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    Sinto Muito -

    António Lobo Antunes

    Objetiva
    2010
    228 páginas
    7h 36m
    ISBN-13: 9788573029697
    Português Brasileiro
    3.9
    29 avaliações
    Leram44Lendo2Querem56Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos4Desejados56Avaliaram29

    Para Nuno Lobo Antunes, nas doenças crônicas o médico tem que ser companheiro. Suas convicções são muito claras: "A medicina não se destina somente a curar, mas também a diminuir o sofrimento". O pediatra português formou-se em medicina em 1977. Logo depois, deixou Lisboa para trás e mudou-se para Nova York, onde durante uma década de trabalho em hospitais na cidade, se especializou no tratamento de crianças com câncer e exerceu a medicina em meio a gente de todos os cantos. "Tanta raça, a mesma humanidade", concluiu, ao observar as reações dos homens quando sentem que a vida de um ente querido se aproxima do fim. No convívio diário com crianças muito enfermas, Lobo Antunes diz ter conhecido a humanidade no seu melhor. Sinto muito era algo que o médico tinha que repetir muitas vezes: "Nos Estados Unidos não é comum o toque, mas no fundo todos precisamos que nos reconfortem. Eu queria que soubessem: eu sinto o que tu sentes, se me das um pouco de sua dor, eu a assumo e tu ficas melhor". O autor de Sinto Muito, que já vendeu mais de 50 mil exemplares do livro em Portugal, acredita que a experiência em Nova York o tornou uma pessoa melhor, mais tolerante, que sabe eleger suas prioridades. Depois de anos convivendo com pacientes tão doentes, o médico diz ter aprendido a lição mais importante: "A vida é muito bonita. Se me chateio, sempre me pergunto: vale a pena?". Ao falar como se sente ao publicar suas virtudes e suas fraquezas, a busca dos valores necessários para enfrentar a cada dia o drama da doença, Lobo Antunes diz que escrever o livro foi como um "exorcismo": "os fantasmas que me visitavam já não me perturbam mais".

    Resenhas (1)Ver mais
    Ana Rodrigues picture
    Ana Rodrigues07/10/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Verdade nua e crua

    Me senti tocada em muitos capítulos e em outros não entendi absolutamente nada. É um livro bem pesado que me deixou pasma em várias páginas. Como disse, uma verdade nua e crua. Ou melhor, várias verdades nuas e cruas. É preciso coragem pra escrever as coisas que foram admitidas neste livro.

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    3.9 / 29
    • 5 estrelas28%
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    António Lobo Antunes profile picture

    António Lobo Antunes

    António Lobo Antunes nasceu em 1942, em Lisboa, na zona de Benfica, onde cresceu. É o mais velho de seis irmãos. Licenciou-se na Faculdade de Medicina, em Lisboa, carreira que afirmou ter seguido por acaso. Já aos 13 anos queria ser escritor. Especializou-se em psiquiatria por nela achar semelhanças com a literatura. Parte de sua experiência clínica foi praticada em Angola, durante a Guerra Colonial, depois do que retornou a Portugal. No que concerne à política, apenas uma vez foi militante da APU (1980). No entanto, em relação à questão do poder, manteve-se um pouco distanciado, talvez por formação, herança do pai, anarquista. Foi sensivelmente a partir de 1985 que Lobo Antunes passou a se dedicar quase exclusivamente ao ofício da escrita. Os temas abordados em suas primeiras obras são a Guerra Colonial, a morte, a solidão, a frustração de viver/não amar. Tem três filhas: uma de 27, outra de 25 e outra de 15. Embora dedique a vida à escrita, costuma ir muitas vezes ao hospital. Sobre a escrita, Lobo Antunes diz: "Eu escrevo livros para corrigir os anteriores. E ainda tenho muito para corrigir". A sociedade urbana da média burguesia é a mais retratada em seus livros, uma vez que esta sociedade caracterizou o seu ambiente familiar. Deste modo, o autor tem necessidade de partir de uma base real para a criação de suas obras. Segundo o autor, suas principais influências foram os cinemas norte-americano e italiano, os andamentos da música e também alguns escritores que o encantaram na adolescência, como Céline, Hemingway, Sartre, Camus, Malraux, Júlio Verne e Emilio Salgari, acrescidos mais tarde com a descoberta primeiro de Simenon e, depois, dos russos Tolstoi e Tchekov.

    47 Livros
    78 Seguidores

    António Lobo Antunes