não roube um pão!
Este livro, ou melhor, está obra de arte, pois é a palavra que melhor se aproxima do sentido, do peso, do glamour destas letras, destas palavras, destas frases, destes parágrafos, destes ensinamentos (nada novo atualmente), mas abre nossos olhos; Um livro triste, lúgubre, mas o que é pior, tudo que está aqui, há anos, acontece hoje, e acontecerá amanhã, ou seja, é uma história que você conhece, mas com outros nomes os personagens, mas na vida real, o que nos deixa mais entristecidos.

Raskolnikov em “Crime e Castigo” foi perseguido pela policia, sondado, pesquisado, enfim escrutado; todavia a perseguição que Jean Valjean sofreu nas mãos do incansável Javert, é inverossímil, também no livro é citado o famigerado Pierre François Lacenaire, que foi a inspiração para Crime e Castigo

Outra personagem marcante é Cosette, como sofria essa pobre garota, e quantas hoje, quantas meninas, quantas crianças sofrem nas mãos dos pais, nas mãos de estranhos. Quando isso vai acabar? Como diz o Prefácio: “(...) enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis”

[Resenha somente levando em conta o volume I]
Manini 19/06/2012minha estante
Ei vi em uma livraria uma nova edição a com 1280 páginas, dizem que a linguagem é mais facil, perderia por ler uma obra sim ou necessáriamente tenho que ler as edições mais antigas?




Gláucia 03/12/2013

Os Miseráveis - Victor Hugo
Não me sinto capaz de resenhar essa obra de arte, não há palavras suficientes para descrevê-lo. Reli para participar de um debate num fórum literário cujo link deixarei aqui. Quem tiver lido e quiser participar, mesmo que atrasado, terei prazer em acompanhar.
Talvez meu histórico de leitura expresse um pouquinho o espírito do livro. Se a mim fosse possível ler apenas um livro, sem dúvida seria esse. Sem mais.

site: https://www.youtube.com/watch?v=dGIHlExrCzs
Joubert 22/11/2013minha estante
Nem preciso comprar esse livro.. é só ler seu "Histórico de Leitura" que já sei a história inteira...




U.F. 24601 29/12/2010

Jean Valjean é o Chuck Norris da literatura *
Neste volume se desenvolve o romance - e que romance! - muito lindo, muito singelo, bem a moda antiga; Marius e Cosette.

Victor Hugo não esquece nenhum pormenor, uma vez falado da miséria da criança do jovem e do adulto, chega agora a falar do sofrimento dos idosos, com os personagens: Senhor Gillenormand, e Senhor Mabeuf.

Além da linda história, entrelaça entre essas linhas filosóficos pensamentos, onde critica o convento, fala-se sobre a gíria, a origem, o que ela representa, vale dizer que o principal não passa desapercebido, argumenta sobre os miseráveis, sobre os entes que vivem na ignorância, nas trevas, sem a luz, ou seja, sem o estudo, o conhecimento, na última, ou melhor, debaixo da última camada social.

*(sobre o titulo da resenha: Jean depois de passar tudo o que passou, além de ter o apelido de guindaste, devido sua força, colocar uma barra de aço quente no bravo e ver derreter sua pele sem fazer nenhuma expressão de dor, não há duvida que é um homem além de virtuoso, muito destemido)
Gláucia 14/01/2011minha estante
Ótima comparação, hein? Chuck Norris, é isso aí. Me fez rir, a despeito de tanta tristeza.




Bruna Gomes 06/02/2013

Foi a primeira vez em minha vida que o resumo de uma obra me deixou realmente empolgada, excluindo as adaptações de Romeu&Julieta!
É bem verdade que nos capítulos iniciais não encontrei nada de muito cativante e o envolvimento com Jean Valjean (personagem principal) surgiu apenas no desfecho de A Liberdade quando ele recupera sua humanidade - perdida há 19 anos.

"Seu coração endurecido sucumbiu à força da emoção. Chorou. Pela primeira vez em dezenove anos, chorou!" pág. 31
Em, O prefeito, a personagem Fantine nos faz sentir o coração pequinininho ao mostrar o quão grande e sublime é o amor de mãe... Chega a ser constrangedor estar tão impotente diante do seu sofrimento, fiquei desesperada!
"- Minha filha não vai morrer sem socorro!" pág. 44

Até agora só citei os "bons personagens" da obra , mas não foram apenas ele que a tornaram tão cohecida.Os miseráveis também nos mostra o lado mesquinho e egoísta da humanidade, capaz de tornar qualquer um ser detestável e digno de pena.

"- Minhas filhas quase nuas. E ela tão elegante! Não posso acreditar que aquela desgraçada tenha se transformado na moça que estee aqui, tratando minhas filhas como se fosse uma dama!" pág. 84

Posso afirmar que trata-se de uma obra completa - não faltou nem sequer o casal apaixonado e, claro, os muitos impedimentos desse amor!

"Um beijo, eis tudo." pág. 96

Sem dúvida uma daquelas obras-primas que superam o tempo e as circunstâncias, emiocionam e marcam a vida de quem lê. Não é a toa que se encontra entre os principais títulos da literatura internacional!

"Ele dorme. Embora a sorte lhe tenha sido adversa
Ele viveu. Morreu quando perdeu seu anjo;
Partiu com a mesma simplicidade
Como a chegada da noite após o dia".
pág. 124
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Zana 04/06/2013

Os Miseráveis - Obra completa
“Ao contrário das idéias platônicas, ofuscantes, ou cartesianas, claras e distintas, a filosofia hugoliana é confusa e turva. Não pelo gosto romântico das brumas ou para afetar profundidade – Hugo reivindica a continuidade da obra das Luzes – mas, porque o mundo não é claro. Límpido em sua sabedoria peremptória, este livro luminoso é repleto de trevas[...]”.

Não. Não seguirei por essa linha de análise tão bem colocada no prefácio do livro por Guy Rosa, mesmo porque tenho a incapacidade confessa de abranger toda amplitude de raciocínio filosófico e político dos grandes pensadores. Entretanto, arrisco a dizer que Victor Hugo produziu em “Os Miseráveis” uma narrativa comovente e fascinante. O que não significa dizer, que seja uma obra fácil de ler.

O livro é excessivamente descritivo repleto de parágrafos intermináveis. A narração não é ininterrupta, mas descontinuada, quer seja para exposição de uma personalidade ou um conjunto de personagens, quer para descrição de linguajar, lugares e costumes, apartes para expressar a opinião do autor etc. Algumas passagens, ou capítulos do livro são simplesmente entediantes, a descrição da batalha de Waterloo, o capítulo referente à gíria, sua origem e raízes, a parte que relata a história da Corinthe desde sua fundação representam bons exemplos.

Nestes momentos caro leitor, é preciso perseverança para dar continuidade à leitura. O que impede o abandono do livro é o encantamento trazido pelo personagem principal Jean Valjean, o desenrolar de sua história e o seu embate com incansável e aturdido Javret.

Jean Valjean é um personagem sublime, extremamente comovente (inevitável lágrimas rolando em diversos momentos). Nele, talvez se encerre toda a qualidade divina projetada por Deus para os seres humanos em sua Criação.

“[...] Um malfeitor benfazejo, um miserável compassivo, meigo, prestativo, clemente, pagando com o bem o mal, perdoando a quem o odiava, preferindo a com paixão a vingança, preferindo ate perder-se a perder seu inimigo, salvando a quem nele batera, ajoelhado no alto da virtude, mais vizinho do anjo do que do homem! [...]”

Javret, encarcerado em seus modelos mentais pré-estabelecidos, incapaz de entregar-se a tão necessária mudança, “[...] era obrigado a confessar a si mesmo que esse monstro existia!”.

“[...] Estava desorientado diante dessa presença inesperada; não sabia o que fazer com esse superior, ele que não ignorava que o subordinado é obrigado a curvar-se sempre, que não deve nem desobedecer, nem censurar, nem discutir, e que, perante um superior que lhe cause demasiado espanto, o único recurso do inferior é demitir-se. Mas como fazer para pedir demissão a Deus? [...]”.

A narrativa de Hugo renova-se continuamente, de modo tal que sua obra pode ser lida como uma grande coletânea de notas tendo como elo a identidade de seus personagens. Senhor Myriel, o Bispo Bienvenu rapidamente nos afeiçoa, para logo ser suplantado de forma única e definitiva por Jean Valijean – protagonista e catalisador central da história do livro, um homem condenado a dezenove anos de prisão, pelo delito de ter roubado um pão para matar sua fome e alimentar a família. Quando liberto, Valjean é repudiado socialmente e acolhido pelo bispo. Esse encontro modifica completamente sua vida. Jean Valjean troca de nome, prospera, até que o destino (ou sua consciência) intervém arremessando-o novamente ao inferno. Outros personagens como Fantine, Javert, Corsette, Marius, etc., complementam um gama de personagens miseráveis, comoventes, sofridos, cruéis, e memoráveis.

O livro propicia um mergulho na História, na formação e movimento social de uma época (contexto histórico e cultural da França no século XIX); um olhar sobre uma sociedade rodeada pelo mar da “imensa miséria”; uma observação da humanidade, que nos incapacita fazer qualquer delimitação entre bons e maus; uma ressalva de Deus posto como infinito.

“Os Miseráveis” proporciona ao leitor inúmeras reflexões. O autor revela na miséria o avesso da sociedade, mas ao mesmo passo o que ela possui além de si. “Tristes criaturas sem nome, sem idade, sem sexo, a quem nem o bem nem o mal são mais possíveis, e que [...] Já não tem nada neste mundo, nem liberdade, nem virtude, nem responsabilidade”. Seus personagens miseráveis apontam todos os tipos de injustiça humana. Distinguem o caráter da humanidade, livre e responsável, em sua degeneração.
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Márcia 04/08/2009

Me surpreender
Não esperava muita coisa desse livrinho. Não gosto de livros muito curtos. Esperava uma adaptação mal feita e uma história chata! Mas me arrependi dos preconceitos; o livro é perfeito! MARAVILHOSO! Tem todo tipo de emoção que um livro deve ter em apenas 124 páginas! Não vou desistir de tentar ler o "original"; mas com certeza a leitura deste aqui vale muito a pena ;)
Craig 11/08/2009minha estante
O livro é bom, mas achei mastigado demais, tenho que concordar que a historia é muito boa.


Mih Alves 09/10/2009minha estante
realmente, concordo plenamente com você. esse livro é MARAVILHOSO !

também quero ler o original, mas é tãããããão grande.


Heitor 11/04/2011minha estante
estou lendo o original, é brilhante. Recomendo vocês a lerem o original, eu fiquei sem ar, sério. Teve um momento que merecia um suspense, como não teve, veio do nada. E nesse momento eu fiquei chocado. Assim que terminar, acho que irei ler a adaptação, apenas pra comparar. É pequena, não custa nada.


Isabela 06/11/2012minha estante
Tambem li uma versão adaptada e me apaixonei e estou louca pra ler o original só que não encontro em lugar nenhum ):




Nana Luh 11/07/2013

Minha bíblia.
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Raquel Lima 09/03/2012

Sem palavras, somente lágrimas...
Demorei um pouco para escrever sobre este livro, me faltavam palavras...Somente me vem uma única coisa...Clássico é clássico!!
Clássicos são eternos...Sofri em vários momentos, vivendo a miserabilidade humana tão presente em nosso século, par com a do século XIX retratada. O sofrimento dos personagens te assusta, te deixa infeliz, mas o que mais te incomoda é perceber que o sofrimento dos personagens não são tanto pelas agruras da vida, mas motivados pelos outros, pela falta de sensibilidade, egoismo, desonestidade, desamor.
Choro em muitos livros, mas este, hoje, quase quinze dias depois de ter terminado de ler, ainda me traz lágrimas. Não somente pelo medo de sofrer dos mesmos males vindas dos outros, mas de faze-los.
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Lari 07/04/2013

Uma Obra de Arte que Tranforma
Eu pensei muito antes de decidir fazer resenha para Os Miseráveis. Pra ser bem sincera, agora mesmo, enquanto eu escrevo, tenho dúvidas a respeito do que vai sair, e se vai valer a pena publicar. Eu não sei bem direito por onde começar. Por onde se começa a falar da melhor experiência literária que já se teve na vida? De algo que mexeu tão intimamente com a gente?

Victor Hugo não escreveu um livro. Ele criou uma obra de arte, dessas que têm o poder de modificar a nossa maneira de ver o mundo, de sentir e de nos relacionar com as pessoas. Nos ensinam e nos fornecem bagagem cultural. Foram dois meses e meio em que eu me senti morando na suja e fedorenta Paris do século XIX, vendo sua miséria e seu abandono de perto. Foram dois meses e meio em que Jean Valjean, Fantine, Cosette, Marius, Javert, Gavroche, Eponine, Mabeuf, Enjolras, enfim, em que todos personagens desse livro fizeram parte da minha vida. Eu os carreguei pra cima e pra baixo. Pensava neles mesmo quando não estava lendo, sonhava com eles. Com esses personagens chorei, mas também ri. Lutei ao lado deles. Os Miseráveis é daqueles livros que se economiza a leitura para manter ele por perto o máximo possível, e que quando termina ainda fica com a gente por muito tempo. É daqueles livros que se chora no final, mas não apenas pelo final em si, mas também por termos que dizer adeus.

Eu não faço a mínima ideia se era isso que eu devia estar falando. Apesar de achar que todo mundo a conhece, talvez eu devesse estar contando a história do livro. Dizendo que trata-se da trajetória de um ex prisioneiro das galés regenerado, que se chama Jean Valjean, e as demais pessoas que por um motivo ou outro cruzam seu caminho. Que todos esses personagens estão emaranhados em uma teia que une suas histórias de forma genial. Talvez eu devesse ambientar os acontecimentos no tempo e no espaço, salientando que a história começa um pouco antes da Batalha de Waterloo, no final da Era Napoleônica, e termina em torno de um ano após a Insurreição Democrática de 1832. Talvez eu devesse dizer também que esta última corresponde ao acontecimento histórico mais importante do livro.

Ou quem sabe eu poderia falar dos personagens. De como é impossível não se apaixonar perdidamente pela jovialidade infantil de Gavroche, esse destemido e irreverente menino que foi o grande responsável pelos meus momentos de riso durante a leitura. Como não se compadecer de Fantine, na minha opinião a personagem que melhor personifica a condição de miserável, e não se entristecer com seu destino? Impossível foi pra mim não sentir raiva e mágoa de Marius e Cosette, em determinado momento, embora esse sentimento não tenha permanecido por muito tempo. Como não sofrer junto com Jean Valjean? Como não sentir o coração apertado sempre que ele é posto a prova?

Eu poderia seguir a linha que a maioria segue e discorrer sobre o grande objetivo do Victor Hugo com Os Miseráveis. Falar de todo apelo e crítica social contida nessa obra, que volta os seus holofotes a uma França de que não se costumava falar, cheia de injustiça, pobreza, prostituição, abandono infantil e idoso, crueldade, criminalidade, esfregando na fuça de todos a imagem daqueles que sempre viveram às margens da sociedade e a quem ninguém nunca deu atenção.

Poderia também dizer que dentre todas reflexões e aprendizados que a obra me proporcionou, o que mais me marcou foram os embates internos dos personagens, a forma como Victor Hugo descreve um fluxo de consciência e muitas vezes racionaliza o que é inconsciente, de maneira que o leitor é transportado pra dentro de suas mentes e assiste de perto às batalhas que eles travam consigo mesmos. Nenhum outro autor até hoje conseguiu me fazer sentir tão próxima dos personagens, como se eu os conhecesse intimamente.

Enfim, eu poderia ficar uma semana aqui, escrevendo sobre mais uma série de coisas, mas o que vocês realmente precisam saber é isso: Os Miseráveis é um livro que modifica. Ninguém termina de lê-lo sendo exatamente a mesma pessoa que era quando começou, e é isso que o torna uma experiência literária completa e inesquecível.
Gabriel S. 07/04/2013minha estante
Muito bom Lari! Eu demorei quase dois meses pra ler... é uma experiência única e inigualável. Sua resenha está muito boa!!




GarotoEnxaqueca 18/03/2013

Os Miseráveis (Obra Integral)
Esperava encontrar um romance perfeito e eis que encontro um romance bom e nada mais. “Nem verdadeiro, nem genial” foi o que Flaubert opinou acerca deste livro e eu concordo com ele. Victor Hugo parece brincar de Deus durante a narrativa levando sua jangada para o ponto onde ele quer que ela vá, mas o vento que ele faz soprar não é natural. Cenas, coincidências e golpes de sorte completamente inverossímeis de acontecer aparecem em grande número na história permitindo assim que o destino dos personagens centrais siga seu caminho pré-determinado pelo autor. Deste modo, a história que aparentemente foi concebida para ser o retrato fiel da realidade se apresenta em um aspecto falso, demasiado fictício.

Além disso, o livro é extremamente descritivo e a narrativa não é contínua, soldada, mas entrecortada. Inúmeras vezes a história é interrompida seja para apresentar um personagem ou um grupo de personagens, seja para descrever um lugar, seja para fazer um retrato da França através de sua história ou de seus costumes, ou mesmo para que Victor Hugo diga sua opinião sobre algum assunto. Ainda que essas interrupções nos ajudem a compreender mais profundamente a história elas carregam o ônus de nos fazerem afastar momentaneamente dela quebrando assim o ritmo da narrativa. Todas as digressões me pareceram demasiada extensas e algumas, poderia-se dizer, enfadonhas e irrelevantes para a trama central (um exemplo é o capítulo das gírias).

O autor de novelas que quiser realmente fazer o leitor absorver seu ponto de vista sobre qualquer assunto deve sempre se mostrar em sua obra indiretamente, isto é, através de seus personagens e de pequenas nuances da narrativa. Essa é a melhor maneira de um autor se posicionar diante de uma questão importante, pois nos faz pensar muitas vezes que chegamos a certo posicionamento diante de uma questão por nós mesmo e não através do autor. Quando o autor e narrador, no caso Victor Hugo, se intromete na história de forma desvelada sem, contudo, participar diretamente dela, seus pontos de vista são claros, mas não inquietam profundamente o leitor justamente porque não somos incitados a refletir acerca da questão, mas simplesmente a aceitar ou rejeitar a opinião do autor.

Apesar do livro ser muito detalhista, artificial e remendado e apesar do fato de nunca ter lido as adaptações que fizeram deste gigantesco romance não poderia recomendar a você que nunca leu Os Miseráveis que leia a adaptação. Livros adaptados de outros são feito para leitores preguiçosos, e se você leu somente a adaptação deste livro você não leu Os Miseráveis de Victor Hugo. Além disso, quero afirmar que, apesar de tudo, eu gostei do livro. Existem passagens que achei tão fascinante que me fizeram voltar para lê-las várias vezes, a história de Jean Valjean e de outros personagens são comoventes e os três primeiros livros, especialmente o primeiro, são muito bons. Mas, contrariando o costume dos brasileiros que cobrem de elogio qualquer grande clássico, afirmo: não é um livro que cativa o leitor durante toda a leitura.
vanessamf 12/09/2012minha estante
Interessante seu ponto de vista, mas, apesar de concordar com o que disse, a experiência de ler os Miseráveis foi incrível para mim. Demorei um ano para ler tudo. Lia apenas 20 páginas por dia para poder absorver tudo com calma. Realmente não é uma obra que se leia de forma leve, porém, o jeito como ele escreve é tão bonito, que não dá para não se deixar fascinar.




Gabriel 30/01/2013

Magnífico
Ainda tomo fôlego algumas horas depois do final do da leitura deste livro para vos escrever a presente resenha... Pois bem, iniciemos.

A história dos Miseráveis passa-se entre o período da batalha de Waterloo e a revolução de 1832, na França. A narrativa discorre sobre Jean Valijean, antigo forçado que posto em liberdade dá o elo de ligação entre os acontecimentos.

Os Miseráveis é narrado em 3ª pessoa. Uma das coisas que logo nota-se no modo de escrever de Victor Hugo gosta de analisar e detalhar as características do ambiente Francês da época e de todos os lugares e situações que servem como pano de fundo da história. Então não se espante ao ler o livro e se deparar com descrições minuciosas da batalha de waterloo, do esgoto de Paris, da formação das Gírias na linguagem, entre outros. Porém esse mecanismo usado pelo autor de forma alguma deve ser mal visto, ao contrário, serve para nos transportar e entendermos melhor o que nos está sendo contado.

Uma das premissas mais importantes em uma obra como essa, sem dúvida é o poder de emocionar. Mas não de emocionar superficialmente, como um sentimento apenas passageiro, mas sim de nos tocar profundamente, causando uma revolução em nossas idéias, conceitos, nos mostrando como algumas coisas que não damos tanta importância podem ser belas, enquanto outros podem ser terríveis, e nesse ponto o livro chega a ultrapassar as fronteiras. O que se presencia na leitura deste livro não é um simples folhear de páginas, mas o real transporte para a história que está sendo contada.

Como não se encantar com a grandeza que o autor nos passa da França? Como não querer ir um dia às ruas de Paris em que se passa a história? Como não tentarmos contextualizar um livro que foi escrito no século XIX com os dias atuais e nos chocarmos em vermos tantas semelhanças e quanto o livro é ainda atual? Tudo em Os Miseráveis de uma forma ou de outra é grandioso.

Os personagens são muito bem contruídos e marcantes. Jean Valijean, personagem principal é extremamente empático, logo nos primeiros relatos já parece que temos uma ligação forte com ele, sofrendo suas dores, honrando suas alegrias, nos importando realmente com o seu caminho. Gavroche, um destes, ficará marcado para sempre, como uma união luminosa entre as suas atitudes grandiosas, como um homem, e a sua alegria de de viver de uma criança. Um dos personagens mais "sedutores" da literatura. São tantos personagens, e todos tão bem pontuados e com uma importância tão precisa na história que não dá para descrever todos.


Os Miseráveis é uma daquelas obras que nunca podem se perder da Humanidade. Bela, grandiosa, emocionante, atual,delicada, esplêndida, magnífica!
Paulinho 01/02/2013minha estante
Adorei sua Resenha Briel e concordo plenamente com ela. Lembro-me de ter-me arrepiado as cenas das barricadas. Emocionei-me tanto com esse livro. Gavroche é um dos personagens que eu mais gosto... só de lembrar dele meus olhos enchem d'água.




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