As Intermitências da Morte

As Intermitências da Morte
4.35299 3765



Resenhas - As Intermitências da Morte


114 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Horroshow 31/05/2015

Impecável
Resenha por Marina Borges

À última badalada do dia 31 de dezembro, tudo parece mudar. Pessoas que estavam à beira da morte parecem dar um novo suspiro em direção a uma nova vida, ou melhor, à imortalidade. No dia 1° de janeiro tudo é diferente. Cidadãos, jornalistas e até mesmo clérigos procuram uma explicação para o que estava acontecendo. Por onde a Morte está?

Como poderíamos imaginar, esse acontecimento abala todas as estruturas da sociedade. De repente, gerações e mais gerações coexistiriam. Seguro de vida? Para quê? As seguradoras, na tentativa de não falir, oferecem novos planos. Todos tentam se adaptar a essa nova realidade, apesar do aparente caos. Até as fronteiras precisam ser repensadas, já que esse fenômeno afeta apenas aquele país e algumas famílias tentam levar seus familiares para morrer nos países vizinhos. Parece perturbador, certo?

(... Leia mais no link abaixo)

site: http://bloghorrorshow.blogspot.com.br/2015/02/as-intermitencias-da-morte-jose-saramago.html
comentários(0)comente



Erikson 07/05/2015

Ai está mais um livro que li depois de ver uma resenha da Tati (https://www.youtube.com/channel/UCmEKnMzbltaFyiA6H46IDng). Deve ter quase dois anos que vi a resenha e queria ler o livro, porém só depois de comprar meu kobinho e baixar a versão digital que fui conseguir ler. Nunca tinha lido nada do Saramago, acho que comecei bem.

Que livro ótimo! História boa, diálogos ótimos e uma escrita ótima também!

Tudo se passa em um país que não é informado qual é, onde quando um novo ano começa as pessoas simplesmente não morrem mais, enquanto nos outros paises continua a se morrer normalmente. Em função disto várias coisas acontecem no país, surge uma onda de patriotismo, a igreja se sente ameaçada, pois sempre falou a respeito da reencarnação, as funeráreas se revoltam pois o seu negócio simplesmente se torna inútil, as seguradoras também se dão conta de que seu negócio está ameaçado. Depois as funerárias se adaptam a demanda, e passam a cuidar apenas de animais e as seguradoras definem uma idade em que as pessoas seram consideradas mortas.

Passada a euforia inicial das pessoas, os problemas começam a aparecer. A previdencia social não vai dar conta de assegurar uma aposentadoria para as pessoas, pois as contas não vão fechar, vai ter muito mais pessoas velhas sempre e este número só vai aumentar já que nenhum idoso vai morrer e a população nova e ativa vai ser uma minoria que não vai poder custear isso. Algumas pessoas que simplesmente deveriam ter morrido simplesmente não tem condições de seguir uma vida normal devido ao modo brutal que deviam ter morrido e as consequencias disto, sendo assim acabam impactando na vida de suas famílias e de pessoas próximos. A densidade demográfica também acaba aumentando muito e logo as pessoas se dão conta que a morte ter deixado de atuar não é uma benção, mas sim uma maldição...

A segunda parte do livro também é excelente, nesta parte se passa a conhecer a Morte e sua história, além de se ter contato do romance que surge entre ela e um músico que ela já devia ter matado, porém ela simplesmente não consegue fazê-lo...


Trechos que mais legal:
"Sem morte, ouça-me bem, senhor primeiro-ministro, sem morte não há ressureição, e sem ressurreição não há igreja, ó diabo";

"Dizia o que qualquer católico, e o senhor não é uma exceção, tem obrigação de saber, que sem ressurreição não há igreja, além disso, como lhe veio à cabeça que deus poderá querer o seu próprio fim, afimá-lo é um sacrilégio";

"mas a vantagem da igreja é que, embora às vezes não o pareça, ao gerir o que está no alto, governa o que está embaixo";

"Não se esqueça, senhor primeiro-ministro, de que fora das fronteiras do nosso país se continua a morrer com toda a normalidade, e isso é um bom sinal.

Questão de ponto de vista, eminência, talvez lá de fora nos estejam a olhar como um oásis, um jardim, um novo paraíso.

Ou um inferno, se forem inteligentes";

"Bandeias tomaram conta da pasiagem, com maior visibilidade nas cidades pela evidente razão de estarem mais beneficiadas de varandas e janelas que o campo. Era impossível resisitir a um tal fervor patriótico, sobretudo porque, vindas não se sabia da onde, haviam começado a difundir-se certas declarações inquietantes, para não dizer francamente ameaçadoras, como fossem, por exemplo, quem não puser a imortal bandeira da pátria à janela da sua casa, não merece estar vivo";

"As primeiras e formais reclamações vieram das emrpesas do negócio funerário. Brutalmente desprovidos da sua matéria-prima";

"Uma terrível ameaça que vem pôr em perigo a sobrevivência da nossa indústria, foi que declarou aos órgãos de comunicação social o presidente da federação das companhia seguradoras."

"Apertado pelos governos dos três países limítrofes e pela oposição política interna, o chefe do governo condenou a desumana ação, apelou ao respeito pela vida e anunciou que as forças armadas tomariam imediatamente posições ao longo da fonteira para impedir a passagem de qualquer cidadão em estado de diminuição física terminal, que fosse o intento de sua própria iniciativa, quer determinado por arbitrária decisão de parentes";

"Durante duas semanas o plano funcionou mais ou menos na perfeição, mas a partir daí, uns quantos vigilantes começaram a queixar-se de que estavam a receber ameaças pelo telefone, cominando-os, se queriam viver uma vida tranquila, a fazerem vista grossa ao tŕafico clandestino de padecentes terminais, e mesmo a fechar os olhos por completo se não queria aumentar com seu próprio corpo a quantidade das pessoas de cuja observação haviam sido encarregados";

"A máphia está a negociar um outro acordo de cavalheiros com a indústria funerária com vista a uma racionalização de esforços e a uma distribuição de tarefas, o que significa, em linguagem de trazer por casa, que ela se encarrega de fornecer os mortos, contribuindo as agências funerárias com os meios e a técnica para enterrá-los";

"E agora como vou eu retificar um desvio que não podia ter sucedido, se um caso assim não tem precedentes, se nada de semelahnte está previsto nos regulamentos, perguntava-se a morte, sobretudo poruqe era com quarenta e nove anos que ele deveria ter morrido e não com os cinquenta que já tem. Via-se que a pobre morte estava perplexa, desconcertada, que pouco lhe faltava para começar a dar com a cabeça nas paredes de pura aflição";
comentários(0)comente



Rita.Sodre 04/05/2015

Mais uma leitura concluída. Texto crítico, irônico e desafiador. A falta da morte e suas consequências nas diferentes instâncias da vida em sociedade. Discussões morais são os pontos altos. Um tanto decepcionada com o final, mas, quem sabe, os finais não sejam tão importantes e, antes, as provocações feitas ao longo da história.
comentários(0)comente



Antonio Volnei 02/05/2015

Intermitências da morte
O que seria do mundo se um dia a morte resolvesse fazer greve? Esta é uma discussão que esta obra traz em seu bojo
comentários(0)comente



Dani A. 26/03/2015

Com toda a certeza esse não é o gênero de livro que eu gosto de ler,mais fui obrigada a ler por causa de uma disciplina da faculdade e nossa me surpreendeu,de uma forma bem positiva!

O tema central se trata de um país em que as pessoas não morrem mais e pensando assim,nossa que benção,mais não,ao contrário,aí é que as coisas pioram,e nossa o autor retrata de uma forma irônica e engraçada as desvantagens de as pessoas não morrerem mais,gostei bastante,serviu para refletir,nunca tinha parado p/ pensar no caos que seria se ninguém mais morresse...

Só não gostei muito da última parte,mais achei super inteligente mostrar o 'outro lado da dona morte',fiquei morrendo de dó dela kkkk.
Gostei!
Lucila 26/03/2015minha estante
Gosto de beijo na boca, amor, abraços... rsrsrsrrs


Dani A. 26/03/2015minha estante
Pois é,melhor né kkkkkkkk
Mais dentro dos poucos livros 'diferentes' que eu li,desse eu até gostei!




JOY 18/03/2015

Dona Morte, ops, Dona morte!
Surpreendente livro, nos conta a história do dia a dia da dona morte, com letra minúscula sim, senhor. Relato muito interessante que nos faz pensar na importância do ciclo da vida... O que aconteceria se as pessoas parassem de morrer? Saramago lista uma gama de eventos e possibilidades Fantásticas. E o fim do livro é perfeito... Tem o tom perfeito.
comentários(0)comente



Alan 04/03/2015

O meu livro preferido dentre os feitos por José Saramago, apesar de que "Caim" é um livro excelente também. "As Intermitências da Morte" é fantástico, pois nos coloca numa hipotética situação em que a Morte simplesmente resolve deixar de matar e o livro nos mostra as consequências disso.
comentários(0)comente



Cassionei 23/02/2015

SARAMAGO E A MORTE
Viemos a este mundo para nascer, crescer e morrer, certo? Talvez. Talvez? Bom, eu nasci, você nasceu, eu cresci, você cresceu. Mas eu vou morrer? Você vai morrer? Já disseram que a única coisa certa na nossa vida é que vamos morrer. Certa por quê? Porque outros morreram? Agora porque os outros passaram dessa para melhor (?) eu tenho que ir também?

Bom, não estou velho e nem no fim da vida para me preocupar com isso, muito menos uma inquietação filosófica me faz escrever este texto. O tema vem à tona por causa do último romance de José Saramago (ou melhor, do mais recente, porque ele não vai morrer agora), As intermitências da morte (Companhia das Letras, 208p.). Imaginem, senhoras e senhores, se as pessoas deixassem de morrer. Quais as conseqüências? Imaginaram? Pois esse é o ponto de partida da história. Bem, mas o que vocês, simples mortais, imaginaram está longe do que a mente brilhante de Saramago pode criar, me desculpem. A capacidade criativa do autor português também nunca morra. Basta lembrar romances como Ensaio sobre a cegueira ou Jangada de pedra, e depois ler o atual, para entender por que ele é um dos maiores escritores contemporâneos e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998.

A maioria dos críticos, porém, não pensa dessa forma ou porque gostaria que ele escrevesse sempre obras-primas ou porque nunca gostou de nenhum dos seus livros. Nessa última categoria estão os que admiram o também português António Lobo Antunes e não querem admirar ao mesmo tempo José Saramago, pois para eles o primeiro, autor de romances como Exortação aos crocodilos, era quem deveria ter ganhado o Prêmio Nobel. Da mesma forma, a postura política de Saramago incomoda muitas pessoas, como se isso influenciasse na qualidade de um livro.

Voltemos ao romance, então.

A principal personagem é a própria morte. Por um simples capricho ela resolve que não vai mais “trabalhar” em um determinado país. As conseqüências são alarmantes. Nessa primeira parte, cabe de tudo um pouco do rol de temas do escritor português: há a discussão sobre a finitude do ser humano, a velhice, etc. Não poderia, da mesma forma, faltar o lado polêmico do autor, quando ele analisa as conseqüências políticas e principalmente religiosas que a ausência da morte acarretaria. Pouco foi comentado, porém - apesar de ser um tema que seguidamente está em pauta -, que o romance também trata da eutanásia. Não havendo morte, como ficariam os doentes em estado terminal? Vale lembrar que as mortes cessaram, mas não as doenças. A solução para esse impasse? Leia o romance.

Na segunda parte, a morte resolve voltar a atuar e escreve uma carta para uma emissora de TV, para que seja anunciado que, à meia-noite daquele dia, tudo voltaria ao normal e que todos aqueles que deveriam ter morrido naquele período, morreriam agora. Mais caos à vista, continuando a narrativa a flertar com o realismo mágico latino-americano. Ela anuncia também uma novidade: antes de morrer, cada pessoa receberá uma carta anunciando sua partida com 7 dias de antecedência, podendo assim resolver suas pendências no mundo dos vivos e se despedir dos familiares e amigos. Uma das cartas, no entanto, teima em voltar para a remetente. E é quando começa a terceira parte, a melhor do romance.

Num estilo mais poético, ao contrário do tom mais amargo e irônico do restante da história, a morte toma feições humanas, se transformando numa mulher, e vai ao encontro do destinatário da carta. Trata-se de um violoncelista, escolha acertada para poder contrapor a suavidade da música clássica com uma situação tão dura que é a morte. Pode surpreender os fãs acostumados com a acidez saramaguiana. O desfecho, no entanto, pode decepcionar um pouco, mas nada que tire o brilho do resto do romance.

As intermitências da morte faz parte do tipo de literatura que nos deixa inquietos, no faz refletir, acaba com nossas certezas. Devemos nos preocupar com a morte ou o que vem depois dela? Em vez de pensar somente nela, não deveríamos viver o tempo presente, aproveitando nossa vida na Terra? José Saramago nos mostra que a morte é, paradoxalmente, parte da vida e não passagem para outra. Ateu, acredita que as religiões se apoderam da idéia da morte para existirem. Certo ou não, se há outra vida depois dessa, espero que lá tenha romances tão bons como esse para ler.

Cassionei N. Petry, escritor e professor de Língua Portuguesa e Literatura.

site: http://cassionei.blogspot.com.br/2008/12/gazeta-do-sul-caderno-mix-30-de-junho.html#links
comentários(0)comente



Guga 27/01/2015

As Intermitências da Morte - antes a morte que tal sorte
"No dia seguinte ninguém morreu."
Ano novo, vida eterna. A partir do primeiro segundo daquele novo ano, ninguém mais morreu naquele pais. A noticia foi recebida com alegria pela a população do país que tinha sido escolhida pela imortalidade.
Mas nem tudo é festa, ao lado de uns que riem sempre haverá outros que choram, e neste caso pelas mesmas razões.
A situação daqueles que deveriam ter morrido não melhorava, esses se encontravam em estado de vida suspensa enchendo os hospitais, asilos e conturbando a vida dos familiares. A igreja não tinha respostas para seus fies, as agencias funerárias perdiam sua matéria prima, as seguradoras também estavam condenadas, enfim o caos estava instalado.
Uma historia surpreendente que traz, como em muitas das obras de Saramago, uma critica a igreja, governo e aos valores humanos diante as consequências da imortalidade.
comentários(0)comente



Cris 15/01/2015

“No dia seguinte ninguém morreu.”
Com esta sentença definitiva e arrebatadora dos espíritos, inicia-se a trama do livro que será resenhado a seguir, As Intermitências da Morte, de José Saramago.
Como podemos ver, já pela primeira frase (e obviamente pelo título) o problema da trama nos é apresentado. Em um país que não nos é nomeado pelo narrador, no dia 1 de janeiro de um dado ano a morte encerra suas atividades, e nem um indivíduo sequer a partir do primeiro minuto daquele fatídico dia passa a morrer, e todo o processo natural que levaria à morte diversas pessoas no trânsito do ano anterior para o presente é interrompido, no estágio em que estivesse; ou seja, pessoas que tivessem sofrido algum acidente e estivessem com ferimentos graves não passariam desta para melhor, não importando a gravidade desses ferimentos. Para este fenômeno o narrador deu o nome de morte suspensa, cujos indivíduos não conseguiriam melhorar de situação e saúde ou mesmo que fossem levados à morte, ficariam nessa de ir e ao mesmo tempo não ir. Pessoas que já estavam doentes, em casa ou nos hospitais, permaneceriam doentes, em sua dada situação. Com esta problemática, toda a trama se desenvolve.
Em um primeiro momento, podemos nos levar a crer de que isto seria o paraíso para a humanidade, a certeza de que a morte nunca mais nos conseguiria vencer, que poderíamos viver eternamente e nunca mais nos preocuparmos em perder pessoas que amamos. Mas Saramago, através de seu narrador, nos faz perceber que não é bem a felicidade que esta situação nos traria, nos traz outros lados da história, que nosso egoísmo, talvez, não nos faça perceber em um primeiro momento, como dito. Juro pra vocês que minha vontade era de contar como que isso acontece no livro, mas pensando bem é melhor deixar que vocês mesmos descubram, e que tenham a surpresa maravilhosa que tive ao ler. Qualquer coisa dita a mais acerca disso pode ser um grande spoiler, dado que é o tema central que ronda toda a história do romance.
Numa primeira parte do livro, nos é apresentado todas as consequências trazidas pela morte com sua decisão de interromper seus procedimentos, em um nível micro e macro. Já na segunda parte (que muitas pessoas não gostam muito, mas que eu, particularmente, achei tão genial quanto a primeira, mostrando a que nível de narração e inteligência este autor pode chegar), a morte em si torna-se protagonista da história, sendo antropomorfizada, com todos os detalhes e ações que pode alcançar. Sem mais detalhes sobre isso também, juro pra vocês que a graça é a surpresa, então a preservem!
Muitas pessoas dividem esta história em três partes, na verdade. Resolvi dividi-la em apenas duas para manter a surpresa, e que a parte “do meio” fosse descoberta por vocês mesmos. Em todas as três partes somos transbordados pela ironia e pelo humor ácido do autor, além de suas inúmeras e ininterruptas críticas, aos diversos segmentos da sociedade, suas instituições e como cada uma reagiu à essas intermitências da morte. Já é sabido que o autor tem um estilo próprio de escrita que, nas primeiras vezes, pode assustar bastante e até causar estranhamento e distanciamento do leitor para com este. Mas tenho que dizer que tudo isto não passa de tolice; falo com conhecimento de causa e experiência. Aos poucos você percebe o quanto isto é necessário (até para suas histórias poderem se desenrolar da forma correta e mais próxima da realidade) e até facilita a leitura (não levando em conta momentos de reflexão levados pela trama e pausas para absorver tudo o que é dito), tornando-a fluída com o passar do tempo e das obras lidas e até agradável, de certa forma. Para os iniciantes do autor, como eu o era no ano passado, sugiro calma, paciência e que não se sintam acanhados, mas que estimulados pelo desafio e pela descoberta e prazer que, talvez, isto os trará. Vale comentar que o autor é um dos muitos ganhadores do Nobel e que, particularmente, acho merecidíssimo.
Por último, acho válido relacionar com um caso recente, ocorrido aqui no RJ, que mostra como o tema levantado por Saramago, principalmente o do lucro que é obtido com a morte e sua exploração (ou a falta dela, neste caso) é crucial para estes setores e de como é um tema que não nos abandona, assim como a corrupção que assola todos os segmentos, o que não seria diferente no caso da relação com a morte.

Notícia: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/01/policia-faz-operacao-para-coibir-venda-ilegal-de-sepulturas-no-rj.html

Ps.: Não posso deixar de citar que acho o início desse livro o mais INCRÍVEL que já li, simplesmente genial. Minha vontade era de o ter posto na íntegra para vocês, mas decidi, a pedido de uma amiga, mantê-lo em sigilo para aguçar a curiosidade e a surpresa de vocês, hahaha. Para isso pus só a primeira frase, que não deixa de trazer o impacto. Leiam logo e depois me retornem o que acharam da leitura ;)

site: https://www.facebook.com/apocketfullofstones/timeline?ref=page_internal
comentários(0)comente



Caroline 09/12/2014

A personagem principal aqui é a morte; sim, com letra minúscula, que é como ela prefere, rsrs.
Fiquei muito surpresa com o desfecho que recebeu esse livro. O desenrolar da história em si é muito envolvente e interessante, e se torna um pouco difícil prever o que pode ocorrer nas páginas seguintes.
A algoz se assemelhando aos seus condenados, quem poderia imaginar?
Muito bom! Vale muito a pena a leitura.
comentários(0)comente



Carla 11/11/2014

É assim a vida, vai dando com uma mão até que chega o dia em que tira tudo com a outra.
Meu primeiro contato com o ilustre e famoso Saramago. Depois da indicação por um professor renomado, confesso que minhas expectativas em relação ao livro eram altas, e foram alcançadas.
Primeiro, o choque e a estranheza com os parágrafos incrivelmente longos e os diálogos marcados tão somente com o uso de vírgulas. Depois, o encantamento com o ritmo que a leitura ganha graças a esse "recurso" do autor.
A obra é incrível! Sem mais delongas. É direta, dura, real e ao mesmo tempo satírica. Além de chocar, encanta. Além de nos fazer refletir, entristece, nos toca.
Saramago me fez ficar amiga da morte (com letras minúsculas, como ela queria), e querer conhecê-la, conversar com esse ser tão singular, com toda a sua ironia e perspicácia.
A certeza que fica é que esse é o primeiro dos muitos encontros que terei com Saramago.

Parece que não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais do que isso, os nomes que lhes deste.
comentários(0)comente



Kateryni 04/11/2014

Perfeito
Um livro surpreendente, romântico e sensível que retrata a natureza humana diante de seu maior medo, a morte (com "a" minúsculo), com um final tão emocionante que te dá aquela depressão pós livro, e aquela vontade que o livro nunca acabe, que fez desse livro meu Favorito de Todos os Favoritos
comentários(0)comente



Andrea 14/09/2014

No dia seguinte, ninguém morreu
O que aconteceria se, a partir de amanhã, ninguém morresse? É a essa pergunta que José Saramago, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1998, procura responder em seu romance As intermitências da morte (2005, Companhia das Letras, 207 páginas).

As conseqüências advindas da interrupção das atividades da morte é o gancho utilizado por Saramago para retomar a crítica social presente em tantas de suas obras. A partir de um fato sobrenatural, inicia uma série de reflexões sobre os valores humanos, o comportamento das instituições (governo e igreja) frente a crises e a imortalidade.

O livro é uma fábula que, como o título diz, versa sobre a morte. Esta morte, contudo, é vista de duas maneiras. Uma delas é o fim da vida, o falecimento, o ato de morrer, presente na primeira parte da narrativa. A outra, é uma personagem com sentimentos e vontades próprias, apresentada na segunda parte. O mais correto, para diferenciá-las, seria chamar a primeira morte e a segunda Morte - com maiúscula, mas o autor, como a morte, tem seus aferros estilísticos. Como conseqüência, acabamos por perceber uma só personagem com duas faces, que carrega em si o poder de tirar vidas ao mesmo tempo em que lida com seus conflitos íntimos.

A história é dividida em três partes. Para contar as peripécias da morte e seus caprichos, Saramago inicia a narrativa - em terceira pessoa - no dia em que ninguém morreu. A partir de uma decisão arbitrária da morte - personagem principal do livro - que se julgava injustiçada pelos homens e subestimada em sua importância, durante cerca de sete meses, nenhum ser humano morre no país fictício no qual se desenrola a ação. As conseqüências de tal fato são descritas no primeiro terço do livro.

O autor leva o leitor à reflexão sobre os problemas que se acumulariam se, de fato, a morte deixasse de agir. Hospitais e asilos lotados, seguradoras e funerárias sem função, a previdência social sobrecarregada. Traça o retrato de uma sociedade na qual o número de idosos cresceria indefinidamente. É interessante perceber que, apesar de almejar a imortalidade, o homem não costuma refletir sobre suas conseqüências. O cenário pintado por Saramago leva à questão: a imortalidade vale a pena?

Já neste trecho, percebe-se a crítica social da obra. Em um exercício de criatividade, o autor propõe, através de seus personagens (primeiro-ministro, chefe da igreja, presidentes de associações), algumas soluções para os problemas que se acumulam. Cria a maphia, organização amoral e criminosa que, mediante pagamento, leva os doentes terminais para morrerem além das fronteiras do país. Agindo sob o aval não-oficial do governo, a maphia resolve o problema de algumas famílias e retarda a crise superpopulacional que, sem dúvida, se abaterá sobre o país se realmente as pessoas deixarem de morrer. É uma crítica velada às ações criminosas que se avolumam sob os olhos dos governos.

Na segunda parte da história, por algum motivo a morte se cansa de suas férias e envia uma carta à imprensa declarando que voltará a matar. O método, contudo, será novo: cada pessoa receberá, uma semana antes de seu desenlace, uma carta violeta informando que sua vida chegará ao fim. Durante algumas páginas, o autor se volta ao detalhamento das conseqüências desta situação. Mais uma vez, as ações e reações de chefes de estado e igreja, dirigentes de associações e maphia denotam uma crítica social irônica e metafórica (cabe aqui lembrar que Saramago é assumidamente comunista e ateu).

Na última parte do livro, Saramago surpreende o leitor ao deixar de lado as crises do país fictício e descrever uma história de amor entre a morte e o violoncelista - o homem a quem ela não consegue matar. A personagem principal é vestida com ares humanos, e o autor consegue criar no leitor uma certa simpatia por essa figura tão execrada pela humanidade. A figura da morte é pintada com toda gama de sentimentos e conflitos próprios do homem: solidão, insegurança e finalmente o amor. Ela personaliza, também, o ser humano autômato, que durante toda sua vida limita-se a agir conforme lhe foi determinado, sem questionamentos, deixando-se levar pelas circunstâncias, sem perguntar-se o porque de nada. É mais uma crítica do autor.

O final da fábula, entretanto, é um desfecho otimista (ao menos sob o ponto de vista da morte), no qual Saramago dá mostras de que a ironia e acidez não são suas únicas ferramentas de trabalho.

Saramago não delimita tempo e espaço para a narrativa, apesar de fornecer algumas dicas. O local é um país fictício, com governo monárquico, do qual não se sabe a língua pátria nem o continente, e a religião principal é o Catolicismo.

Sobre o tempo, ao longo do romance são feitas menções às novidades tecnológicas modernas, o que faz crer que o enredo se passa nos dias atuais. Pode-se perceber essa marcação temporal no diálogo a seguir, entre a morte e a gadanha:

(...) Se te tivesse mandando a ti, com esse teu gosto pelos métodos expeditivos, a questão já estaria resolvida, mas os tempos mudaram muito ultimamente, há que atualizar os meios e os sistemas, pôr-se a par das novas tecnologias, por exemplo, utilizar o correio eletrónico, tenho ouvido dizer que é o que há de mais higiénico, que não deixa cair borrões nem mancha os dedos, além disso é rápido, no mesmo instante em que a pessoa abre o outlook express da microsoft já está filada (...) (página 137)

José Saramago possui maneira peculiar de construir seu texto. Essa característica, presente em toda sua obra, é identificada claramente em As intermitências da morte. Ele despoja-se da utilização dos pontos de interrogação, exclamação, dois pontos, travessão, limitando-se à utilização de vírgula e ponto final. Os parágrafos seguem uma lógica particular, e nomes próprios estão sempre grafados em letra minúscula. De forma irreverente, o autor repassa à sua personagem principal os mesmos traços gramaticais. É evidente no trecho a seguir, uma sagaz resposta aos críticos da língua que condenam seu estilo:

Segundo a opinião autorizada de um gramático consultado pelo jornal, a morte, simplesmente, não dominava nem sequer os primeiros rudimentos da arte de escrever. Logo a caligrafia, disse ele, é estranhamente irregular (...), mas isso ainda se perdoaria, ainda poderia ser tomado como defeito menor à vista da sintaxe caótica, da ausência de pontos finais, do não uso de parêntisis absolutamente necessários, da eliminação obsessiva dos parágrafos, da virgulação aos saltinhos e, pecado sem perdão, da intencional e quase diabólica abolição da letra maiúscula, que, imagine-se, chega a ser omitida na própria assinatura da carta e substituída pela minúscula correspondente. Uma vergonha, uma provocação, continuava o gramático, e perguntava, Se a morte, que teve o impagável privilégio de assistir no passado aos maiores génios da literatura, escreve desta maneira, como não o farão amanhã as nossas crianças se lhes dá para imitar semelhante monstruosidade filológica, a pretexto de que, andando a morte por cá há tanto tempo, deverá saber tudo de todos os ramos do conhecimento. (página 111)

Mais uma forte característica do autor, a intertextualidade, está presente de forma sutil nas referências à Proust, ao Barão de Münchhausen e ao Conde Drácula de Bram Stoker. Outro elemento estilístico de Saramago merece ressalva. Tal como muito bem fez Machado de Assis, o autor faz com que o narrador de As intermitências da morte efetue pausas na narrativa para dialogar com o leitor:

Os actores do dramático lance que acaba de ser descrito com desusada minúcia num relato que até agora havia preferido oferecer ao leitor curioso, por assim dizer, uma visão panorâmica dos factos, foram, quando da sua inopinada entrada em cena, socialmente classificados como camponeses pobres. O erro, resultante de uma impressão precipitada do narrador, de um exame que não passou de superficial, deverá, por respeito à verdade, ser imediatamente rectificado. (página 45)

Os amantes da concisão, do modo lacónico, da economia de linguagem, decerto se estarão perguntando porquê, sendo a idéia assim tão simples, foi preciso todo este arrazoado para chegarmos enfim ao ponto crítico. A resposta também é simples, e vamos dá-la utilizando um termo actual, moderníssimo, com o qual gostaríamos de ver compensados os arcaísmos com que, na provável opinião de alguns, hemos salpicado de mofo este relato (...). (página 67)

O enredo reflexivo, o estilo diferenciado e a crítica social são razões suficientes para um mergulho em As intermitências da morte. Somado a isso, temos o prazer de ler uma obra em seu idioma original, que não pode ser comparado ao da leitura de uma tradução. Muito da sutileza e do sarcasmo presentes nesta obra tende a se perder em traduções. E afinal, José Saramago é a única possibilidade de nós, brasileiros lermos um Prêmio Nobel em nossa língua mãe.
comentários(0)comente



Marcelo 09/07/2014

"A morte conhece tudo a nosso respeito, e talvez por isso seja triste."
Se este livro fosse um rio, seria um rio calmo e sereno. Ele começa narrando calmamente as consequências da ausência repentina da morte em um pequeno país de 10 milhões de habitantes, então passa a narrar o desespero das pessoas quando, ao invés de simplesmente morrer, passam a ser avisadas uma semana antes, e então relata um acontecimento na "vida" da morte, personificada como o ceifador sinistro, cujo nome não começa com maiúscula por razões descritas na obra. É consideravelmente curto, rápido, mas marcante. Gostei, e recomendo.
comentários(0)comente



114 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |



logo skoob
"Skoob é uma rede colaborativa brasuca que eu acabei de conhecer e estou fascinada"

Blog - Sedentário & Hiperativo