A trégua

Mario Benedetti



Resenhas - A Trégua


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Renata CCS 18/10/2013

Às vezes me sinto infeliz simplesmente por não saber do que estou sentindo falta. (A Trégua, p.17)

Foram diversas as indicações e resenhas positivas aqui no Skoob que me fizeram ler A TRÉGUA de Mario Benedetti. Fui completamente fisgada pelo livro! É sereno, comovente, belíssimo. A narrativa em tom confessional, em forma de diário do protagonista, fez-me sentir mais do que uma simples leitora, mas uma espécie de confidente ou testemunha do percurso de sua vida.

Martín Santomé, à beira dos 50 anos, sente que já viveu mais do que tem pela frente. Ele é um homem só, viúvo há 20 anos, coube a ele a educação dos três filhos dos quais sempre se sentiu distante. O emprego burocrático numa repartição comercial esmaga seus dias e tudo o que ele mais aspira é a sua aposentadoria. Anseia por esses tempos de liberdade, mas ao mesmo tempo receia não saber o que fazer com todo o tempo que terá disponível. Até que aparece em sua vida a jovem Laura Avellaneda, a sua nova funcionária, que parece ser o que faltava para dar uma trégua na solidão e espantá-la para longe. Então apaixona-se! De forma inesperada encontra o amor no local de trabalho. Ela é muito mais nova, como se fosse, curiosamente, mais um lembrete do tempo. Surgem os receios: o medo da velhice e de ser rejeitado. Porém, é correspondido, renasce, comete algumas loucuras, é feliz e encontra alguma paz que precisava. Este livro é o seu diário de angústias, de felicidades, e é a sua coleção de aspirações e medos sobre o futuro e os seus pensamentos acerca do que viveu.

Benedetti narra aqui uma história que vai além das tradicionais narrativas românticas. Ele fala sobre solidão de um ponto de vista que é completamente devastador para quem lê, pois fala de dentro do vazio que todos sentimos em algum momento. E ao fazer isso, ele transporta o leitor para dentro da história e, a partir daí, não é mais possível largar o livro!

O autor escreve sem floreios, com uma simplicidade e honestidade que nos arrebatam logo nas primeiras páginas. Sua delicadeza e sutileza na forma como construiu um personagem tão complexo emocionalmente e aparentemente sem brilho - do tipo que constituem a maior parte de nossa sofrida humanidade - sua sabedoria para compor uma história emocionante a partir de fatos simplórios é o que mais me cativou em Benedetti. Ele tece uma narrativa engraçada e em alguns momentos irônica, transmite as suas conclusões e as suas observações de forma especial, com espírito crítico, mas ao mesmo tempo, com uma suavidade que só a beleza da escrita bem conseguida pode permitir.

A TRÉGUA discorre sobre questões como a redescoberta do amor, a busca da felicidade, seu verdadeiro significado e uma profunda reflexão sobre o tempo: o que já vivemos, o que ainda temos para viver e o tempo que temos a sensação que nos escapa.

Fiquei completamente arrebatada e encantada pela escrita de Mario Benedetti. Um livro que li como um segredo que tinha que saber ou um desabafo que não podia mais ser guardado.

Para ler e reler, sem trégua.
Nanci 18/10/2013minha estante
Renata,
Como já li, depois da sua resenha e de ter conhecido outro bom livro do Benedetti, só partindo para releitura - A trégua é um romance de muitas qualidades.
Beijo.


Arsenio Meira 19/10/2013minha estante
Renata, eis uma resenha que, espero, incentive outras pessoas a enveredar pelo caminho desse romance único, lindo e sensível, tão bem descrito por você, que é "A Trégua."


19/10/2013minha estante
Renata querida, não vale fazer uma resenha tão bonita que a minha fique quase sem graça. Adorei sua resenha amiga! Eu também me apaixonei por "A Trégua", chorei e fiquei com uma saudade qdo terminei. bjos!!!


VICKY 21/10/2013minha estante
Nossa Renata! Você me "fisgou" com esta resenha! Não conhecia este escritor, mas vou buscar esta leitura.


Joy 21/10/2013minha estante
Que resenha poética! Deu até vontade de reler este livro.
Beijos.


Renata CCS 21/10/2013minha estante
Obrigada aos colegas pelos gentis comentários!
Benedetti é mais do que um escritor: é um artista. Ele pinta com palavras. A sua prosa passeia pela poesia e conseguiu me encantar nas primeiras linhas. Juro que me emocionei logo nas primeiras páginas. Fiquei fascinada.


Helder 28/10/2013minha estante
Bela resenha. Tenho este livro em casa e está na minha fila faz tempo. Acho que vou passa-lo na frente de outros.


Manuella 01/11/2013minha estante
Amei esse livro, Renata! Sua resenha está perfeita, realmente nos envolvemos tanto com Santomé e ficamos apaixonados pela escrita de Benedetti!


Maria Luísa 07/11/2013minha estante
Benedetti sempre tem palavras para os momentos mais introspectivos, aqueles cujo silêncio parece silenciar toda uma vida, ainda que haja um coração gritante.


Mona 08/11/2013minha estante
Linda resenha, cheia de sensibilidade! Acabei de lê-lo e é realmente um livro marcante, uma história para levar por toda a vida.


Renata CCS 06/12/2013minha estante
Este foi o meu primeiro - e inesquecível - Benedetti . Não sei pq demorei tanto tempo para encontrá-lo. Sem dúvida, vou buscar outras obras deste escritor.




Paula 16/07/2012

Um grande amor pode ser uma trégua na vida
Depois de ler "A Trégua" do Mario Benedetti, não consegui ler nenhum outro livro hoje, como pretendia ter feito. Parece que a história ainda estava em mim e nada mais cabia. Tampouco conseguia dizer algo sobre o que li, como se quisesse guardar todas as palavras, todos os sentimentos contidos nesse pequeno livrinho só para mim. Danniel Pennac, em Como um romance, um outro favorito, diz na página 75, que: "Aquilo que lemos, calamos. O prazer do livro lido, guardamos, quase sempre, no segredo de nosso ciúme. Seja porque não vemos nisso assunto para discussão, seja porque, antes de podermos dizer alguma coisa, precisamos deixar o tempo fazer seu delicioso trabalho de destilação. E este silêncio é a garantia de nossa intimidade. O livro foi lido, mas estamos nele, ainda.Lemos e calamos. Calamos porque lemos". E Pennac tem toda razão. Certos livros despertam em nós tantos sentimentos que, como leitores, temos todo o direito de nos calar, de nada dizer. Permaneço em silêncio, porque o livro ainda está em mim, sendo destilado lentamente. Que ele seja uma pequena "trégua" no meu dia. Mas recomendo esse livro com todas as estrelas, o melhor do Benedetti que eu já li até hoje. Pela sutileza, pela forma delicada com que ele constrói um personagem emocionalmente tão complexo, com que ele traça sua solidão, sua redescoberta do amor depois de tanto tempo. Acho que esse é um livro que não envelhece nunca por falar de sentimentos atemporais que, ao meu ver, fazem parte da vida dos grandes centros urbanos, independente do país ao qual pertençam. Reitero meu encantamento por esse escritor uruguaio que consegue por no papel todas as vozes e todos os silêncios de um coração.
Ana 16/05/2010minha estante
do Benedetti só li o 'Correio do tempo'. Adorei sua resenha. 'A trégua' será o próximo ...


Dirce 16/05/2010minha estante
Parabéns,Paulinha. Mas uma vez sua resenha vem carregada de grande sensibilidade, o

que torna as leituras de suas resenhas muito prazerosas.

bjs



Olivia Maia 25/05/2010minha estante
Também fiquei com essa sensação quando terminei de ler esse livro. Desses que depois de ler a gente tem que sair pra dar uma volta. Precisei dar um tempo pra história largar de mim e dar espaço pra outras. :)


Sandra :-) 21/06/2010minha estante
Muito linda sua resenha. Parabéns :-))


Alebarros 26/07/2010minha estante
Que linda sua resenha. Esse vai pra minha estante.


Juliana 26/07/2012minha estante
Nossa...tudo o que eu queria dizer,e não tive palavras suficientes para escrever. Linda resenha.


Renata CCS 21/10/2013minha estante
Sua resenha foi uma das que me inspirou a leitura deste livro. Fiquei fascinada! Entrou para a minha lista de favoritos.




Nanci 07/11/2013

Pena que a vida é tão curta. Pena que a vida seja tão longa.
A trégua, de Mario Benedetti, publicado originalmente em 1960; traduzido por Joana Angelica DAvila Melo, lançado no Brasil, pela Editora Objetiva/ Alfaguara, em 2007.

Leitura em maio de 2011.

Duas coisas me chamaram a atenção para A trégua: 1. Trata-se do diário de um homem cinquentão e viúvo Martín Santomé -, que conta os dias para sua aposentadoria; 2. A epígrafe* escolhida por Benedetti: um poema do escritor de vanguarda chileno, Vicente Huidobro que, segundo a crítica especializada, tem a estatura poética de Neruda, no Chile. Até esse encontro, eu desconhecia ambos, mas imaginei que Benedetti tivesse apreço e conhecimento profundo da obra de Huidobro. [Es para llorar que la vida es tan corta. Es para llorar que la vida es tan larga. () Es para llorar que la muerte es tan rápida. Es para llorar que la muerte es tan lenta.]

Assim, antecipadamente envolvida por poesia e tristeza, li este romance marcante, que é mais do que uma história de amor. No começo, pensei em ler um dia do diário por dia, mas o primeiro registro ocupa apenas uma página e não queria abandonar Santomé, tão rapidamente, à sua rotina, à monotonia de sua vida. Afinal, apesar de viver com os filhos, Santomé é um homem solitário, cuja habilidade de seu criador, nos aproxima e nos faz amigos, prontos a compartilhar de seus receios e desesperança.

A leitura de A trégua é extremamente prazerosa, tanto nos momentos difíceis, quanto nas alegrias. O diário de Santomé cobre o período de um ano é nesse breve intervalo de tempo que sua vida ganha um novo sentido: a redescoberta do amor, quando de seu encontro casual com Laura Avellaneda, igualmente uma personagem irretocável de Benedetti. Como prometido a si mesmo, Santomé encerrou seu diário no dia de sua aposentadoria, ainda sem saber o que faria com seu tempo livre. De minha parte, e comovida com essa narrativa sobre vida, amor e perda, quase me convenço de que minha posse mais valiosa é o tempo presente.

Leiam Benedetti o quanto antes um tempo que vale a pena despender.

*Minha mão direita é uma andorinha
Minha mão esquerda é um cipreste
Minha cabeça, de frente, é um senhor vivo
E, de trás, é um senhor morto.
- Vicente Huidobro
Renata CCS 07/11/2013minha estante
"De minha parte, e comovida com essa narrativa sobre vida, amor e perda, quase me convenço de que minha posse mais valiosa é o tempo presente." Uma pintura este trecho de sua resenha, Nanci. Muito lindo!
Uma paixão este livro, não é mesmo?


Nanci 07/11/2013minha estante
Verdade, Renata.

Ato falho, A trégua ficou fora quando refiz meu cadastro e estante no Skoob... Ontem relendo comentários sobre essa jóia, decidi corrigir meu esquecimento.


Paty ;D 19/11/2013minha estante
:D


Arsenio Meira 23/11/2013minha estante
Nanci, além da comovente comovida resenha, que li e reli, esse fecho com a quadra meteoro do Vicente Huidobro vale por mil e quinhentas palavras.

O que fica é uma vontade grande de reler o romance. bjo


Nanci 23/11/2013minha estante
Arsenio:

E que essa quadra do Huidobro nos faça lembrar da poesia do Benedetti - como ouvir uma música familiar e não conseguir cantarolar com outras palavras, a não ser as originais, sabe? Um pertencimento perturbador.


Ladyce 01/03/2014minha estante
De longe um dos melhores livros que li nos últimos anos. Está entre os meus preferidos de todos os tempos, até porque é quase prosa/poesia, já que tão pequeno e tão sensível.


Raffa 07/03/2014minha estante
Um dos melhores livros que já li. Maravilhoso.


Nanci 07/03/2014minha estante
Ladyce e Raffa:

A trégua tem tanta força narrativa, que é capaz de agradar leitores tão diferentes, e fazê-los falar sobre a história, sempre com entusiasmo e verdade.

Também entrou para minha lista de preferidos de todos os tempos.




Jow 12/01/2012

Only the weak are not lonely.
[]
Do I love you, or the thought of you?

Slow, love, slow
Only the weak are not lonely

Nightwish - Slow, love, slow


Amamos aquilo que amamos. A razão não entra nisso! Sob muitos aspectos, o amor insensato é o mais verdadeiro. Qualquer um pode amar uma coisa "por causa de." É tão fácil como pôr um vintém no bolso. Mas, amar algo "apesar de", conhecer suas falhas e amá-las também, isso é raro, puro e perfeito.

A Trégua é o principal livro do uruguaio Mario Benedetti, e devo acrescentar já aqui que este é um dos melhores livros que já tive o prazer de ler nesta minha breve vida! Em formato de diário, o livro traz um enredo simples e direto, como convém às grandes histórias, executado com um primor narrativo inquestionável.

Tal diário nos conta a história de Martín Salomé, um homem beirando os 50 anos que se vê a poucos meses da sua tão sonhada aposentadoria. Viúvo há duas décadas, enquanto vê se aproximar o fim dos seus dias de trabalho burocrático numa importadora de autopeças, ele constata quanto rotineiros e previsíveis têm sido seus dias desde a morte da sua mulher. Martín não sofre pela viuvez, mas sim por sentir-se ressequido em relação às afetividades. Ao longo da narrativa revela-se a caótica relação que Martín possui com seus filhos, quantos díspares podem ser seus sentimentos paternais. Nenhum dos meus filhos se parece comigo, escreve o narrador antes de definir sua prole. Esteban, o mais arredio e mais incompreendido por Martín. Jaime, talvez seu preferido, parece sensível e inteligente, mas não honesto. E, por fim, Blanca, com quem comparte uma característica da personalidade: ela também é uma triste com vocação de alegre. Os quatro dividem a mesma casa, embora quase nunca se comuniquem. Estão unidos por uma espécie de isolamento que se complementa no coletivo.

Martín é um personagem construído com esmero. À medida que a leitura avança, descortina-se um homem inseguro, perdido na incapacidade de lidar com o tempo e em sua própria passividade em relação à vida. No entanto, tudo muda no momento em que ele encontra a jovem Laura Avellaneda, uma boa moça, de traços definidos, de gente leal. Com Laura, ele se redescobre capaz de amar de novo. Descobre que não está ressequido afetivamente, como imaginava. E se encoraja a uma mudança de vida que inclui um acordo de relação pautada na liberdade, na falta de planos e de promessas.

A Tregua é declaradamente uma história de amor. Mas ao mesmo tempo, é muito mais que isso. É uma busca, uma redenção, uma dor, é um entendimento sob si próprio sob a luz da ironia. É luz e é... Assusta-me dizer isso... Treva. A angústia de Martin nos angustia, a sua felicidade nos faz felizes, tal a capacidade de Mario Benedetti explorar os sentimentos da gente. Eu disse explorar, mas para explorar não quis dizer que tivesse de ser um livro grande e repetitivo. A Trégua é o que é, em 180 páginas de se ler em um dia.

Um livro perfeito de Mário Benedetti. Mais uma boa surpresa da Alfaguara. Mais um livro daqueles para levar por toda a vida.
Alan Ventura 12/01/2012minha estante
Muito bom saber que você gostou tanto do livro "um dos melhores livros que já tive o prazer de ler nesta minha breve vida", acho que isso deve me dar um crédito a mais pra você não duvidar quando eu disser "Jow, você tem que ler tal livro!" rs. Muito boa sua resenha, embora eu a considere mais simples do que as outras que você escreveu, talvez porque esse livro tenha nos marcado pela história linda e pela simplicidade e você tenha compreendido isso. Está de parabéns!


Fran Kotipelto 16/01/2012minha estante
"No entanto, tudo muda no momento em que ele encontra a jovem Laura Avellaneda..." Muito bom encontrar alguém que muda nossa vida assim, sem avisar...! Assim como é sempre delicioso ler suas resenhas. Está aí um livro que eu não conhecia,mas que vai pra minha lista de futuras aquisições.Parabéns dear Jow.


Taty 15/04/2012minha estante
oi gostei vai para a minha estante quero ler este livro... amei.




Camila 28/05/2014

Esse livro é SEN-SA-CI-O-NAL. Lindo demais.

A escrita, as reflexões, os questionamentos, a própria "trégua" em si.

Mostra que mesmo aos 50, 60 anos, ainda é tempo de mudar, de ser feliz (ou tentar), de arriscar, de se arrepender, de se perdoar, de amar - sobretudo de amar.

Quero reler muitas vezes. Quero conhecer outras obras do autor.

Recomendo. Sem erro.
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Mariana. 05/08/2010

Eis um livro que mobiliza todas as emoções. Desde a desesperança de quem vê os dias passarem sem que nada os marque com algum significado, o tédio, a mesmice, a solidão, a dificuldade de comunicação mesmo com os mais próximos, passando pelo surgimento do amor, a sua redescoberta, e, com ela, a delicadeza, a fragilidade, o medo, o vigor restaurado, a ternura, a urgência de vida, a felicidade, mas também a inércia e o desespero, até o coração se transformar em "uma coisa enorme que começa no estômago e termina na garganta".

Em forma de diário, isso tudo adquire a mais sincera e encantadora das formas, de modo a leitura equivaler a um verdadeiro mergulho nos sentimentos de Martín Santomé, que são os sentimentos comuns a todos nós. Não bastasse, ainda produz o efeito temerário de se enxergar no personagem no momento de vida em que ele está, e, assim, poder olhar a vida de um ponto que, por vezes, parece sufocantemente definitivo.

"Meu modo de amar é esse, um pouco reticente, reservando o máximo somente para as grandes ocasiões. Talvez haja uma razão para isso na minha mania por matizes, por graduações. De modo que, se estivesse sempre me expressando no limite, o que deixaria para esses momentos (há uns quatro ou cinco em toda uma vida para cada indivíduo) em que alguém deve dar tudo de si? Também sinto um leve receio de ser piegas, e para mim pieguice é justamente isso: andar sempre com os sentimentos à flor da pele. (...) Quero dizer que é praticamente impossível viver em uma crise permanente, fabricando-se uma impressionabilidade em que a pessoa possa submergir (uma espécie de banho diário) em pequenas agonias. (...) a vida é suficientemente amarga para que, além disso, fiquemos chorosos, melindrosos ou histéricos só porque algo se antepôs em nosso caminho e não nos deixa seguir nosso percurso até a felicidade, que às vezes vai lado a lado com o desatino."

Inevitável ser "piegas", no caso. O último e mais intenso matiz dos sentidos é o que permanecerá aceso durante toda a leitura. Não lembro de um livro que tenha feito transbordar tantas sensações, tantas percepções e que, por isso, tenha se convertido num tamanho exercício de coragem, como aconteceu com esse livrinho.

Mais que recomendado, um verdadeiro presente na vida.
Alebarros 05/08/2010minha estante
Linda resenha, Mari. Tenho que ler este livrinho.


Julyana 05/08/2010minha estante
Resenha perfeita, Mari!
Fiquei até com vontade de reler o livro...


Fabrício 30/04/2012minha estante
Linda resenha! Concordo com tudo, acabei de lê-lo e é realmente um livro pra ser lembrado por muito tempo.


Renata CCS 07/10/2013minha estante
Uma bela resenha!




08/08/2013

Um indivíduo na sua busca pela felicidade

A trégua vem em forma de diário e descreve dia a dia os meses que antecedem a aposentadoria de Martin Salomé . Homem viúvo, burocrata, às vésperas de completar 50 anos, que narra seus dias com pinceladas muitas vezes amargas e com um pessimismo cruel em relação a vida. Inteligente ,perspicaz, irônico e ao mesmo tempo tão incapaz de demonstrar qualquer tipo de afeto aos três filhos ou com quem divide seu cotidiano. O romance nos conta uma “trégua” presenteada por Deus em determinado momento de sua vida. Essa trégua seria pequenos e raros momentos de plena felicidade, que as vezes só percebemos quando eles já se foram. Quando se percebe apaixonado por Avellaneda, uma nova estagiária na empresa em que trabalha, Martin não acredita que tem direito a viver intensamente este novo sentimento, e busca desculpas não se achando merecedor desse amor. A partir da convivência com a simples e ingênua Avellaneda vê seus dias ganharem um novo colorido e se rende à paixão.
“ É evidente que Deus me concedeu um destino escuro. Nem sequer cruel. Simplesmente escuro. É evidente que me concedeu uma trégua. No início, resisti a acreditar que isso pudesse ser a felicidade. Resisti com todas as minhas forças, depois me dei por vencido e acreditei. Mas não era a felicidade, era só uma trégua.”
Mario Benedetti consegue traduzir em palavras todo sentimento dos personagens. Livro forte , denso, arrebatador! Um indivíduo na sua busca pela felicidade. Não preciso dizer o quanto me emocionei e chorei com este romance. Aí de mim se conseguisse olhar para o meu cotidiano e buscar palavras que o definissem tão bem quanto ele. Por fim me perguntei se Deus concede a todos essa mesma “trégua? Se chegamos a perceber quando nossa vida sai, em raros momentos, do preto e branco e abre-se num sorriso extraordinariamente colorido.
Arsenio Meira 23/08/2013minha estante
Isso Sú!
A TRÉGUA é um romance tão belo, e como você bem descreveu, tão forte e denso, que a leitura chega a doer.
Um clássico. O romance já nasceu clássico. Daqui a 5 mil anos, ele permanecerá atual. Se vida houver ainda na Terra, será lido e amado.


Renata CCS 20/09/2013minha estante
Olá Sú, já ouvi falar muito deste livro, e sua resenha me deixou mais curiosa! Ainda não li nada de Mario Benedetti mas vou colocá-lo em minha lista de próximas aquisições. Abraços!


25/09/2013minha estante
É isso mesmo querido Arsenio, um lindo classico apaixonante!!!!
Querida Renata, leia mesmo, o livro é lindo e tenho certeza que vc vai gostar, e do jeito que vc escreve tão bem suas resenhas ,essa será masi uma interessante. Como Arsenio já leu, Re, eu tenho o livro e posso te emprestar, cê sabe , amigo quer ver o outro feliz, obrigada pelos comentários, beijocas aos dois!!!


Renata CCS 18/10/2013minha estante
Querida Sú, terminei de ler A Trégua. Sem palavras...




*Carina* 24/08/2010

Sabe aquele livro que você lê e sabe, ainda durante a leitura, que não será a mesma pessoa depois de ter lido aquilo? "A Trégua" foi um desses livros, um dos que chamo "livros da minha vida".

Pra já começar com o coração dando aquela parada centesimal em que é como se pulasse uma batida, a primeira data do diário de Martín é a data do meu aniversário. Eu já comecei então o livro com uma certa boa vontade, um querer-gostar. Ainda nas 10 primeiras páginas, e estando já quase conquistada pela linguagem de Benedetti, ele escreve:"Há uma espécie de reflexo automático nisso de falar da morte e em seguida olhar o relógio." Aí ele me ganhou de vez. Vivi tantas vezes essa situação, esse desconforto provocado ao se falar de morte, vi tantas pessoas olharem o relógio, ouvirem o telefone, lembrarem-se de um compromisso inadiável para o qual já estão atrasadas. É ou isso, ou o silêncio. E é assim mesmo, para a morte não há palavras. As que são usadas nunca são suficientes, por mais que se tente. E Benedetti tratou disso com uma sensibilidade única. Esse falar da morte sem tentar esgotá-la, falar também da vida e do amor sempre deixando presente uma dimensão em que sabe-se que as palavras não esgotam o que se vive.

"Comemos. Conversamos. Rimos. Fizemos amor. Tudo correu tão bem que não vale a pena escrevê-lo."
"Tudo passou tão rápido, foi tão natural, foi tão feliz, que não pude tomar nem uma só anotação mental. Quando se está no próprio foco da vida é impossível refletir."

E ainda assim, ainda dizendo isso, Benedetti escreve através de Martín cenas belíssimas. Declarações que renovam a crença no amor, momentos rotineiros que deixam gosto de felicidade, e uma simples palavra que derruba todo o castelo.
Tenho uma certa tendência à melancolia, essa coisa meio triste, meio bela, que dói mas vale a pena, e "A Trégua" é assim. Doído, triste, lindo, vivo.

"Nunca havia sido tão plenamente feliz como nesse momento, mas tinha a sensação dilacerante de que nunca mais voltaria a sê-lo, ao menos nesse grau, com essa intensidade. O cume é assim, claro que é assim. Além disso, estou certo de que o cume dura apenas um segundo, um breve segundo, uma centelha instantânea e sem direito à prorrogação."

E o que restou do livro em mim foi isso: essa centelha que acende, consome-se e desaparece no tempo de um instante, esse breve momento de trégua que dura apenas um segundo no relógio mas que continua acontecendo em nós até nosso apagamento final.
Nessa Gagliardi 24/08/2010minha estante
"A Trégua" já está comprado e reservado pra algum momento especial. Já tinha lido boas coisas sobre ele e parece que um burburinho recente tomou conta dos meus skoobers mais próximos, quase como um encantamento que nos levou (é, me incluo nessa) a colocar o pequeno-grande romance do Benedetti nessa sensação suspense de quase certeza de sucesso.
Sus resenha está linda, Cá. E se havia alguma dúvida quanto a qualidade do livro, ou sobre as emoções que ele pode causar, você acabou de vez agora com elas.
Escreva mais resenhas. As suas são sempre deliciosas! Beijocas!


*Carina* 25/08/2010minha estante
Obrigada, Nessa, fico feliz que tenha gostado e mais ainda que vá ler "A Trégua", um livro lindo desses tem que ser lido mesmo! Beijos!




Paty ;D 19/11/2013

Ah, meu caro Benedetti, como você consegue isso? Como você me faz sair completamente de mim mesma para me encontrar tantas e tantas vezes nas dores e alegrias de outros?
Renata CCS 21/01/2014minha estante
Paty, seu poder de concisão coloca qq resenha no "chinelo".


Mona 11/02/2014minha estante
Um dos melhores livros que li na vida!




Dirce 16/05/2010

Sem trégua para A TRÉGUA
Não conhecia o autor Mário Benedetti, mas a minha amiga Paulinha, mais uma vez ,me permitiu conhecer um grande escritor presenteando-me com esse pequeno livro que, sem sombra de dúvidas, vale muito mais do que pesa e o resultado foi que eu o li num fôlego só – não dei trégua para A TRÉGUA.
Em Anna Karenina Tolstoi inicia o romance dizendo: Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. Acho que essa definição serve como uma luva na família de Martin Santomé, o narrador protagonista do romance, que se utiliza de um diário, para nos contar a visão de sua existência.
Santomé é um cinquentão,viúvo e pai de 02 filhos e 01 filha adultos que co-habitam a mesma casa sem existir, todavia, uma convivência. Não há diálogo entre eles e, as poucas vezes que isso ocorre ( quando surge alguma necessidade de se falarem),a impressão que se tem é que se encontram na Faixa de Gaza e de que necessitam de uma bandeira branca. O conflito familiar faz parte da rotina e ,dentro desse conflito,está a não aceitação da homossexualidade de um de seus filhos.
A princípio, não me simpatizei com Santomé, sua visão pessimista da vida chega a ser perturbador ( por quê será?) ,mas a sinceridade com que analisa sua vida insípida fez com que, aos poucos, angariasse a minha simpatia.
Prestes a se aposentar,ao mesmo tempo em que anseia pela aposentadoria,o ócio o assusta, mas é ,justamente, nele que deposita a esperança de acabar com essa sua vida tediosa.
Recordações de Isabel (a esposa falecida) são frequentes, mas são recordações entre brumas, pois não consegue, sequer, reconstituir a sua imagem.
Um clarão em sua vida obscura( como ele mesmo diz: “É evidente que Deus me concedeu um destino obscuro. Nem sequer cruel. Simplesmente obscuro(...) surge, quando conhece a jovem Laura Avellaneda ,por quem se apaixona e, ambos, vivem um relacionamento clandestino.
A Trégua não é um livro que traz, na minha opinião, uma linda história de amor, mas traz reflexões importantes sobre a felicidade e a difícil arte do relacionamento humano.
Para finalizar, preciso dizer que o título de um livro sempre chama a minha atenção e, achei o título deste livro simplesmente soberbo.
E...obrigada, Paulinha.
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Paula 16/05/2010minha estante
Sua resenha também ficou muito boa, querida, e eu sinto-me honrada por ter lhe apresentado o Benedetti e mais ainda por você ter gostado do livro. Se tiver oportunidade leia depois "Primavera num espelho partido", também gostei muito desse livro. beijo grande! :o)




Ladyce 03/01/2010

Um mestre da sutileza!
Há dois dias luto com a minha inabilidade de escrever sobre este pequeno grande livro, A Trégua, do escritor uruguaio Mário Benedetti, originalmente publicado em 1960. Talvez antes dos dias de hoje eu não tivesse a maturidade para apreciar a complexa realidade emocional de Martín Santomé, protagonista da história. Para fazer justiça a este texto triste, irônico e inigualável, e ainda por cima, tão correto psicologicamente, é preciso uma certa vivência, uma apreciação das limitações de vida que nos são impostas e simultaneamente que impomos a nos mesmos!

Benedetti é um mestre da sutileza. A leveza com que retrata a angústia pessoal, existencial de Martin Santomé é usada de maneira tão precisa quanto imagino o gesto de um cirurgião usando laser, cortando finas camadas de pele, desvendando sentimentos só encontrados no mitocôndrias das tormentas pessoais.

O livro é narrado através das entradas num diário de Martin Santomé, um homem comum, da classe média, que enviuvando cedo, educa seus três filhos sem voltar a se casar. Suas perspectivas de felicidade parecem ter-se esgotado. Mas há uma sincera acomodação a esta realidade talvez nem tão promissora.

Em poucas páginas entendemos o abismo que sente em relação a seus três filhos e a difícil situação familiar que eles têm entre si. Em poucas entradas em seu diário compreendemos a mesmice e a solidão deste empregado de uma firma de autopeças que depois de 25 anos de trabalho diário encontra-se à beira da aposentadoria, sem nenhuma perspectiva de poder mudar o seu destino. Na verdade, este questionamento interno, existencial, parece sempre subjugado aos rituais burocráticos, à luta pela simples sobrevivência.

Eis que aparece Laura Avellaneda, uma jovem, da idade de seus filhos, que assim como Martín conjuga da falta de perspectiva na vida, aparecendo mais acomodada do que seus anos de juventude nos levariam a considerar típicos. Um relacionamento entre eles começa — a trégua — a que o título se refere, o hiato, na sua luta constante pela sobrevivência.

Este romance traz uma renovação na vida dele e uma esperança na dela. A história, no entanto, é mais sobre a realidade psicológica de Martin do que sobre o romance. E lê-lo é um prazer inesgotável. Devorei o livro. É pequeno: 186 páginas. Uma beleza!

Mas, a pergunta que me perseguiu foi: por que acredito que este livro não poderia ter sido escrito por um autor brasileiro? Já quebrei a cabeça querendo respondê-la e não estou satisfeita com as minhas respostas, apesar de acreditar que a melancolia, que a aceitação de uma vida muito regrada e limitada, que o conformismo deste homem de 50 anos não são nossos. Não pertencem ao campo psicológico da cultura brasileira, que no meu entender está ligada à fênix, a ave que renasce das cinzas. Porém, é uma impressão apenas.

10/07/2008
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R&N@T@ 23/01/2014

Certamente vivi com esta obra um desses momentos inesquecíveis na nossa vida de leitores; um desses espaços ou lugares nos quais entramos através da literatura que são capazes de apagar temporariamente a distância entre a pessoa e o texto. Não há distinção mais entre você e o personagem, entre o passado e o futuro, entre a dor do outro e a sua. Eu era Santomé por um espaço de "tempo" onde o próprio tempo (que separa) não existia mais... Eu e ele estávamos unidos na dor mais absurda e indizível; eu era ele e ele era palpável em mim e não apenas um personagem... Eu, ele, a dor de existir e sermos finitos, a dor de sermos sujeitos ao tempo, à morte... ele-eu e a dor de não podermos nos agarrar em nada mais além de nós mesmos.
Lua 29/01/2014minha estante
Que resenha cativante!




Isa 09/01/2012

A TRÉGUA
Sim, A TRÉGUA é uma avalanche de sentimentos da primeira a última página, "uma coisa enorme que começa no estômago e termina na garganta". Triste e comovente, mas uma excelente e muito bem contada história.


Obrigada meu doce!
the_king 09/01/2012minha estante
Excelente resenha ;)


Zana 10/01/2012minha estante
Muito bem dito, Isa, uma sentença em si que define o livro de maneira completa: 'uma avalanche de sentimentos'. Avalanche essa que transborda e contamina o leitor.

Abraço!




Nessa Gagliardi 16/10/2010

Algumas pessoas usam como termômetro do impacto de um livro em suas vidas o número de rabiscos em suas páginas. Eu, tão carola para essas rasuras, sempre achei que o livro era quase uma santidade que jamais poderia ser violada, escrita, dobrada. Pago com a língua depois de "A Trégua". Consegui segurar o impulso de sublinhar (ainda não evoluí espiritualmente para tanto), mas diversas folhas estão dobradinhas em suas beirolas.
A escrita de Benedetti é extremamente cativante. Já nas primeiras páginas você se sente um personagem na vida de Santomé, ainda que um expectador distante.
"A Trégua" é um livro sobre amor e morte e fala sobre ambas com a mesma emoção e profundidade.

Ainda não sei muito bem o que escrever sobre "A Trégua". É lindo e recomendo muitíssimo, mas me faltam mais palavras pra definir a belezura de livro que é. Leiam!!
Ladyce 21/01/2013minha estante
É mesmo um livro que marca. Eu também gostei muito dele.




Inácio 15/02/2010

A Trégua, resenha do Caótico (www.caotico.com.br)
Sem rodeios: A Trégua é um dos melhores romances que já li.

Pena que demorei tanto a encontrar a prosa de Mário Benedetti, provavelmente por conta da minha incompetência literária e da opção política-ideológica da mídia e do mercado editorial nacionais , com tantos olhos para o mundo anglo-saxão e irritante hipermetropia que nos torna incapazes de enxergar de perto a América Latina.

Só no ano passado é que li A Trégua, mas no próximo ano, já vai fazer meio século que o uruguaio escreveu a história do viúvo de meia-idade, que criou dois filhos trabalhando num serviço sem graça num escritório mais sem graça ainda, até que o amor de uma moça bem mais jovem lhe proporciona a tal trégua em sua vidinha que se arrasta.

É uma história comum, de um homem comum, escrita sob forma de um reles diário. Não há nenhuma ação mirabolante, suspense ou espetaculares saltos de imaginação, porém os personagens são tão bem construídos que o leitor experimenta os sentimentos e sensações do protagonistas e autor do diário, que se chama Martín Santomé.

Outro elemento que me cativou e me prendeu na leitura, é o ritmo que Benedetti imprimi na história. O tempo passa lentamente antes de Laura Avelanneda entra em sua vida, depois dela, as hesitações, a insegurança e os vacilos, mas também a ternura e o deslumbramento, do coroa apaixonado ditam o ritmo do romance. Poderia até contar o surpreendente final, pois considero que a forma como se conta a história é tão importante quanto a história em si, mas vou manter a curiosidade só para ver se alguém se interessa em correr atrás do livro.

Lembro que li esse livro numa tacada só. Foram uns três dias lendo no ônibus e fazendo questão de comer sozinho num self-service perto do escritório do Unicef para poder aproveitar os minutos do intervalo para o almoço. Recordo que me irritei quando um conhecido me encontrou sozinho no restaurante e resolveu puxar conversa, talvez para me aliviar da aparente solidão.

Depois do ponto final, emoção, lágrimas nos olhos. E a certeza do privilégio de ter lido algo maravilhoso.


A Trégua foi o segundo livro de Benedetti em meu curto currículo. O primeiro havia sido Gracias por el Fuego, que também é um ótimo romance, porém mais tenso e com menos pegada. Centrado na péssima relação entre pai e filho, ambos tem em comum as histórias de pessoas comuns, como qualquer um de nós.
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