A Máscara Vermelha

A Máscara Vermelha Manuel Pinheiro Chagas...


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A Máscara Vermelha (Coleção Saraiva #128)


Romance Histórico Original




A Máscara Vermelha de Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (1873) / Publicado na Coleção Saraiva Nº 128, em Fevereiro de 1959. Romance Histórico ["Capa-e-Espada"] Ultra-Romântico ou da 2ª geração do Romantismo português. Seguido pelo Juramento da Duquesa (1873) / Publicado na Coleção Saraiva Nº 129, em Março de 1959.
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"(...) M. Pinheiro Chagas costumava chamar aos seus romances «estudos históricos românticos». É o que se passa com D. Pedro Bonete e com a Duquesa Juliana, as personagens principais deste A Máscara Vermelha de 1873; o primeiro tendo sido um verídico interveniente de uma revolta catalã contra o Estado espanhol em simultâneo com a Restauração portuguesa de 1640: Bonete, que foge para Portugal com uma desventurada jovem (Dona Inês Mendes), é apresentado como um vilanesco aventureiro "espanhol", dissimulado, sedutor, violento e astuto oportunista, já surgira referido na introdução à segunda parte doutro romance histórico popular do século XIX, 'Luta de gigantes' de Camilo Castelo Branco (autor que Pinheiro Chagas criticava por impôr o romanesco sobre o factual).

E a segunda -- que foi a histórica esposa do "Duque Traidor" de Caminha, nos tempos da Restauração portuguesa do Século XVII: (...) Portugal está na luta pela restauração da sua independência. Porém, o Duque de Caminha luta contra esta causa: devendo o seu título a Filipe IV de Espanha, III de Portugal, fielmente ele conspira com alguns outros nobres contra o Duque de Bragança (agora Rei de Portugal), para provocar a sua morte. Bonete, 'sondando' que 'proveito' poderia tirar da conspiração, junta-se a ela, mas reconhecendo que está condenada, decide tirar um outro 'proveito' da mesma: abordando a Duquesa Juliana, apela-lhe que se torne a sua amante, sob a ameaça de denunciar a conspiração do marido da Duquesa às autoridades. Depois de ela repudiar a oferta e humilhá-lo, ele procede à delação de todos os conspiradores ao secretário de Estado, Francisco de Lucena (outra personagem histórica). Apesar de várias iniciativas tomadas por Juliana ante várias autoridades reais e religiosas, ela não consegue evitar a condenação do seu marido. Juliana já havia entrado na efabulação ficcional através da lenda popular do Penedo da Saudade, que será dramatizada também no final da história; a popularidade da lenda podendo ser parte da razão da continuidade do sucesso d'A Máscara Vermelha (e do Juramento da Duquesa) junto ao público leitor [após o 'ofuscamento literário' de Pinheiro Chagas (que levou à sua exclusão do cânone literário português); possivelmente pelo confronto com os autores portugueses da Nova Geração de 70, na época da Questão Coimbrã: Antero de Quental, Batalha Reis, Eça de Queirós].

'(...) A trama do livro, com tanto de romanesco como de factual, prossegue n'O Juramento da Duquesa', também de 1873. [E a saga da Guerra da Restauração, concluída pelo autor no romance "A Mantilha de Beatriz" (publicado cinco anos depois destes outros dois livros, em 1878, que porém já não mantém nenhuma das personagens originais)]. Este é o tipo de história (na tradição dos romances históricos anglófonos) em que se luta "Por Rei e por País" e se vivem aventuras contra intrigas políticas de oponentes.

'(...) como diz Pinheiro Chagas, na introdução d'O Juramento da Duquesa', o seu objectivo não é «celebrar os grandes feitos nas campanhas da Restauração, mas de narrar os enredos da corte, as calúnias, as traições que se desenrolam no reverso desse quadro brilhante das épicas pelejas e de sobre-humanas façanhas». É certo que, apesar de tudo, não encontramos neste livro a tragédia pesada e o espírito de alguma melancolia lírica do final de "A Jóia do Vice-Rei" de 1890 (antes um espírito de alguma esperança, de que o amanhã trará o justiçar dos males), e que há espaço em "A Máscara Vermelha" para algum heroísmo de capa-e-espada (estilo de ficção que a maioria das pessoas desconhece que existe na literatura portuguesa) e algum otimismo mesmo na cara da infelicidade, mas não se deixa de encontrar neste romance a política, não só do tempo descrito como a visão política pessoal de Pinheiro Chagas, com algumas críticas, ironias e insinuações, contra a 'submissão' (na visão do autor) da Dinastia de Bragança aos Jesuítas, e contra às intrigas cortesãs e aqueles que traem o seu país por lealdades pessoais. Coisas que tornarão a leitura mais deliciosa para os que lerem com olhos mais atentos; mesmo se os leitores que ao longo de décadas mais se têm deleitado com o enredo deste clássico se tenham deliciado com ele mais pelo que tem de ficcional e aventureiro romanesco, nesta contribuição lusa ao gênero mundialmente célebre da 'capa-e-espada '.'
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http://classicoslitinf-juvportuguesa.blogspot.com.br/2015/01/a-mascara-vermelha-manuel-pinheiro.html
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Manuel_Pinheiro_Chagas
http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2015/06/colecao-saraiva.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2018/03/colecao-saraiva-traducoes.html?m=1

Aventura / Crime / Crônicas / Drama / Ficção / História / Política / Romance / Suspense e Mistério

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