A ÉTICA E SUAS NEGAÇÕES

A ÉTICA E SUAS NEGAÇÕES Julio Cabrera


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A ÉTICA E SUAS NEGAÇÕES


Não nascer, suicídio e pequenos assassinatos




A discussão sobre a Ética e sua impossibilidade é considerada o “calcanhar de Aquiles” de muitos filósofos – Kant, por exemplo, viu-se obrigado a duplicar os mundos para tornar a Ética possível num deles; Spinoza a identificá-la com o mundo; e Wittgenstein a situá-la linguisticamente no místico indizível – e muitos deles optaram por não escrever nenhuma Ética, como Descartes e Sartre. Por que a Ética foi tão incômoda para filósofos capazes de mostrar sua “competência” em outras áreas da reflexão? Para tentar refletir sobre o motivo desta recusa em pensar o tema, a de não construir mais um sistema de Ética e mostrar a impossibilidade de tal projeto afirmativo, é preciso transitar por lugares que parecem inevitáveis para a reflexão ética crítica e radical e que, ao mesmo tempo, são aqueles pontos temáticos sistematicamente evitados pelo pensamento filosófico tradicional: a paternidade, a geração de filhos, o suicídio, o homicídio e a relação com a escravidão.

A ética e suas negações – Não nascer, suicídio e pequenos assassinatos (originalmente Projeto de Ética negativa, lançado pelo autor na década de 1990) tem sua segunda edição lançada pela Rocco. O filósofo Julio Cabrera discute o sentido da vida ao abordar os princípios da Ética tradicional que são embasados em duas perguntas: “Como devo viver?” e “Que tipo de pai devo ser?”. Essas duas perguntas respondem à questão fundamental da vida humana, entendida como a minha vida, em primeiro lugar, e como a vida que pode ser gerada. Mas, para o filósofo, essas duas perguntas estão muito à frente de duas outras que supostamente deveriam ter sido respondidas pela reflexão ética: “Devo viver?” e “Devo ser pai?”. São essas as questões para as quais devem ser encontradas respostas, pois, segundo o autor, a não resposta a essas perguntas mais “primitivas” deixa a metade do problema moral fora da questão filosófica e torna inconsistente o sistema de valores morais tradicional.

Refletir sobre o não ser nos casos acima citados é um dos objetivos do livro. Nos dois primeiros capítulos, o filósofo enfrenta dois temas basais da discussão: a paternidade e sua recusa e o suicídio. São estudados os mecanismos pelos quais os homens acreditam ser, e a resposta ontológica a essa ilusão. É problematizada a paternidade como lugar fixo da moralidade. No caso do suicídio, são indicadas algumas fontes filosóficas e analisados os mecanismos de rejeição radical ao suicídio dos pontos de vista médico, jurídico e religioso.

No terceiro capítulo, trata-se da supressão da vida por meio do homicídio. É também neste capítulo que o autor aborda a relação amo/escravo como tentativa não de suprimir fisicamente um ser, mas de suprimi-lo como vontade. No capítulo seguinte, Cabrera mostra como na estruturação atual da sociedade se pratica uma sistemática ocultação de tudo aquilo que foi elucidado nos capítulos anteriores.

Em seguida, o autor critica a convicção dos valores morais – e, por conseguinte, da imoralidade – terem um “lugar fixo” (procriação, paternidade, família, propriedade, heterossexualidade etc., em oposição a abstinência, prostituição, roubo, homossexualidade etc). Por fim, Cabrera pratica uma dialética da dualidade saber/ignorar, colocando os próprios limites daquilo que o filósofo é capaz de dizer acerca de questões éticas.

A ética e suas negações – Não nascer, suicídio e pequenos assassinatos propõe uma nova forma de pensar sobre a vida e seus valores.

Ensaios / Filosofia / Sociologia

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