
Envolvente e ágil.
Tudo começa com Lissa e Rose que fugiram da escola São Vladimir, sendo levadas de volta por um grupo de guardiões. Lissa Dragomir é uma adolescente especial, por várias razões: ela é a princesa de uma família real muito importante na sociedade de vampiros conhecidos como Moroi.
Sua melhor amiga, no entanto, não carrega consigo o mesmo prestígio: meio vampira, meio humana, Rose Hathaway é uma dampira cuja missão é se tornar uma guardiã e proteger Lissa dos Strigoi - os poderosos vampiros que se corromperam e precisam do sangue Moroi para manter sua imortalidade.
De volta à escola elas tem que lidar com as consequências da fuga, e ainda se manter alerta para o que as continua espreitando e Rose descobre os poderes que se escondem por trás do doce e inocente olhar de Lissa.
Eu adorei a história. Achei interessante a mitologia criada por Richelle, é claro que ela se baseou em lendas e mitos que já estão por ai, mas nesse caso a moça acertou a mão pois a mistura deu certo.
O livro tem vampiros bons, vampiros maus e guardiões, báh que ao meu ver são uma raça um pouco subserviente demais, mas se não fosse assim o amor de Rose e Dimitri não seria impossível e a história perderia um pouco da bossa.
O livro ágil e a trama flui, a dose de suspense é o meu número: não deixa tudo para o final, mas guarda uma reviravolta que é bem criativa e com gosto de quero mais.

Diários do Vampiro: o despertar (Galera Record, tradução de Ryta Vinagre, 2009, 240 páginas) de L.J. Smith, conta a história de um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma humana. Irmãos e inimigos mortais, Damon e Stefan Salvatore são assombrados por um passado trágico. Vivendo nas sombras desde a Renascença italiana, o destino parece levá-los a percorrer o mesmo caminho que um dia os conduziu àquela vida amaldiçoada e eterna, pois em Fell´s Church, na Virgínia, Stefan conhece Elena Gilbert, uma adolescente bela e popular e no encalço de Stefan, Damon procura vingança, e logo Elena se verá divida entre os dois irmãos - e entre o amor e o perigo.
Com o boom da série Twilight, resgataram esta série lá do fundo do baú do início dos anos 90, refizeram o projeto gráfico, e jogaram no mercado com grande estardalhaço, que diga-se de passagem a história não merece.
A primeira coisa que me fez não gostar do livro foi a personagem Elena, que é de uma superficialidade gritante, embora a autora envernize a guria de decidida e autoconfiante, ela não passa de uma mimada que pensa ser o umbigo do mundo, cujos desejos devem ser satisfeitos custe o que custar, doa a quem doer.
A temática da história não me desagradou completamente apesar de ser o velho clichê do triângulo amoroso com irmãos como antagonistas, isso até passa quando é bem escrito, e não vem recheado de esterótipos. As personagens estereotipadas me incomodaram muito, estão todas lá: a popular, o mocinho perfeito e atormentado, o bad boy, o namorado chutado pra escanteio mas que de tão gente boa dá a maior força para a popular conseguir o mocinho que não dá bola pra ela, a ex-melhor amiga que não era amiga. Ah! Tem também o machão e isso também foi irritante, como assim um colega te ataca, rasga tua roupa e tu não presta queixa, só porque o teu queridinho te salvou miraculosamente bem a tempo?! Hã?! Como assim?! E isso não é nada, isso passou batido mesmo, a tia não teve uma síncope, os policiais também não deram bola, nenhum adulto se preocupou que uma guria foi atacada, sim porque mesmo que o guri seja filho de sei lá quem e todos se conheçam desde sempre, ele atacou ela.
A história inteira me pareceu meio vaga, com personagens mal construídas, com acontecimentos que não tiveram o aprofundamento necessário para a compreensão, como por exemplo quando a amiga médium, essa sim uma personagem bem interessante, é “possuída” e fala que tem alguém esperando Elena no cemitério, podemos apenas deduzir o que aconteceu, eu não gosto quando ficam pontas soltas, mesmo que seja uma série, como é o caso deste livro, as coisas tem que ter uma linearidade e um encadeamento mínimos para a história feche um ciclo, não é o que acontece em Diários do vampiro: o despertar.

Uma história de perdas e reconciliações
O livro narra uma história que se passa em um futuro indefinido, onde as chuvas já alagaram grande parte das cidades e nos conta a história de Marcus e Débora, avô e neta. Diante do caos que tomou conta de Porto Alegre, Marcus decide levar Débora que está grávida de 7 meses para a casa que tem na região dos aparados da serra.
A indefinição temporal da história é desconcertante e detalhes como carros híbridos, movidos tanto à gasolina como à luz elétrica e acesso à internet no alto dos aparados deixam a obra com um ar de ficção científica, mas a trama está para além disso, pois Letícia volta sua escrita para as relações humanas, o que torna secundária as alegorias futurísticas dando muito mais dramaticidade as complexas relações entre o avô e a neta.
A relação entre Marcus e Débora é conturbada e distante, eles são a única família um do outro, mas são completos estranhos. A morte da mulher e da filha, da avó e da mãe deixaram marcas profundas nos dois, e os afastou ainda mais. Marcus vê a gravidez de Débora como o único laço a unir os dois, mas ela não pensa assim, e quer de qualquer maneira fugir do controle do avô.
A tensão é quase como uma personagem, está ali sempre presente, se fazendo sentir em cada entrelinha, o que torna a narrativa e a evolução do relacionamento dos dois ainda mais dramática.
É uma boa história, densa, bem construída, com pitadas de realismo fantástico, bem características de alguns escritos da autora, bastante peculiar e cheia de surpresas.

Interessante, mas distante da realidade brasileira.
O mundo é o que você come: uma família prova que você pode comer cuidando da sua saúde e da saúde do planeta (Nova Fronteira, tradução de Lourdes Sette, 2008, 479 páginas), de Bárbara Kingsolver é o como já diz o subtítulo o relato da experiência de uma família para se alimentar apenas com produtos locais durante um ano, para tanto eles se mudam para uma fazenda centenária, onde cultivam todo tipo de hortaliça imaginável, criam galinhas e perus, os produtos aos quais não tem autonomia para produzirem são comprados de produtores locais, ou então suprimidos do cardápio. Durante este ano eles têm a chance de recriar uma relação mais profunda com seus alimentos, ao perceberem que a comida processada, que para ser produzida precisa desviar rios e consumir combustível, não é tão necessária. O livro é permeado com informações técnicas de como o consumo inconsciente dos alimentos afeta o planeta. O foco do livro não são apenas os alimentos orgânicos, mas também os que não estejam fora da estação na localidade, que seja proveniente de estabelecimentos que tenham toda uma ideologia de comida local, trazendo como embasamento dados preciosos sobre como o ato de comer está intrinsecamente ligado à produção de petróleo, a queima de combustíveis, ao uso indiscriminado de pesticidas, ao confinamento animal, e seus impactos ao meio ambiente.
O livro tem pontos realmente interessantes no que dizem respeito à produção de carne e a opinião desta família em relação ao seu consumo, segundo eles, que por vários anos foram vegetarianos, a produção de carne para abate deve ser de criação livre nos pastos e não em confinamentos (os chamados CAFO’s).
As experiências e dados mostram claramente o descontentamento de uma família estadunidense com a falta de uma tradição alimentar própria de seu país e tentam eles mesmos resgatar uma cultura alimentar há muito suprimida pelos interesses de grandes produtores rurais.
O mais gostoso deste livro é que ele é realmente um relato verdadeiro, meio que diário escrito a seis mãos na verdade (pai, mãe e filha mais velha), que nos mostram que a despeito de gostarmos ou não todos os nossos atos influenciam o nosso futuro, inclusive se alimentar.

