A Consciência de Zeno (Clássicos de Ouro) -

    Italo Svevo

    Nova Fronteira
    2020
    392 páginas
    13h 4m
    ISBN-13: 9786556400464
    Português Brasileiro

    Zeno Cosini é um empresário bem-sucedido, vaidoso, obsessivo e cheio de remorso. Quando procura ajuda para resolver suas neuroses, o psicanalista sugere, como forma de terapia, que ele escreva um diário, o que leva Zeno a mergulhar num ambíguo exer­cício de autoanálise. Com humor irônico e perspicaz, o narrador-personagem relata episódios sobre a morte de seu pai, sua carreira, seu casamento, seus casos amorosos e suas repetidas — e inúteis — tentativas de parar de fumar. Publicado pela primeira vez em 1923, A consciência de Zeno é a obra-prima de Italo Svevo e um dos romances mais importantes da literatura italiana do século XX. Utilizando a psicanálise como elemento fundamental da trama, este trabalho revolucionário apresenta com maes­tria as ansiedades, os medos e as questões mais pro­fundas de uma sociedade em transformação. Esta edição conta com a brilhante tradução do poeta Ivo Barroso, uma introdução do jornalista José Nêumanne e um posfácio do crítico literário Alfredo Bosi. A obra traz também uma apresentação do escritor António Lo­bo Antunes inédita no Brasil.

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    Ygor  A. R. Gouvêa picture
    Ygor A. R. Gouvêa07/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Humano, demasiado humano.

    Grande obra. Seu grande mérito está em sua estrutura narrativa, em sua riqueza psicológica, não só do personagem mas no que diz respeito a todo o jogo de relações sociais e suas contradições, nos mais mínimos detalhes, vícios e manias, na "psicopatologia da vida cotidiana", pra citar Joyce. Toda a história é contada pelo prisma narrativo de Zeno, que é o narrador personagem. Ele busca se analisar, valendo destacar que tudo é contado anos depois do ocorrido, o que naturalmente acarreta maiores distorções e valorações, para além de simples perspectivismos. Zeno tenta se entender a partir de suas relações, do que ele consegue colocar em palavras e muitas vezes não entende bem os motivos de suas ações acometidas por impulsos, mas por outro lado expõe brilhantemente suas contradições, fugas e autoenganos. O relato possui seu natural caráter de incerteza, exigindo que o leitor seja mais ativo durante toda a leitura. É realmente brilhante. Através de suas relações Zeno também faz uma grande exposição dos absurdos e hipocrisias da vida burguesa, da qual faz parte. Ele é de fato humano, demasiado humano.

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