A Cidade de Goiás sempre me encantou. Para além do casario de portas e janelas coloridas e da grande quantidade de igrejas, a sensação de que tudo é história faz cada passeio em suas ruas de pedras ser um mergulho ao passado. E é interessante como o nosso olhar amadurece a cada ida. O que era beleza na infância ganha o sofrimento dos tantos escravizados que construíram cada beco desse patrimônio cultural.
E para tanto respeito, um livro. Ou melhor, uma carta de amor à antiga Vila Boa: Alice no País de Cora Coralina. Como o próprio título sugere, nossa personagem, feito a homônima criada por Lewis Carroll, vai trilhar por todas as linhas e versos desse lugar mágico, e sob a afetuosa escrita de Augusta Faro.
Rio Vermelho, Goiandira do Couto, Palácio Conde dos Arcos, Fonte da Carioca, Museu das Bandeiras, Casa da Ponte e, claro, ela, a nossa Cora Coralina. Esses são apenas alguns dos capítulos por onde Alice passeia. E tudo com aquele olhar de encantamento que dialoga tão bem com a infância, tanto de quem ainda é criança quanto daquele que guarda tal frescor em algum beco do coração.
Uma obra que deve ser lida por todos. Ou, ainda, visitada com mais frequência. Até porque é conhecendo o passado que a gente consegue recriar a nossa vida, “sempre, sempre”.