A Identidade

A Identidade Milan Kundera


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A Identidade





Chantal, uma bela mulher mas não tão jovem, deixa o hotel onde está hospedada, caminha até a praia e olha um mundo que não lhe agrada: os homens lhe parecem ridículos, infantilizados, preocupados exclusivamente com os filhos. São todos "papais", desprovidos de qualquer encanto erótico. Fazendo graça, ela diz a si mesma: "Vivo num mundo em que os homens já não se viram para me olhar".

Algumas horas depois Chantal repetirá a frase a Jean-Marc, que, não compreendendo sua ironia bem-humorada, é tomado de uma imensa compaixão por essa mulher que ele ama e que está envelhecendo. Ele sabe que os olhares do companheiro não podem bastar a uma mulher, pois a confirmação de um núcleo muito profundo da intimidade feminina depende de homens desconhecidos.

Sua compaixão porá em movimento uma história de dois seres solitários para quem o amor é o único valor no mundo contemporâneo. É por se amarem que eles começarão a suspeitar um do outro, a mentir um para o outro, a viver a mentira como uma via de mão dupla que oculta e revela, que fere e alivia.

Inicialmente baste real, a história pouco a pouco torna-se um sonho assustador. "Quem sonhou essa história", pergunta o narrador; "a partir de que momento a vida real deles se transformou nessa pérfida fantasia?". O mais assustador de tudo é perder a identidade do outro, é não poder mais reconhecê-lo - entre o real e o sonho, a fronteira é o invisível.

Literatura Estrangeira / Romance

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Não há tempo perdido numa leitura de Milan Kundera. É a conclusão que chego após terminar este que é apenas o segundo livro que conheço do autor. Ele se junta, portanto, ao meu panteão de escritores contemporâneos que provocam com obras que considero poderosas, caso de Vargas Llosa, García Márquez e Javier Marías - que por uma coincidência absurda escrevem em espanhol. Em “A identidade” interessa o jogo dos símbolos. Chantal e Jean-Marc, as personagens que nos levam nessa viagem l... leia mais

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