As Intermitências da Morte

José Saramago



Resenhas - As Intermitências da Morte


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Carla 11/11/2014

É assim a vida, vai dando com uma mão até que chega o dia em que tira tudo com a outra.
Meu primeiro contato com o ilustre e famoso Saramago. Depois da indicação por um professor renomado, confesso que minhas expectativas em relação ao livro eram altas, e foram alcançadas.
Primeiro, o choque e a estranheza com os parágrafos incrivelmente longos e os diálogos marcados tão somente com o uso de vírgulas. Depois, o encantamento com o ritmo que a leitura ganha graças a esse "recurso" do autor.
A obra é incrível! Sem mais delongas. É direta, dura, real e ao mesmo tempo satírica. Além de chocar, encanta. Além de nos fazer refletir, entristece, nos toca.
Saramago me fez ficar amiga da morte (com letras minúsculas, como ela queria), e querer conhecê-la, conversar com esse ser tão singular, com toda a sua ironia e perspicácia.
A certeza que fica é que esse é o primeiro dos muitos encontros que terei com Saramago.

Parece que não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais do que isso, os nomes que lhes deste.
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Kateryni 04/11/2014

Perfeito
Um livro surpreendente, romântico e sensível que retrata a natureza humana diante de seu maior medo, a morte (com "a" minúsculo), com um final tão emocionante que te dá aquela depressão pós livro, e aquela vontade que o livro nunca acabe, que fez desse livro meu Favorito de Todos os Favoritos
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Bruna 20/10/2014

As Intermitências da Morte - José Saramago
Saramago meu best escritor, realista como só mesmo ele consegue,nesse livro ele fala sobre um assunto que evitamos, à morte, ela que inevitavelmente um dia chega ,mas que no primeiro dia de um novo ano,ela deixa de chegar, e ninguém mais morre, gerando um caos.
A vida e seu ciclo natural alterado, asilos lotados,doentes padecendo sem poder descansar seus corpos putrefatos, seguros e aposentadorias tendo que ser revisto e enfim à Maphia,uma organização mafiosa criada para atravessar os moribundos pela fronteira do país onde a morte é possível.
Os interessantes diálogos com religiosos, onde levanta a questão da igreja não existir sem a ressurreição, o que move a igreja é o reino do céu, o paraíso, a recompensa do além.
No livro à morte é um personagem, que se comunica com sua vítimas pelas cartas, à morte se envolve com um violinista que desafia seu destino, à medida que à morte vai se envolvendo com o violinista ela vai se tornado mais humana, não conseguindo atingir sua tarefa de o matar.
É preciso morrer, assim como se nasce se morre, isso é uma ideia aterradora por causa do desconhecido,Saramago levanta essas questões existencialistas e usa o caos como ponto de partida.
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Andrea 14/09/2014

No dia seguinte, ninguém morreu
O que aconteceria se, a partir de amanhã, ninguém morresse? É a essa pergunta que José Saramago, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1998, procura responder em seu romance As intermitências da morte (2005, Companhia das Letras, 207 páginas).

As conseqüências advindas da interrupção das atividades da morte é o gancho utilizado por Saramago para retomar a crítica social presente em tantas de suas obras. A partir de um fato sobrenatural, inicia uma série de reflexões sobre os valores humanos, o comportamento das instituições (governo e igreja) frente a crises e a imortalidade.

O livro é uma fábula que, como o título diz, versa sobre a morte. Esta morte, contudo, é vista de duas maneiras. Uma delas é o fim da vida, o falecimento, o ato de morrer, presente na primeira parte da narrativa. A outra, é uma personagem com sentimentos e vontades próprias, apresentada na segunda parte. O mais correto, para diferenciá-las, seria chamar a primeira morte e a segunda Morte - com maiúscula, mas o autor, como a morte, tem seus aferros estilísticos. Como conseqüência, acabamos por perceber uma só personagem com duas faces, que carrega em si o poder de tirar vidas ao mesmo tempo em que lida com seus conflitos íntimos.

A história é dividida em três partes. Para contar as peripécias da morte e seus caprichos, Saramago inicia a narrativa - em terceira pessoa - no dia em que ninguém morreu. A partir de uma decisão arbitrária da morte - personagem principal do livro - que se julgava injustiçada pelos homens e subestimada em sua importância, durante cerca de sete meses, nenhum ser humano morre no país fictício no qual se desenrola a ação. As conseqüências de tal fato são descritas no primeiro terço do livro.

O autor leva o leitor à reflexão sobre os problemas que se acumulariam se, de fato, a morte deixasse de agir. Hospitais e asilos lotados, seguradoras e funerárias sem função, a previdência social sobrecarregada. Traça o retrato de uma sociedade na qual o número de idosos cresceria indefinidamente. É interessante perceber que, apesar de almejar a imortalidade, o homem não costuma refletir sobre suas conseqüências. O cenário pintado por Saramago leva à questão: a imortalidade vale a pena?

Já neste trecho, percebe-se a crítica social da obra. Em um exercício de criatividade, o autor propõe, através de seus personagens (primeiro-ministro, chefe da igreja, presidentes de associações), algumas soluções para os problemas que se acumulam. Cria a maphia, organização amoral e criminosa que, mediante pagamento, leva os doentes terminais para morrerem além das fronteiras do país. Agindo sob o aval não-oficial do governo, a maphia resolve o problema de algumas famílias e retarda a crise superpopulacional que, sem dúvida, se abaterá sobre o país se realmente as pessoas deixarem de morrer. É uma crítica velada às ações criminosas que se avolumam sob os olhos dos governos.

Na segunda parte da história, por algum motivo a morte se cansa de suas férias e envia uma carta à imprensa declarando que voltará a matar. O método, contudo, será novo: cada pessoa receberá, uma semana antes de seu desenlace, uma carta violeta informando que sua vida chegará ao fim. Durante algumas páginas, o autor se volta ao detalhamento das conseqüências desta situação. Mais uma vez, as ações e reações de chefes de estado e igreja, dirigentes de associações e maphia denotam uma crítica social irônica e metafórica (cabe aqui lembrar que Saramago é assumidamente comunista e ateu).

Na última parte do livro, Saramago surpreende o leitor ao deixar de lado as crises do país fictício e descrever uma história de amor entre a morte e o violoncelista - o homem a quem ela não consegue matar. A personagem principal é vestida com ares humanos, e o autor consegue criar no leitor uma certa simpatia por essa figura tão execrada pela humanidade. A figura da morte é pintada com toda gama de sentimentos e conflitos próprios do homem: solidão, insegurança e finalmente o amor. Ela personaliza, também, o ser humano autômato, que durante toda sua vida limita-se a agir conforme lhe foi determinado, sem questionamentos, deixando-se levar pelas circunstâncias, sem perguntar-se o porque de nada. É mais uma crítica do autor.

O final da fábula, entretanto, é um desfecho otimista (ao menos sob o ponto de vista da morte), no qual Saramago dá mostras de que a ironia e acidez não são suas únicas ferramentas de trabalho.

Saramago não delimita tempo e espaço para a narrativa, apesar de fornecer algumas dicas. O local é um país fictício, com governo monárquico, do qual não se sabe a língua pátria nem o continente, e a religião principal é o Catolicismo.

Sobre o tempo, ao longo do romance são feitas menções às novidades tecnológicas modernas, o que faz crer que o enredo se passa nos dias atuais. Pode-se perceber essa marcação temporal no diálogo a seguir, entre a morte e a gadanha:

(...) Se te tivesse mandando a ti, com esse teu gosto pelos métodos expeditivos, a questão já estaria resolvida, mas os tempos mudaram muito ultimamente, há que atualizar os meios e os sistemas, pôr-se a par das novas tecnologias, por exemplo, utilizar o correio eletrónico, tenho ouvido dizer que é o que há de mais higiénico, que não deixa cair borrões nem mancha os dedos, além disso é rápido, no mesmo instante em que a pessoa abre o outlook express da microsoft já está filada (...) (página 137)

José Saramago possui maneira peculiar de construir seu texto. Essa característica, presente em toda sua obra, é identificada claramente em As intermitências da morte. Ele despoja-se da utilização dos pontos de interrogação, exclamação, dois pontos, travessão, limitando-se à utilização de vírgula e ponto final. Os parágrafos seguem uma lógica particular, e nomes próprios estão sempre grafados em letra minúscula. De forma irreverente, o autor repassa à sua personagem principal os mesmos traços gramaticais. É evidente no trecho a seguir, uma sagaz resposta aos críticos da língua que condenam seu estilo:

Segundo a opinião autorizada de um gramático consultado pelo jornal, a morte, simplesmente, não dominava nem sequer os primeiros rudimentos da arte de escrever. Logo a caligrafia, disse ele, é estranhamente irregular (...), mas isso ainda se perdoaria, ainda poderia ser tomado como defeito menor à vista da sintaxe caótica, da ausência de pontos finais, do não uso de parêntisis absolutamente necessários, da eliminação obsessiva dos parágrafos, da virgulação aos saltinhos e, pecado sem perdão, da intencional e quase diabólica abolição da letra maiúscula, que, imagine-se, chega a ser omitida na própria assinatura da carta e substituída pela minúscula correspondente. Uma vergonha, uma provocação, continuava o gramático, e perguntava, Se a morte, que teve o impagável privilégio de assistir no passado aos maiores génios da literatura, escreve desta maneira, como não o farão amanhã as nossas crianças se lhes dá para imitar semelhante monstruosidade filológica, a pretexto de que, andando a morte por cá há tanto tempo, deverá saber tudo de todos os ramos do conhecimento. (página 111)

Mais uma forte característica do autor, a intertextualidade, está presente de forma sutil nas referências à Proust, ao Barão de Münchhausen e ao Conde Drácula de Bram Stoker. Outro elemento estilístico de Saramago merece ressalva. Tal como muito bem fez Machado de Assis, o autor faz com que o narrador de As intermitências da morte efetue pausas na narrativa para dialogar com o leitor:

Os actores do dramático lance que acaba de ser descrito com desusada minúcia num relato que até agora havia preferido oferecer ao leitor curioso, por assim dizer, uma visão panorâmica dos factos, foram, quando da sua inopinada entrada em cena, socialmente classificados como camponeses pobres. O erro, resultante de uma impressão precipitada do narrador, de um exame que não passou de superficial, deverá, por respeito à verdade, ser imediatamente rectificado. (página 45)

Os amantes da concisão, do modo lacónico, da economia de linguagem, decerto se estarão perguntando porquê, sendo a idéia assim tão simples, foi preciso todo este arrazoado para chegarmos enfim ao ponto crítico. A resposta também é simples, e vamos dá-la utilizando um termo actual, moderníssimo, com o qual gostaríamos de ver compensados os arcaísmos com que, na provável opinião de alguns, hemos salpicado de mofo este relato (...). (página 67)

O enredo reflexivo, o estilo diferenciado e a crítica social são razões suficientes para um mergulho em As intermitências da morte. Somado a isso, temos o prazer de ler uma obra em seu idioma original, que não pode ser comparado ao da leitura de uma tradução. Muito da sutileza e do sarcasmo presentes nesta obra tende a se perder em traduções. E afinal, José Saramago é a única possibilidade de nós, brasileiros lermos um Prêmio Nobel em nossa língua mãe.
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Marcelo 09/07/2014

"A morte conhece tudo a nosso respeito, e talvez por isso seja triste."
Se este livro fosse um rio, seria um rio calmo e sereno. Ele começa narrando calmamente as consequências da ausência repentina da morte em um pequeno país de 10 milhões de habitantes, então passa a narrar o desespero das pessoas quando, ao invés de simplesmente morrer, passam a ser avisadas uma semana antes, e então relata um acontecimento na "vida" da morte, personificada como o ceifador sinistro, cujo nome não começa com maiúscula por razões descritas na obra. É consideravelmente curto, rápido, mas marcante. Gostei, e recomendo.
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Meire 15/06/2014

As Intermitências da Morte - uma reflexão
Na verdade, isso não é uma resenha, é mais uma impressão.

Adoro ler Saramago. O texto fluido sempre me "pega de jeito" e acabo não conseguindo parar de ler. E esse livro não é exceção.
Entretanto, devo dizer que tive que parar a leitura por várias vezes para refletir sobre questões propostas pelo autor nas entrelinhas.

Encontramos a morte personificada nessa história, mas não é sobre ela o livro, penso eu, mas sobre como a sociedade construiu suas instituições e suas crenças a partir dela.
Como já o fez em seu maravilhoso Ensaio sobre a Cegueira, Saramago nos convida a refletir, agora, sobre as implicações da ausência da morte e sobre como isso poderia corroer os mais nobres sentimentos humanos.

Leitura indicada para aqueles que conseguem ler além da história e têm coragem de refletir sobre as questões que ela evoca.
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sonia 06/06/2014

reflexões sobre a morte
Com sua veia humorística e seu viés anticatólico, Saramago imagina o que aconteceria em um mundo sem morte, mas via dando à indesejada das gentes uma feição cada vez mais 'humana', até o final que me surpreendeu - e olha que eu já estou em uma idade em que pouca coisa me surpreende; depois de Dias Gomes e Alarcon, pouca coisa mais poderia ser feita com o tema, mas ele fez!
Sutil, ligeiramente engraçado, filosófico, com tiradas como estas:
'a morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem'
'com as palavras todo cuidado é pouco, mudam de opinião como as pessoas'
'... Caim matou Abel; depois de tão deplorável acontecimento que, logo no princípio do mundo veio mostrar como é difícil viver em família'
'as pessoas dizem coisas à toa, lançam palavras à aventura e não lhes passa pela cabeça pensar nas conseguências '
Ora, pois pois.... concordas?
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Gustavo 17/05/2014

Viva e deixe morrer
Cansada de ser tão abominada e injuriada pelos homens, a Morte decide entrar em greve. Tal fato inusitado resulta em uma verdadeira desordem social, política, econômica e religiosa. Os hospitais, lotados de doentes moribundos, não possuem mais leitos para os novos enfermos. As bases dogmáticas da Igreja se esvaecem sem a possibilidade já agora de ressurreição. A máfia lucra com a falta de morte, traficando doentes moribundos para países vizinhos (onde a Morte continua a trabalhar), causando um grande problema diplomático. Funerárias vão à falência. O sistema estatal de seguridade social não comporta mais aposentados. Asilos ficam lotados. A velhice prolonga-se sem fim, sem permitir que o homem descanse em paz. A vida, sem o perigo da morte, de certo modo, perde o seu sentido.
Em uma alegoria brilhantemente escrita, com a pena da fina ironia, Saramago demonstra que a morte, embora temida e odiada, é de suma importância ao ser humano.
Luana_Corazza 31/05/2014minha estante
Resenha muito boa! Só aumentou minha vontade de ler o livro, parabéns!


Gustavo 31/05/2014minha estante
Muito obrigado, Luana! Depois me conte o que achou do livro!




Carol P.Loy 20/03/2014

Sem capa e sem foice
Em relação ao autor
José Saramago é um dos meus autores preferidos, por ser português (nascido e criado em Portugal) o seu estilo de escrita foge dos padrões que conhecemos, o que não é um empecilho, apenas se tornou uma marca do autor.
Quanto ao livro
É uma leitura cansativa, poucos e longos parágrafos, excessos nas descrições de personagens e locais são elementos que acabam atrasando o leitor. Por esse motivo não dei 5 estrelas para o livro.
Enfim sobre história
A Morte tira férias, simples assim. O livro não é nada superficial, o autor nos leva a entender a importância da morte de uma maneira radical. Assim como fez em Ensaio Sobre a Cegueira o autor começa a relatar os fatos a partir do ponto de vista político. Como as autoridades lidam com o fato de ninguém mais morrer? os enfermos tornam-se fardos, presos entre a vida e a morte mas sem nunca pender para um lado só. Nesta altura do livro fica bem claro o desespero da população que aos poucos percebe que nem sempre a Morte é uma inimiga.
A partir de certo momento o livro passa a narrar a "vida" da Morte, longe de ser parecida com aquela mulher de capa preta e foice na mão.
A Morte resolve, por uns tempos viver a vida humana e descobre o quão importante são as relações entre os vivos. Ela fica cada vez mais humana com o desenrolar do livro.
No geral o livro é sobre aprendizado e a capacidade de ceder, os humanos aprendendo com a Morte e ela com os humanos.
É o que pode ser dito, o resto é spoiler. Recomendo o livro para os fãs de Saramago e para aqueles que não tiveram o prazer de conhecer sua obra é um bom livro para introduzi-la.
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Dúnia 21/02/2014

E no dia seguinte ninguém morreu...
Você já desejou que não houvesse Morte?
Em contrapartida, você já parou para pensar o que aconteceria se de repente ninguém mais morresse???
Pois é o que José Saramago nos convida a refletir neste livro, e o livro já começa de forma impactante: "E no dia seguinte ninguém morreu..."
Sim, já começamos a obra sabendo que as pessoas simplesmente pararam de morrer, de forma inexplicada.
Aproximadamente metade do livro vai esmiuçar as consequências políticas, econômicas, religiosas, logísticas e emocionais deste fato. Não há maneira de descrever todas as facetas que Saramago buscou e analisou, por isso ele é um mestre, não é mesmo?
Ele consegue pensar em aspectos muito incomuns e pungentes do não-morrer, é incrível!
Não vou mentir, para mim, o modo como ele escreve não é dos mais agradáveis de se ler, acho cansativo e diminui bem meu ritmo de leitura, mas vale a pena pela idéia da obra e mais ainda pelo desfecho...
Pois bem, até a metade do livro temos essa face mais social da não-Morte e da metade até o fim temos, o que é para mim a melhor parte, o aparecimento da Morte em si.
Eu particularmente adoro livros em que a Morte aparece de algum modo (A Menina que Roubava Livros, por exemplo! Maravilhoso!).
A Morte está de greve, simples assim. Ela cansou de ser tão indesejada por nós, humanos...ou não,Ela muda de idéia facilmente também, quase volúvel em alguns momentos, eu diria...
A Morte é maravilhosa.Sem mais.
Para mim, é Ela quem dá o tom desta obra e é graças a Ela que vale a pena lê-lo até o final.
Como eu descrevi o livro aos meus amigos?
"O livro é bom, mas lento até metade, depois fica incrível e quando fica sensacional,acaba!"
Só tenho um favor a pedir, se você leu este livro, por favor, converse comigo porque o final do livro simplesmente me deixou quase-surtada!

=]

Michelle Gimene 23/02/2014minha estante
Eu adoro o estilo do Saramago. Verdade que é meio cansativo, que a leitura é mais lenta, mas isso não me atrapalha. Ainda não li "Intermitências da Morte", mas sinto que vou gostar muito. Já que você gosta de história em que a dona Morte dá as caras, indico "A desintegração da Morte", do Orígenes Lessa. Já leu? O tema é o mesmo desse do Saramago: a inexistência da morte e as suas consequências.
Vou ficar te devendo a conversa sobre o final do livro ;)
bjo


Sarah 25/02/2014minha estante
Eu AMO Saramago, é um dos meus escritores favoritos. Sim, o estilo é mais difícil, a leitura fica mais lenta. Mas é único e inconfundível, eu acho incrível.
Eu li Intermitências! Faz tempo, mas também achei fantástica a forma como Saramago relacionou tantos pontos à ausência da morte. Será que lembro a ponto de conversar sobre o final? :)


bort0 29/03/2014minha estante
Não entendi porque ficou surtada




Doney 23/12/2013

Lista de Livros
Segue abaixo link indicando blog com opiniões e os trechos mais interessantes/significativos sobre livros.



site: http://www.listadelivros-doney.blogspot.com.br
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luciana 22/12/2013

a morte e seus desejos
falar sobre algo é uma tentativa desesperada de dominar.marcar ,falar dominar ...talvez seja esse o objetivo do livro, um romance, onde o autor , um premiadíssimo autor tece fantasias sobre a morte, as consequências de sua ausência, a sua volta inesperada e finalmente a sedução fatal que ela exerce sobre todos os seres que estão vivos.
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Ellen Macedo 16/12/2013

Fantástico
Livro que veio para confirmar minha paixão cada vez maior pelo velho Saramago.
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Luiz 17/10/2013

No dia seguinte ninguém morreu.
A partir de um simples mote "no dia seguinte ninguém morreu", saramago faz um retrato da sociedade a partir de seu maior medo.
A religião, o capitalismo, os governos e a forma como são(des)tratados os idosos são apresentados de forma crua a partir da crise que se instaura com a "greve" da morte.
A fábula é dividida em duas partes, a primeira flui, sem personagens centrais, como um relato jornalístico de um observador deste fato inusitado na história da humanidade. A segunda, de leitura bastante cansativa, narra a relação da morte com alguém que ela não consegue matar (quando volta a fazê-lo) e em ambas, tal como já fazia machado de assis, o narrador conversa com seu leitor.
É um livro que, ao final de sua leitura, divide o leitor entre "a esperança de viver sempre e o temor de não morrer nunca".

“de deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas.
Dúnia 21/02/2014minha estante
Curiosamente eu achei exatamente o contrário do livro,Luiz... hehe
Para mim a primeira parte foi mais cansativa e a segunda muito mais empolgante, a partir da carta da Morte, tudo fluiu e eu fiquei bem mais curiosa.
Mas enfim, um livro incrível! =]


Carla 17/11/2014minha estante
Finalmente alguém com quem eu posso concordar! Também achei a leitura da segunda parte mais cansativa. Somente no final mesmo é que a narrativa me conquistou novamente. Mas a meu ver, o livro é sensacional, de qualquer forma.

Ótima resenha! :D




Arsenio Meira 14/10/2013

Saramago e a arte de justapor os sentidos do nonsense sem temer o precipício

Saramago pode viciar. No bom sentido, claro. O luso não veio a passeio, e mesmo ainda incipiente em seu universo, já senti o impacto que um livro seu pode causar.

Neste "As intermitências da morte", lido neste domingo dia 13.10.2013, em que peguei o livro pela manhã e só parei quase agora, fiquei com a nítida sensação dessa urgência que um grande escritor pode provocar em alguns dos seus leitores. (Podem me chamar de maluco. "De perto, ninguém é normal"...)

O ponto de partida deste romance levou-me à premissa kafkiana: o que aconteceria se, pois Saramago cria um país onde, com a virada do ano, ninguém mais morre. Nem no primeiro dia do ano, nem no segundo, nem no terceiro. E por aí vai. A euforia é geral, bandeiras são colocadas à mostra para comemorar a eternidade. Só faltou a banda passar, sob a batuta de Chico Buarque de Hollanda... Mas logo os problemas começam a surgir. A velhice vai se prolongando, o corpo se esvaecendo sem nunca chegar ao fim. Hospitais e asilos ficam lotados, sistema de aposentadorias, funerárias e seguradoras explodem. Colapso na terra do sem fim.

Como não há mortes, não pode haver ressurreição e sem isso a retórica da igreja perde sentido. Os padres ficam mudos, parece-me a mensagem, e a clássica e bela frase de um verso do poeta inglês John Donne, popularizada por Papa Hemingway, "não me perguntes por quem os sinos dobram" é sumariamente despejada de qualquer utilidade. Ou seja, a eternidade ceifa o lirismo e as liturgias.

Enquanto os aludidos percalços vão se desenvolvendo, Saramago aproveita para dar suas alfinetadas. Mostra e fustiga o establishment, retratando a grande Imprensa sob o viés marrom do jornalismo preocupado com as vendagens ao invés das notícias e o jogo de interesses que rege a política, e que causa desarranjos na coletividade, pois cada grupo quer, nem que seja à fórceps, sua parte do bolo, sem sequer admitir umas sobras a título de migalhas para a malta...

Mas é através da criação da máphia, encarregada de levar moribundos até o outro lado da fronteira para que descansem em paz, que o autor desmascara o poder, expondo a sua fragilidade perante os interesses econômicos, expressão cediça, mas incontornável. A narrativa é impessoal, conta a história de um país como um todo, sem se apegar a personagens. Alguns poucos aparecem como exemplo, não tem rostos nem nomes, apenas cargos e parentesco.

Só lá pela metade do livro é que o protagonista dá as caras; mas mesmo sua ausência não modifica essa surpresa, porquanto esse tal protagonista nunca este propriamente ausente da trama. Pelo contrário.

A morte, através de uma carta enviada ao diretor de uma emissora de televisão, explica seus motivos de inatividade e anuncia que voltará à ativa, mas passará a avisar os futuros mortos uma semana antes, para que estes possam se despedir e resolver pendências, como um testamento, um pedido de perdão, uma checada no último best seller, o filme que não se pode deixar de rever, um último trago, enfim, até mesmo para quem queira construir uma nova babel, mas sequer iniciou por falta de tempo, cotidiano insano, trabalho, filhos, obrigações, poderá, ao menos, iniciar este projeto e deixar um legado.

Com a presença da personagem morte, na figura de um esqueleto embrulhado num lençol, a narrativa perde qualquer vínculo com a realidade e abraço o nonsense. Reforçando o meu ponto de vista, não é como "A Metamorfose" de Kafka; nem pensem que Saramago enveredou pelo realismo fantástico de García-Marquez, não obstante a primeira parte do livro, onde você sabe que aquilo não existe, mas mesmo assim você aceita, embarca na história como se pelo menos ali, naquele universo, tais acontecimentos pudessem realmente acontecer

Já a segunda parte de "As intermitências da morte" vai além, quebra o pacto de tolerância ficcional entre autor e leitor, fazendo com que a gente desconfie. É como se Saramago quisesse testar o seu poder de persuasão e só não destrói as sementes plantadas na primeira parte, por conta do seu controle e maestria em narrar histórias.

Daí a advertência do início deste breve resenha. Tamanha é a naturalidade e arte com as quais Saramago contrói o enredo (um enredo ora picaresco, ora dramático, ora irônico, ora reflexivo), que ele pode viciar. Só um craque como ele para esticar a corda e burilar o nonsense sem temer o precipício.
jota 15/10/2013minha estante
Muito boa esta resenha. Acho que juntamente com Caim, Intermitências é um dos livros mais engraçados de Saramago. Ninguém vai sair por aí gargalhando com sua leitura, mas vai ficar com a alma (ou o cérebro, pode ser) sorrindo, arejada, contente. Salve Saramago!


Arsenio Meira 15/10/2013minha estante
Obrigado, Jota. Foi um resgate (para mim) deste grande escritor. Havia lido Memorial do Convento sem me convencer, e um outro romance (este, sim, estupendo) chamado "O Ano da Morte de Ricardo Reis". Então, na minha cabeça de leitor ainda incipiente do Saramago, estava 1x1. O Intermitências veio para desempatar (em favor, claro, do Luso premiado), e agora, estou alinhando na estante as demais obras para ler, inclusive o citado Caim. Abraços
ps - falta cadastrar o livros citados e mais outros de outros autores. Certa vez, aconteceu um bug aqui no Skoob e foram para o espaço resenhas, comentários, e etc.




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