Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas3
    • Leitores36
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    O último trem da Cantareira -

    Antônio Arnoni Prado

    Editora 34
    2019
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788573267501
    Português Brasileiro
    3.5
    8 avaliações
    Leram15Lendo1Querem20Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos0Desejados20Avaliaram8

    Minutos antes de subir ao palco para receber uma homenagem, um professor universitário é inesperadamente visitado por seus companheiros de infância - um bando de meninos que, longe dos livros, viviam soltos pelas quebradas do Tremembé, na zona norte de São Paulo, entregues a brigas e aventuras de todo tipo. Assim principia O último trem da Cantareira, do crítico, ensaísta e professor Antonio Arnoni Prado, autor de obras premiadas como Itinerário de uma falsa vanguarda (2010) e Dois letrados e o Brasil nação (2015). Em suas páginas, as ruas da Cantareira, o capinzal da Invernada, a curva da Junção, da Parada Santa e de tantas outras paradas ao longo da linha do trem, ganham uma vida extraordinária, que lembra em parte Os meninos da rua Paulo, de Ferenc Molnár, mas também o filme Morangos silvestres, de Ingmar Bergman. O resultado é um livro de alcance surpreendente em que a memória, lastreada na experiência subjetiva, tem ressonância coletiva - pequeno milagre que só a grande literatura costuma realizar.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    Matheus Petris picture
    Matheus Petris29/08/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Entre tempos, a reavaliação de uma vida

    Naturalmente, em momentos cuja importância se condensa alguma trajetória, uma meta planejada e cumprida, algum momento de virada em nossas vidas, nossos pensamentos buscam reconstituir, ou, ao menos, relacionar fatos que nos permitiram chegar até aquele ponto no qual nos encontramos. É por esse zigue-zague (o presente; e o que levou até ele) que o narrador-protagonista narra a história. O tempo, um dos fundamentos narrativos, é elemento crucial na organização do enredo deste romance. Seu narrador-testemunha, por meio de um relato presente, a premiação acadêmica do fim de sua carreira, parte de um espaço e tempo específico para misturá-lo com o passado, imiscuindo, inclusive, esse presente de figuras do passado. Esse narrador reconstrói, por meio de uma autoanálise um tanto quanto crítica, esses passos, buscando entender o que permitiu que chegasse ali. O narrador-personagem, de origem periférica, mesmo entre os menos favorecidos, tinha seus privilégios e os reconhece, mas mesmo diante disso, se desenhará claramente que seu caminho tem um valor próprio: "E o seu pai deixava você ficar o dia todo trancado em casa? Ele não mandava você trabalhar?” Fiquei sem jeito e não consegui responder ao Krem, com vergonha de mim mesmo" Deste passado distante, infante, o que desponta aos olhos são seus amigos, esses personagens cujos caminhos são tão distintos. Dessa perspectiva, de forma ácida, essa solenidade (elitizada, podemos dizer), é tecida com contraste a uma vida marginal, de isolamento, por quais esses personagens se entrincheiravam. A título de exemplo, na fala de um gramático, o professor Angeliba, o narrador elabora um paralelismo entre a fala dele e a memória da infância, esses diferentes momentos, se entrecruzam, se misturam na mente do narrador que observa-lembra: "Diante daquele labirinto de palavras costuradas com verbos complicados e expressões fora de moda, que só iam encontrar o sujeito da frase dez ou quinze linhas abaixo, não tive a coragem do pequeno Luiz Krem, que naquela noite molhada, enjoado de tantas ordens e assobios, teve o brio de gritar “Chega!” na cara do Paulo Louco, saindo da fila sem olhar para trás" Essa reavaliação da própria vida, seja a passada ou a presente, é um modo, também, de reconhecer esse momento e, em alguma medida, sua profissão, como um "disparate de ostentação e vaidade". O que seria de Paulo Louco, um dos personagens mais emblemáticos do romance, se tivesse tido outras oportunidades? Esse contraste interno da periferia, desse passado distante (até que ponto, inventado?), é um mote recorrente do romance: "Eu talvez respondesse, como alguém que jamais esteve na pele dele e nenhuma vez sequer ficou sem um prato de comida no almoço ou no jantar, nem nunca soube o que é suportar à friagem da noite dormindo sozinho pelos becos e vãos de cimento, coalhados de goteiras e buracos de rato" Em algum momento da narrativa, seus amigos de infância, agora, adultos, invadem o espaço da narrativa, estão juntamente ao narrador acompanhando a solenidade, porém, em nenhum momento, se explica diretamente se é uma fantasia ou a realidade, embora a primeira opção seja a mais coerente e coesa (dentro da perspectiva narrativa organizada até então). O narrador dá pistas dessa lógica composicional: "Confesso que não sabia ao certo se me encontrava no presente ou se tinha sido tragado pela aura imantada daquelas lembranças que agora recordava cheio de saudade" Ele se ressente com seu passado, por não ter aproveitado a sua infância como deveria, porém, ao mesmo tempo, a idealiza. São coisas complementares pois, ao mesmo tempo que realizamos esse movimento de idealização, sabemos que o passado sempre é diferente quando recapitulado. Esse gosto agridoce que sente o narrador, tem um efeito e uma função muito condizente com a construção narrativa empregada, a construção desse sentimento ambíguo de felicidade e tristeza, uma espécie de melancolia ao qual somos transportados. Sim, não importa se estamos diante de uma autoficção, de uma biografia, da pura ficção, estamos diante da força literária que, a partir da vida, gera efeitos que vão além dela.

    28 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 8
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas75%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Antônio Arnoni Prado profile picture

    Antônio Arnoni Prado

    Antonio Arnoni Prado nasceu em São Paulo, em 1943. É mestre (1975) e doutor (1980) pela FFLCH-USP, com pós-doutorado na Fondazione Feltrinelli, de Milão (1986). Desde 1979 leciona no Departamento de Teoria Literária da Unicamp, onde é professor titular. Entre seus trabalhos incluem-se a edição da crítica literária dispersa de Sérgio Buarque de Holanda em O espírito e a letra (Companhia das Letras, 1996, 2 vols.) e a publicação de uma coletânea de ensaios críticos reunidos em Trincheira, palco e letras (Cosac Naify, 2004). Pela Editora 34 publicou Itinerário de uma falsa vanguarda: os dissidentes, a Semana de 22 e o Integralismo (2010, Prêmio Mário de Andrade da Fundação Biblioteca Nacional), Lima Barreto: uma autobiografia literária (2012) e Dois letrados e o Brasil nação (2015, vencedor do Prêmio Rio de Literatura na categoria ensaio).

    14 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo , Brasil

    Antônio Arnoni Prado