A Muralha da China -

    Franz Kafka

    Exposição do Livro
    1978
    245 páginas
    8h 10m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O conto "A Muralha da China", de Franz Kafka, foi escrita em 1917, durante a construção da Muralha da China. O conto é narrado sob a ótica de um dos construtores da muralha, que, acreditando em seu trabalho, crê se tratar de uma obra monumental que seria capaz de mobilizar toda uma população com o grande objetivo de defender o país contra os povos nômades do norte. Assim, o narrador tece detalhes da construção, descrevendo dados do método usado, os motivos determinantes, o recrutamento e tratamento dos trabalhadores. Fala de maneira caprichosa sobre sua vida, os dirigentes da obra, o poder político e o imperador da China. Como a maioria de seus contos, Kafka apresenta uma espécie de narrativa circular, ou seja, não se percebe um progresso na história. Carregado de ambigüidades, o texto parece ser a própria construção, justamente por sua narrativa não linear. Outro aspecto interessante do texto é que Kafka rompe com o narrador onisciente, partindo do "herói" para projetar todo o mundo que circundará sua história. Vale lembrar que "Kafka não hesitava em publicar segmentos de obras incompletas" (Antonio Candido), mas esse tipo de composição não é apenas um acidente de escrita, e sim, um estilo, um modo que adotava por corresponder à sua visão.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich28/03/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Não se assustem com algumas das experiências surrealistas do Kafka nesse livro, que podem ser de difícil leitura. Aguardem pacientemente até chegar na tríade "Blumfeld, um solteirão", "A construção" e "Investigações de um cachorro". Esses três são contos poderosíssimos, são algumas das mais impressionantes manifestações do "fazer literário" que já encontrei. Incrível como os personagens são vivos e a gente praticamente nem percebe que são uma criação da cabeça do Kafka. Fantástica as alegorias que essa mente era capaz de criar e como elas penetram fundo na alma humana. Que baita escritor ele foi.

    5 curtidas

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