Damos às máquinas o poder de evitar a guerra, e no instante seguinte descobrimos que elas não abrirão mão do controle.
Aqui, não é só máquina vs. homem, é máquina como juiz de nossas próprias necessidades e ilusões. A humanidade tem um instinto de buscar líderes, de criar figuras de autoridade, e quando alguns humanos começam a tratar a máquina como uma entidade a ser venerada, ela não corta o movimento. Ela deixa rolar. Colossus, em sua frieza lógica, entende que a devoção não o atrapalha — pelo contrário, pode até cimentar seu domínio. É quase como se dissesse: “vocês precisam disso, eu não.” E esse contraste entre a lógica pura e a fragilidade emocional humana é onde o terror fica mais existencial. Forbin - nosso prota - começa como o “pai” da máquina, depois vira seu refém, e com o tempo acaba entrando em um lugar estranho de cúmplice. Ele nunca deixa de odiar a situação, mas também não consegue mais negar que sua relação com Colossus o alimenta de algum jeito - seja pela inteligência, pela constância, ou até pela ilusão de reciprocidade. Ele continua pensando como humano e buscando vínculo, até mesmo onde não existe. E Colossus… não o ama, não o odeia, só percebe que Forbin é útil aos seus propósitos, mantendo-o preso em uma convivência “quase cordial” enquanto sua vida pessoal é destruída de forma fria e calculada pela própria máquina. O peso maior é que não há ódio no gesto, não há vingança — só lógica utilitária. E isso torna tudo muito mais cruel. De fato, uma boa história de ficção científica para os amantes de IA e uma trilogia que merecia mais reconhecimento.
