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    Leviatã - Ou A Matéria, Forma E Poder De Uma República Eclesiástica E Civil

    Thomas Hobbes

    Martins Fontes - Selo Martins
    2019
    736 páginas
    1d 0h 32m
    ISBN-13: 9788580633726
    Português Brasileiro
    3.8
    4 avaliações
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    Pode-se dizer que o Leviatã, de Hobbes, é a maior obra de filosofia política em língua inglesa. Escrito em um período de grande agitação política (Hobbes viveu durante o reinado de Carlos I, as Guerras Civis, a República e o Protetorato e a Restauração), Leviatã é um argumento a favor da obediência à autoridade fundado na análise da natureza humana. Desde sua publicação, em 1991, a edição do Leviatã organizada por Richard Tuck foi reconhecida como a de maior precisão e autoridade. A presente tradução baseia-se na nova edição revista pelo professor Tuck, que inclui um extenso texto introdutório que servirá para os estudantes não familiarizados com Hobbes como uma introdução acessível e convincente a este livro desafiador.

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    Marcos Augusto picture
    Marcos Augusto16/08/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Hobbes rejeita uma das teses mais famosas da política do antigo filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C), a saber, que os seres humanos são naturalmente adequados à vida em uma polis (cidade-estado) e não realizam plenamente suas naturezas até que exercer o papel de cidadão. Hobbes inverte a afirmação de Aristóteles: os seres humanos, ele insiste, são por natureza inadequados para a vida política. Eles naturalmente denigrem e competem uns com os outros, são facilmente influenciados pela retórica de pessoas ambiciosas e pensam muito mais em si mesmos do que nas outras pessoas. Em suma, suas paixões ampliam o valor que atribuem a seus próprios interesses, especialmente seus interesses de curto prazo. Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas, ao perseguir seus próprios interesses, não tem a capacidade de prevalecer sobre os concorrentes. Tampouco podem apelar para algum padrão comum natural de comportamento que todos se sentirão obrigados a seguir. Não há autocontrole natural, mesmo quando os seres humanos são moderados em seus apetites, pois uns poucos impiedosos e sanguinários podem fazer até mesmo os moderados se sentirem forçados a tomar medidas preventivas violentas para evitar perder tudo. O autocontrole mesmo do moderado, então, facilmente se transforma em agressão. Em outras palavras, nenhum ser humano está acima da agressão e da anarquia (caos) que a acompanha. A guerra vem mais naturalmente para os seres humanos do que a ordem política, de acordo com Hobbes. Com efeito, a ordem política só é possível quando os seres humanos abandonam sua condição natural de julgar e perseguir o que parece melhor para cada um e delegar esse julgamento a outra pessoa. Esta delegação é efetuada quando muitos se comprometem a se submeter a um soberano em troca de segurança física e um mínimo de bem-estar. Com efeito, cada um dos muitos diz ao outro: “Transfiro meu direito de me governar a X (o soberano) se você também o fizer”. E a transferência é realizada coletivamente apenas com base no entendimento de que torna a pessoa menos alvo de ataque ou desapropriação do que seria em seu estado natural. Embora Hobbes não assumisse a existência de um evento histórico real em que uma promessa mútua foi feita para delegar o autogoverno a um soberano, ele afirmou que a melhor maneira de entender o estado era concebê-lo como resultado de tal acordo. No contrato social de Hobbes, muitos trocam liberdade por segurança. A liberdade, com seu permanente convite ao conflito local e finalmente à guerra total – uma “guerra de todos contra todos” – é supervalorizada na filosofia política tradicional e na opinião popular, de acordo com Hobbes; é melhor que o povo transfira para o soberano o direito de se governar. Uma vez transferido, porém, esse direito de governo é absoluto, a menos que muitos sintam que suas vidas estão ameaçadas pela submissão. O soberano determina quem possui o quê, quem ocupará quais cargos públicos, como a economia será regulada, quais atos serão crimes e quais punições os criminosos devem receber.

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    Thomas Hobbs of Malmsbury profile picture

    Thomas Hobbs of Malmsbury

    Thomas Hobbes (Malmesbury, 5 de abril de 1588 — Hardwick Hall, 4 de dezembro de 1679) foi um matemático, teórico político, e filósofo inglês, autor de Leviatã (1651) e Do cidadão (1651). Na obra Leviatã, explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a necessidade de governos e sociedades. No estado natural, enquanto que alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais por forma a estar além do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos (Bellum omnia omnes). No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse próprio, de acabar com a guerra, e por isso formam soc

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    Thomas Hobbs of Malmsbury