A Moratória -

    Jorge Andrade

    Cintra
    2013
    143 páginas
    4h 46m
    ISBN-10: B00H8PRBXY
    Português Brasileiro

    A estreia de A Moratória, em sete de maio de 1955, em São Paulo, foi um acontecimento artístico extraordinário. Público e crítica, impressionados com o vigor da peça e a beleza da encenação, se uniram nos aplausos ao autor, ao diretor Gianni Ratto e aos artistas Fernanda Montenegro, Milton Morais, Sérgio Britto e Wanda Kosmos, entre outros. Jorge Andrade, então com trinta e três anos, estreava, com um retumbante sucesso, na cena teatral brasileira. Depois integrada ao ciclo Marta, a árvore e o relógio, como a terceira peça daquele conjunto de dez, A Moratória foi, na verdade, a primeira delas a ser escrita. E mesmo hoje, com toda a extensão e o peso da obra posterior de Jorge Andrade, esta permanece como uma de suas mais belas e contundentes realizações. Construída em torno do impacto da crise de 1929 sobre os cafeicultores paulistas, o meio social de origem do autor, A Moratória lida, de um ponto de vista dramático, com os antagonismos alegria/tristeza, pessimismo/otimismo, esperança/desespero e felicidade/infelicidade. A simultaneidade dos planos que se interpenetram, a inventividade formal e a ironia dramática do autor causarão, nesta grande obra, um grande impacto, tanto no espectador, dentro de um teatro, quanto no leitor, com este livro em mãos. Segundo Gilda de Mello Sousa, em texto publicado em 1950, “A Moratória é a obra-prima do moderno teatro brasileiro.” Esta edição traz introdução ao teatro de Jorge Andrade por Elizabeth R. Azevedo, e uma análise desta peça por João Roberto Faria.

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    Eduarda de Lemos Pinho15/08/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    só as minhas impressões

    Não me arrisco a escrever resenhas, não sou boa nisso, mas esse livro mexeu muito comigo. Ganhei-o há uns dois anos, e ficava pensando quando na vida chegaria o momento de conhecê-lo de verdade, já que só o conhecia superficialmente de olhá-lo na minha estante. Engraçado que parece que chegou a hora certa de lê-lo. Dizer que chegou a hora certa de lê-lo não é falar de algo sobrenatural, mas os livros que você lê vão lhe preparando para os outros, para que você possa senti-los melhor, entendê-los mais profundamente, além das inúmeras coisas que você vive e desfruta nessa curta vida, elas também lhe preparam. Dos livros que considero que me prepararam para ler "A Moratória" fazem parte, principalmente, "Vidas Secas" de Graciliano Ramos, "Homens e Caranguejos" de Josué de Castro e "Levantado do Chão" de José Saramago. A medida que ia lendo "A Moratória" ia me lembrando da história destes títulos. Além de me lembrar do período em que meu avô teve que vender suas terras por causa da construção da barragem de um açude, tendo que ir morar na cidade. Lembrei-me da luta do MST, e dos vários e vários casos no Brasil inteiro das famílias que são obrigadas a deixar suas terras onde nasceram e viveram, e gostariam de morrer, por causa da construção de empreendimentos, ou porque o agronegócio e o capital as esmagam. E, mesmo sendo o drama de uma família pequeno-burguesa, é uma ótima descrição dos dramas vividos na transição entre tempos históricos, da crise do café para o início do processo da industrialização do Brasil. Nunca li muito teatro, só assisto. E foi tão massa... massa ler o texto que é levado pros palcos... fiquei com vontade de assisti-lo! Ultimamente ando assistindo muitos espetáculos e esquetes de dramas psicológicos bem pessoais, na verdade muito individualizados. O que é bem óbvio que nós nos identificamos muito com eles, já que a maioria desses dramas de alguma forma falam de nós mesmos. No entanto, foi muito interessante ver que Jorge Andrade conseguiu falar de um drama social, que é perfeitamente possível que qualquer pessoa possa identificá-lo, exigindo somente que esta tenha uma sensibilidade para além de seu umbigo e questões particulares, e ao mesmo tempo conseguiu colocar os dramas pessoais dos personagens, mas não de uma maneira intimista já que a proposta era diferente. Ler "A Moratória" é também ver como o teatro pode, e deve, cumprir o papel social de contribuir para que pensemos a sociedade. Acho que anda faltando isso nas últimas peças que tenho assistido. Parece que pensar a sociedade é clichê e chato, e só as singularidades de nós, sujeitos, é que são realmente importantes. "A Moratória" pode ser chata para quem ainda não conseguiu ter essa sensibilidade de se enxergar no coletivo, e ser coletivamente. É muito interessante ver como o "seu" Quim é a expressão de um patriarca, e de como as mudanças põem em questão o "poder do macho" provedor, patriarcal. Ver a Helena como o modelo de mulher, o Marcelo e seus vários dramas, um personagem muito curioso, e que para mim já nos deixa reflexões sobre vários dramas vividos por sujeitos nesses tempos modernos, e a Lucília, que quando a família está na pior coincidentemente é a filha que ajuda a manter a casa. Não se pode acusar Jorge Andrade de não tratar de questões individuais. Os personagens nos abrem inúmeras possibilidades de reflexões. E uma das coisas que achei fantástica no livro foi o jogo que Andrade fez intercalando o passado e o presente da família. Foi genial porque poderia ter ficado confuso e chato, mas pelo contrário, ficou interessantíssimo e dinâmico, já que era a partir dos momentos do passado que tínhamos mais elementos para entender a história toda. É um livro que eu não dava nada por ele, e que me senti sendo devorada pela história. No final, entendi o por quê do título "A Moratória", e me senti muito surpreendida. Assim, a leitura vale a pena.

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