A misteriosa morte de Miguela de Alcazar

A misteriosa morte de Miguela de Alcazar Lourenço Cazarré




A misteriosa morte de Miguela de Alcazar





Embebido… Não. Encharcado (o narrador certamente esculhambaria o primeiro adjetivo como algo incrivelmente pernóstico) de frases ferinas, sarcasmo feroz e deboche deslavado, este A Misteriosa Morte de Miguela de Alcazar é um típico Lourenço Cazarré. Imagine um improvável simpósio dos maiores escritores de romances policiais do planeta. Coloque-o em um hotel chinfrim em uma não menos improvável Brasília. Está pronto o cenário para esta sátira escrachada de um romance policial — com pitadas de estudo quase científico das entranhas do jornalismo e da literatura.

Para completar o quadro, o narrador e personagem principal desta história é um estranhamente verossímil repórter policial gaúcho, Campestre de Campos Campelo. O dito-cujo percorre a capital federal em um Fusca amarelo ano 1968, “vulgarmente conhecido” como “Revolução de Maio”, e armado apenas de impagáveis reflexões filosóficas e de um dialeto gaudério de rolar de rir. Intimado pelo editor do jornal onde trabalha, o Correio de Brasília, Campestre vai até o Brasília Palace para checar a informação de que o local estava realmente abrigando o Primeiro Congresso Internacional de Escritores de Histórias Policiais. “Num jornal, você pode tudo: mentir descaradamente, vitaminar os fatos e embelezar a realidade. Só não pode desobedecer a uma ordem, mesmo que estúpida”, sentencia nosso herói ao aceitar a missão.

Para pasmo do gaúcho, ele não só confirma a realização do evento — até então secreto — como também descobre que uma das ilustres convidadas, a espanhola Miguela de Alcazar y Casas de Bourbon, havia sido assassinada. Quem seria o culpado? Um dos colegas da literata, movido pelo sempre presente e à mão motivo da inveja irracional pelo sucesso alheio? A busca de Campestre pelo assassino é uma saga hilária que fará até o pai do romance policial moderno, aquele atormentado Edgar Allan Poe, dar voltas no túmulo — de tanto rir e aplaudir. Tente conter as gargalhadas. Não duvide: será uma tarefa para lá de inglória.

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Quase nota 10.
on 23/5/09


Primeira vez que leio um romance policial. Convesso que amei tudo. A trama é demasiadamente envolvente e as frases entupensamente curiosas e criativas. Sublinhei várias para usar no meu simples e coriqueiro portugues. As brincadeiras, as confusões, os relatos. Será toda a história fictía ou terá ele, mesmo que seja só para o autor, um fundo de verdade? Muito bom. Em breve, mais comentários sobre o livro em meu blog, anota ai o link http://aindamaisestorias.blogspot.com... leia mais

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Felipe
cadastrou em:
23/05/2009 02:18:45