Faça seu login para ter acesso a todo conteúdo, participe também do sorteio de cortesias diárias. É rápido e gratuito! :) Entrar
Login
Livros | Autores | Editoras | Grupos | Trocas | Cortesias

A Trégua

Mario Benedetti
Resenhas
Mais Gostaram
60 encontrados | exibindo 1 a 5
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12


Renata CCS 18/10/2013

“Às vezes me sinto infeliz simplesmente por não saber do que estou sentindo falta.” (A Trégua, p.17)

Foram diversas as indicações e resenhas positivas aqui no Skoob que me fizeram ler A TRÉGUA de Mario Benedetti. Fui completamente fisgada pelo livro! É sereno, comovente, belíssimo. A narrativa em tom confessional, em forma de diário do protagonista, fez-me sentir mais do que uma simples leitora, mas uma espécie de confidente ou testemunha do percurso de sua vida.

Martín Santomé, à beira dos 50 anos, sente que já viveu mais do que tem pela frente. Ele é um homem só, viúvo há 20 anos, coube a ele a educação dos três filhos dos quais sempre se sentiu distante. O emprego burocrático numa repartição comercial esmaga seus dias e tudo o que ele mais aspira é a sua aposentadoria. Anseia por esses tempos de liberdade, mas ao mesmo tempo receia não saber o que fazer com todo o tempo que terá disponível. Até que aparece em sua vida a jovem Laura Avellaneda, a sua nova funcionária, que parece ser o que faltava para dar uma trégua na solidão e espantá-la para longe. Então apaixona-se! De forma inesperada encontra o amor no local de trabalho. Ela é muito mais nova, como se fosse, curiosamente, mais um lembrete do tempo. Surgem os receios: o medo da velhice e de ser rejeitado. Porém, é correspondido, renasce, comete algumas loucuras, é feliz e encontra alguma paz que precisava. Este livro é o seu diário de angústias, de felicidades, e é a sua coleção de aspirações e medos sobre o futuro e os seus pensamentos acerca do que viveu.

Benedetti narra aqui uma história que vai além das tradicionais narrativas românticas. Ele fala sobre solidão de um ponto de vista que é completamente devastador para quem lê, pois fala de dentro do vazio que todos sentimos em algum momento. E ao fazer isso, ele transporta o leitor para dentro da história e, a partir daí, não é mais possível largar o livro!

O autor escreve sem floreios, com uma simplicidade e honestidade que nos arrebatam logo nas primeiras páginas. Sua delicadeza e sutileza na forma como construiu um personagem tão complexo emocionalmente e aparentemente sem brilho - do tipo que constituem a maior parte de nossa sofrida humanidade - sua sabedoria para compor uma história emocionante a partir de fatos simplórios é o que mais me cativou em Benedetti. Ele tece uma narrativa engraçada e em alguns momentos irônica, transmite as suas conclusões e as suas observações de forma especial, com espírito crítico, mas ao mesmo tempo, com uma suavidade que só a beleza da escrita bem conseguida pode permitir.

A TRÉGUA discorre sobre questões como a redescoberta do amor, a busca da felicidade, seu verdadeiro significado e uma profunda reflexão sobre o tempo: o que já vivemos, o que ainda temos para viver e o tempo que temos a sensação que nos escapa.

Fiquei completamente arrebatada e encantada pela escrita de Mario Benedetti. Um livro que li como um segredo que tinha que saber ou um desabafo que não podia mais ser guardado.

Para ler e reler, sem trégua.
Renata CCS 06/12/2013minha estante
Este foi o meu primeiro - e inesquecível - Benedetti . Não sei pq demorei tanto tempo para encontrá-lo. Sem dúvida, vou buscar outras obras deste escritor.


Mona 08/11/2013minha estante
Linda resenha, cheia de sensibilidade! Acabei de lê-lo e é realmente um livro marcante, uma história para levar por toda a vida.


Maria Luísa 07/11/2013minha estante
Benedetti sempre tem palavras para os momentos mais introspectivos, aqueles cujo silêncio parece silenciar toda uma vida, ainda que haja um coração gritante.


Manuella 01/11/2013minha estante
Amei esse livro, Renata! Sua resenha está perfeita, realmente nos envolvemos tanto com Santomé e ficamos apaixonados pela escrita de Benedetti!


Helder 28/10/2013minha estante
Bela resenha. Tenho este livro em casa e está na minha fila faz tempo. Acho que vou passa-lo na frente de outros.


Renata CCS 21/10/2013minha estante
Obrigada aos colegas pelos gentis comentários!
Benedetti é mais do que um escritor: é um artista. Ele pinta com palavras. A sua prosa passeia pela poesia e conseguiu me encantar nas primeiras linhas. Juro que me emocionei logo nas primeiras páginas. Fiquei fascinada.


Joy 21/10/2013minha estante
Que resenha poética! Deu até vontade de reler este livro.
Beijos.


VICKY 21/10/2013minha estante
Nossa Renata! Você me "fisgou" com esta resenha! Não conhecia este escritor, mas vou buscar esta leitura.


19/10/2013minha estante
Renata querida, não vale fazer uma resenha tão bonita que a minha fique quase sem graça. Adorei sua resenha amiga! Eu também me apaixonei por "A Trégua", chorei e fiquei com uma saudade qdo terminei. bjos!!!


Arsenio Meira 19/10/2013minha estante
Renata, eis uma resenha que, espero, incentive outras pessoas a enveredar pelo caminho desse romance único, lindo e sensível, tão bem descrito por você, que é "A Trégua."


Nanci 18/10/2013minha estante
Renata,
Como já li, depois da sua resenha e de ter conhecido outro bom livro do Benedetti, só partindo para releitura - A trégua é um romance de muitas qualidades.
Beijo.




Paula 16/07/2012

Um grande amor pode ser uma trégua na vida
Depois de ler "A Trégua" do Mario Benedetti, não consegui ler nenhum outro livro hoje, como pretendia ter feito. Parece que a história ainda estava em mim e nada mais cabia. Tampouco conseguia dizer algo sobre o que li, como se quisesse guardar todas as palavras, todos os sentimentos contidos nesse pequeno livrinho só para mim. Danniel Pennac, em Como um romance, um outro favorito, diz na página 75, que: "Aquilo que lemos, calamos. O prazer do livro lido, guardamos, quase sempre, no segredo de nosso ciúme. Seja porque não vemos nisso assunto para discussão, seja porque, antes de podermos dizer alguma coisa, precisamos deixar o tempo fazer seu delicioso trabalho de destilação. E este silêncio é a garantia de nossa intimidade. O livro foi lido, mas estamos nele, ainda.Lemos e calamos. Calamos porque lemos". E Pennac tem toda razão. Certos livros despertam em nós tantos sentimentos que, como leitores, temos todo o direito de nos calar, de nada dizer. Permaneço em silêncio, porque o livro ainda está em mim, sendo destilado lentamente. Que ele seja uma pequena "trégua" no meu dia. Mas recomendo esse livro com todas as estrelas, o melhor do Benedetti que eu já li até hoje. Pela sutileza, pela forma delicada com que ele constrói um personagem emocionalmente tão complexo, com que ele traça sua solidão, sua redescoberta do amor depois de tanto tempo. Acho que esse é um livro que não envelhece nunca por falar de sentimentos atemporais que, ao meu ver, fazem parte da vida dos grandes centros urbanos, independente do país ao qual pertençam. Reitero meu encantamento por esse escritor uruguaio que consegue por no papel todas as vozes e todos os silêncios de um coração.
Renata CCS 21/10/2013minha estante
Sua resenha foi uma das que me inspirou a leitura deste livro. Fiquei fascinada! Entrou para a minha lista de favoritos.


Juliana 26/07/2012minha estante
Nossa...tudo o que eu queria dizer,e não tive palavras suficientes para escrever. Linda resenha.


Alebarros 26/07/2010minha estante
Que linda sua resenha. Esse vai pra minha estante.


Sandra :-) 21/06/2010minha estante
Muito linda sua resenha. Parabéns :-))


Olivia Maia 25/05/2010minha estante
Também fiquei com essa sensação quando terminei de ler esse livro. Desses que depois de ler a gente tem que sair pra dar uma volta. Precisei dar um tempo pra história largar de mim e dar espaço pra outras. :)


Dirce 16/05/2010minha estante
Parabéns,Paulinha. Mas uma vez sua resenha vem carregada de grande sensibilidade, o

que torna as leituras de suas resenhas muito prazerosas.

bjs



Ana 16/05/2010minha estante
do Benedetti só li o 'Correio do tempo'. Adorei sua resenha. 'A trégua' será o próximo ...




Nanci 07/11/2013

Pena que a vida é tão curta. Pena que a vida seja tão longa.
“A trégua”, de Mario Benedetti, publicado originalmente em 1960; traduzido por Joana Angelica D’Avila Melo, lançado no Brasil, pela Editora Objetiva/ Alfaguara, em 2007.

Leitura em maio de 2011.

Duas coisas me chamaram a atenção para “A trégua”: 1. Trata-se do diário de um homem cinquentão e viúvo – Martín Santomé -, que conta os dias para sua aposentadoria; 2. A epígrafe* escolhida por Benedetti: um poema do escritor de vanguarda chileno, Vicente Huidobro que, segundo a crítica especializada, tem a estatura poética de Neruda, no Chile. Até esse encontro, eu desconhecia ambos, mas imaginei que Benedetti tivesse apreço e conhecimento profundo da obra de Huidobro. [“Es para llorar que la vida es tan corta. Es para llorar que la vida es tan larga. (…) Es para llorar que la muerte es tan rápida. Es para llorar que la muerte es tan lenta.”]

Assim, antecipadamente envolvida por poesia e tristeza, li este romance marcante, que é mais do que uma história de amor. No começo, pensei em ler um dia do diário por dia, mas o primeiro registro ocupa apenas uma página e não queria abandonar Santomé, tão rapidamente, à sua rotina, à monotonia de sua vida. Afinal, apesar de viver com os filhos, Santomé é um homem solitário, cuja habilidade de seu criador, nos aproxima e nos faz amigos, prontos a compartilhar de seus receios e desesperança.

A leitura de A trégua é extremamente prazerosa, tanto nos momentos difíceis, quanto nas alegrias. O diário de Santomé cobre o período de um ano – é nesse breve intervalo de tempo que sua vida ganha um novo sentido: a redescoberta do amor, quando de seu encontro casual com Laura Avellaneda, igualmente uma personagem irretocável de Benedetti. Como prometido a si mesmo, Santomé encerrou seu diário no dia de sua aposentadoria, ainda sem saber o que faria com seu tempo livre. De minha parte, e comovida com essa narrativa sobre vida, amor e perda, quase me convenço de que minha posse mais valiosa é o tempo presente.

Leiam Benedetti o quanto antes – um tempo que vale a pena despender.

*Minha mão direita é uma andorinha
Minha mão esquerda é um cipreste
Minha cabeça, de frente, é um senhor vivo
E, de trás, é um senhor morto.
- Vicente Huidobro
Nanci 07/03/2014minha estante
Ladyce e Raffa:

A trégua tem tanta força narrativa, que é capaz de agradar leitores tão diferentes, e fazê-los falar sobre a história, sempre com entusiasmo e verdade.

Também entrou para minha lista de preferidos de todos os tempos.


Raffa 07/03/2014minha estante
Um dos melhores livros que já li. Maravilhoso.


Ladyce 01/03/2014minha estante
De longe um dos melhores livros que li nos últimos anos. Está entre os meus preferidos de todos os tempos, até porque é quase prosa/poesia, já que tão pequeno e tão sensível.


Nanci 23/11/2013minha estante
Arsenio:

E que essa quadra do Huidobro nos faça lembrar da poesia do Benedetti - como ouvir uma música familiar e não conseguir cantarolar com outras palavras, a não ser as originais, sabe? Um pertencimento perturbador.


Arsenio Meira 23/11/2013minha estante
Nanci, além da comovente comovida resenha, que li e reli, esse fecho com a quadra meteoro do Vicente Huidobro vale por mil e quinhentas palavras.

O que fica é uma vontade grande de reler o romance. bjo


Paty ;D 19/11/2013minha estante
:D


Nanci 07/11/2013minha estante
Verdade, Renata.

Ato falho, A trégua ficou fora quando refiz meu cadastro e estante no Skoob... Ontem relendo comentários sobre essa jóia, decidi corrigir meu esquecimento.


Renata CCS 07/11/2013minha estante
"De minha parte, e comovida com essa narrativa sobre vida, amor e perda, quase me convenço de que minha posse mais valiosa é o tempo presente." Uma pintura este trecho de sua resenha, Nanci. Muito lindo!
Uma paixão este livro, não é mesmo?




Camila 28/05/2014

Esse livro é SEN-SA-CI-O-NAL. Lindo demais.

A escrita, as reflexões, os questionamentos, a própria "trégua" em si.

Mostra que mesmo aos 50, 60 anos, ainda é tempo de mudar, de ser feliz (ou tentar), de arriscar, de se arrepender, de se perdoar, de amar - sobretudo de amar.

Quero reler muitas vezes. Quero conhecer outras obras do autor.

Recomendo. Sem erro.
comentários(0)comente



Mariana. 05/08/2010

Eis um livro que mobiliza todas as emoções. Desde a desesperança de quem vê os dias passarem sem que nada os marque com algum significado, o tédio, a mesmice, a solidão, a dificuldade de comunicação mesmo com os mais próximos, passando pelo surgimento do amor, a sua redescoberta, e, com ela, a delicadeza, a fragilidade, o medo, o vigor restaurado, a ternura, a urgência de vida, a felicidade, mas também a inércia e o desespero, até o coração se transformar em "uma coisa enorme que começa no estômago e termina na garganta".

Em forma de diário, isso tudo adquire a mais sincera e encantadora das formas, de modo a leitura equivaler a um verdadeiro mergulho nos sentimentos de Martín Santomé, que são os sentimentos comuns a todos nós. Não bastasse, ainda produz o efeito temerário de se enxergar no personagem no momento de vida em que ele está, e, assim, poder olhar a vida de um ponto que, por vezes, parece sufocantemente definitivo.

"Meu modo de amar é esse, um pouco reticente, reservando o máximo somente para as grandes ocasiões. Talvez haja uma razão para isso na minha mania por matizes, por graduações. De modo que, se estivesse sempre me expressando no limite, o que deixaria para esses momentos (há uns quatro ou cinco em toda uma vida para cada indivíduo) em que alguém deve dar tudo de si? Também sinto um leve receio de ser piegas, e para mim pieguice é justamente isso: andar sempre com os sentimentos à flor da pele. (...) Quero dizer que é praticamente impossível viver em uma crise permanente, fabricando-se uma impressionabilidade em que a pessoa possa submergir (uma espécie de banho diário) em pequenas agonias. (...) a vida é suficientemente amarga para que, além disso, fiquemos chorosos, melindrosos ou histéricos só porque algo se antepôs em nosso caminho e não nos deixa seguir nosso percurso até a felicidade, que às vezes vai lado a lado com o desatino."

Inevitável ser "piegas", no caso. O último e mais intenso matiz dos sentidos é o que permanecerá aceso durante toda a leitura. Não lembro de um livro que tenha feito transbordar tantas sensações, tantas percepções e que, por isso, tenha se convertido num tamanho exercício de coragem, como aconteceu com esse livrinho.

Mais que recomendado, um verdadeiro presente na vida.
Renata CCS 07/10/2013minha estante
Uma bela resenha!


Fabrício 30/04/2012minha estante
Linda resenha! Concordo com tudo, acabei de lê-lo e é realmente um livro pra ser lembrado por muito tempo.


Julyana 05/08/2010minha estante
Resenha perfeita, Mari!
Fiquei até com vontade de reler o livro...


Alebarros 05/08/2010minha estante
Linda resenha, Mari. Tenho que ler este livrinho.




60 encontrados | exibindo 1 a 5
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12



Publicidade


logo skoob beta
"O encontro dos livros com a web"

Ministério da Cultura