A Felicidade Paradoxal

A Felicidade Paradoxal Gilles Lipovetsky


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A Felicidade Paradoxal


Ensaio Sobre a Sociedade do Hiperconsumo




Numa sociedade em que a melhoria contínua das condições de vida materiais praticamente ascendeu ao estatuto de religião, viver melhor tornou-se uma paixão colectiva, o objectivo supremo das sociedades democráticas, um ideal nunca por demais exaltado. Entramos assim numa nova fase do capitalismo: a sociedade do hiperconsumo.
Eis que nasce um terceiro tipo de Homo consumericus, voraz, móvel, flexível, liberto das antigas culturas de classe, imprevisível nos deus gostos e nas suas compras e sedento de experiências emocionais e de (mais) bem-estar, de marcas, de autenticidade, de imediaticidade, de comunicação.
Tudo se passa como se, doravante, o consumo funcionasse como um império sem tempos mortos cujo contornos são infinitos. Mas estes prazeres privados originam uma felicidade paradoxal: nunca o indivíduo contemporâneo atingiu um tal grau de abandono.

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Camila Gondo
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22/02/2014 10:10:25