Essa resenha foi feita para a Maratona de Banca, e eu coloquei o livro na categoria “Herói ou Vilão”, mas logo no começo da leitura não tive dúvidas de que o mocinho era um herói, apesar de, desconfio, a mocinha não concordar muito comigo.
Jensa é uma desenhista que se mete na maior furada. Ela viaja até a Patagônia (aquele rabinho no final da América do Sul, quase encostando na Antártida), pra trabalhar com o Dr. Ryder, e chegando lá ela é mal recebida e hostilizada pelo pesquisador. Ele acha que lá não é lugar para mulher (alias, na época, lugar nenhum era lugar de mulher), que as condições de trabalho eram muito precárias e sendo assim era melhor ela pegar a sacolinha e voltar pelo mesmo caminho em que veio. Claro que ela insiste e bate o pé, (no que está muito certa) e quer seguir com ele, afinal, onde ele vai arrumar outra desenhista naquele fim do mundo, praticamente onde o vento faz a curva? E o Adam pode ser um machista intratável, mas não é burro! Ele sabe que não vai arrumar mais ninguém e a carrega muito a contragosto para o acampamento, onde a coloca pra se virar. Nesse comecinho eu antipatizei totalmente, e achei que ele ia um daqueles vilões sarnentos que existem às pencas nos florzinhas, mas logo em seguida o Adam virou o meu herói!
O Adam Ryder, o nosso vilão/herói que fuma cachimbo, é um biólogo, pesquisador e defensor apaixonado das baleias e do meio ambiente. Hoje, esse negócio de ecologia e meio ambiente é coisa da moda, e é até feio falar que você não recicla latinha, mas no começo dos anos 80, quando a história se passa, isso era novidade, e ser ecologista era praticamente um outro sinônimo para “baderneiro”. Nessa época a caça às baleias ainda era uma prática comum, principalmente nos mares gelados do sul. Eu me lembro muito bem que essas notícias viviam passando no Jornal Nacional e no Globo Repórter, onde apareciam aquelas baleias imensas sendo alvejadas pelos baleeiros, e do Greenpeace tentando impedir isso com aqueles pequenos botes infláveis alaranjados. E a autora soube mostrar através deste personagem que essa já era uma preocupação da época, embora ainda não fosse levada a sério por quase ninguém, e colocou o nosso herói para lutar praticamente sozinho pela preservação da espécie e de seus locais de reprodução. Achei comovente o amor dele pelas baleias e os sacrifícios que ele faz pela sua pesquisa, e no final acabei achando a mocinha uma chata reclamona! Kkkkkk
Resenhas da Maratona aqui:
http://crystypaiva.livejournal.com/42607.html