O assassino que mutilava Leminski -

    Anísio Homem

    Letras Contemporâneas
    2014
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9788566712124
    Português Brasileiro

    Por que alguém mata outro se humano e deixa pequenos poemas como uma mensagem desafiadora? Uma vida merece ser trocada por algumas palavras num papel? Que sentido há nisso? Nada roubado, nada. Apenas as vidas. Além de tudo, o criminoso parece querer zombar do poeta mais eminente da cidade. Esclarecer os crimes, pôr fim aos assassinatos e terminar com a carreira de plagiador do assassino é o que vai fazer Makoviec dar um tempo em sua mansa vida de repórter policial aposentado e sair a campo para desvendar o mistério que assola Curitiba.

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    Literatura Policial26/10/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um Leminski mortal

    Na trama, um matador-em-série espalha corpos pelas ruas e, de quebra, adultera versos do polaco cachorro-louco. A cada vítima, um segundo crime para os amantes das letras: o de lesa obra. Para investigar a sequência de mortes, o autor coloca em cena Igor Makoviec, um jornalista policial aposentado que divide sua tranquila vida entre visitas semanais da namorada Cristina e as marotices do gato Copérnico. Seguindo o que já podemos chamar de certa tradição brasileira, este detetive é brejeiro, hedonista e bom bebedor. Está mais para a linha de Ed Mort (de Luis Fernando Verissimo), D.T.Tive (de Jair Francisco Hamms) e Mandrake (Rubem Fonseca), e quase não tem parentescos com Bellini (Tony Bellotto) e Espinosa (Luiz Alfredo García-Roza). Na classificação mundial dos heróis, poderia ficar no escaninho dos picarescos, embora tente se levar a sério mas nunca renuncie aos prazeres carnais. Makoviec transita com facilidade pela capital paranaense, desafiando o frio e o próprio estômago com carne de onça, barreado e pinhão, sempre acompanhados de cerveja, vinho ou vodca, como requer sua descendência polonesa. É quase um sessentão, o que o obriga a estar um pouco acima do peso, como bem convém aos machos desta espécie. O peso não chega a interferir em seu desempenho. Aliás, é o contrário que chama a atenção nas páginas de O assassino que mutilava Leminski. A leitura é leve e rápida. A prosa é muito próxima da oralidade, carregada de gírias antigas e de trocadilhos enferrujados, dois aspectos que posicionam Makoviec num tempo que já passou. Se sua fala é retrô, o homem não parou no tempo, pois investe firme na busca por pistas no Facebook, Google e Whatsapp, que acessa em seu IPad. Este contraste faz dele um personagem fronteiriço, apropriado para uma história de crimes. (leia a resenha completa no site literaturapolicial.com)

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