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    O Grifo de Abdera

    Lourenço Mutarelli

    Companhia das Letras
    2015
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788535926293
    Português Brasileiro
    4.1
    207 avaliações
    Leram315Lendo12Querem219Relendo0Abandonos4Resenhas11
    Favoritos24Desejados219Avaliaram207

    Mauro é roteirista dos quadrinhos de Paulo. Os dois publicam sob a alcunha de Lourenço Mutarelli, e são representados publicamente pelo bêbado Raimundo. Mas a morte de Paulo forçará Mauro a tentar uma carreira solo com O cheiro do ralo, seu primeiro e bem-sucedido livro. É quando ele recebe de um estranho uma moeda antiga, o Grifo de Abdera, e sua vida muda. Oliver não conhece Paulo, Mauro, Raimundo ou Lourenço. Mas, quando Mauro recebe a moeda, uma conexão se forma entre eles. É este delicioso jogo que alimenta O grifo de Abdera, primeiro romance de Mutarelli desde Nada me faltará, de 2010. Um labirinto de obsessões, taras, perguntas e mistérios, acompanhado ainda de uma longa história em quadrinhos.

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    Leon Idris Azevedo picture
    Leon Idris Azevedo14/11/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Crise de duplos: a invenção de si mesmo

    Com esse livro dei os primeiros passos na obra do Mutarelli, mas antes eu já me perguntava algo que deve ser recorrente entre os fãs dele: como é possível que ele tenha tantos talentos e faça tanta coisa boa ao mesmo tempo. O Grifo de Abdera brinca em responder essa pergunta da maneira mais inventiva possível. Se houvesse um subtítulo pra esse livro, poderia ser: Quem inventou Lourenço Mutarelli. Pois a premissa é basicamente esta: transformar o autor em personagem, desconstruí-lo, desmontá-lo em várias partes e, quem sabe, depois construí-lo de volta – ou então deixa-lo desmembrado, todas as peças na sua mão. Antes que eu fale sobre o enredo, é importante dizer que esse livro nos encoraja a demolir a ideia de que deve haver uma distinção entre quadrinhos e Literatura, aquela com L maiúsculo. O Lourenço não só soube integrar muito bem as partes desenhadas e as partes escritas, como ele também criou a necessidade para esse formato. Os quadrinhos aqui não representam uma pausa na narrativa, eles são uma entrada íntima na fantasia que ele criou para personagens que primeiro nascem das palavras e depois se confundem nos traços caóticos dos quadrinhos. Os desenhos fazem parte de uma narrativa composta em 3 partes, duas textuais, em prosa, e uma desenhada. O narrador é o autor responsável por tudo o que a gente um dia pensou ser obra do Mutarelli, pois aqui nós descobrimos que o Mutarelli não existe, ele foi inventado por um escritor introspectivo chamado Mauro Tule Cornelli, um anagrama de Lourenço Mutarelli. O Mauro teria sempre se escondido e colocado um cara chamado Raimundo para se fingir autor, dar entrevistas ir a eventos. O Raimundo é um bêbado que ao longo do livro só aparece no bar, naturalmente. Nesse livro, eu me senti inspecionando dois processos, duas linhas criativas: Uma que implode a identidade do autor, fazendo restar apenas personagens fictícios; e outra que te revela um autor inteiramente novo, um Mutarelli reinventado pela sombra de tudo o que ela já produziu antes desse livro. E aqui vale uma menção a outro livro: O Café da Manhã dos Campeões, de Kurt Vonnegut. O café e O Grifo parecem se comunicar. Na minha visão eles são o duplo e o inverso de uma mesma crise. Se n’O Café o Vonnegut se joga dentro da ficção dos personagens que ele inventou em livros anteriores e depois sai inalterado de dentro dela, n’O Grifo Mutarelli faz a ficção dos seus personagens entrarem na sua realidade, para reinventá-la, rompê-la e permitir que ele, Mutarelli, saia dela alterado. Cinco estrelas sem pestanejar! Melhor, dez; recomendo a leitura de ambos!

    9 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 207
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Lourenço Mutarelli Júnior profile picture

    Lourenço Mutarelli Júnior

    Escritor, artista gráfico, quadrinista, roteirista e ator, publicou diversos álbuns de histórias em quadrinhos, hoje cultuados. lançou-se na ficção em 2002 com <i>O cheiro do ralo</i>. Desenhou arte de filmes e desponta como ator em longas e curtas.

    34 Livros
    354 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Lourenço Mutarelli Júnior