"O trabalho de Ronald Raminelli é precioso. Por um lado, filia-se a uma grande tradição de história cultural, onde os expoentes talvez sejam Antonello Gerbi e Sérgio Buarque de Holanda. Por outro, vale-se de vasto conhecimento dos estudos antropológicos e etnológicos..., aproximando-se de um novo enfoque, bastante contemporâneo. ... Ainda são raros, entre nós, trabalhos que, apesar de eruditos e atualizados, mantêm viva uma tradição mais caracteristicamente nossa de pensar, buscando soluções próprias para fundamentar os problemas essenciais da nossa história, sem pedantismo e com frescor. O livro de Ronald Raminelli é um destes, como o leitor irá constatar, diga-se, aliás, com grande prazer." extraído do prefácio de Laura de Mello e Souza
Imagens da Colonização - A Representação do Índio de Caminha a Vieira
Ronald Raminelli
Brasil - achado ou descoberto?
RESENHA CRÍTICA Andrielle Antonia dos Santos de Jesus Vanessa Fonseca dos Santos REFÊRENCIA RAMINELLI, Ronald. Imagens da Colonização: A representação do Índio de Caminha a Vieira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1996. CREDENCIAS DO AUTOR Ronald Jose Raminelli é professor de História Moderna na Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil. Em 1994 se tornou Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) com a tese Imagens da Colonização. É vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Possui ampla experiência na área de História Moderna, com ênfase em História do Brasil Colônia, com domínio dos temas: Colonização, viagens cientificas, ilustração portuguesa e História da Ciência. Em 1996 publicou o livro Imagens da Colonização: A representação do Índio de Caminha a Vieira, além de possuir muitos outros estudos sobre a produção de conhecimento e de imagens no Império Colonial Português. RESUMO Publicado em 1996 sob a autoria de Ronald Raminelli a obra Imagens da Colonização: A representação do Índio de Caminha a Vieira, propõe-se a discutir os aspectos relacionados a imagem européia sobre os povos indígenas nos primeiros séculos da colonização. Nessa perspectiva, o livro faz um estudo sobre as primeiras décadas da colonização, colocando em evidência o processo de aculturação que os índios sofreram, pois para os europeus a cultura indígena, demonstrou-se bastante diferente, classificando-os como seres malignos, que possuíam uma ligação direta com Satanás. Desta forma, o autor dividiu o livro em cinco capítulos, tornando a sua compreensão mais hábil, são eles: “I Gentios e Religiosos,” neste capítulo o autor dialoga com alguns dos principais teólogos que atribuíam os ameríndios ao imaginário europeu, dessa forma eles possuíam a mesma disposição para receber a salvação e os ensinamentos divinos. O mesmo também discorre sobre o trabalho dos jesuítas em levar a palavra reveladora aos ameríndios.“II Bárbaros e Colonizadores,”o autor faz uma analise do termo bárbaro sob o conceito de Aristóteles. No século XVI o termo ganhou novas atribuições e perdeu o sentido original, deixando de denominar todos aqueles que não pertenciam a sociedade grega e enfatizando o termo "pseudometamorfose" para designar a natureza dos ameríndios no período colonial. “III Mulheres e Canibais,” Raminelli descreve o ritual antropofágico, além de destacar o papel das mulheres indígenas, evidenciando o sexo feminino (índias) como protagonistas deste evento, desconsiderando a predominância masculina no comando da guerra e da vingança. “IV O Demônio e a Política”, neste capitulo o autor aborda o conceito do bem e do mal, colocando em foco os costumes indígenas como rituais satânicos ao descrever a ideia de que o inferno encontrava-se na América, local povoado por seres e espíritos malignos, como peixes voadores, quadrúpedes com feições humanas, diabos com chifres, pés de ave e asas de vampiro. “O Índio e o Renascimento Português”, neste último capitulo Raminelli, salienta que os pensadores lusitanos deram pouca importância aos relatos do novo mundo, prenderam-se a pesquisas antigas e não enfatizaram na descoberta da América. O mesmo discorre também sobre o menosprezo e a falta de atenção que foi dado aos nativos. CONCLUSÕES O autor conclui que os europeus construíram uma imagem distorcida sobre os povos indígenas, classificando-os como seres demoníacos que necessitavam de salvação. Diante disto fez-se necessário a vinda dos jesuítas para a América, com intuito de catequizar os nativos. É importante salientar que aquele povo foram vistos como seres degenerados, que poderia ser aprisionado, escravizado. Sendo assim, caracterizados como um povo bárbaro e de práticas e rituais estranhos. Diante deste fator, com a vinda dos europeus os ameríndios perderam a sua autonomia, a sua identidade, pois com o processo de colonização sua cultura fora alterada e a submissão indígena com o tempo acabou acontecendo. A principio não pacificamente, ocorreram algumas resistências, mas com as trocas de mercadorias os índios, assim como os portugueses tiveram seu cotidiano alterado. Raminelli também evidência que a imagem do índio fora descrita e construída a partir da realidade americana, e da cultura européia, além de expor o interesse dos colonizadores sobre aquele povo. CRÍTICA DAS RESENHISTAS Este é um livro muito bem escrito, no qual o autor em alguns momentos descreve pinturas e imagens de artistas como Albert Eckhout e Theodor de Bry e em outro momento relata cartas e escritos como a do Padre Simão de Vasconcelos, assim como utiliza outros documentos. No entanto, apesar do rico conteúdo que Raminelli disponibiliza ao leitor, valer ressaltar que alguns capítulos o texto possui uma linguagem de difícil compreensão, devido aos termos pouco conhecido referentes ao período da época colonial ou a cultura indígena. Sendo assim, ocorre uma dificuldade (de imediato) para compreender a ideia que a obra transmite, exigindo do leitor maior cuidado e atenção para que a obra seja melhor compreendida. O dialogo de Raminelli com outros autores, tais como: Manoel da Nóbrega e Yves d’Evreux, proporciona ao leitor um amplo conhecimento sobre o período que o livro retrata, que por sua vez é pouco discutido. Portanto, esta é uma obra de fundamental importância, pois ampara os estudantes e pesquisadores de história classificando esta obra como principal referencia do período colonial no Brasil. INDICAÇÕES DA OBRA Esta obra é indicada para o público que se identifica com a temática apresentada, principalmente historiadores estudantes da área de História que focalizam os estudos em colonização e povos indígenas. Suas reflexões também são relevantes às demais áreas da Antropologia e Sociologia, ou mesmo outras, pois o livro fornece um conteúdo muito importante e de grande contribuição para aprimorar e conhecer a história da época, possibilitando compreender as diferentes sociedades e culturas indígenas, assim como a América portuguesa.
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