As informações contidas neste manual retratam o universo pouco conhecido da meliponicultura, ou criação de abelhas nativas sem ferrão. O Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN, por meio do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS/Small Grants Programme), do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tem apoiado centenas de iniciativas de agricultores familiares e comunidades tradicionais, que buscam não apenas a produtividade, mas a inter-relação de espécies nativas com benefícios para os ecossistemas e as comunidades locais. Nesse sentido, foi realizado um amplo diagnóstico da situação da meliponicultura em todo território nacional, além de um seminário entre diversas comunidades produtoras de mel de abelhas nativas, com o apoio do Projeto FLORELOS: Elos Ecossociais entre as Florestas Brasileiras, financiado pela Comissão Europeia, e BIO.COM, financiado pelo PNUD. Esse seminário foi uma oportunidade para que pesquisadores como Murilo Drummond, Marilda Cortopassi-Laurino e Jerônimo Villas-Bôas promovessem uma rica troca de conhecimento técnico e tradicional com representantes de comunidades do Parque Indígena do Xingu, dos produtores associados ao Projeto Abelhas Nativas (PAN) do estado do Maranhão, dos Jovens Agroecologistas de Jandaíra do Rio Grande do Norte, da equipe do Instituto Iraquara do estado do Amazonas, dos produtores de mel do Baixo Amazonas no Pará e de comunidades do Amapá apoiadas pelo Instituto Peabiru. A reunião desses diversos conhecimentos deu origem ao Manual Tecnológico – Mel de Abelhas sem Ferrão. Importante salientar que tanto a produção como a comercialização de mel de abelhas nativas sem ferrão ainda não são regulamentadas. Este manual, como os demais publicados pelo ISPN, não tem a pretensão de apresentar um modelo definitivo de produção, mas alternativas, a partir das experiências de manejo existentes no Brasil. Como tal, poderá ser um documento norteador e catalisador da regulamentação da cadeia produtiva.
Mel de Abelhas Sem Ferrão (Manual Tecnológico #3) -
Jerônimo Villas-Bôas
Edições (2)
Ver maisCrie Você Mesmo Suas Abelhas
A meliponicultura (ou criação de abelhas nativas sem ferrão) é uma iniciativa fascinante, sinônimo de sustentabilidade e desenvolvimento de pequenas comunidades. Conhecer a tradição herdada dos povos indígenas aliada aos novos métodos de manejo instiga a apoiar essa atividade (re)nascente e mesmo praticá-la o que nos coloca tanto em contato com produtos de alto valor curativo e nutritivo como estimula a proteção das centenas de espécies nativas do Brasil; isto, por sua vez, resulta no fortalecimento de florestas e cultivos via polinização. Este manual ensina as práticas tradicionais independentes de energia elétrica e de baixo custo e também técnicas modernas aliadas a ferramentas sofisticadas. É interessante observar como ambas as instâncias coexistem, e o melhor método é aquele que se adequa ao contexto do meliponicultor(a). Assim, o material aborda os principais temas relacionados ao manejo de abelhas nativas, tais como estrutura dos ninhos, métodos e locais de colheita e beneficiamento, monitoramento e manutenção de caixas, cuidado e eliminação de pragas, entre outros. Merecem destaque as informações detalhadas da multiplicação induzida de impacto mínimo e o modelo de caixa racional desenvolvido pelo INPA que a possibilita. Um anexo com a Resolução do CONAMA sobre a utilização de abelhas silvestres de 2004 faz a devida complementação aos interessados. (Vale a pena mencionar que de acordo com esta lei o corte legalizado em florestas é instado a preservar eventuais colônias de abelhas nativas encontradas e encaminhá-las ao meliponário registrado mais próximo.) O manual é simples e de fácil entendimento na íntegra. Termos técnicos sempre são explicados e ainda há um glossário nas páginas finais. Há muitas imagens e diagramas que auxiliam na compreensão e memorização das instruções, incluindo fotos in loco. Visto se tratar de uma introdução, as diretrizes tendem a ser genéricas, tratando dos pontos em comum, mas não especificando as variações exigidas por cada espécie de abelha ou clima das diversas regiões e ecossistemas presentes no Brasil isto precisa ser conferido à parte. Embora haja breves exemplos para a maioria das menções, senti falta da descrição das características legais que constituem o mel orgânico, uma possibilidade de produção com mais valor agregado que é citada no texto sem nenhuma outra explicação. A despeito disso, trata-se de uma leitura altamente recomendada e excelente.
Estatísticas
Avaliações
4.8 / 5- 5 estrelas80%
- 4 estrelas20%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%


