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    Quase Noite -

    Alice Sebold

    Agir
    2008
    293 páginas
    9h 46m
    ISBN-10: 8522009855
    Português Brasileiro
    3.3
    292 avaliações
    Leram414Lendo21Querem323Relendo1Abandonos43Resenhas24
    Favoritos20Desejados323Avaliaram292

    Um assassinato declarado nas primeiras páginas e uma trama que mescla presente e passado mostram todo o sofrimento, os conflitos e as desilusões de Helen, uma mulher capaz de dar fim à vida da própria mãe. Uma narrativa que trata com sagacidade um tema sombrio e delicado, que guarda segredos e dramas capazes de se transformar em terríveis tragédias.

    Resenhas (24)Ver mais
    Mariana Soares picture
    Mariana Soares25/04/2009Resenhou um livro
    3 (Bom)

    [Resenha] Quase Noite - Alice Sebold

    "No final das contas, matar minha mãe foi bem fácil. A demência, conforme desponta, tem o poder de revelar o âmago da pessoa afetada. O âmago de mamãe era podre como a água fétida de um vaso de flores mortas. Ela era bela quando meu pai a conheceu e ainda capaz de amar quando eu, filha temporã, nasci. Mas, naquele dia, ao me encarar com seus olhos vidrados, nada disso importava mais". (p.7) É assim que Alice Sebold começa a narrativa do matricídio cometido pela personagem principal, Helen Knightly. A trama se passa em uma pequena cidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, em um subúrbio típico da classe média, onde a rotina impera e nada de diferente acontece, até aquele momento. Acompanhamos com Helen as 48 horas que se seguem ao assassinato. Não só mergulhamos com ela em suas lembranças (quando nos apresenta fatos do seu passado permeados pela doença mental da mãe e pela fraqueza moral do pai), como também vivenciamos as questões práticas do seu ato, como: o que fazer com o corpo, como contar as filhas, como reagir à polícia, etc. Essa alternância entre passado e presente é, inclusive, um dos fatores negativos do livro. Tornou a leitura confusa, fazendo com que tivesse que voltar e reler vários trechos. A protagonista, através de suas memórias, tenta justificar seus atos, não só para si mesma como também tenta nos convencer de sua atitude desesperada. No entanto, sua insanidade não ficou restrita ao crime, Helen deixa aflorar os pensamentos mais absurdos e acaba colocando-os em prática, sem se importar com as consequências que seus atos terão não só a ela mesma, mas também sobre as pessoas com quem mantém contato. No fundo, ela sabe que responderá pela sua conduta, mas isso parece insuficiente para trazê-la de volta à realidade. Vale ressaltar que o livro está escrito em primeira pessoa, o que nos faz ter uma visão unilateral dos fatos. Portanto, é difícil analisar se os fatos apresentados pela personagem principal ocorreram da forma com que ela conta. Confesso ter comprado esse livro sem ao menos ler a sinopse. Depois de ler os outros livros da autora, "Sorte - Um caso de estupro" e "Uma Vida Interrompida - Memórias de um anjo assassinado" tornei-me uma grande admiradora de seu trabalho. Assim como suas outras obras, "Quase Noite" é uma história pesada, densa e cruel. Daquelas que, por vezes, precisamos largar o livro para digerir tudo que foi contado até o momento, para só então retomar a leitura. Até para mim, que sempre gostei de livros fortes e instigantes, é uma leitura perturbadora. Então, só indico para aqueles que estão dispostos a respirar fundo e encarar essa complexa relação entre mãe e filha, em que a linha entre o amor e o ódio é mais tênue do que nunca. Mais em: http://brincandocomlivros.com/

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.3 / 292
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas7%
    Alice Sebold profile picture

    Alice Sebold

    Alice Sebold cresceu no subúrbio de Filadélfia e estudou na Great Valley High School, na Pennsylvania. Em seguida, matriculou-se na Universidade de Syracuse e quando estava terminando seu primeiro ano, foi estuprada enquanto voltava para casa, em um parque perto do campus. (Esta história foi relatada em seu primeiro livro: de memórias, estilo autobiográfico, intitulado "Sorte", lançado originalmente em 1999). Após a formatura de Syracuse, Sebold foi para a Universidade de Houston, no Texas para o ensino de pós-graduação, o qual ela não completou, devido ao seu envolvimento com drogas. Então, ela se mudou para Manhattan e lá viveu por 10 anos, onde realizou diversos trabalhos, inclusive como garçonete e tentou prosseguir a sua carreira de escritora. Sebold queria escrever a sua história através da poesia, mas as tentativas fracassavam. Sebold deixou a cidade e se mudou para o sul da Califórnia, onde se tornou zeladora de uma colônia de artes, vivendo em uma cabana na floresta, sem eletricidade. Ela escrevia com o auxílio de uma lâmpada a gás. Novamente Sebold iniciou nova pós-graduação, desta vez na Universidade da Califórnia. Lá ela começou a escrever sua história, ao fazer um trabalho de 40 páginas para a sua classe, o qual mais tarde serviria de base para seu primeiro livro ("Sorte"). Depois de "Sorte", Sebold publicou, em 2002, o best-seller "Uma vida interrompida". O livro é um romance sobre uma menina de 14 anos que é assassinada pelo vizinho. O personagem principal conta sua história do Céu, olhando para baixo quando sua família tenta lidar com a morte dela e enquanto seu assassino escapa da polícia. Este romance foi adaptado para um filme de 2009, de Peter Jackson, chamado "Um olhar do Paraíso". Enquanto Alice trabalhava em "Uma vida interrompida", ela conheceu o marido Glen David Gold, na faculdade. O segundo romance de Sebold, "Quase noite", foi lançado em 2007. Sebold ganhou o American Book Associação de Livreiros do Ano de Ficção Adultos em 2003 e o Prêmio Bram Stoker pelo primeiro romance em 2002. Ela também foi indicada na categoria romance naquele ano.

    8 Livros
    100 Seguidores
    Wisconsin, Estados Unidos

    Alice Sebold