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    Alameda Santos -

    Ivana Arruda Leite

    Iluminuras
    2010
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788573213133
    Português Brasileiro
    3.3
    25 avaliações
    Leram37Lendo3Querem11Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos0Desejados11Avaliaram25

    Alameda Santos é um livro que nasceu para ser ouvido. Na semana entre o Natal e o ano novo (época propícia para balanços, planos, retrospectivas e depressões), enquanto a filha passa férias com o pai, uma mulher de trinta e poucos anos, desquitada, senta-se diante do gravador e narra para si mesma os principais acontecimentos que viveu durante o ano, ritual que ela repete de 1984 a 1992. “Quer solidão maior do que passar a tarde falando num gravador pra ouvir a própria voz?”. Mas o que pode parecer excessivamente dramático ganha contornos tragicômicos não só porque enquanto grava, a personagem vai se encharcando de vinho, cerveja ou vodca, como pela habilidade de Ivana Arruda Leite em nos fazer rir das piores desgraças. Assim como nos seus contos, este romance é cheio de situações que, na pena de qualquer outro autor, arrancariam lágrimas mas descritas com seu humor autocorrosivo tornam-se hilárias e absurdas. Embora este não seja um livro bem humorado, o humor é um elemento constitutivo e indissociável da escrita de Ivana Arruda Leite, que é engraçada sem querer. Suas mulheres são patéticas, ridículas, carentes, solitárias, mas sem um pingo de autopiedade. Sabem rir de si próprias, perdoarem-se e seguir em frente. Desta vez não é diferente. Em Alameda Santos, além da paixão exagerada à la Cazuza (pra citar alguém com quem a protagonista se identifica), das brigas com o ex-marido, das rejeições amorosas, da tumultuada paixão que vive por um homem casado, da vontade ininterrupta de se atirar do oitavo andar e morrer esborrachada na Alameda Santos, Ivana também nos oferece uma deliciosa viagem ao final dos anos 80, quando a AIDS ainda não era o que veio a ser e o sexo era celebrado com frenesi: “naquela época ninguém voltava sozinho do Bexiga”. Temos aqui um retrato em cores ácidas do Brasil que lotava praças na esperança das Diretas Já e celebrava o sol da democracia raiando no horizonte. Época em que o karaokê e o vídeo cassete viraram manias nacionais e ninguém perdia um capítulo de Pantanal. A história termina em 92, quando a AIDS ceifava vidas aos borbotões e o Brasil se comovia com o assassinato de Daniela Perez. Tempos de hiperinflação e presidente deposto. A autora jura que estas fitas existem de fato e que os acontecimentos aqui narrados são todos verdadeiros. Mas como confiar se, em seguida, ela adverte: “não acreditem no que eu digo aqui”?

    Resenhas (1)Ver mais
    Mariana Farah Kotait Augusto picture
    Mariana Farah Kotait Augusto02/02/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ótimo

    Adoro esse formato em primeira pessoa como se estivesse escutando a personagem gravando a fita sentada no chão da casa nos mesmos períodos do ano. Gostaria que a história tivesse seguido.

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    Estatísticas

    Avaliações

    3.3 / 25
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas12%
    Ivana Arruda Leite profile picture

    Ivana Arruda Leite

    Ivana Arruda Leite é mestre em sociologia pela USP e autora de diversas obras. Publicou alguns contos e romances, enfocados no universo feminino e juvenil. Seu primeiro livro, "Histórias da Mulher do Fim do Século", foi publicado em 1997. Cinco anos depois, Ivana lança outra obra com o mesmo tema: "Falo de mulher". Em 2003, a autora começa a explorar a juventude com o livro “Confidencial - anotações secretas de uma adolescente”. A escritora também publicou contos nas revistas Ácaro, Coyote e PS.SP. Participou de diversas antologias como “Putas – o melhor do conto brasileiro e português”; “Geração 90: os transgressores”; “Ficções fraternas”, entre outros. Em 2006, seu livro "Ao homem que não me quis" foi indicado ao Prêmio Jabuti.

    21 Livros
    4 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Ivana Arruda Leite