Desde Stoner, de John Williams, caso não me falhe a memória, não lembro de ter me emocionado com uma leitura da forma como aconteceu com "Ainda que a terra se abra", de Rodrigo Tavares.
Esse é um livro sobre pertencimento, escolhas e o poder das referências em nossas vidas. Martín, o protagonista, é um professor universitário, que vive em Brasília, e retorna para a sua cidade, no interior do Rio Grande do Sul, após a morte do pai. Além da última despedida, ele precisa fazer a partilha da herança com a irmã, Bibiana, sobretudo no que diz respeito à estância da família.
O pai, Aramis, tem o nome inspirado em um dos Três Mosqueteiros do romance de Alexandre Dumas; a irmã Bibiana, tem não só o nome, mas também o temperamento inspirados em "O tempo e o vento", de Érico Veríssimo; e Martín simboliza uma espécie de "busca pela independência", na família, da mesma forma que o personagem que inspirou o seu nome - Martín Fierro - responsável pelo sentimento de pertença do povo gaúcho, na Argentina, com a independência da Espanha.
Tomando como referência o poema de José Hernandéz, Rodrigo Tavares nos apresenta um protagonista que, em essência, também clama pelo real sentido da liberdade. Como ser livre, se um passado marcado por tragédias familiares, mal resolvidas, criam barreiras para que se conheça verdadeiramente a si mesmo e, desta forma, seja possível desfrutar disso que chamamos de liberdade?
O retorno de Martín para a casa é o regresso de um "desertor de si mesmo". Alguém que, somente ao voltar, poderia encontrar as respostas que tanto precisava para ser livre. Afinal, a própria noção de "rebeldia", no seio familiar, passa por questões universais, como tão bem Rodrigo nos provoca a pensar!
Pretendo fazer uma resenha, em formato de vídeo, lá no canal do Sujeito Literário, no YouTube! Fiquem atentos, porque, por lá, podemos conversar mais a respeito!
Não deixem de ler!