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    Nora Webster -

    Colm Tóibín

    Companhia das Letras
    2015
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788535925951
    Português Brasileiro
    3.8
    48 avaliações
    Leram67Lendo2Querem156Relendo0Abandonos0Resenhas8
    Favoritos6Desejados156Avaliaram48

    Um romance magnífico sobre uma viúva e mãe de quatro filhos às voltas com o luto, o medo e a esperança. Ambientado na Irlanda, este romance apresenta a formidável Nora Webster. Viúva aos quarenta anos, com quatro filhos e pouco dinheiro, Nora perdeu o amor de sua vida, Maurice, o homem que a resgatou do mundo acanhado em que foi criada. E agora ela teme ser arrastada de volta para esse universo. Ferida, determinada, inclinada à discrição numa comunidade onde todos querem saber da vida de todos, Nora afunda na própria dor e fecha os olhos ao sofrimento dos filhos. Mas ainda assim ela tem momentos de impressionante empatia e bondade, e, quando volta a cantar, depois de décadas, encontra um consolo, uma causa, um porto seguro - ela mesma. Nora Webster é uma obra-prima de construção de personagem e ponto máximo na obra de um escritor no auge de sua carreira. "Este livro tem tudo que podemos esperar de um grande romance: que ele corresponda à densidade de nossas vidas, que seja largo como a própria vida." — The Guardian

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    Resenhas (8)Ver mais
    Ladyce West picture
    Ladyce West27/12/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Retrato de uma mulher

    “Nora Webster” é um livro que retrata de maneira perspicaz o momento de passagem imposto, à revelia de quem o enfrenta, pela morte inesperada de um consorte. A narrativa se concentra na protagonista, que dá nome ao livro, resoluta viúva de quarenta anos, com quatro filhos, dois ainda crianças. Nora passa por um processo de auto-conhecimento após a morte de Maurice Webster, seu marido, professor do ensino médio. Esse processo revela a ela e a seus familiares e conhecidos aspectos de sua personalidade que inexistiam, ou melhor, que haviam permanecidos dormentes nos anos do casamento. Vivendo numa pequena cidade ao sul da Irlanda, Nora tem um vida circunscrita. Não só pelo casamento, mas também pelo comportamento dos habitantes de Enniscorthy, cidade onde mora que, como na maioria de pequenos centros urbanos, tomam conta e observam os hábitos de todos que ali moram. Esse constante vigiar das ações dos outros só aumenta após a viuvez de Nora, e ela se cansa dos cuidados que seus vizinhos e conhecidos dispensam. Sente-se tolhida por tanta comiseração. Além da vida na pequena cidade controlar o comportamento dos moradores, outra força sociais estão presentes: a pressão da igreja católica, o movimento sindicalista dos trabalhadores e as escaramuças armadas entre a Irlanda do Norte e a Irlanda que culminaram no final da década de 1960, chamadas de “The Troubles”, (Na Trioblóidí, em irlandês) que se prolongariam por três décadas. Todos aspectos que iriam dar forma aos rebeldes anos da década de 1960, anos de grandes movimentos sociais e de quebra com hábitos e costumes do passado no ocidente. Aos poucos, à medida que os três anos cobertos no livro se passam, Nora Webster descobre que encontrar seu próprio caminho pode não ser fácil. Depois de duas décadas casada, Nora se conscientiza de que muitas de suas opiniões sobre a vida, pessoas conhecidas, eventos políticos e até hábitos do dia a dia que haviam sido estabelecidos e adotados pelo casal, refletiam em grande parte a opinião de Maurice, seu marido, e não necessariamente sua opinião. Essa descoberta não vem de um momento de "Eureca!" mas em relâmpagos de constatação, quando pequenas ou grandes decisões exigem que sua opinião seja firme. No meio de um diálogo sobre política, no julgamento sobre ações de vizinhos ou colegas de trabalho, Nora Webster se pega sabendo o que Maurice diria. Até nos detalhes da vida familiar a onipresença de Maurice se faz sentir. Este é o caso da surpresa no prazer que Nora tem com a música, arte que havia sido ignorada pelo marido, e consequentemente por ela através de sua vida em comum. Sutil é a palavra que define o desenvolvimento de Nora Webster. É pela sutileza que entendemos o processo de contínuo auto-descobrimento dessa protagonista, ainda que a tradição a condenasse a parâmetros que não aceita, mas em que a sociedade teima em enquadrá-la. Nora Webster não é a heroína ostensivamente combativa que poderíamos esperar para os anos 60 do século passado. É uma revolucionária só em sua própria vida, uma mulher introvertida, cheia de dúvidas, mas que não se apequena diante de decisões difíceis. Aos poucos descobre seus novos limites, uma vida diferente. Ainda que haja muitos personagens importantes na história, dos filhos às irmãs, tia ou colegas de trabalho, é a ex-freira transformada em descobridora de talentos que abre para Nora a porta da vida futura. “Todos nós temos muitas vidas, mas existem limites. Nunca sabemos quais eles são.” [260]. A partir daí Nora passa a explorar novas vidas, suas vidas, ciente de que há muitas outras opções na vida do que aquelas que lhe haviam sido apresentadas. Nora passa a pressionar os acontecimentos até saber seus limites. Luta sozinha pela classificação de um dos filhos na escola; arranja novas acomodações numa viagem à Espanha, decide pintar o teto da sala por si só. São pequenos atos de exploração que podem ou não trazer resultados positivos, mas é justamente do testar sua potencialidade no dia a dia, que Nora ganha confiança de viver como bem entende. Colm Tóibín trabalha vagarosamente descortinando o mundo de Nora Webster como ela o vê. Seu cuidado com detalhes permite que conheçamos o dia a dia, os pensamentos dessa heroína dos acontecimentos diários. Mas ele também é cuidadoso em não revelar tudo. Ao final temos a certeza de que há muito mais em Nora Webster do que sabemos. Há um lado que ficará para sempre inexplorado, guardado nas sombras de um casamento, no potencial imaginário dela, facetas que fazem de Nora um personagem esquivo, imponderável. Inesquecível.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 48
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas4%
    Colm Tóibín profile picture

    Colm Tóibín

    Colm Tóibín, nasceu em 1955 em Enniscorthy, no County Wexford, na Irlanda) e é um escritor premiado, jornalista e crítico literário. Tóibín fez a sua educação liceal como aluno interno do St Peter's College, entre 1970 e 1972. Prosseguiu os seus estudos na University College Dublin, tendo-se licenciado em 1975, após o que partiu imediatamente para Barcelona. A sua primeira novela, The South (em inglês), de (1990), inspirou-se parcialmente nos seus tempos passados na capital da Catalunha, tal como, mais directamente, o seu ensaio Homage to Barcelona, também de (1990). Ao regressar à Irlanda, em 1978, iniciou os seus estudos com vista à obtenção do grau de Mestre, no entanto acabou por nunca entregar a sua tese e deixou a universidade, pelo menos em parte, para uma carreira como jornalista. Os primeiros anos da década de 1980 foram um período particularmente brilhante para o jornalismo irlandês e a época áurea da revista noticiosa mensal Magill (em inglês), de que Tóibín foi editor a partir de 1982 e até 1985. The Heather Blazing (em inglês), de 1992, foi a sua segunda novela, seguida por The Story of the Night (em inglês), em 1996 e The Blackwater Lightship (em inglês), em 1999. Em 2004 Tóibín publicou O Mestre, um retrato ficcional da vida do escritor Henry James, que foi nomeada para o prestigiado Booker Prize. Tóibín continuou sempre a trabalhar como jornalista, tanto na Irlanda como no estrangeiro, tendo também alcançado prestígio como crítico literário, ao editar ou escrever obras como The Penguin Book of Irish Fiction (1999) e The Modern Library: The 200 Best Novels in English since 1950 (1999) com Carmen Callil, bem como o famoso ensaio Love in A Dark Time: Gay lives from Wilde to Almodóvar em 2002. The Blackwater Lightship (em inglês) foi nomeado em 1999 para o Booker Prize e em 2001 para o International IMPAC Dublin Literary Award. O Mestre ganhou em 2006 o International IMPAC Dublin Literary Award; foi nomeado em 2004 para o Booker Prize; ganhou também em 2004 o prémio Los Angeles Times Novel of the Year e o Stonewall Book Award, tendo ainda sido classificado pelo The New York Times como um dos 10 mais notáveis livros de 2004.

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    21 Seguidores
    Wexford, Irlanda

    Colm Tóibín